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Tudo seria hilário se não fosse perturbador

Um desabafo sobre apenas algumas das já banalidades que nos ocupam os dias

por Sarin, em 01.02.20

lao tse.jpg

Estive uns dias ausente - umas férias da rede. Nem sempre consegui ouvir as notícias na rádio, e se não li jornais por receber vários "desculpe, só recebemos 4 (ou 2!) e já os vendemos", da televisão já desisti há muito. Portanto, atravessei Janeiro quase sem aprofundar o que se passava por aí. E o pouco que fui ouvindo deixou-me mais e mais cansada deste tempo que vivemos. Quero a espuma de volta, sim, por favor, a espuma - nesta nada engana, tudo é fátuo.

 

Ao contrário de Ventura, que é fátuo mas consistentemente enganador. E abominável. Abomino a falta de convicções que exibe, adequando-as ao caminho que mais depressa o eleger qualquer-coisa - Doutor ou Deputado, Comentador Televisivo ou Presidente da Nação (já que de Clube não). E perante tal perspectiva voto em Cristina, que de espuma só terá a dos perdigotos que a atacam. Porque Cristina debate maioritariamente temas que não me interessam e usa uns tons de voz e de familiaridade que não me colhem simpatias - mas se é mulher para publicamente chamar porca a uma colega que aprecia, também será para convidar a sair do seu espaço alguém que aja contra os seus princípios. Frontalidades que Ventura não consegue. Não ter princípios será uma das causas, suponho - e apresentar desculpas esfiapadas, uma das consequências. Já propor a devolução de uma cidadã e deputada nacional com dupla nacionalidade ao seu país de origem apenas lhe expõe mais um pouco da imbecilidade e da preocupação em navegar o populismo dos descontentes. Um imbecil com diploma e cobertura da Cofina, eis o palhaço das mil caras! E se me acusarem de atentado ao seu bom nome, alegarei em minha defesa escrever com recurso à ironia. Ventura disse-o, e alguma vez me haveria de ser útil o que diz o cidadão.

 

Ou ao contrário de Joacine que, não sendo fátua, é enganadora e foi lançada por engano. E que lançou um debate que apenas não é interessante para quem se engana supondo-a tonta. Ou para quem defende museus outros numa história que sublimam, sub-limando. Gagos das ideias serão, e mais do que Joacine a falar, a quem confesso não conseguir ouvir - falha minha, que gosto de ler Maria João Seixas e sou incapaz de acompanhar um seu programa. Porque há diferença entre exibir ofertas e exibir saques, e achar ridículo tal debate é não perceber a diferença entre análise e revisionismo, independentemente de concordâncias e discordâncias. Pergunto-me o que sentiria um português ao ler num museu francês ou inglês "Espada do Rei D. Pedro I de Portugal, trazida aquando das Invasões Napoleónicas" ou "Arte Portuguesa dos séc. XVIII e XIX", num mesmo expositor lenços de Viana e aventais da Nazaré, galos de Barcelos e O Velho, do Bordallo original. Enfim, suponho que dependerá de o português em causa pensar Portugal diverso ou pensar o Portugal que lhe meteram pelos ouvidos e a quem basta conhecer o de Bissaya.

 

Gagos das ideias também os que defendem o Estado de Direito e incensam Rui Pinto, confundindo as (alegadamente suas) revelações com um exercício de cidadania. Além de ser pública a solidariedade entre piratas (sim, honra entre ladrões ainda existe!), também é pública a muito mais transparente disponibilização dos dados promovida por Assange e Snowden, alguns, também eles, obtidos por meios ilegais - em tudo distinta dos malabarismos feitos por Rui Pinto. Ou a forma como qualquer um deles assumiu a responsabilidade pelos seus, e até de outros, actos - ao contrário deste novo santo popular. Já aos que defendem Rui Pinto por mera vontade contra o Benfica, e são tantos!, apenas posso classificar de anedotas: o cidadão está a braços com processos por causa da Doyen, do SCP e de uma série de advogados e magistrados, e ainda nem sequer assumiu, ou lhe foi atribuída, a responsabilidade pelo assalto aos computadores do SLB. Mas à turbamulta não interessam factos, apenas algumas consequências - apenas algumas.

E são isto homens?, pergunto eu usurpando o título de Primo Levi sobre a vida em Auschwitz.

