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Não quero o Dia da Mulher

por Sarin, em 08.03.20

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Quero calendários sem Dia da Mulher.

Não quero flores nem bombons,

senhores,

quero paridade.

E não quero parabéns nem poemas,

fodam-se os poemas sobre a nossa gentil e delicada alma,

redomas onde nos aprisionam

fingindo celebrar-nos!

(como se fôssemos unas,

iguais...

e domesticadas, talvez!)

Quero respeito por,

apenas,

Sermos.

Quero respeito por esse direito.

E quero-o todos os dias,

dispensados os lembretes automáticos

e as campanhas sazonais.

 

Não, não festejo este dia - 

nada tenho a festejar,

tanto falta conquistar...

Só quando obsoleto,

dispensável

- mera efeméride -

farei festas e jantares e cabriolas

 ao dia 8 de Março!

 

Porque,

Hoje,

os dias são ainda desiguais

e as horas não são unissexo.

 

 

Num abraço, a memória de todos os feministas, passados presentes e futuros.

 

 

imagem: Cinisca, de Sophie de Renneville (ant. 1823). Cinisca de Esparta, a primeira mulher a ganhar os Jogos Olímpicos da Antiguidade quando as atenienses ficavam em casa e as espartanas geriam negócios e combatiam.

[Todos contra a COVID19: Isolamento social. Etiqueta respiratória. Higiene. Calma. Senso. Civismo.]
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lançado às 21:30

Aproxima-se a Meia Noite. O tempo por aqui está seco, mas chovem votos de Bom 2020 e de Feliz Ano Novo.

Acredito que o ano que chega nada traga. Excepto, talvez, a esperança de que sejamos melhores.

Solidarizo-me com o Novo Ano e deixo, assim, os votos de que em 2020 possamos ser versões melhoradas de nós mesmos.

E, porque o acaso também faz parte, que a sorte nos mantenha os azares sob controlo...

Tenham uma muito feliz passagem de 2019 para 2020!

 

E que por cá nos encontremos no próximo ano.

 

 

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lançado às 20:00

Fantasmas de Natal

por Sarin, em 23.12.19

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As árvores choravam neve. As renas escavavam o solo, impacientes, os cães samoiedo latindo para orientar o rebanho que ficaria... e Maria Natal soluçava. Cofiando as barbas espantadas pelo choro em plena noite, Nicolau perguntou o que se passava. Do peito molhado de lágrimas e tristeza, ouviu-se um Quero ir contigo, os grandes olhos brilhantes fitando o velho que se agachava. Mas, Maria Natal, o avô vai trabalhar... vai passar a noite com as renas, deixando prendas nas casas das famílias dos meninos... E a menina olhou o Avô e disse, Sim, Avô, mas tu não vais estar comigo. Nicolau olhou a neta e percebeu que havia andado todos aqueles anos a dar felicidade aos meninos do mundo mas que havia esquecido a sua própria família. Chamou a Mãe Natal e perguntou se os elfos, as outras renas e os cães estavam todos tratados. Ouvindo que sim, disse sorrindo Vá, Mãe, entra. E tu também, Maria. Este Natal estaremos juntos como a família que somos. E lá foram, pelos céus, distribuir as prendas aos meninos que se portaram bem.

Se, esta noite de Natal, te portares bem e não fizeres barulho, poderás ouvir os sinos alegres das renas e a gargalhada feliz da Maria Natal descendo com o Avô pela tua chaminé.

Agora silêncio... e Feliz Natal...

 

Luís, sentado junto à lareira, perguntou como é que o Pai Natal tinha uma neta se não tinha filhos.

Lueji, sentada à-beira mar, perguntou o que eram elfos e renas.

Luaty, sentado nas vazias sacas de cereais, perguntou o que eram prendas.

Luana, sentada no dormitório, perguntou o que era família.

 

 

Abracem os vossos, com os braços com a vista com a alma.

Celebrem os que estão, recordem os que longe e os que não voltam.

E durmam em paz. O mundo estará igual dia 26. Estejamos nós mais cheios de calor.

Feliz Natal

saudação usada também em 2018. usada antes de haver blogue. a usar em 2020. a usar sempre...

a historieta em citação é invenção minha. mas pode bem ser a história de muitas crianças.

 

Imagem: Um conto de Natal (2009), Disney

Canção: Adestes Fideles

Letra e Música presuntivamente de D. João IV

.... mas Rui Vieira Nery diz que não. Os historiadores de D. João IV não falam da música.

