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Uma pitada de sal na ferida

por Sarin, em 18.06.18

O PAN hoje apresentou duas propostas muito interessantes.

 

A alimentação escolar é uma excelente oportunidade para concretizar uma política abrangente em matéria de saúde pública.

Tanta preocupação com o sal e o açúcar e o que se põe dentro dos tachos e se tira com as taxas... e nas escolas pouco mais que a proibição de refrigerantes e de batatas-fritas de pacote. Muito pouco.

 

O que o PAN parece querer fazer (e aqui tenho que sorrir; sei que um deputado fala em nome dos seus eleitores, mas não deixa de ser cómico ouvir o líder de uma bancada de um dizer "Nós...") mas dizia que o que parece querer com estas propostas é, nada mais, que levar as políticas das taxas para dentro das escolas.

 

As taxas sobre o sal e o açúcar dos alimentos visam dissuadir o consumidor pela oneração dos produtos que os contêm. E muito bem: nada proíbem, deixam ao critério de quem consome assumir os custos da asneira alimentar. Cujas consequências directas estão estudadas porque têm alta incidência no país e por isso oneram toda a sociedade, pelos custos  de tratamento mas também pelo absentismo, pela indisponibilidade para a família... os chamados custos sociais. Só espero que o montante taxado reverta para o SNS pois é este que lida com as tais consequências.

 

Mas a alimentação escolar não passa por taxas. Sendo providenciada pelas escolas, é responsabilidade do Estado - na figura institucional do Ministério da Educação (ME) e suas ramificações até às escolas. Seja responsabilidade directa nas cantinas com confecção própria seja na responsabilidade na selecção e contratação de fornecedores, incluindo de comida confeccionada (catering). Há ainda a modalidade camarária, mas o princípio é o mesmo. 

Ora se a nutrição e a alimentação,  enquanto factores de saúde pública, são competência do Ministério da Saúde (MS), porque é que MS e ME não partilham recursos, nomeadamente ao nível da elaboração das ementas ou dos cadernos de encargos das cantinas? Nunca percebi esta desarticulação. Nem esta nem outras, mas fixemo-nos nesta.

 

O Líder da bancada do PAN veio evidenciar que nos Ministérios dormem cada um na sua sombra.

Há organismos cujo trabalho é determinar quantidades e proporções e riscos e benefícios. Terá que se apresentar uma proposta por cada alimento cujo consumo deva ser restringido? Terá que andar um deputado a fazer o trabalho de nutricionistas e dietistas? Terá a nossa habilidade de auto-preservação que passar pela alegria da restrição legal?

 

Aplaudo a atitude do PAN, porque quem pensou as taxas devia ter pensado também nisto. Nisto, na alimentação escolar, não nisto, restrição legal. Porque a omissão é flagrante - para não dizer insidiosa quanto à velha questão de as políticas portuguesas serem sempre primeiro económicas e depois qualquer-coisa.

Mas não deixa de ser ridículo termos 230 deputados tão prontos a restringir e a proibir mas nenhum se lembrar que pode e deve criar as condições para que os profissionais exerçam a sua profissão. Neste caso, os nutricionistas nas cantinas das escolas. Em qualquer cantina, já agora.

 

 

E se é verdade que as crianças aprendem com o hábito e o paladar também se educa, para quê posters e folhetos que só servem para mostrar como é importante fazer reciclagem? Reciclemos a nossa abordagem. 

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Obrigada por estar aqui.



23 comentários

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De HD a 18.06.2018 às 20:54

E se deixássemos de pagar a essas centenas de deputados e fizéssemos uma campanha contínua e preventiva nas escolas e não só...? :-)
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De Sarin a 18.06.2018 às 21:04

Não era mal pensado, mas depois teríamos que fazer campanhas para tudo e quem trabalhava para nos sustentar?? :P
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De HD a 18.06.2018 às 21:05

Nisso, pensamos depois! Primeiro deixar de pagar aquela malta dorminhoca :-D
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De Sarin a 18.06.2018 às 21:42

Uau, gerir ainda no mais curto-prazo do que aquelas alminhas :D

Mas por mim, dos que lá estão fico com um ou dois.

São altos, trocam as lâmpadas sem escadote.
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De Einsturzende neubauten a 18.06.2018 às 23:01

Pois a mim parece-me mal. Cada um deve ter o Direito de dispôr da sua Saúde como lhe aprouver. E o Estado deve partir do Princípio que os cidadãos, incluindo os pais, são responsáveis. Não quero o Estado a entregar-me uma lista com os alimentos censuráveis.

A Liberdade tem os seus custos. As Sociedades Puras são doutros regimes que não as democracias liberais.
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De Sarin a 18.06.2018 às 23:21

Nem eu quero o Estado a mandar no que eu como ou deixo de comer!
Mas a Saúde Pública não se melhora apenas com campanhas, e o SNS deve ser financiado, portanto que seja financiado também pelas actividades opcionais que lhe levam mais doentes; existe proporcionalidade entre o consumo e a taxa, garante-se a liberdade de escolha ao consumidor e permite-se que quem foi mais responsável pague menos pela irresponsabilidade dos outros.