 

Que foi libertado há 75 anos. E nos deu uma pálida ideia da crueldade do Homem que se supõe civilizado. Desde então, parece que nos habituámos a com ela conviver. Talvez que seja como nos filmes de terror série B, onde só o primeiro eventualmente surpreende e aos outros vemos pelas pipocas ou pelos comentários ou, quiçá, pela oportunidade de nos agarrarmos ao mafarrico do lado, fingindo um medo que não sentimos - no caso, desfiando mágoas que não temos em palavras alinhadas e repassadas com esmero para leitor ver e aplaudir.

 

Basta ver a alegria de muitos britânicos que, felizes com a suposta permissão para expulsar os não britânicos e reganhar os postos de trabalho que supõem para eles ter perdido, ainda não perceberam que continuarão a ter os mesmos imigrantes, ou talvez mais - o Migration Advisory Committee do Reino Unido já alertou para a possibilidade de perderem profissionais e perigarem alguns serviços. Mas a crueldade com que se olha o outro é assim, simples nas suas alegrias imediatas, inconsequente nos seus desejos. Haverá países europeus onde a alegria vai mais longe, bem sei - e a Hungria e a Polónia vivem os seus próprios exit com ambos os pés dentro da União que cada vez é mais Comunidade Económica.

Já nem falo de Trump a abençoar o Estado da Palestina com capital na Jerusalém que quer indivisível. Uma Palestina com território drasticamente reduzido, uma Palestina que não foi ouvida nem achada nos supostos planos de paz, uma Palestina que vai ficar sem água, Netanyahu promete, Netanyahu faz.

 

Sim, sinto o tempo a andar para trás e não é por causa da chicana do Chicão. Mais precisamente, sinto que o tempo avança mas nós retrocedemos, e não o digo figuradamente, como quem lê involução: vejo-nos repisarmos a História em passo acelerado. Erguem-se muros que antes se derrubaram, e os Wind of Change são afinal temporais. Se primeiro levaram só os comunistas, Niemöller dixit, agora todos comem criancinhas. Recomeçamos pelo fim.

 

E este leve sopro é só o princípio do meu desabafo.

 

Nota: a frase de Lao Tsé  não ilustra o postal gratuitamente. Pede comentário, e ei-lo:

É fácil apagar as pegadas que se desejavam indeléveis na memória. Basta pisar o chão com força e refazê-las mais largas e mais profundas do que antes.

[Todos contra a COVID19: Isolamento social. Etiqueta respiratória. Higiene. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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lançado às 01:50

Obrigada por estar aqui.


COVID19, uma ameaça muito séria

Cuidemos de todos cuidando de nós. Cumpramos as instruções das autoridades de Saúde.



31 comentários

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De Mia a 01.02.2020 às 03:56

Ai Sarin, sim o tempo está a andar para trás. 
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De Sarin a 01.02.2020 às 16:12

e tão depressa, Mia...
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De Teoria do Nada a 01.02.2020 às 11:36

Olá, 
Estava à espera que aparecesse no meu email Sarin escreveu. Sim estás subscrita. Já tinha saudades tuas e da tua escrita. Deixei de ver noticiários como tu, vou vendo as Notícias aqui e ali na Internet, mas fizeste um resumo digno do tempo em que estiveste fora. 
Continua a escrever, assim como escreves, é simplesmente delicioso. 
Beijinhos da lagoa para o rio 
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De Sarin a 01.02.2020 às 16:27

Um resumo indigno, Teoria, um resumo indigno da Humanidade que queria que fôssemos... 
Obrigada :) recomeço a precisar de partilhar o que me mói, andarei mais por aqui. E por aí :)
Feijocas grandes do rio
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De Teoria do Nada a 05.02.2020 às 22:51

E fazes muito bem em partilhar o que te vai na alma. 
Feijocas da lagoa para o rio 
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De Sarin a 09.02.2020 às 09:19

Não partilho tudo, só aquelas irritações que me arranham enquanto cidadã ;)
Feijocas
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De Teoria do Nada a 09.02.2020 às 14:00

Claro, entendo. 
Mas eu estou numa que um dia destes começo a deitar tudo para fora. 
Ir ao psicólogo está caro. 
Feijocas da lagoa 
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De imsilva a 01.02.2020 às 13:21

Concisa, pertinente, e para quem não vê tv, muito a par da vida como está . Tinha saudades do teu prisma, cru e certeiro. Beijinho 
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De Sarin a 01.02.2020 às 16:33

