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Uma velha irritação

Temos de escolher

por Sarin, em 14.10.19

microscopio.jpg

Já o havia defendido, inclusivamente  aqui: a manipulação da opinião pública é fácil e bastam algumas palavras criteriosamente escolhidas pela Comunicação Social para aniquilar a credibilidade de alguém.

No caso, mais uma vez o caso, do juiz Ivo Rosa. 

Não sei se tem interesses partidários ou apenas faz uma leitura coerente da letra da Lei. Se tem interesses partidários, como tantos jornalistas e opinantes gostam de insinuar, gostaria de os ver noticiados como factos, não como insidiosos verbos  colados em notícias e destinados a manipular grosseiramente a opinião dos mais distraídos. Esta é apenas mais uma dessas manipulações: Juiz Ivo Rosa tentou proteger Polícia Militar no caso de Tancos

Tentou proteger? Esta afirmação indica intencionalidade. Portanto, ao jornalista do Eco que não assina esta peça ficaria muito bem explicar o que lhe permitiu inferir a intencionalidade. Porque o que escreve apenas permite a leitura de que o juiz Ivo Rosa recusou o pedido de acesso aos registos de comunicações de quatro antenas por estes serem demasiado abrangentes e isso violar a privacidade dos outros utentes dessas antenas. Sim, o pedido incluiu os registos de todas as comunicações das antenas do Montijo, da Golegã, do Entroncamento e de Torres Novas - incluindo as nossas, particulares - porque a chamada anónima foi feita de uma dessas antenas.

O Tribunal da Relação de Lisboa lá terá entendido que o caso merecia, e por isso todas, e repito todas, as comunicações efectuadas foram e serão desenroladas perante os olhos dos inspectores - e com mais motivo do que o apresentado pelo jornalista para atacar o juiz, eu questiono a segurança de tais dados. Porque os registos das chamadas foram colocados ao alcance de quem lhes deitar a mão. Quem me garante que os registos apenas são lidos pelos investigadores? E a sua distribuição, a sua duplicação, os circuitos que percorrem - quem garante a sua estanquicidade? Quem garante que não passa nos olhos de alguém que reconhece os números de particulares e que não usará tal informação para outros fins?

As minhas chamadas poderiam perfeitamente estar naquela lista, sem que eu tenha rigorosamente nada a ver com o assunto. As minhas e as vossas. E eu não abdico do meu direito à privacidade. Não adianta virem com o ditado "Quem não deve não teme": a Constituição da República Portuguesa tem um artigo que garante o direito à reserva da vida privada. E eu gosto muito da minha.

Sim, a Lei tem uma série de mecanismos que por vezes beneficiam os infractores - mas estes mecanismos existem para beneficiar os inocentes. Nós. Falta acertar nas regras que inviabilizem o seu uso pelos infractores - não se conseguirá tal restrição restringindo-nos os direitos a todos por igual, mas até acertarem é o que temos. E o juiz Ivo Rosa provavelmente não quis tomar sozinho tal decisão. Eu, no lugar dele, sei que não quereria.

Portanto, percebo perfeitamente a reserva e a recusa - ou o Regulamento Geral de Protecção de Dados só existe para passar multas e a preocupação constitucional com a privacidade só funciona para gente com nome sonante?

Talvez se a área fosse mais circunscrita o juiz tivesse deferido o pedido? Mas não, colocar a questão nestes termos não seria tão apelativo para os jornais.

 

Assusto-me com a ligeireza das notícias e a facilidade com que se ataca o carácter de tudo e de todos. E assusto-me porque tal ligeireza cresce na agenda de alguns, sim, mas sobretudo alimenta-se do desconhecimento da sociedade. Que, inerte e modorrenta, come as notícias como lhas dão. E assim as regurgita, sem sequer as digerir e assimilar.

Qual o limite dos ataques na Comunicação Social? Até onde pode seguir a impunidade de quem se diz contrapoder e faz jogos de poder em vez de escrutinar? 

Mais, até onde continuaremos a ser coniventes com esta dualidade de critérios? E de que direitos estaremos dispostos a abdicar em prol das investigações àquilo que nos revolta ou prejudica? 

Pensemos nisto, porque não podemos "ter sol na eira e chuva no nabal". É assim que surgem as inundações extremistas e as secas sociais.

