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Um postal do género

por Sarin, em 23.08.19

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Tinha em formação um postal sobre a ideologia de género (sexo vs género) e o Despacho 7247/2019, que é o mesmo que dizer que as ideias se agitavam e começavam a ganhar forma de texto. Agitavam-se convulsas ao ler artigos destes, acalmavam com estes, e hoje era a madrugada em que, sentada ao computador, escreveria o postal.

Mas entre postais pausei e li o Der terrorist. [definitivamente, as pausas hoje tiveram resultados estranhos] Foi lá que descobri o artigo que vai muito mais além da análise que eu pretendia fazer à lei e às petições de gente que, talvez fruto das suas inclinações autoritárias, confunde a liberdade de escolha com a imposição de uma escolha...

 

... Vale mesmo a pena ler o artigo de João Francisco Gomes no Observador.

 

Este postal ficar-se-ia por aqui se, a propósito do mesmo tema e das mesmas gentes, não me tivesse recordado haver lido na madrugada anterior que no CDS houve quem usasse abusivamente, leia-se fora de contexto e sem autorização, um desenho de um autor japonês que já afirmou não permitir o seu uso para fins políticos - e que exigiu a sua retirada directamente ao prevaricador. Sem sucesso, que o twit lá anda contente e a multiplicar-se... [já agora, leia-se com atenção o que diz Alexandre Morais... é ler, é ler a thread toda!].

E também cabe aqui recordar algumas respostas a Laurinda Alves: uma carta aberta de uma mãe que vê na jornalista o que vê na filha e um postal de uma mãe que luta em nome do filho.

 

Pronto. Agora o postal está pronto.

 

imagem retirada do Livraria Florence

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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lançado às 04:58

Onde ideias-desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor.


Obrigada por estar aqui.



18 comentários

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De imsilva a 23.08.2019 às 19:13

Juro que pensei, não me vou meter, não tenho tempo para isto, mas (ai de mim, não resisti) de manhã estive a ler os artigos que indicas-te, e agora vou tentar comentar.
Sabia da polémica do despacho, mas a tua informação é sempre preciosa. Espero, eu própria não estar a ser tendenciosa.
O artigo da Laurinda Alves é fantástico,está tudo lá, pelo menos o que eu poderia dizer está lá. Mas como sempre, há mentes formatadas por este ou por aquele motivo, e nem sempre existe isenção nas leituras. Os pais vestem os problemas dos filhos, e não seria de esperar outra coisa,por isso não posso de maneira alguma desrespeitar quem durante anos tem assistido ao sofrimento do deu descendente, seguramente sofrendo com ele, e procurando ajudá-lo de alguma maneira.
Se poderia ser um assunto menos delicado? Poderia,creio que mais uma vez se empolga algo que deveria ser mais simples, com respostas mais assertivas e reais. 
Vivemos tempos agitados (quando não o foram?) É a Amazónia, é o museu de outro tempo,é a identidade de género...acho que vou trabalhar, ao menos aí, mando. beijo.
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De Sarin a 23.08.2019 às 19:48

Olá, imsilva, ainda bem que te meteste - os assuntos devem ser discutidos pelo menos enquanto pudermos discutir, sabemos lá quando nos cortarão o pio "para que nos não doam as gargantas"...


O texto da Laurinda Alves, e olha que eu não estou formatada (tenho postais antigos sobre o tema, podes ir espreitar), é extremamente desconhecedor daquilo que afirma :(
Começa logo por assumir que as crianças se vão exibir nas casas de banho e parece pensar que as crianças se sentam nas sanitas de portas escancaradas ou que uma menina em corpo de menino faz xixi de pé só porque tem pilinha.
Depois, chama à baila, no que demonstra sofrer de uma grande confusão, sexo, género e identidade sexual - como se fosse a mesma coisa. Fala de raparigas em casa de banho de rapazes - sem respeitar as raparigas que vivem presas num corpo de rapaz ou os rapazes que vivem presos num corpo de rapariga. Que agem e vestem como se identificam e não como o corpo que têm - portanto, serão sempre raparigas em casas-de-banho de raparigas e rapazes em casas-de-banho de rapazes.


Depois, está eivado de boçalidade - e certamente não leu o decreto. Ou está intencionalmente a inventar interpretações! "para te poder ajudar tens que baixar as calças e mostrar-me primeiro do que é que estás a falar"?! Isto é inadmissível num jornalista. É imbecilidade pura.


E não acredito que sejas imbecil :) Lê o decreto com calma. Podes concordar ou não com os mecanismos propostos ou, sequer, com a existência de crianças presas em corpos que não os seus (recorda os "possuídos", certo? Geralmente a ciência encontra respostas para os mitos); mas não acredito que, comparando o que diz o decreto e o que diz a Laurinda, continues a achar que ela diz o que tu poderias dizer :))
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De imsilva a 24.08.2019 às 11:03

Minha cara Sarin, depois de reler o dito cujo, tenho a dizer:
O despacho, pouco mais diz que "sejam civilizados" "respeitem os vossos pares" e também diz que se deve dar formação a "docentes e demais profissionais do sistema educativo", como aliás deveriam fazer em tantos outros casos necessários, e que não fazem.
A Laurinda o que diz, é que vai correr sangue, porque os miúdos e jovens (alguns) são cruéis, sempre foram e apesar da evolução, sempre serão.
Empolar a situação é chamar a atenção para ele. Porquê não se fazem as coisas com naturalidade? Nas cartas das mães que circulam por aí, são as próprias a concluir, que com a ajuda dos colegas e amigos (e com certeza do pessoal docente e não docente) a transição acabou por correr bem. Quanto mais se chamar a atenção, mais vão acordar os rufias, os que não são civilizados.
Eu consigo entender o que ela quer dizer com os exemplos que fala, estão caricaturados, obviamente, mas não me parecem fora da realidade. Há coisas que na teoria parecem muito boas, mas na prática, não serão bem assim.
Isto é demasiado complexo para se mandar opiniões e opiniõezinhas, mais uma vez "respeito precisa-se". Estes rapazes e raparigas precisam e necessitam de serem respeitados, não são ETs, nem bichos do mato, talvez não devessem ser tratados como tal. Só precisam que o mundo à volta deles faça uns ajustes, como já aconteceram tantos ao longo dos anos. É só uma questão de adaptação, não de fazerem disso casos de "decretos, despachos e afins". Não sei se será isso que eles próprios pretendem.
Tenho dito.
Posso mandar-te um beijinho na mesma!
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De Sarin a 24.08.2019 às 11:43

Olá, imsilva, bom dia :)
Discordo de ti, o despacho diz um bocadinho mais.
E discordo drasticamente de ti: Laurinda não caricaturou, Laurinda enxovalhou, foi ofensiva, desrespeitou as crianças transgénero tratando-as como se fossem crianças caprichosas e a "desorientação" resultasse de uma fantasia.
Numa coisa concordo contigo: chamou a atenção para o assunto. Mas não para o resolver e sim para acicatar os ódios e intolerâncias.
Posso discordar frontalmente (e discordo) de Diogo Costa Gonçalves, mas esse chama a atenção para o assunto sem insultar. É assim que, na minha opinião, se debatem as questões.


Beijocas, tem um bom dia :)

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