Os noticiários na TV confundem mais do que esclarecem, im, por isso, e infelizmente, ter deles desistido há muito. Não há paciência para jornalistas-comentadores, menos ainda para comentadores omnipresentes e venerandos tudólogos cuja palavra entendem dogma - nunca tive jeito para dizer ámen, ou me sai "ah, mãe!" ou "yah, man!"... e, vez por outra, até um "ámençoadas riquezas do 'sprito!" ;))
Estou de volta, e cheia de comichões... ou borboletas, não é? :)
Beijocas :****
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De MJP a 01.02.2020 às 14:01

Uma análise brilhante!
(já tinha muitas saudades de te ler...)
Bom fim-de-semana!
Beijos
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De Sarin a 01.02.2020 às 16:37

Obrigada, MJP :)
Nem é bem análise, que as ambivalências das mencionadas gentes são tantas que antes de analisadas têm de ser desmontadas... mas é um achega (ou um já basta) a algumas, sim - não aguentava mais ficar calada :D
Bom fim-de-semana para ti também, embora ainda nos cruzemos - estou numa onda de recuperar leitura perdida ;)
Beijocas
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De Luísa de Sousa a 01.02.2020 às 15:05

Oh Minha Querida Sara, que saudades dos teus textos .... tão elucidativos, coerentes e certeiros!!
Gosto tanto das tuas análises!
Beijinhos
Feliz Sábado!


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De Sarin a 01.02.2020 às 16:41

Olá, Luísa :)
Tirei férias da net, mas até as férias se tornam pesadas quando temos ganas de gritar contra algumas loucuras de que ouvimos falar...
Beijocas, e até já.
Feliz Sábado :))
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De João Silva a 01.02.2020 às 16:44

Este é claramente um post com material altamente inflamável. 😁Não que interesse para o caso, mas concordo com a maioria das tuas posições sobre os assuntos 😉 bom fim de semana. Beijinhos 
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De Sarin a 01.02.2020 às 16:58

O Mundo anda altamente inflamável, João, e nada tem a ver com os incêndios que deflagram nas florestas e savanas do planeta.
E claro que as tuas opiniões interessam para o caso - neste burgo gosta-se de debate, como sabes :)


Novidades para breve, certo? Já lhe compraste sapatilhinhas? :)))
Bom fim-de-semana, e até já :)
Beijocas
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De João Silva a 02.02.2020 às 15:36

Novidades para breve, sem dúvida, já em plena Primavera. Até lá, toca a comprar stock para ele 😁 por agora, corro sozinho, a pensar nele, daqui a uns anos (valentes), levo-o a correr comigo e aí compro-lhe as ditas sapatilhas 😉🤗😁 bom domingo e boa semana. Beijinhos 
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De Sarin a 02.02.2020 às 20:49

Portanto, ainda não te cruzaste com aquelas miniminiminisapatilhas para bebé... são irresistíveis, João! :)) Mesmo sabendo que só servem para aquecer os pés aos catraios :))


Beijos, boa semana
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De redonda a 01.02.2020 às 19:38

Grande desabafo e muito bem escrito
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De Sarin a 01.02.2020 às 19:41

É grande, Gabi... e é apenas o começo destes destes dias de ausência.
Obrigada :)
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De Vorph Valknut a 02.02.2020 às 00:05

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De /i. a 02.02.2020 às 01:39

Oláaaaaaa
Dois pontos para começo de "conversa":
1- o rebuliço da Joacine (o BE já tinha falado nisso) de devolver património às ex-colónias. Nós até não temos assim tanto património de lá nos nossos museus. Não somos dos piores. Depois nenhum país independente nos pediu nada. Esta coisa de tomarem as dores dos outros e seguir tendências nunca é uma boa prática. Nós também deixamos património e muito dele foi saqueado, destruído... Por exemplo, a Barragem Cabora Bassa  foi também um investimento de Portugal e Guterres e Sócrates perdoaram a dívida (e não era uns trocos) e vendemos a nossa participação com desconto. A resposta do André Ventura não comento. Porque nitidamente foi resposta estilo Lili Caneças para aparecer em tudo o que é jornais, redes sociais e ser mais famoso...
(A Joacine podia ir verificar se a lei barreto foi totalmente aplicada. Isso é que era de valor )
2 - Israel está aplicar a mesma formula à Palestina que o Hitler e outros aplicaram a eles com o apoio e a conivência de todos: uns por estratégia outros por sentimento de culpa. E mais... a maioria das pessoas pensa, afirma que Israel tem razão em perseguir a Palestina. 
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De Sarin a 02.02.2020 às 21:43