 

imagem: microscópio de Oswaldo Cruz, via FIOCRUZ

Autoria e outros dados (tags, etc)

lançado às 13:28

Obrigada por estar aqui.



51 comentários

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De /i. a 14.10.2019 às 17:00

Olá, Sarin.
Então querem identificar o autor da denúncia via telefone porquê? A notícia é tendenciosa com o intuito de incendiar mais a opinião que temos dos juízes. Ora para saber a identidade do denunciante teriam de por a descoberto vidas anónimas, dado a àrea de actuação das antenas  ser muito alargada. Se já sabem mais ou menos os culpados... Para quê esta notícia. O CM é que é o da fama...
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De Sarin a 14.10.2019 às 17:19

Olá, /i.
O CM ganhou fama E proveito, fez escola e agora todos ou quase todos lhe usam o estilo. Atroz.
O Tribunal da Relação achou que sim, que valia a pena ver os registos das 4 torres de comunicação. Pelo menos foram dois juízes a decidir, não apenas um - o que sempre dá para dividir os males pelas aldeias.
Esta notícia serve, apenas, para apontar o dedo ao juiz Ivo Rosa. Mas provar os tais interesses que alegadamente terá, isso ninguém investiga nem publica. Estranho, não é? Tal como é estranho que falem na decisão tomada mas não falem da lei que a suporta. E, deste lado, os leitores vão comendo a mensagem e talvez nem se apercebam, desconfio que a maioria não perceberá de todo, a verdadeira notícia. Só quando os atingir em cheio.
Eu que tanto gosto dele, já sinto que enjoa citar Brecht - e nem com tantas citações percebem a mensagem :(
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De /i. a 15.10.2019 às 12:10

Concordo.
Hoje há jornalismo para "entreter" e por isso para formatar os leitores para uma via de pensamento que eles querem. Estes casos mediáticos vão acabar em nada. Como sempre. Infelizmente. O juíz Ivo Rosa levantam-lhe muitas ondas, mas depois provar que é bom nada. E isso é bom para os advogados prepararem a defesa dos seus mediáticos clientes, por exemplo, para contextar certos actos administrativos no processo.
Enfim. Parece que a Ministra da Justiça vai ser substituída. Confesso que esperava mais dela... 
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De Sarin a 15.10.2019 às 12:28

Os casos mediáticos vão acabar em nada porque os mega-processos são contraproducentes - disse-o ainda Marques Vidal estava no cargo, e esteve. É tecnicamente impossível dar a volta, em tempo útil, a tanta informação. A capacidade da memória humana é superior à sua longevidade...
E os abutres alimentam-se de qualquer naco.
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De /i. a 15.10.2019 às 13:23

Exactamente. Tecnica e humanamente impossível. Com tantos tomos para ler.. E o juíz não tem só esse caso. Mas continuam nessa senda dos mega-processos.
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De Sarin a 15.10.2019 às 13:45

Heranças difíceis. Que, agora, não podem ser desarticuladas.
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De Não Identificado a 14.10.2019 às 17:19

Sarin, não conheço o caso em concreto, mas a verdade é que o Ministério Publico tem recorrentemente reclamado das decisões do juiz Ivo Rosa para a relação e estas têm sido revertidas. Inclusivamente já vi escrito na comunicação social que o juiz Ivo Rosa reincide em interpretações da lei que foram dadas como incorretas pelos tribunais superiores.
Numa periodo em que alguns do maiores casos de corrupção e crime economico de sempre estão a ser julgados em Portugal, com prazos dilatados muito para além do razoável, pela leitura da comunicação social a atuação deste juiz tem sido instrumental a atrasar muitos destes grandes processos.
Sinceramente acho que a sua atuação deveria ser muito mais escrutinada pela comunicação socual do que é atualmente pois estes atrasos contribuem em muito para a sensação de impunidade para com os grandes delinquentes de crimes economicos que a generalidade da população sente existir atualmente em Portugal.
da Vinci
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De Sarin a 14.10.2019 às 17:27