Acredito em Nery. Sou fiel a Pavarotti. Aproximemo-nos:

 

 

 

 

 

 

[Desafio O meu conto de Natal, da imsilva]

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lançado às 15:55

O que querem as crianças pelo Mundo

por Sarin, em 20.11.19

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A UNICEF tem no seu sítio oficial um conjunto de vídeos com as reivindicações de crianças de todo o mundo.

É interessante. Mas é mais: é importante.

Porque é importante ouvirmos o que têm a dizer as crianças quando se cumprem 30 anos sobre a Convenção que lhes consagrou os Direitos.

 

Se tiverem interesse, podem acompanhar aqui.

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lançado às 18:15

Dia Mundial da Criança

quase seis meses depois

por Sarin, em 20.11.19

Tristemente, pouco ou nada tenho a acrescentar ao que disse no dia 1 de Junho. Por isso, reedito esse meu postal. 

 

Oficialmente, o Dia Mundial da Criança é o 20 de Novembro.

Porque foi no dia 20 de Novembro de 1959 que na ONU se assinou a Declaração Universal dos Direitos da Criança. E foi no dia 20 de Novembro que em 1989 se assinou a Convenção dos Direitos da Criança.

Esta convenção é, apenas, o tratado internacional mais ratificado de sempre: 192 dos 193 países reconhecidos junto da ONU são aderentes. A excepção são os EUA.

 

Mas o dia 1 de Junho já anteriormente havia sido declarado Dia Internacional da Criança... em 1925, durante a Conferência Mundial para o Bem-Estar da Criança realizada em Genebra, 

Por isso, em 51 países o Dia da Criança continua a ser celebrado a 1 de Junho.

Mas apenas 115 países dos mais de 200 países existentes no Mundo comemoram esta data - ou melhor, 114, pois no Japão não se comemora o Dia da Criança mas sim o Dia das Meninas (3 de Março) e o Dia dos Meninos (5 de Maio), uma evidência de quão profundamente a sociedade nipónica ainda é machista.

 

A Convenção dos Direitos da Criança não é um mero quadro de boas intenções: é um tratado internacional, um documento que deve ser vertido na legislação de cada um dos cento e noventa e dois países que a assinaram.

Assenta em quatro grandes pilares, transcritos exactamente como constam no sítio da UNICEF:

  • não discriminação, que significa que todas as crianças têm o direito de desenvolver todo o seu potencial – todas as crianças, em todas as circunstâncias, em qualquer momento, em qualquer parte do mundo.
  • interesse superior da criança deve ser uma consideração prioritária em todas as acções e decisões que lhe digam respeito.
  • sobrevivência e desenvolvimento sublinha a importância vital da garantia de acesso a serviços básicos e à igualdade de oportunidades para que as crianças possam desenvolver-se plenamente.
  • opinião da criança que significa que a voz das crianças deve ser ouvida e tida em conta em todos os assuntos que se relacionem com os seus direitos.

 

E, no entanto...

... são cerca de 15000 as crianças com menos de 5 anos que morrem diariamente.

... a cada 7 minutos morre um adolescente de forma violenta; em 2015 foram cerca de 82000.

... um quarto das crianças com menos de 5 anos não está registada. Sem registo não há certidão, sem certidão não há acesso aos cuidados de saúde ou à educação.

... em África, 38,6% das crianças em meio rural e 25,7% em meio urbano estão subnutridas.

... 61 milhões de crianças em idade escolar nunca andaram na escola nem frequentaram o ensino básico.

... há países onde nem todas as escolas têm água canalizada, instalações sanitárias ou promovem a higienização: são 58 os países onde nenhuma escola tem água canalizada, 49 os sem escolas com instalações sanitárias básicas e 70 aqueles onde as escolas não têm nem água nem  sabão para lavagem das mãos.

... há cerca de 152 milhões de crianças a trabalhar no mundo. Aproximadamente 18,2 milhões na indústria do vestuário e calçado, e cerca de 1 milhão na extracção de minérios para a indústria electrónica, actividade que também facilita a prostituição infantil.

... cerca de 17 milhões de mulheres adultas oriundas de países com baixos rendimentos disseram terem tido sexo forçado na infância, e cerca de 2,5 milhões de jovens mulheres de 28 países da Europa afirmaram terem sofrido violência sexual antes dos 15 anos. Não há dados sobre a violência sexual contra homens, não quer dizer que não exista.

... ... ...

... porque há muito mais.

 

Que, dolorosamente, é também muito menos.