Olááá :)))
Tudo bem contigo, /i.? Eis-me de volta, engasgada e tudo :)


Pego nas tuas palavras para dar continuidade à conversa:
"Nós até não temos assim tanto património de lá nos nossos museus."
Supões que tenhamos pouco, ou sabes? porque a questão é essa: não sabemos quanto e qual é espólio da ocupação, saque, e quanto e qual é oferta ou compra, aquisição legítima.
"Depois nenhum país independente nos pediu nada"
Se encontrares uma carteira na rua leva-la à polícia para que a devolvam ao dono, certo? Se vires  em tua casa um casaco que não é teu - porque se esqueceram ou o  trouxeste de casa de alguém, emprestada ou por engano - e cujo dono conheces, entregas-lhe a peça ou usa-la até o dono a solicitar?
Questão moral, sim - e de ética entre estados. Podem firmar-se protocolos de empréstimo, de cedência, de exposição móvel... mas o seu a seu dono.
"Nós também deixamos património e muito dele foi saqueado, destruído..."
Falamos de obras de arte móveis, não de edificações.
Sobre Cahora Baça e perdões de dívida, estamos a falar de decisões políticas passadas que, mal ou bem, concordemos ou não, foram tomadas atendendo a projectos conjuntos. A França também perdoou à Alemanha grande parte da dívida de guerra, por exemplo.
Sobre querer ressarcimento pelo  que lá ficou, entramos num campo muito delicado - não teríamos de pagar pela ocupação feita, pela riqueza extraída, pela escravatura, pelos danos de guerra? Isso, sim, é revisionismo. Devolver bens móveis sonegados é, apenas, devolver o que se tirou e detém sem autorização. Os bens que os repatriados deixaram não foram sonegados - foram abandonados. Por força das circunstâncias, sim, mas abandonados.



O Ventura é a coisa abjecta que sabemos que é, um indivíduo cujo único princípio é um fim em si mesmo: ter tacho.
(A Joacine não tem que se preocupar em puxar debate para aquilo que nunca esteve no seu programa. Incrivelmente, muitos deputados têm passado pela AR, o PS, o PSD e o CDS têm sido Governo, e ninguém fala nisso - não seria de mais valor ser algum destes a puxar tal debate? ;))


2. A maioria das pessoas, além da pouca informação que filtra, é confrontada não com as questões políticas mas com as religiosas: de um lado, uns gajos a quem até  limpámos o sebo no séc. XV e a quem nunca gramámos por aí além, uns somíticos que só faziam judiarias; do outro, uns belzebus que rezam de rabo para o ar e levam criancinhas nos ataques, para se protegerem. É isto que vêem e ouvem, pouco ou nada sabem sobre segregação, ocupação, enclave, acesso à água e às rotas mercantilistas, abastecimentos, ...


 
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De /i. a 03.02.2020 às 19:43

Oláaaaa
É assim... Pelo que os historiadores dizem há pouco património ultramarino nos nossos museus. Se em casa particulares, nomeadamente militares, ex-políticos, pois isso não sei. Se existir algum marfim, algum diamante exposto em algum museu e se provar que é Angolano. Acho bem que o Estado Português devolva. Ou uma estátua de Moçambique retorne a África. Mas eles não preservaram património nenhum com as sucessivas guerras... Se calhar a única colónia que deve ter patrimómio da ocupação portuguesa será Cabo Verde. 
A França devolveu obras de arte ao Benin pois de facto foram roubadas pelo exército francês (como aconteceu connosco com a passagem de Napoleão de ma memória). A Alemanha devolveu à Namibia um padrão português que o Diogo Cão. Ora pois roubaram património e ainda por cima nem deles era. Não fizeram mais do que a sua obrigação devolver o padrão. 
A Grécia anda a pedir uma parte da Acrópole aos britanicos e eles não devolvem. Ora isso foi claramente um furto. É aquilo que dizes se tenho um casaco em casa que não  meu, terei de o devolver... Não é meu. 
Na questão do património das colónias cada caso é um caso. O Estado confundia-se eram países que estavam subjugados e as peças, obras foram compradas, encomendadas e pagas como? Imagina o património móvel é possível trazer pois facilmente dizem que era do Estado Português e comprado pelo Estado Português. O Património edificado ficou... Não fizemos como os alemães... 
Sou a favor de se fazer réplicas e e devolver o original o que fosse provado que era Guiné-Bissau. Mas isto é um ajuste de contas, para admitir a culpa... Ora se querem a salva de prata levem-na... Mas uma coisa fica provado que isto é acessório quando atualmente são países que estão sucessivamente em guerras, com problemas de todas as ordens... Passaram já tantos anos a culpa não será agora de Portugal que Guiné-Bissau seja uma ditadura ... Se se preocupassem em resolver o presente e depois logo iriam fazer o ajuste de contas com o antigo colonizador, carrasco... Sei lá como nos chamam. Agradecia e África prosperava.
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De Sarin a 03.02.2020 às 21:07