É exactamente ai que pairo no meu terceiro parágrafo. Investiguem o juiz e as tais ligações que tantos insinuam mas que nenhum apresenta como facto. Expliquem a lei, levem-na ao tribunal constitucional até - porque o juiz tem sido coerente com a sua interpretação, e os juízes do tribunal da relação têm sido coerentes com a deles. Não sei onde estará a razão, mas sei que permitindo a lei várias interpretações e sabendo que uma ou várias delas violam liberdades e garantia de terceiros, sei que eu não me sentiria confortável a decidir pro esta via. Talvez fosse importante percebermos o que se está a passar também a este nível.
O que é inegável é que os jornais insistem em crucificar o juiz sem apresentarem factos que sustentem as acusações que implicitamente fazem - e no caso, fazem-no sem assinarem.
Olá, Da Vinci :)
Ainda lhe devo uma resposta - atrasada, mas não esquecida ;)
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De Não Identificado a 14.10.2019 às 19:52

Cara Sarin. Partilho algumas notícias sobre o juiz Ivo Rosa que efetivamente do meu ponto de vista põem em causa a sua capacidade para exercer o cargo. 
https://www.rtp.pt/noticias/pais/juiz-ivo-rosa-nao-permitiu-investigacao-a-denuncia-anonima-sobre-tancos_v1176058

https://eco.sapo.pt/2019/09/28/procuradores-acusam-ivo-rosa-de-minar-processo-marques/

https://observador.pt/2019/07/11/caso-edp-ivo-rosa-sofre-4-a-derrota-no-tribunal-da-relacao-de-lisboa-que-elogia-carlos-alexandre/



Na primeira notícia a realidade veio a confirmar posteriormente que o juiz errou brutalmente na sua avaliação da situação possibilitando que um dos crimes mais graves contra o estado português viesse a ser cometido. Não são insinuações, é um facto.
a segunda notícia revela entraves postos pelo juiz ao desenvolvimento do processo marquês que do meu ponto de vista parecem revelar não ser um juiz isento.
a terceira noticia descreve um processo em que o juiz Ivo Rosa exorbitou as suas funções e dificultou a investigação de um processo contra uma poderosa empresa portuguesa
Sinceramente penso que já está mais do que na altura de os seus superiores ponderarem se este juiz tem condiçoes para exercer este cargo.
A atuação deste juiz tem sido muito escamoteada na comunicação social e penso que efetivamente merece mais discussão pública e escrutínio. 
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De Não Identificado a 14.10.2019 às 19:52

daVinci
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De Sarin a 14.10.2019 às 21:06

Também vi estas notícias, caro da Vinci. E a questão permanece: investiguem. Os jornalistas, já que o CSM não o faz. Porque nós, público, podemos tirar todas as ilações. Os jornalistas é que não podem fazer tais insinuações sem provar.
Sobre a primeira notícia, o juiz "errou brutalmente"? Porque diz isso, da Vinci? Porque as suspeitas se confirmaram? Desculpe, mas isso não prova qualquer erro do juiz - quero é saber se o pedido de vigilância estava ou não bem fundamentado, porque é a isso que o juiz se tem de cingir. Se estava bem fundamentado e Ivo Rosa o negou, aí poderemos dizer que falhou. De outra forma, não - o juiz não pode autorizar vigilâncias e escutas só porque os investigadores "têm uma impressão". Isso é violar a Constituição. Falo disso no texto.
Sobre a segunda notícia, e segundo a mesma, os procuradores acusam Ivo Rosa de reter os recursos sobre decisões que entendem os procuradores só deverem ser apresentadas no final do debate instrutório. Mas quem interpõe os recursos não são os próprios juízes, portanto o que está em falta na notícia?
Sobre a terceira notícia, é exactamente sobre isso que falo no postal ligado no início deste. Não são os juízes que sofrem derrotas. para ser uma derrota de Ivo Rosa demonstrem que este tem interesse directo no caso além da aplicação da lei conforme o entendimento que dela faz.
E sobre este entendimento, que andam a fazer no CSM, no TC, no STJ, no Ministério da Justiça?


