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Vacina contra a confusão de poderes

por Sarin, em 29.11.18

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(fonte da imagem aqui)

 

 

Ontem a Assembleia da República aprovou a integração de 3 novas vacinas no Plano Nacional de Vacinação. A proposta foi do PCP, e foi aprovada com votos favoráveis do PCP, do PSD, do BE, do PEV e do PAN. O CDS-PP absteve-se e o PS votou contra.

As vacinas eram já recomendadas por grande parte dos pediatras, e a própria Sociedade Portuguesa de Pediatria defendia a imunização das crianças com tais vacinas, as quais seriam administradas em idades distintas.

Os custos destas imunizações, suportados pelos pais, orçaram este ano mais de 600€ (custo total das doses das três vacinas). Convém lembrar que não são ministradas nas mesmas idades, portanto estes 600€ dividem-se entre os 2 meses e os 14 anos. Negociadas em escala, sairão muito mais baratas ao Estado - quer pelo custo directo, quer pelo custo indirecto associado ao internamento.

Promove-se a Saúde individual e pública, redireccionam-se os recursos hospitalares antes dedicados ao tratamento das doenças em causa e poupa-se no bolso do cidadão, três vantagens absolutas e inegáveis.

 

Mas...

A Ministra da Saúde não sabia de nada e a Direcção Geral de Saúde não foi consultada.

E eu pergunto como é que chegámos ao ponto de termos os deputados a votar matérias tão específicas sem consultar os órgãos envolvidos no processo. 

Não é que eu não seja pela prevenção.

Não é que goste de ver crianças e adultos doentes quando há vacinas disponíveis no mercado.

Não é que não ache correcto o Estado substituir-se às famílias no que se refere à saúde pública.

Não é que não seja. Mas as coisas são como são.

E é facto que uma vacina pode ser comparticipada, parcial ou até integralmente, pelo Estado sem que esteja incluída no Plano Nacional de Vacinação.

É facto que a vacinação é um processo de inoculação do corpo que geralmente corre bem mas nem sempre, e por isso a sua administração deve ser ponderada não apenas pela lógica do custo material e do benefício imediato mas também pela óptica do organismo vivo e da sua dinâmica sistémica.

É facto que a Saude Pública é uma questão política mas também técnica que necessita de técnicos de saúde para ser devidamente pensada e executada, sendo os órgãos máximos da Saúde Pública em Portugal a Direcção Geral de Saúde, como órgão técnico, e o Ministério da Saúde, como órgão político.

Mas parece que há um novo facto: ser deputado confere omnisciência.

 

Já era contra a obrigatoriedade da vacinação, que felizmente não passou. Imagine-se um plano de vacinação obrigatório a ser coordenado pelos deputados... fico doente.

Percebi a intenção. Mas não. Assim não.

 

A Assembleia da República pode e deve fazer recomendações ao Governo. Não se pode substituir ao Governo, por questões óbvias de separação de poderes, e muito menos se pode substituir aos órgãos técnicos que nos governam - coisa que pensava ser também óbvia numa assembleia que congrega profissionais de vários sectores.

Porque há-de o PNV ser aprovado na Assembleia da República, sequer? Ou, então, porque não aprova a Assembleia da República o caderno de encargos de cada obra promovida pelo Governo Central? Ou cada contrato de parceria público-privada, cada emissão de dívida pública, cada computador onde marcam as presenças?

 

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Obrigada por estar aqui.