Por outro lado, as refeições escolares não são decisão dos pais mas da escola - os pais podem sempre mandar a marmita ou dinheiro e autorização para os filhos irem ao restaurante.
Não tem qualquer lógica investir recursos para fazer grandes campanha e não controlar aquilo que é facilmente controlável. Sem leis nem projectos de lei, apenas exercício da razoabilidade profissional.
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De Einsturzende neubauten a 18.06.2018 às 23:47

Então que seja a Randstad a financiar o SNS. A grande maioria dos doentes ,em Portugal, sofre de "perturbações de humor". Se o Estado está preocupado com a saúde do seu cidadão aumente , por decreto, o salário mínimo nacional para os 1000€, e reduza o horário laboral, semanal , para as 30 horas.

Não sei se existe proporcionalidade entre a taxa e a liberdade de escolha. O tabaco está caro para xuxo.

PS: Que saudades dos filmes da década de 50 em que se viam os protagonistas de cigarro na boca e whiskey na mão. Hoje são todos uma cambada de "maricas", com a sua água mineral e a sua empada de tofu.
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De Sarin a 19.06.2018 às 01:05

Não me fale em tabaco, que a asma arrepela-se-me toda. Foi por ela que o deixei... ná, foi por mim. O gajo andava sempre comigo, e quando se começou a meter na conversa com frequência... mandei-o comprar tabaco e dei de frosques. Foi uma relação longa, mas confesso que ao fim de 2 meses já não tinha saudades... a mente é poderosa :)


O Empakalvoneuten não leu a parte do "opcional" :)
Já agora, o problema não é com a Randstat, essa anda feliz com os temporários; padrões & pobres, essa amancebada do FMI e outras como ela é que nos tiram o sono...
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De Einsturzende neubauten a 19.06.2018 às 10:22

Na internet não há Direito ao esquecimento!
O SNS ,pela lógica subjacente à sua argumentação, não lhe deveria pagar, se um dia deles necessitar, os medicamentos para a Asma, independentemente do seu IRS. Seria justo? A mim parece-me que não. Aliás no caso das adições (os hidratos, as gorduras, podem ser viciantes,pela dopamina libertada após o seu consumo ) poderemos imputar ao viciado (todos eles com niveis elevados de dopamina) a culpabilidade do seu vício?
Pelos estudos recentes e alargando o espectro do debate muitos dos distúrbios alimentares devem-se ao stress. Comemos inumanamente porque vivemos inumanamente.
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De Sarin a 19.06.2018 às 10:54

Onde, no que disse, conseguiu inferir tal?
Onde conseguiu tal aberrante leitura de que "o SNS não deve pagar" qualquer coisa?
Há doenças de elevada incidência em Portugal que são potenciadas por determinados hábitos. Matéria de Saúde Pública, portanto.
Taxar os hábitos que potenciam tais doenças e baixar IVA ou mesmo intervencionar preço dos hábitos que as contrariam é medida preventiva que não inibe a prática; antes responsabiliza o consumidor na proporção directa do consumo - quanto mais aumenta o risco, mais financia o SNS. Para que o SNS possa continuar a atender todos.

Se nisto consegue ler exclusão de alguma coisa, talvez esteja na hora de rever qualquer coisa...

Já no exemplo que dá das dopaminas, permita-me relembrar que hidratos de carbono e gorduras insaturadas são essenciais ao funcionamento do corpo humano. Já o sal e o açúcar processado não fazem falta a não ser ao palato.
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De Einsturzende neubauten a 19.06.2018 às 12:16

A lógica da proibição é sempre a mesma. Primeiro tentam ganhar a censura pública. Depois a censura fiscal . Finalmente a proibição surge , naturalmente.

A principal causa de morbilidade em Portugal são as doenças cardiovasculares. Aí os hábitos alimentares têm importância, não sendo contudo os únicos, nem estando estabelecida a sua importância relativamente a outros factores causais. Por exemplo até que ponto a Saúde Mental , a sua ausência, pode determinar o aparecimento de outros factores de risco? Contudo fala-se , até a exaustão, sobre batatas fritas e sumos mas esquecem-se os factores a montante. Porquê a obesidade é mais frequente nas classes económicas desfavorecidas? - o rendimento não consegue explicar tudo (conseguirá a percepção da sua pobreza relativa? )

Vejamos :

Cientistas acreditam ter descoberto como o stress faz aumentar o risco de doenças cardiovasculares, concentrando-se numa zona do cérebro associada ao comportamento e às emoções.