A forma como se produzem as notícias condiciona toda a leitura subjacente. Ivo Rosa pode ser um juiz corrupto ou pode ser um juiz com um entendimento distinto da lei. E é esta uma óptima oportunidade para se perceber como a regulação não funciona e, por isso, uma óptima oportunidade para discutir a matéria. Mas não se consegue uma boa discussão pública quando as notícias saem inquinadas.
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De Não Identificado a 14.10.2019 às 22:41

Sobre a primeira notícia, o juiz "errou brutalmente"? Porque diz isso, da Vinci? Porque as suspeitas se confirmaram?
Sim! Claro que sim! A função tanto do juiz como do ministério público é de fazer prevalecer a justiça em Portugal. 
desculpe mas questões administrativas como uma eventual má fundamentação do pedido do MP (que nem se sabe se existiu ou não tendo em conta os dados existentes) não justificam a falha grave do juiz Ivo Rosa ao não permitir que se investigasse a denuncia. 
Um juiz não é um mero funcionario administrativo a quem caiba meramente verificar pressupostos, um juiz é um dos "funcionarios" mais bem pagos do estado e a meu ver mesmo que o processo viesse mal instruido do Ministerio Publico seria obrigação do juiz conseguir separar o trigo do joio e permitir o avanço da investigação perante a gravidade do crime. Se não tem esta capacidade o juiz Ivo rosa claramente não está a justificar o salário que lhe é pago pelo portugueses mensalmente e deveria ser colocado noutras funções.
daVinci
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De Sarin a 14.10.2019 às 22:57

Discordo e discordo naquilo que é de mais fundamental na questão: o juiz tem de atender à fundamentação, porque a fundamentação é um dos crivos que diminui os abusos! No caso falhou - e em quantas centenas, quiçá milhares, não falhou mas nunca saberemos porque os suspeitos eram inocentes? A investigação, para passar pelo juiz, estaria relacionada com colocação de escutas e buscas. Devassa de vida privada, portanto. A quem? Com base em quê - qual o teor da denúncia?Desculpe, mas a fundamentação é imprescindível - é o que impede a polícia de lhe entrar amanhã em casa porque eu hoje lhes liguei a dizer que as armas estão na sua posse.
A aleatoriedade não serve - sim, é aleatória, a probabilidade de uma denúncia anónima estar correcta.
E eu continuo a gostar de viver num estado de direito.


Gravidade do crime? Uma denúncia anónima a dizer que iriam furtar armas num paiol do exército? Em circunstâncias naturais, o da Vinci alocaria recursos do Ministério Público a tal investigação baseado numa denúncia anónima? Lembre-se que à posteriori é fácil julgar o que se faria.
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De Não Identificado a 15.10.2019 às 00:23

Cara amiga. Obviamente que o juiz terá que atender à fundamentaçao. Agora do meu ponto de vista a sua avaliação não se deverá cingir à fundamentação. Caso contrário não passaria de um mero funcionário administrativo e não acredito ser esse o papel do juiz.


Eu também gosto de viver num estado de direito. Agora do meu ponto de vista num estado de direito é necessário que a justiça seja eficaz em tempo útil e dissuasora de futuras infrações o que efetivamente não acontece no âmbito da grande criminalidade economico financeira em Portugal. 


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De Sarin a 15.10.2019 às 00:30

Nisso estamos de acordo :)
Mas não me parece que o juiz Ivo Rosa seja um mero funcionário - se bem me recordo, uma das queixas contra ele é, exactamente, ter uma interpretação da lei que não dá muita margem a fugas de informação ;)
Repare que nada sabemos da fundamentação - fundamental no caso, passe a aparente redundância :) Ambos partimos de suposições, exactamente porque a CS não nos dá notícias, dá-nos conjecturas e espera que as mastiguemos. Por defeito, mordo-as ao contrário :)))
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De Não Identificado a 19.10.2019 às 13:03


Partilho consigo este postal sobre o tema que achei interessante
http://portadaloja.blogspot.com/2019/10/o-verdadeiro-super-juiz.html
daVinci
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De Sarin a 20.10.2019 às 17:27

Obrigada, da Vinci.
Duas questões:
1. As decisões são apenas a favor de "poderosos", ou serão geralmente a favor dos arguidos mas apenas se contam os processos dos poderosos?
2. Terá reparado que o destaque em adenda fala de "jornalistas ganham processo contra juiz". Estando ao telemóvel, precisei de aumentar a foto mas perdeu nitidez e não consegui ler. Moveram um processo ao juiz, ou interpuseram recurso de uma decisão do juiz? Porque no primeiro caso o título estará correcto, no segundo enfermará da mesma maleita que indico no meu postal. E isso não será escrutínio.