20 comentários

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De cheia a 29.11.2018 às 20:05

Essa vacina, infelizmente, ainda não foi inventada! 
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De Sarin a 29.11.2018 às 20:37

Mas bem necessária é, caro cheia... cada vez mais necessária!
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De P. P. a 29.11.2018 às 21:00


Hoje, ao ir para a escola, ouvi a notícia na RR. 
Fiquei 
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De Sarin a 30.11.2018 às 00:42

É estranho para caramba 
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De HD a 29.11.2018 às 21:17

Que valores obscenos... não fazia ideia :-O
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De Sarin a 30.11.2018 às 03:26

Não são gastos no mesmo ano, nem sequer em dois anos; mas sim, são muito elevados.
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De Pedro Vorph a 29.11.2018 às 23:38

Confio mais na Sociedade Portuguesa de Pediatria do que na DGS/Ministério da Saúde - Órgãos dirigidos por políticos/cargos de nomeação política, que muitas vezes usam as instituições de saúde pública para fazer política/mitigar as responsabilidades do governo. Mas percebo onde queres chegar e dou-te razão 
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De Sarin a 30.11.2018 às 00:44

É que o problema da confiança também vem daqui, do respeito entre poderes - se está mal desenhado, reconfigure-se... 
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De naomedeemouvidos a 30.11.2018 às 10:19

Se for “só” confusão de poderes... o Público traz hoje uma notícia algo  aligeirada sobre eventuais pressões da indústria farmacêutica.
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De Sarin a 30.11.2018 às 11:23

A da indústria farmacêutica é o meu medo exposto no parágrafo sobre a obrigatoriedade.


O PCP avançou com a medida na óptica do custo para as famílias; a indústria farmacêutica pressiona os médicos, não os partidos.
Daí que a APP seja, para mim, menos credível do que a DGS.


E agora vou ler a notícia do Público, mas antes


Olá :)
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De naomedeemouvidos a 30.11.2018 às 20:30

Passo muito por cá:)
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De Sarin a 30.11.2018 às 21:53

Mas não de forma que eu possa dizer Olá...
Gosto muito quando se sentam aqui pela esplanada e comentam, o tempo passa mais leve :)


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De naomedeemouvidos a 30.11.2018 às 22:15

Por sinal, a esplanada é óptima!
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De Sarin a 30.11.2018 às 22:22

Ainda bem que aprecia; reservo essa mesa para si, doravante.


Também gosto muito de passar no seu cinema, onde vejo desfilar no ecrã todas aquelas perspectivas interessantes derramadas em palavras leves que se nos entram pelos olhos e instalam no moinho a que chamamos mente - não houvera D. Quixote de os andar guerreando! E depois as outras, que nos pegam pela mão e levam de passeio...
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De Sarin a 30.11.2018 às 22:23

Não confundas DGS com Ministério. A chefia é política, mas o corpo é técnico.


Vou ler ;)
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De Sarin a 30.11.2018 às 22:26

Lemos o mesmo artigo? Porque o que eu li fala da alteração do financiamento, e da anulação da alteração, e não da anulação do financiamento... 
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De Pedro Vorph a 30.11.2018 às 23:10

Aposto que a alteração no financiamento relaciona-se com uma limpeza de contas....talvez o custo do tratamento não entre,  daquela forma, para o déficit do Estado....falarei com um médico um dia destes.


https://www.google.pt/amp/s/www.publico.pt/2015/02/04/sociedade/noticia/doente-com-hepatite-c-diz-nao-me-deixes-morrer-ministro-comprometese-pessoalmente-1685052/amp



Quantos morreram por não haver , na altura, dinheiro? E onde estava a DGS? 


Sarin, isto é só um achismo 
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De Sarin a 30.11.2018 às 23:32

Vivemos também de achismos, ou levar-nos-íamos muito a sério ;)


Com qualquer Governo, a função da DGS não é definir as fontes e mecanismos de financiamento mas sim indicar ao Ministério quais as prioridades no financiamento. A DGS é muito mas muito mais do que o Director-Geral de Saúde, mas tivemos um DGS excelente, o Dr. Francisco George, e parece-me que esta, Dr. Graça Freitas, nada lhe fica a dever a não ser talvez por ter menos experiência.




O/A DGS é nomeado pelo Governo, mas obedece a concurso público, não te esqueças. Francisco George atravessou os Governos de Sócrates, Passos e Costa, e só foi afastado por ter atingido o limite de idade para trabalhar na função pública...

a palavra a quem a quer




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