Olá :))
O levantamento não está feito, não é apenas questão de afirmação dos historiadores. Não acho que seja necessário criar mais comissões para isso, mas tem de ser feito - até para validar a afirmação ;)


Trazer património do Estado Português? Então também queres pagar pela ocupação e pela exploração? Não confundamos património cultural com investimento. Investimento é História, e na altura éramos um Estado único. Lá e cá. Já a arte, pertence ao artista ou a quem a comprou - máscaras fúnebres ou esculturas, pinturas ou tapeçarias.
Os particulares não estão em causa - falamos do Estado, de peças do Estado em exibição pública. Que eventualmente pertençam às ex-colónias, não apenas à Guiné Bissau.


Os britânicos ingleses têm uma visão imperialista, e nunca na vida devolveram nada - nem a nós, "os mais velhos aliados" (quando lhes dá jeito).


Discordo quando dizes ser acessório. Entendo pertinente, e penso que se pode articular perfeitamente com Emergências de Saúde e Orçamentos de Estado - porque a Cultura também é importante, e quem operacionaliza estas questões são profissionais distintos. Os deputados têm de as debater - e certamente não é incumbência de uma deputada de Portugal andar a encontrar soluções para a educação, a guerra ou o saneamento de outros países. Isso, querida /i., e desculpa que to aponte, é o discurso usado por quem quer silenciar o debate (no caso, sobre a avaliação dos acervos e eventual devolução de peças; mas acontece em muitos outros) - e eu sei que tu não pertences a esse grupo. Podemos discordar, mas debatemos :)
O discurso "devia era preocupar-se com", em que alguns são exímios, mais não visa do que atacar o carácter e desviar a atenção do debate. Não percamos o foco do debate, nem confundamos as competências dos deputados. Já as aptidões... ;)))
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De /i. a 03.02.2020 às 22:18

Quando escrevi património do Estado Português referia-me por exemplo à mobilia, objectos decorativos das residências oficiais. Alguma coisa deve ter vindo quando vieram debandada para a Metrópole . Sei lá de quem é isso? De Portugal ou do país que ficou independente? A mobília e pinturas de São Bento é do Estado e não do António Costa. Mas por exemplo ele pode comprar coisas... olha o Santos Silva tem o fetiche de faqueiros... compra muitos... mas são do estado, pois a conta é com o dinheiro do contribuinte. 
Sim a senhora é deputada de Portugal, mas sei lá com tanto assunto... foi pegar por esse?!
No momento que se discute o OE?  Mas acho que através da CPLP ela podia ajudar... e aí falaria disso e de outras coisas...
Não quero nada silenciar... pelo contrário. Lançou o tema fora de tempo e assim o que vai acontecer é que não vai ser discutido seriamente. E devia debater o tema e sem comissões. Porque quem está à frente dos museus sabe bem o que pertence às antigas colónias. E fora o que está armazenado e que não está exposto incuriamente. 
Eu digo que é acessório porque para mim o mais importante é o património humano... e temos de cuidar das pessoas quando não há direitos humanos nenhuns... e a Guiné, Angola... é confrangedor ver a pobreza e a maldade dos seus governantes. Mas, lá está são estados independentes e não deve haver ingerência de Portugal. Eu não nego que não haja património: mas temos de ver se foi furtado ou nos pertence mesmo. 
Eu não quero pagar nada com o património trazido. Certas cidades de Angola e Moçambique estavam mais desenvolvidas que Lisboa. Eram explorados? Sim e muito. O português Branco explorou, gozou muito eram patrões, estudavam. Tanto quando regressaram tinham estudos e sabes bem ou melhor do que eu... o que aconteceu... 
As colónias foram muito importantes para Portugal... ficamos sem essas tetas... tivemos de ir arranjar outras tetas: a U.E. para salvar da falência. 
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De Sarin a 03.02.2020 às 22:47

A questão da devolução das peças artísticas e culturais não se prende com o valor monetário mas com a identidade histórica de cada país. Cada tribo, cada região, teria os seus usos e costumes - e houve tribos de tal forma dizimadas, não necessariamente pela escravatura mas pela própria interacção, que se perderam tais usos, tais costumes, e cujos registos foram distribuídos por particulares e por museus ao longo de séculos. Será, nestes casos, devolver registos das raízes culturais ao seu país, que deles terá sido despojado.
Não sei se teremos muito ou pouco - mas no Portugal dos Pequenitos tens, num pequeno recinto, variadas peças que ilustram o que disse. Peças étnicas, muitas delas utilitárias e religiosas - artísticas porque esculpidas.


