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Desafio dos 50 anos

por Sarin, em 10.09.19

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Era um desafio para os cinquentanistas partilharem o que sentiam por estarem no meio século. Mas, brincando, perguntei que desafio discriminatório era esse , se a desafiadora achava que só a experiência tinha direito de expressão - assim como se as pessoas mais novas não tivessem direito a receios e expectativas...

Garanto, e ela sabe, que era apenas provocação bem humorada - mas a imsilva gostou da ideia e disse que sim, que também postais desses seriam bem acolhidos.

E foi assim que, sem ter 50 anos ainda, acabei por escrever três postais sobre o tema. Quero dizer, o último foi-lhe quase marginal... mas surgiu por ele. Conta.

 

* O dia em que fiz 50 anos

* O dia em que farei 50 anos

* Teste à tag: 50 anos

 

Fotografia: imsilva

[Todos contra a COVID19: Isolamento social. Etiqueta respiratória. Higiene. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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lançado às 17:00

Teste à tag: 50 anos

por Sarin, em 04.08.19

O desafio, lançado pela imsilva do blogue Pessoas e coisas da vida, é falar do que é ter 50 anos. Foi lançado a quem os tem, a quem os teve, a quem os terá.

A tag é: 50 anos.

Nem todos os postais são indexados.

Uns, por ausência de 'tag' ou por uso de 'tag' errada, a escrita por extenso a inviabilizar a indexação.

Outros, por coisas da ténica, talvez mosquitos talvez contingência.

Adiante.

Este postal testará a teoria de que o bicharoco se chateia quando do mesmo blogue lhe atiram com vários postais usando a mesma tag - e só indexa o mais recente.

 

A ver vamos.

Quero dizer, este sei que verei. Os anteriores é que talvez não.

O dia em que fiz 50 anos.

O dia em que farei 50 anos.

 

De qualquer maneira, não me apetecia estar a comentar sobre o aliado militar privilegiado do Trump (ainda lhe meteram um "extra-NATO" a ver se a coisa parece suave), nem sequer me apetece escrever sobre o o bom trabalho da equipa especial criada para eliminar decretos inúteis (para depois a AR estragar tudo com leis enormes sobre assuntos do tamanho de uma beata, benzam-nos os deuses!)

Há que aproveitar o domingo!

 

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lançado às 16:44

O dia em que farei 50 anos

por Sarin, em 03.08.19

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Não sei como será. Provavelmente terei de fazer uma festa, e emprego o verbo "Ter de" em plena consciência.

 

Em menina o meu aniversário era motivo de alegria, não apenas por reunir família e amigos mas porque a cada ano me sentia mais crescida, mais velha, mais capaz. Claro que a expectativa da reunião pesava, e eu ficava muito compenetrada no meu papel de anfitriã durante a preparação da festa e das brincadeiras... e até à chegada do primeiro convidado, cuja presença me fazia esquecer a data e qualquer protagonismo. O dia do meu aniversário era-me verdadeiramente importante, tantos amigos em casa!

Não, não me interpretem mal: fui uma criança feliz, mesmo tendo amadurecido muito cedo. Mas vivia numa ponta distante da aldeia, onde as crianças eram poucas, tinham pelo menos mais 4 anos do que eu e eram rapazes. As minhas brincadeiras eram livros e lutas,  dança e futebol, baralhos de cartas e espadas de madeira...

 

Com o final da adolescência o dia começou a perder valor, os meus valores solidamente formados e os meus princípios bem definidos a dizerem-me que a vida se constrói todos os dias - então, onde a lógica de celebrar como astro um acto que foi da minha mãe? Ela sim, foi a estrela desse dia, eu limitei-me a aparecer. Questionei-me o porquê de tal celebração, não lhe encontrei grande significado, fui deixando cair.

O 'meu dia' terá também perdido valor por conta da dificuldade em reunir os amigos à mesa, presos no estereótipo do Dia dos Namorados. Desde menina apenas aceitei festejos adiados pela distância, e a partir do dia em que a autonomia nos permitiu reuniões ao sabor da vontade, celebrar o estarmos juntos tornou-se muito mas muito mais importante do que celebrar o porquê. A carta e a autonomia trouxeram a desnecessidade de pretexto, e este passou a ser o estarmos vivos e gostarmos de estar connosco, as velas sendo trocadas por brindes num qualquer dia que apetecesse - e foram muitos, se traduzidos em aniversários 10 vidas não chegariam para as velas que brindei. Embora a família mais próxima nunca me tenha permitido abdicar das velas no dia do meu aniversário.

 

Muito nova aprendi que a vida vale pelo ontem e pelo hoje, e tenho consciência de que semprei dediquei mais energia ao presente e ao futuro dos outros do que ao meu. Percebi-o aos 20, notei-os aos 30 e aos 40, suponho que não mudarei muito aos 50 que já espreitam. 

