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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

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Uma pitada de sal na ferida

O PAN hoje apresentou duas propostas muito interessantes.

 

A alimentação escolar é uma excelente oportunidade para concretizar uma política abrangente em matéria de saúde pública.

Tanta preocupação com o sal e o açúcar e o que se põe dentro dos tachos e se tira com as taxas... e nas escolas pouco mais que a proibição de refrigerantes e de batatas-fritas de pacote. Muito pouco.

 

O que o PAN parece querer fazer (e aqui tenho que sorrir; sei que um deputado fala em nome dos seus eleitores, mas não deixa de ser cómico ouvir o líder de uma bancada de um dizer "Nós...") mas dizia que o que parece querer com estas propostas é, nada mais, que levar as políticas das taxas para dentro das escolas.

 

As taxas sobre o sal e o açúcar dos alimentos visam dissuadir o consumidor pela oneração dos produtos que os contêm. E muito bem: nada proíbem, deixam ao critério de quem consome assumir os custos da asneira alimentar. Cujas consequências directas estão estudadas porque têm alta incidência no país e por isso oneram toda a sociedade, pelos custos  de tratamento mas também pelo absentismo, pela indisponibilidade para a família... os chamados custos sociais. Só espero que o montante taxado reverta para o SNS pois é este que lida com as tais consequências.

 

Mas a alimentação escolar não passa por taxas. Sendo providenciada pelas escolas, é responsabilidade do Estado - na figura institucional do Ministério da Educação (ME) e suas ramificações até às escolas. Seja responsabilidade directa nas cantinas com confecção própria seja na responsabilidade na selecção e contratação de fornecedores, incluindo de comida confeccionada (catering). Há ainda a modalidade camarária, mas o princípio é o mesmo. 

Ora se a nutrição e a alimentação,  enquanto factores de saúde pública, são competência do Ministério da Saúde (MS), porque é que MS e ME não partilham recursos, nomeadamente ao nível da elaboração das ementas ou dos cadernos de encargos das cantinas? Nunca percebi esta desarticulação. Nem esta nem outras, mas fixemo-nos nesta.

 

O Líder da bancada do PAN veio evidenciar que nos Ministérios dormem cada um na sua sombra.

Há organismos cujo trabalho é determinar quantidades e proporções e riscos e benefícios. Terá que se apresentar uma proposta por cada alimento cujo consumo deva ser restringido? Terá que andar um deputado a fazer o trabalho de nutricionistas e dietistas? Terá a nossa habilidade de auto-preservação que passar pela alegria da restrição legal?

 

Aplaudo a atitude do PAN, porque quem pensou as taxas devia ter pensado também nisto. Nisto, na alimentação escolar, não nisto, restrição legal. Porque a omissão é flagrante - para não dizer insidiosa quanto à velha questão de as políticas portuguesas serem sempre primeiro económicas e depois qualquer-coisa.

Mas não deixa de ser ridículo termos 230 deputados tão prontos a restringir e a proibir mas nenhum se lembrar que pode e deve criar as condições para que os profissionais exerçam a sua profissão. Neste caso, os nutricionistas nas cantinas das escolas. Em qualquer cantina, já agora.

 

 

E se é verdade que as crianças aprendem com o hábito e o paladar também se educa, para quê posters e folhetos que só servem para mostrar como é importante fazer reciclagem? Reciclemos a nossa abordagem. 

23 comentários

[A palavra a quem a quer]