Como te disse, os profissionais são distintos, portanto é perfeitamente fazível em simultâneo. 
Não faço a mínima ideia do que fará ou não fará a Joacine junto da CPLP, mas, e ao contrário do que a cidadã apregoa, não foi eleita sozinha - há grupos vários (ela própria pertence a um grupo activista, pelo menos), e cada um dedica-se a determinados temas e acções.
Penso que é fundamental salvar as pessoas. Mas reunir as suas memórias faz tanto parte da reconstrução de um país como erguer escolas e hospitais.
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De /i. a 06.02.2020 às 22:11

Penso que é fundamental salvar as pessoas. Mas reunir as suas memórias faz tanto parte da reconstrução de um país como erguer escolas e hospitais.



Sim. Mas, a maoria dos governantes desses países preferem muitas vezes preservar a memória futura, no caso quer dizer aumentar a conta bancária e manter a população no mundo do analfabetismo. Assim, conseguem preservarem-se nos cargos e até passar para filhos o domínio do país.
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De Sarin a 09.02.2020 às 09:29

Concordo com o teu último parágrafo. Mas não compete ao Estado Português, não compete a qualquer estado terceiro, reter peças sonegadas sob tal pretexto. Isso é outro tipo de ingerência e, pior, dá razão à expressão "colonialismo cultural" - tratar estados soberanos como incapazes da gestão dos seus próprios bens é uma forma, inadmissível, de rebaixamento. Se fontes oficiais dos estados em causa, ou fontes reconhecidas como oposição governamental, disserem para gerirmos, será colaboração - e é decisão desses estados, não nossa. Não temos o direito de decidir por terceiros.
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De Paulo a 02.02.2020 às 12:23

Quanta verdade, infelizmente. 
Também eu, tal como tu, há muito deixei de ver TV. Os problemas com o indeferimento do pedido de mobilidade por doença, por um lapso médico, numa X, sem relevância face ao exposto, permitiu-me ver, ainda melhor, a estrutura da maioria dos programas televisivos, jornais e partidos políticos. 
Penso que gostarás do Twitter. De início, não é fácil de utilizar (pelo menos para mim não é), mas trata-se de uma excelente fonte de informação e ideias, sem o lado cusco do Facebook.
Bjs
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De Sarin a 02.02.2020 às 21:48

As notícias televisivas são espectáculo, parte dos jornalistas não entrevista - condiciona a resposta, agride...
E os comentadores... antes os blogues! :)


Não tenho paciência para as redes, P.... mas de quando em vez espreito. Sou uma passante sem vontade de subscrever :)
Beijos
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De Paulo a 03.02.2020 às 23:49

Concordo contigo. Infelizmente. 
Já pensava como tu, mas após os esforços envidados junto a estes meios, por forma a tentar justiça, face ao indeferimento do meu pedido de mobilidade por doença, para cuidar da minha mãe, consegui ver um lado ainda mais negro. Sim, antes os blogues. Opiniões e intervenções sinceras, reflexo da alma de cada um, sem ligação a máquinas partidárias. Recordo a resposta que recebi de um jornal (pelo menos deste dignaram-se a responder): "O seu problema será abordado caso interesse à linha editorial". De partidos políticos, consegui 2 convites para escrever sobre educação, uma à esquerda e outro à direita. Num só podia escrever aquilo que fosse ao encontro dos ideais defendidos. Remuneração 0 ... e sem um "tacho". Também quero! Ignorei-os. Embora, num deles, ainda em formação, talvez venha a escrever. Tenho liberdade. 


Relativamente às redes sociais, o Twitter foi uma surpresa. Não é para fazer amigos (parece-me), mas aborda aspetos interessantes. O Facebook serve para dar os parabéns aos alunos do passado-presente e alguns colegas. Infelizmente, só no ano letivo transato aprendi que "colegas não são amigos". Sei que é comum no mundo empresarial, mas nas Escolas não o deveria ser.
Bejos

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