Os meus valores e princípios cedo ganharam forma, mas nunca os considerei estanques, nunca deixei de os questionar, nunca me fechei a novos valores a novas ideias a novos hábitos. Ainda assim, não noto grandes mudanças. Mas ganhei maturidade na defesa das minhas bandeiras, tornei-me mais serena nas minhas paixões... e se criança  percebi que o mundo tem velocidades diferentes, demorei um pouco mais a perceber-lhes as causas. Não acredito que aos 50 as terei aceitado todas - e se nada me mudar a personalidade, aos 94 direi o mesmo a propósito do meu centenário.

O meu corpo mudou, e mudará ainda mais. A preocupação com a aparência manteve-se, desejo mudar esta minha forma de estar - espero aos 50 dizer que me preocupo mais com a aparência do que preocupava aos 25. Talvez porque os amores, profundos, nunca tenham dependido do corpo o meu corpo me tenha sido, ainda seja, tão indiferente. 

Penso que fiquei um pouco egoísta, pelo menos já não me sinto indelicada quando recuso alguns convites. Que sempre preferi um não claro a um talvez comprometido, mas se antes pensava que o importante numa reunião é o conversar, o dar atenção, tenho aprendido que há muitas outras perspectivas sobre esta questão.

E é por isso que suponho que terei de fazer uma festa nos meus 50 anos. Porque sei que prefiro um jantar num dia qualquer com cada pequeno núcleo, já que numa festa não posso dedicar tanta atenção a cada um. Mas também sei que conciliar disponibilidades não é fácil e, principalmente, sei que cada um desses núcleos não vai querer a minha atenção, apenas vai querer estar presente e dizer olá por entender ser-me um dia importante. Porque as pessoas também se dão assim, também nos damos assim, e há pessoas que merecem esses  olás que sabem a pouco.

Finalmente, e se por mais não for, lá terei de fazer uma festa ou a minha Sobrinha não me perdoará.

 

 

imsilva, este é O postal. o outro era brincadeira.

 

imagem recolhida da Revista Estante

mafalda acompanha-me desde a celebração da minha primeira década; como poderia faltar no meu quinquagésimo aniversário?!

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lançado às 21:06

O dia em que fiz 50 anos

por Sarin, em 03.08.19

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No dia em que fiz os meus 50 anos, lembro-me perfeitamente, não estive presente. Não que estivesse desinteressada, aterrorizada ou de visita aos meus primos na Austrália. Não. Não estive presente porque ainda em viagem pelos quarenta - que, devo confessar, chegaram atrasados porque fiquei presa algum tempo na estação dos trinta e cinco a aguardar uns cabelos brancos que chegariam no mesmo Alfa que o Godot. Este apareceu.

Nesse dia do meu quinquagésimo aniversário vestira um modelito tamanho trinta e seis que fui recuperar à loja dos Late twenties, recusando-me os quarentas dos quarentas e rezando para evitar uma escalada da proporcionalidade, pois pouco tempo antes havia rasgado o bilhetinho que a balança automática me devolvera porque aquilo era um tratado e eu bem vejo o que acontece quando se rasgam tratados. Tinha ouvido que não se rezava de boca cheia, e pensei que tal dieta talvez valesse a pena já que às outras nunca liguei. Desisti quando percebi que afinal era reza a sério - os deuses, se existem, têm verdadeiros assuntos com que se preocupar, se quiserem.

O modelito era de material pesado mas estranhamente diáfano e muito colorido, assim como uma campanha eleitoral em pleno Verão mas no Inverno, que é quando faço anos. 

A saia era plissada, a fingir as rugas que não tenho, e cada uma das plissas... oh, se eu fosse agora falar em plissas... bom, adiante!

O dia estava radioso porque o pessoal tinha chegado de bicicleta, era raios para aqui e raios para ali pois houve um que não travou a tempo e foi uma confusão. Disseram-me, que eu não estava lá. E se estivesse provavelmente chegaria atrasada, há uns anos lembrei-me que fazia anos quando recebi a primeira mensagem, que por acaso era um lembrete meu a dizer "comprar bebidas". Nada a ver, mas como tinha a data e umas nádegas a que chamam corações, percebi.

Enfim, parece que O dia foi um dia normal.

E agora tenho mesmo de ir espreitar os meus 47.

Se quiserem voltar mais logo, prometo responder [cumpri]  à imsilva - provoquei-a por ser "só para velhotes" e ela já me cobrou a provocação :))

 

adenda: inserção da imagem. a fonte já cá estava... 🙄

 

imagem em Tecnotronics

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lançado às 10:40

Obrigada por estar aqui.


COVID19, uma ameaça muito séria

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