Sobre o postal que me sugeriu, sublinho e subscrevo a importância da avaliação do CSM; mas não posso, em consciência, subscrever a avaliação pois não detenho as informações que preciso para o fazer - julgar o juiz com base naquilo que sai nos jornais é incorrer na falácia do discurso manipulado.
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De Vorph Valknut a 16.10.2019 às 09:55

Gravidade do crime? Uma denúncia anónima a dizer que iriam furtar armas num paiol do exército?



Sarin, e quem nos diz que o denunciante não era agente do SIS, CISMIL, ou SIED??? Há informações, que não passam nos jornais, nem delas fazemos a mais pálida ideia. MI6, minha cara 
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De Sarin a 16.10.2019 às 10:04

Isso apenas piora a intriga entre PJ, PJM e outras forças de investigação e inteligência :)


Não, não serve de desculpa - o meu argumento está na sequência, e mantenho-o: uma denúncia anónima sobre algo que se vai passar com o exército levaria o juiz a aceder aos pedidos da PJ porquê, se a PJM ainda tinha jurisdição?
E, como sabes, as fugas de informação conseguem ser muito cirúrgicas :))
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De Vorph Valknut a 16.10.2019 às 10:47

Sarin, tenho algumas informações. Mas o meu nível de acesso é 2, numa escala de 10.


Imagina que a PJ sabia o "desfuncionanento" interno da PJM? Antes de Tancos houve também roubo em Alfeite.... Há muita coisa estranha na Tropa.... Investiga Movimento.... Envio - te o resto em modo seguro 
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De Sarin a 20.10.2019 às 17:29

Se a PJ sabia, teriam que ser essas as fundamentações dos mandados que chegaram, via MP, ao juiz. Eram?
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De Luísa de Sousa a 14.10.2019 às 20:55

Olá Sara, não estou em condições de poder comentar de forma coerente o teu postal, não estou a par do que se passa com o juiz Ivo Rosa.
Mas afirmo que cada vez mais tento ser um "espírito crítico" às notícias que me são apresentadas e, quando alguma me suscita interesse, cruzo com outras para saber da sua veracidade!
Muito interessante o teu postal!
Beijinhos
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De Sarin a 14.10.2019 às 21:12

Olá, Luísa :)
Não te sentes em condições de comentar proque não estás a par - mas eu também não estou a par, Luísa. Porque o problema é mesmo esse - a comunicação social não noticia, oferece suspeitas. Repara nos verbos usados... a notícia devia usar verbos como "indeferiu", "não autorizou", "não permitiu". Em vez disso, diz "tenta impedir". Não te estão a informar, estão a condicionar-te a interpretação de factos que nem sequer te apresentam.
E é isto que me mortifica - porque o juiz pode ser um mau juiz e até pode ser um juiz corrupto, mas as notícias apenas o estão a queimar sem provas. Pior ainda, notícias não assinadas. Péssimo trabalho!


Beijocas :)
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De Ricardo Nobre a 14.10.2019 às 21:16

Pelo menos desde que se disse que o juiz fazia a vida negra ao Ministério Público e que se insinuou que estaria disposto a acabar com o circo da operação marquês (que tem dado tantas audiências) a favor do principal arguido que Ivo Rosa tem a comunicação social contra si. Além disso, não é um Carlos Alexandre justiceiro, como a comunicação social gosta de ser, fazendo julgamentos em praça pública (aquele Neto de Moura bem pode ser um pobre diabo, mas a comunicação social deu cabo dele, com base em leituras tendenciosas do que ele escreveu — não o estou a defender, que ele bem podia ser mais cuidadoso com as palavras).
Enfim, isto está bom é para quem faz boa figura na televisão a comentar os crimes no programa da Cristina (não sou eu que controlo a televisão do sítio onde vou almoçar), não para encontrar a verdade — que normalmente não está onde há certezas e convicções profundas, como dizia alguém (Hegel ou um desses filósofos que não vão à televisão).
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De Sarin a 14.10.2019 às 21:29

Ora aí é que está o busílis! A Comunicação Social a ser Poder e não Contrapoder.
Nem quis entrar pela parte da notícia onde se fala das fugas de informação para a Comunicação Social, quando se percebe que têm sido cirúrgicas nos mais variadíssimos casos.
Liberdade de Imprensa não é carta branca para ataques - a pessoas e à deontologia.