https://www.google.pt/amp/s/www.jn.pt/nacional/interior/amp/cientistas-identificam-ligacao-entre-stress-e-doencas-cardiovasculares-5600404.html

Se alguém se preocupa-se a sério com o estado higio-sanitário , a nossa sociedade teria de ser alvo de uma intervenção de engenharia e o próprio Sistema teria de ser revisto....é por isso que nos querem fazer crer que o problema está na Coca -Cola. Assim como no Anbiente, enquanto se falar na reciclagem não se falam de outros factores mais incómodos porque intrínsecos ao Sistema da Modernidade

O sal e os açúcares são fundamentais para o funcionamento do organismo. Confira as bombas de membrana Na, K, Cl, e os açúcares para as situações de stress.
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De Sarin a 19.06.2018 às 13:06

Não me está a querer dar a volta trocando pentoses e hexoses naturalmente presentes nos alimentos com açúcar refinado... o mesmo para o sal... não confundamos, meu caro: açúcar processado e sal adicionado são invenção moderna para deleite do palato, a saúde nunca precisou destes.

Quando em presença de uma não-conformidade, o gestor corrige mas também actua sobre as causas (acção correctiva). A não-conformidade é a doença. A correcção passa pelo SNS, a acção correctiva pela alteração das condições que propiciam a doença.
Estas medidas não bastam - aliás, o tema do postal é a alimentação escolar e a desarticulação do MS na matéria, com restrições legais idiotizantes e bem-intencionadamente absurdas.

Por algum lado temos que começar a enfrentar o problema seriamente e sem paternalismos de restrições ou proibições.
Tentar solucionar tudo é o melhor caminho para que nada mude.

Taxar o que comprovadamente é supérfluo e prejudicial não é proibir. É responsabilizar.
Os cidadãos merecem Protecção, Segurança e Saúde. Todos! Mas, sendo os recursos finitos, não é justo que indivíduos de hábitos moderados paguem tanto como os que deliberadamente se colocam em risco. E não querendo policiamento aos hábitos de cada um, a solução está na fonte: a aquisição do risco.
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De Einsturzende neubauten a 19.06.2018 às 14:36

Nós não comemos. Nós degustamos. Daí a necessidade do sal e de outras saborosas especiarias.

A haver um modo de viver humano é precisamente em tornar o supérfluo, em essencial. Ou não fossemos nós animais capazes de Arte.

Sarin percebo bem que o bom senso está do seu lado. Eu é que gosto de outras abordagens
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De Sarin a 19.06.2018 às 14:52

E eu não lhe conheço a fibra?

Mas é bom que se levantem todas as questões, porque não sei se a malta das restrições e proibições se apercebe do caminho; ou se o pessoal das taxinhas reclama por pagar mas não percebe o fluxo tal como quem as mete só se preocupa com a entrada, e mais variações sobre o tema.
Porque nenhum tema é apenas um...

Pragmatismo e visão global, fórmula necessária e urgente.
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De Sarin a 19.06.2018 às 14:57

E não estaria mal essa leitura da humanidade...

... não fosse a inversa ser também verdadeira.
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De Sarin a 19.06.2018 às 11:26

Sabia que já há seguros de saúde cujo preço é mais baixo mediante a prática regular de exercício?
Porque não IVA 6% e benefícios fiscais em ginásios e piscinas, aulas de dança, ioga ou meditação... até mesmo preço intervencionado mediante receita para prática regular, porque não?

Campanhas televisivas e folhetos são medidas passivas - e aposto que não deixa de fumar só porque lê no maço "fumar mata".
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De Einsturzende neubauten a 19.06.2018 às 11:54

Concordo com a redução de IVA nos alimentos e práticas saudáveis. O que não é o mesmo que defender o aumento ,do mesmo imposto, sobre os outros produtos.

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De Sarin a 19.06.2018 às 12:36

Eu defendo a taxação do que, sendo supérfluo (falamos de alimentos) traz risco acrescido para a saúde pública. E vou mais longe, meu caro: pegada ambiental idem.
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De Sarin a 19.06.2018 às 01:06

Ok, ontem seitan, hoje tofu... grande revolução aí por casa
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De Sarin a 18.06.2018 às 23:35

Já percebi de onde tal leitura... faltava uma frase no penúltimo parágrafo. Escrever no telemóvel obriga a publicar e editar várias vezes, e a frase em falta li-a porque a queria lá, não porque lá estivesse. Agora está.
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De Einsturzende neubauten a 18.06.2018 às 23:52

https://youtu.be/nZPUZyOfwZU

Haverá outra forma de viver que não perigosamente? Antes uma vida arriscada que um cadáver saudável
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De Sarin a 19.06.2018 às 01:10

Concordo!
O SNS é que não tem que gramar com as desculpas.

E isso é batota! A adicção daqueles dois era a oxitocina; nicotina e adrenalina eram meros acepipes.

a palavra a quem a quer




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