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Um servicinho aos Laboratórios

por Sarin, em 13.07.19

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Leio no portal Sapo "Há milhares de portugueses a tomar medicamentos que não fazem efeito". Supondo ir encontrar um artigo sobre placebos ou sobre auto-medicação e venda livre, sobre diferenças fisiológicas ou sobre falhas de diagnóstico, sobre incúria ou desleixo médico ou sobre abusos das farmacêuticas ...

... deparo-me afinal com um muito inconcreto panegírico a testes genéticos que estão disponíveis no sector privado e que no SNS apenas são usados em tratamentos oncológicos ou da SIDA.

Testes que serviriam para identificar as terapêuticas mais aconselhadas a cada indivíduo; mas que, segundo o artigo, a comunidade médica não usa

<< Ou porque “não tem noção desta realidade”, ou por “ignorância”, ou até mesmo com o “argumento de que é caro”, critica Carolino Monteiro, professor de genética da faculdade de Farmácia de Lisboa.>>

apesar de o presidente do Colégio de Genética afirmar que

<<"A procura não tem sido relevante porque ainda não está demonstrada a utilidade clínica, sobretudo quando tem um custo adicional para o SNS”>>

O pequeno e muito insistente artigo termina com uma frase que, segundo o autor não identificado, seria corroboração da necessidade de tais testes mas que, no contexto, apenas me permite perceber abertura à discussão desta opção:

<<No mesmo sentido, Rui Medeiros, coordenador do Grupo de Oncologia Molecular do IPO do Porto sublinha que “está na altura de o SNS pensar o assunto de uma forma organizada”>>

O apologético artigo poderia ter invertido as citações do último parágrafo e terminado com a primeira:

<<Carolino Monteiro defende que “precisamos de uma estratégia nacional porque vai haver um momento em que todos [os doentes] vão querer fazer” o teste.>>

Pelo menos encerraria com um excelente indicador do novo paradigma médico que alguns parecem preconizar: o paciente não é apenas envolvido na decisão, o paciente decide para lá da opinião da comunidade médica.

 

Nos entretantos e nos finalmentes, não percebi se estava a ler um artigo que se pretendia informativo, e que terá saído muito aquém da pretensão, ou um texto que se pretendia de opinião, e que também nisso falhou por não assumir uma posição concreta apesar da redacção tendenciosa. E ou surgida por geração espontânea ou embaraçadora para o autor, pois que ninguém a assumiu.

 

Apercebendo-me de que o texto se baseia numa reportagem do Expresso, apesar de tal não ser mencionado, referenciado ou sequer ligado, apressei-me a localizá-la - não que a análise do texto assim o exigisse, que não exige, mas porque me interessam os dados e os vários argumentos da questão. Poderei vir a defender tais testes, mas preciso de muita  mais informação - e certamente preciso de informação que me seja apresentada de forma equilibrada, completa, com factos e fontes.

A reportagem, saída na edição de ontem, apenas está disponível para assinantes. Não o sou, e onde estou hoje não vendem nenhum, pelo que a leitura foi forçosamente adiada para um destes dias.

Fica no ar a possibilidade de voltar ao assunto.

 

 

Imagem obtida em Google Images

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Obrigada por estar aqui.



10 comentários

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De Sarin a 14.07.2019 às 01:02

O artigo analisado não fala em terapia genética mas sim em testes genéticos para determinar os medicamentos a usar.
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De Vorph Valknut a 14.07.2019 às 09:24

Testes genéticos podem ter como propósito terapia genética. Tentar usá-los no sentido da previsão do medicamento a usar é ainda discutivel entre a comunidade médica. Tentar usá-los na previsão de doenças é melhor nem falar
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De Sarin a 14.07.2019 às 10:04

Podem ter mas não é esse o sentido da abordagem no texto visado.
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De MJP a 14.07.2019 às 08:04

Olá, Sarin! :)


A única coisa que me ocorre escrever é que, este tipo de "escritos", me irrita profundamente!!!...
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De Sarin a 14.07.2019 às 10:45

É essa, também, a reacção que me provocam!


Bom dia, MJP! :)
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De Luísa de Sousa a 14.07.2019 às 15:24

Acabei por não perceber o que pretendia o artigo da Foreveryoung!!!
Um convite aos testes genéticos???




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De Sarin a 14.07.2019 às 16:34

Pareceu-me um pouco mais do que convite, Luísa... 
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De Não Identificado a 15.07.2019 às 23:47




Tendo em conta que existe em Portugal - financiada pelo erário público - uma Entidade Reguladora para a Comunicação Social penso que faz parte das suas responsabilidades garantir que o que aparece ao leitor, seja em papel ou no online, identificado como uma notícia deveria ser facilmente distinguível do que é publicidade (seja ela mais ou menos encapotada) ou cronica/artigo de opinião.Caso as regras do jornalismo de qualidade não sejam seguidas (isenção na apresentação da matéria, contraposição de fontes com diferentes pontos de vista, não omissão de informação relacionada relevante, etc) esta autoridade deveria efetivamente regular e advertir, sancionar e obrigar a que a peça fosse identificada como publicidade, cronica ou artigo de opinião.
Por outro lado penso que deveria ser restrita a possibilidade de jornalistas com carteira de jornalismo ativa escreverem artigos de opinião/crónicas.
-daVinci
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De Sarin a 17.07.2019 às 17:01

Olá, da Vinci.
Concordo, mas para que a ERC actue é necessário denunciar - e acabo por não perceber o que é "aquilo"... um sítio? Um blogue? Um jornal ou revista?
O portal Sapo é um portal, dá visibilidade a conteúdos - talvez deva ser mais rigoroso na selecção dos conteúdos em função dos critérios de edição?
Por outro lado, não se pode falar de publicidade encapotada pois não há referência a marcas ou laboratórios, apenas uma escrita tendenciosa...
... que não percebo ser opinião ou informação, e se escrita por um curioso ou por um jornalista porque sem qualquer assinatura :/ 

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