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De João Silva a 14.10.2019 às 22:46

A dualidade é a dúvida perniciosa em que veicula o que quer que seja neste momento é claramente intencional, porque, sempre ouvi dizer, a dúvida corrói e "mata". É isso que vai levantar suspeitas e é nisto que agora demos em viver. Temos de ser nós a procurar quem diz a verdade e quem mente e com que propósito. Como, no geral, o povo gosta de coisas "mastigadas", come o que vem à rede. Boa noite e boa semana. Beijinhos 😉
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De Sarin a 14.10.2019 às 23:01

O problema é que mata mesmo - mata a credibilidade do juiz sem percebermos onde está a verdade.
Boa noite, João, boa semana :)
Beijocas
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De Toze a 15.10.2019 às 09:23


Bom dia Sarin!
O descrédito na nossa justiça é de tal ordem que não sabemos em quem acreditar. Fica sempre a dúvida. A responsabilidade é politica.  A relação politica/justiça é uma linha muito ténue.  :)
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De Sarin a 15.10.2019 às 09:41

Parte desse descrédito é responsabilidade da comunicação social, que invoca liberdade de imprensa para publicar matéria em segredo de justiça e que usa cabeçalhos e produz notícias como as ligadas.
A Justiça deve ser escrutinada, sim - mas isto que fazem não é escrutínio, é julgamento público sem publicação de provas.
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De Toze a 15.10.2019 às 09:51

Se é para não existir segredo de justiça, acabe-se com ele. Ou então a PGR tome as rédeas para saber de onde vem tanta fuga de informação. Nada é feito nesse sentido.
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De Sarin a 15.10.2019 às 10:47

Esse foi um tema grosseiramente evitado pelos defensores de Joana Marques Vidal, que viram na sua não recondução uma tentativa de anular os casos incómodos.
Que se saiba, continuam a correr - mas transpiram menos. Embora eu não consiga avaliar se consequência ou acaso. :)


O segredo de justiça é importante - tem é de ser explicado. Mas, mais uma vez, geralmente sabemos que "está" mas não sabemos "porquê". Responsabilidade dos jornalistas, pois quem decreta o segredo fundamenta-o.
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De Toze a 15.10.2019 às 11:12

O nosso jornalismo de investigação está muito à frente...
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De Sarin a 15.10.2019 às 11:15

À frente, não sei; mas que se considera acima da lei, considera. O de investigação e, principalmente, o outro!
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De Toze a 15.10.2019 às 11:19

Os políticos não têm interesse em tratar dessa questão...vá-se lá saber porquê
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De Sarin a 15.10.2019 às 11:27

Uns porque não querem, certamente!
Outros porque não conseguem.
Mas nem são os políticos: os poderes legislativo - as leis estão feitas! - ou executivo - não pode regular a actividade, seria uma ingerência anti-democrática!
São os jornalistas e o seu Sindicato e a sua deontologia.
São os magistrados e os oficiais de justiça e os seus CSM e Ordem e a sua deontologia.
Somos nós, que compramos e consumimos sem ética.
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De Toze a 15.10.2019 às 11:52

A responsabilidade é de todos...
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De Sarin a 15.10.2019 às 09:42

Bom dia, Tozé :)
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De HD a 15.10.2019 às 21:02

Esses senhores nunca tentam. Conseguem ou simplesmente não fazem... :-|
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De Sarin a 15.10.2019 às 23:16

É exactamente isso que penso: "conseguem ou simplesmente não fazem". Muito bem formulado! ;))
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De HD a 16.10.2019 às 19:59

Muito obrigado ;-)
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De Vorph Valknut a 16.10.2019 às 09:44

Percebo a tua indignação, e a tua preocupação quanto à recolha e possível manipulação de dados pessoais para variadíssimos fins (prática esta corrente em qualquer "motor de busca" - nunca consegues eliminar todo o teu histórico, todas as tuas informações pessoais, mesmo quando a empresa de te "dá" essa possibilidade).


Quanto ao acesso às antenas julgo que quando está em causa a possibilidade do roubo dos paiois nacionais parece - me que dada a gravidade da situação o pedido era ajustado, e proporcional à gravidade da situação. 