Menos atenção.

Menos cuidado.

Menos futuro.

 

 

E menos prendas, por favor:

Muitas das que hoje serão colocadas nas mãozitas das crianças felizes estão marcadas por mãozinhas de crianças sem riso. 

 

relembro as crianças no daesh,

ou, numa realidade oposta e mais nossa,

a Gaffe conta outra vez.

e mais poderia relembrar

mas, porque não perco a esperança,

deixo a ligação ao Tia! Tia! Tia!

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lançado às 14:35

1 de Agosto de 1979

por Sarin, em 01.08.19

Bem cedo, despedi-me da então apenas-minha Tia, do meu Tio, do meu Primo Mais Velho e do meu Primo Mais Novo, e entrei no carro.

Não me lembro do que lhes disse, provavelmente terei perguntado se não podiam vir connosco, parece que perguntava muitas vezes. E o meu Primo Mais Velho, mais velho que eu onze anos e meio, terá talvez brincado como lhe era natural, "Traz-me um copo de neve" ou algo assim.

Não esperava ver a minha Prima naquele dia - vivia um pouco mais longe com o Marido e o meu Priminho, bebé de dezanove meses. Mas ela ali estava, à entrada da casa da  minha Tia sua mãe. Tinha andado no ar a ideia do passeio conjunto, e quando a vi pensei que, talvez...

Quase gritadas da porta, soltei as palavras "Vêm connosco? Entra, cabes entre mim e a Avó!" e a minha Prima respondeu "Não posso, querida, o teu Priminho está doente; e o meu Marido não está aqui" "Ele vem depois, de mota", respondi entusiasmada com a de novo possibilidade. Sorriu, os olhos preocupados abraçando o meu Priminho agitado pela febre, e respondeu "Faz boa viagem, e até segunda."

Ela ficou onde estava; sairia horas mais tarde com o meu Primo Mais Velho, o irmão mais novo dois anos que a levaria ao médico enquanto o marido trabalhava. E eu segui no carro que arrancou, sentada entre a minha Mãe e a nossa Avó.

 

Haveria de regressar não na segunda-feira mas nessa mesma madrugada. Numa viagem cheia de sobressaltos e quase-acidentes provocados pelas lágrimas que, escondidas, toldavam os olhos de todos menos do Avô, desconhecedor do porquê de termos regressado mal havíamos chegado, as tendas deixadas para que o compadre, o meu outro Avô, o paterno, as trouxesse depois.

Recordo os pirilampos do carro da polícia que passou por nós, por este meu Avô que me levava pela mão dos meus 7 anos ao bar do campismo de Manteigas, e de despreocupada ter dito "Alguém se portou mal...". Lembro-nos ambos intrigados ao vermos as luzes brilharem paradas ao lado dos nossos carros - que, saberia muito depois, as patrulhas haviam procurado toda a tarde pelas estradas e parques da Serra. Lembro como quase corremos e chegámos a tempo de ver os guardas desviarem-se com os meus pais, de ver como estes se abraçaram e, pouco depois e sozinhos, se refugiaram num passeio até à  sombra dos penedos e do anoitecer. A GNR abandonou o espaço e os meus pais também, abraçados e mudos ao nosso espanto ainda distante, a Avó e o Avô maternos desaparecidos, talvez a tratar do jantar, e por isso tão ignorantes como nós. Mudos continuámos o meu Avô e eu, aguardando.

Quando os meus Pais regressaram do que me pareceu uma longa ausência, a angústia saiu-me sob pergunta "Vamos ser presos?" "Não, querida, os senhores vieram avisar-nos de que a Tia está doente e temos de voltar".

Recordo a preocupação e a tristeza que nos acompanharam, o Avô e eu acreditando que a Filha Mais Velha, a Tia, estava doente. A meio da viagem descobri uma ponta da verdade, solta num gemido involuntário da Avó que me abraçava; ponta que puxei até obter verdade suficiente para me esclarecer as ideias e escurecer os olhos não mais secos por dias. Ao Avô só seria revelada à entrada do Hospital de Leiria... Recordo o grito que, ferido, desferiu na madrugada e ouço ainda o baque do seu corpo abatido não sei onde ou como,  revejo as batas brancas em correria, a espera, as lágrimas enfim soltas e a minha pergunta contínua, redonda, rotunda no peito afinal de todos "Mas... é mesmo verdade?"