Só não entendo como certos jornais e jornalistas não são levados, pelos visados, a tribunal perante manchetes desse tipo (ao lê - la fica-se com a impressão de que referido juiz cometeu uma ilicitude, com base no conhecimento que temos hoje do caso) 
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De Sarin a 16.10.2019 às 09:51

A questão é também essa - "justifica-se, perante a ilicitude". Até onde estamos dispostos a ir na justificação? De que não nos importaremos de abdicar - e quem o fará por nós? Talvez que o juiz não tenha querido assumir sozinho tal responsabilidade por a entender potencialmente e demasiado lesiva para terceiros?


Quanto ao resto, é exactamente isso - este tipo de títulos, de notícias... ainda para mais, ou para menos, anónimas.
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De Vorph Valknut a 16.10.2019 às 10:10

Sarin, tens esse problema desde o 11 de Setembro. A video vigilância das cidades, 24 sobre 24 horas, em nome da Segurança. Como fazemos o compromisso entre Liberdade e Segurança?


As armas pretendidas eram de guerra, passíveis de ser usadas em actos terroristas. Penso que denúncia e roubo daquele de Tancos foi inédito em Portugal, como inédito, decerto no mundo e arredores, foi a sequela. Mas tinha "nojo" de saber que ditas armas poderiam ser usadas em ataques terroristas. Adenda: os "paios", da PSP, tinham pouco tempo antes de Tancos sido roubados, tendo, em consequência, "desaparecido" umas dezenas de pistolas Glock. 


Ou seja há em Portugal grupos de crime organizado especializados no tráfico de armas de guerra. 


Estranho para mim foi o PM não ter pedido a demissão, após se saberem os contornos do caso. Só mesmo por cá um governo envolvido nesta trapalhada reganha eleições 
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De Sarin a 16.10.2019 às 10:17

Essa pergunta é uma das que coloco no texto: de que estamos dispostos a abdicar.


Mantenho a pergunta: se a PJM ainda tinha jurisdição, porque iria o juiz permitir registos ao MP?


A não demissão do PM - nem a imediata do MD, já agora - prendem-se com a mesma ligeireza, a mesma impunidade, a mesma cultura de irresponsabilidade que grassa entre jornalismo e política - e economia, todos mancomunados com o beneplácito dos cidadãos.
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De Sarin a 16.10.2019 às 09:58

O acesso divide-se, parece-me, em dois momentos: investigação da denúncia (agora é fácil saber que era verdadeira), e investigação do roubo. Se a preocupação com terceiros é grande na investigação do roubo, muito maior e mais justificada na investigação da denúncia... imagina como será se cada denúncia anónima espoletar acesso aos registos das comunicações. E depois, entram-nos em casa a meio da noite?
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De Vorph Valknut a 16.10.2019 às 10:18

A PJ sabe Sarin. Porque é que achas que há por aí líderes de claques de Lamborghini, declarando uns mil euros mensais? Para quem julgas que eles trabalham (obviamente que são também empreendores por conta própria ) .... Conheço um caso de um tipo que roubou o carro de "uma cliente", tendo sido apanhado e posto cá fora no dia seguinte (Informador, disseram )... Não é só nos filmes 
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De Sarin a 16.10.2019 às 10:23

Não sabe tudo, Pedro. E não tem que saber.
Quero o Estado Social, não o Estado Policial - portanto, há muito trabalho a fazer em matéria de segurança. Façam-no!
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De Vorph Valknut a 16.10.2019 às 10:14

Sarin e demais leitores, peço desculpa pela semântica e gramática das respostas, mas não consigo, ou não tenho paciência para as rever em virtude do aparelho que possuo, ou da formatação da caixa de comentários. Ninguém tem a culpa, OK. Só pretendo ser entendido, mas não atendido nas minhas opiniões. Cumprimentos 
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De Sarin a 16.10.2019 às 10:21

Desde que passes a mensagem... como bem sabes :)
Não és o único com queixas das caixas, mas parece que é ocasional... siga, venha é a mensagem que a forma é, nos comentários, discurso directo informal de esplanada :))
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De Sarin a 20.10.2019 às 17:35

Apenas prova que o problema não são as leis nem o juiz - é a orgânica das nossas forças de defesa e de segurança. Junta-lhe os incêndios e o negócio das golas, e o resultado é um país com bons operacionais (a nossa PJ está bem cotada na Europol e na Interpol, os nossos capacetes azuis são admirados na ONU, as nossas patrulhas salvam gente no Mediterrâneo, ...). Mas com uma treta de estrutura orgânica que os oriente!

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