Recordo a chegada a casa, às casas onde não entrámos porque ficámos metros ao lado, na da Tia, desde o início da tarde cheia de familiares e amigos e vizinhos - lembro os sussurros gemidos, o sufoco, o vómito que me acometeu quando percebi ser verdade, ser mesmo verdade. A Tia desmaiava a cada 5 minutos, o Primo Mais Novo, mais velho que eu, chorava abraçado a si mesmo, o Tio esmurrava paredes na rua, e todos os outros pareciam marionetas movendo-se longe naquela casa apinhada de gente e de torpor e de estupor magoado... lembro o frio e os cobertores em pleno Agosto, recordo a viola pousada num canto, sem canto sem notas sem som - talvez o único objecto em silêncio naqueles dias.

Não recordo mais nada dessa noite em que ninguém dormiu, ou se dormiu foi a fingir - só as lágrimas e os gemidos e a opressão de perceber que a tristeza que nos unia também me isolava, presa na pergunta "Porquê?" que toda a noite durante muitas noites zuniu na minha cabeça.

Às 9 da manhã amigos levaram-me para casa de uma amiga da minha idade. Fui contrariada; queria estar com a família, era ali o meu lugar. Mas não, não podia ficar, disseram-me, o ambiente não era bom para ninguém e muito menos "para uma menina de sete anos". O Primo Mais Novo ficou - já tinha onze.

Envelheci muitos anos naquelas horas, criança com uma dor adulta e madura renovada em cada morto que desde então chorei, um luto nunca totalmente feito apesar do Tempo, a pesar no tempo e em todos os lutos que fiz depois.

E o Primo Mais Novo passou a ser O Primo. Os outros, na volta do médico, ficaram na curva do caminho.

 

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lançado às 07:00

Que bom é ser-se criança

por Sarin, em 01.06.19

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Oficialmente, o Dia Mundial da Criança é o 20 de Novembro.

Porque foi no dia 20 de Novembro de 1959 que na ONU se assinou a Declaração Universal dos Direitos da Criança. E foi no dia 20 de Novembro que em 1989 se assinou a Convenção dos Direitos da Criança.

Esta convenção é, apenas, o tratado internacional mais ratificado de sempre: 192 dos 193 países reconhecidos junto da ONU são aderentes. A excepção são os EUA.

 

Mas o dia 1 de Junho já anteriormente havia sido declarado Dia Internacional da Criança... em 1925, durante a Conferência Mundial para o Bem-Estar da Criança realizada em Genebra, 

Por isso, em 51 países o Dia da Criança continua a ser celebrado a 1 de Junho.

Mas apenas 115 países dos mais de 200 países existentes no Mundo comemoram esta data - ou melhor, 114, pois no Japão não se comemora o Dia da Criança mas sim o Dia das Meninas (3 de Março) e o Dia dos Meninos (5 de Maio), uma evidência de quão profundamente a sociedade nipónica ainda é machista.

 

A Convenção dos Direitos da Criança não é um mero quadro de boas intenções: é um tratado internacional, um documento que deve ser vertido na legislação de cada um dos cento e noventa e dois países que a assinaram.

Assenta em quatro grandes pilares, transcritos exactamente como constam no sítio da UNICEF:

  • não discriminação, que significa que todas as crianças têm o direito de desenvolver todo o seu potencial – todas as crianças, em todas as circunstâncias, em qualquer momento, em qualquer parte do mundo.
  • interesse superior da criança deve ser uma consideração prioritária em todas as acções e decisões que lhe digam respeito.
  • sobrevivência e desenvolvimento sublinha a importância vital da garantia de acesso a serviços básicos e à igualdade de oportunidades para que as crianças possam desenvolver-se plenamente.
  • opinião da criança que significa que a voz das crianças deve ser ouvida e tida em conta em todos os assuntos que se relacionem com os seus direitos.

 

E, no entanto...

... são cerca de 15000 as crianças com menos de 5 anos que morrem diariamente.

... a cada 7 minutos morre um adolescente de forma violenta; em 2015 foram cerca de 82000.

... um quarto das crianças com menos de 5 anos não está registada. Sem registo não há certidão, sem certidão não há acesso aos cuidados de saúde ou à educação.

... em África, 38,6% das crianças em meio rural e 25,7% em meio urbano estão subnutridas.

... 61 milhões de crianças em idade escolar nunca andaram na escola nem frequentaram o ensino básico.

... há países onde nem todas as escolas têm água canalizada, instalações sanitárias ou promovem a higienização: são 58 os países onde nenhuma escola tem água canalizada, 49 os sem escolas com instalações sanitárias básicas e 70 aqueles onde as escolas não têm nem água nem  sabão para lavagem das mãos.

... há cerca de 152 milhões de crianças a trabalhar no mundo. Aproximadamente 18,2 milhões na indústria do vestuário e calçado, e cerca de 1 milhão na extracção de minérios para a indústria electrónica, actividade que também facilita a prostituição infantil.

... cerca de 17 milhões de mulheres adultas oriundas de países com baixos rendimentos disseram terem tido sexo forçado na infância, e cerca de 2,5 milhões de jovens mulheres de 28 países da Europa afirmaram terem sofrido violência sexual antes dos 15 anos. Não há dados sobre a violência sexual contra homens, não quer dizer que não exista.

...

... porque há muito mais.

 

Que, dolorosamente, é também muito menos.

Menos atenção.

Menos cuidado.

Menos futuro.

 

 

E Menos prendas, por favor:

Muitas das que hoje serão colocadas nas mãozitas das crianças felizes estão marcadas por mãozinhas de crianças sem riso.

 

 

que bom é ser-se criança.pptx

imagens colhidas na rede.       

 

 

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lançado às 08:26

Amanhã os ontens e o agora

por Sarin, em 25.05.19

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A propósito deste dia chamado de reflexão pensei fazer um postal musical, para ajudar à tal reflexão.

A primeira música que me veio à ideia foi a Reflections, de Diana Ross e as Supreme; e, com ela, aquela magnífica China Beach que não há maneira de voltar às televisões. Quase em simultâneo, lembrei-me da Reflections of my Life, dos Marmalade, e até de Ted Huggens (ou Henk van Lijnschooten) e das suas Reflections of this time me recordei.

Mas não era nada disto que pretendia. Queria uma música mais evocativa, inspiradora - só pelo título seria pouco.

Lembrei-me de ir buscar a música mais tocada nas rádios aquando das nossas primeiras eleições para o Parlamento Europeu, realizadas em 18 de Junho de 1989, a  UE ainda Comunidade Económica Europeia - eleições nas quais não votei por me faltarem pouco mais de seis meses, o que me deixou um bocado chateada na altura e agora. Com este peso na alma ou no que em lugar dela, fui pesquisar a data, mas é preciso azar! A música, I'll be loving you (forever), dos New Kids On the Block, é daquelas musiquinhas de que não gosto, nunca gostei e só não tenho raiva de quem gosta desde que não me faça ouvir tais coisas. Portanto, escrevi a nota histórica e continuei a pensar no que fazer deste postal.

Resolvi então descobrir qual a música mais tocada aquando da assinatura do Tratado de Adesão à CEE, em 12 de Junho de 1985 - ano que foi também o do Tratado de Schengen, aquele que nos permite andar em meia Europa sem passaporte. Saiu-me melhorzita, mas com tanta música boa na época e nesse dia tinham que andar no ar os Tears for Fears e a sua Everybody wants to rule the World? Não que não seja uma música audível, mas não é, como direi, boa - e ainda não era bem isto que pretendia... apesar de a letra ser muito apropriada aos tempos que se vivem.

Por isso, recuei ao dia da candidatura de Portugal à CEE, 28 de Março de 1977... e dei com os ouvidos na You're a rich girl, de Daryll Hall & John Oates. A letra parecia feita de encomenda, país atrasado que estava Portugal e a precisar de investimentos vários! Mas a música... Hall & Oates por Hall & Oates, mais valeria a Maneater,  não sendo o meu tipo de música pelo menos tem cheiro a Flashdance. Mas nenhuma das duas se adequava ao pretendido, e assim continuei a desesperar pelas palavras deste postal...

Já pensava em ir buscar uma música a 1952 e à criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço - ano em que a Emissora Nacional de Radiodifusão, actual Antena 1, faria 17 tenros aninhos. Mas a tal música mais tocada nas rádios lá fora dificilmente seria música tocada cá dentro. Viver em ditadura tinha destas coisas, e estas até eram das mais doces...

E eis que me lembrei de ir espreitar na data do Tratado de Maastricht, aquele que consolidou as bases para a União Europeia. Pois é... a 7 de Fevereiro de 1992 a música mais tocada nas rádios era Don't let the sun go down on me, de Elton John com a participação de George Michael.

Julgo-a perfeita! Espero que percebam porquê.

 

 

 

 

Relembrando que já não há número de eleitor e que as mesas se organizam por ordem alfabética,

Para saber qual a mesa de voto basta enviar uma SMS para o 3838, começando por RE, seguido do número de Cartão de Cidadão e a Data de Nascimento, esta no formato ano mês dia e sem espaço. Assim:

RE CCCCCCCC AAAAMMDD

A resposta é imediata.

 

Imagem retirada da Wikipédia

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lançado às 22:14

Dia de Reflexão

por Sarin, em 23.05.19

Não sei em quem votar.

Não vejo os candidatos a defender qualquer posição,  projecto, ideia, ou, pronto, uma frasezita decente sobre a sua relevância no Parlamento Europeu. Nenhum me diz o que pretende fazer por lá, o que me deixa à consciência divagar o que quiser, que isto de ter opinião fundamentada exige ter onde a fundamentar, e o que resta é pré-conceito e imaginação...

 

Os nossos deputados candidatos a deputados dizem o que acham sobre o comportamento dos outros. Concordo que as políticas internas têm de ser coerentes com as posições defendidas em Bruxelas, mas com o debate centrado no que não foi feito é capaz de ser difícil apanhar o fio, não?

Fora das mesas onde se esperava que debatessem, eles gritam e gesticulam e riem alto e dão abraços nas feiras e nas ruas, e raios me partam se não fariam um brilharete como claque no Jamor!

Agora, como deputados candidatos a deputados... parecem não saber o que estão a fazer. Um houve, até, que não estando bem ciente do que anda a fazer, teve dúvidas também sobre o que fez e pediu ao Polígrafo para verificar. Então o deputado não poderia ter elencado, como tanto gosta de dizer, as tarefas a que deu corpo? E, necessário fosse, ter arrefinfado com as actas nas câmaras fotográficas de quem o disse preguiçoso, quiçá inútil? Só por ter pedido assessoria para algo tão ao seu alcance, deixou-me desconfiada das suas capacidades e desvelos. Ainda mais desconfiada, convém esclarecer.

 

Como vendo ouvindo e lendo esta gente não me safava, fui fazer os testes que por aí aconselham a quem tem dúvidas. Fiz e refiz, valha a verdade, e não adiantou: sei que projectos defendo, o problema é que, escolhendo os tais projectos, os resultados me devolveram deputados - e se é para ficar presa em rotundas, vou ali à do Sinaleiro que, dizem, ficou bem gira.

 

Portanto, vou mesmo ter de ignorar o futuro e olhar ao comportamento do passado. Torna quase irrelevante o tempo que dedico aos pequeninos, mas é o que há.

 

De qualquer forma, hoje é só Quinta, Sábado é que é dia de reflexão e, já agora, sempre visito a Feira.

 

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imagem: Visite Leiria

 

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lançado às 17:45

(re)flexões de 1 de Maio

por Sarin, em 01.05.19

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Recebi cupões de desconto em compras para hoje. Hoje, 1 de Maio, Dia do Trabalhador, feriado nacional em Portugal e em muitas democracias. 

Se me recuso a fazer compras ao Domingo, pelas mesmas e por mais fortes razões me recuso a fazê-las hoje.

Afinal, hoje evoca-se a determinação daqueles primeiros trabalhadores que, em 1886, enfrentaram os patrões e, parando a produção, exigiram melhores condições de trabalho - não apenas salários mas condições: segurança, ergonomia, responsabilidade. Alguns teimam em relembrar que muito há ainda por fazer. Vou mais longe, literalmente: enquanto nós, consumidores, comprarmos produções de países que não têm leis laborais semelhantes às nossas estaremos a contribuir para o aumento desse muito que há por fazer. Além de promovermos a concorrência desleal, pois que as empresas portuguesas estão legalmente sujeitas a várias obrigações de protecção ao trabalhador e, com mais ou menos falhas, lá tentam cumpri-las. O que traz benefícios para todos, mas também custos directos para as empresas. Ainda assim, há ainda muito para fazer em Portugal.

 

O Eduardo Louro estranha este 1. de Maio. Sim, algo se passa. Talvez uma nova consciência que desperta? A ser, não despertará em todos. Nunca se sabe, nestes tempos tão estranhos... mas que os  descontos de hoje eram para compras on line, eram. Ainda assim, não os usarei.

 

 

Na imagem, obtida no Calendarr, o extinto Diário de Lisboa noticia o primeiro feriado do 1. de Maio celebrado em Portugal. 

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lançado às 13:35

Obrigada por estar aqui.


COVID19, uma ameaça muito séria

Cuidemos de todos cuidando de nós. Cumpramos as instruções das autoridades de Saúde.




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