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Música porque sim

por Sarin, em 19.05.20

 

Cheia teve a amabilidade de partilhar nos comentários um poema sobre Catarina Eufémia. De sua autoria, homenageia esta mulher morta pela brutalidade policial da ditadura.

Transcrevo o poema deixado no primeiro comentário. O poema merece. Obrigada, José Silva Costa!

 

Catarina Eufémia

 

O Mundo chorou

A tua brutal morte

Para espantares a fome

Arriscaste a sorte

Num tempo em que não se podia falar

Quanto mais reclamar!

Querias pão para os filhos sustentar

Como suportar

Ver os filhos de fome definhar?

O Alentejo não esquecerá

O triste dia, em que quem pedia, morria

A bruta força, não sabia, dialogar!

Queria, a todo o custo, a revolta, acabar

Cegos de ódio

Nem o facto de levares um filho ao colo e outro no ventre

Lhes fez, o coração, amolecer

Não! Nunca poderemos esquecer

O teu exemplo

Mulher, mãe, que apenas, trabalho, pedia

Porque não suportava a gritaria, que a fome fazia

Numa planície escaldante

Sem água, sem pão, sem fonte

Não foi em vão que deste o teu sangue, pelo Monte

Queriam calar-te!

Mas todos os dias, todos os anos, todos os séculos te vamos recordar

Nunca deixaremos de gritar: trabalho, pão, paz, para os filhos criar.

 

 

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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Em memória de uma nota vibrante

por Sarin, em 31.12.19

Soube agora.

Não posso dizer que tenha sido uma surpresa. Mas foi inesperado.

Porque quase acreditei ser-lhe a força inesgotável, tanta era a vontade de escrever, de ler... de estar. De estar também aqui, neste aqui onde com ela convivi, neste aqui onde somos o que escrevemos. E ela estava, era, vibrava em cada frase que nos dava. E ria.

"Se a vida te der limões faz uma limonada". Acredito que tenha sido exactamente o que fez! E partilhou connosco um pouco dessa saborosa limonada que arrancou à vida que se lhe arrancava.

 

Terei saudades do Mr. Green.

Terei saudades da Marta.

 

 

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As chamas azuis da discriminação

por Sarin, em 12.09.19

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Sahar Khodayari imolou-se. Por não poder entrar num estádio de futebol, dizem. Mas não, Sahar escolheu morrer pelas chamas a aceitar ser encarcerada por um crime injusto: o crime de ser mulher no Irão

Iria sofrer seis meses de prisão. Mas já havia sofrido outros tantos, a somar a sei lá quantos tantos sofrimentos pelo crime de desejar mais do que lhe permitia a lei dos ayatollahs, que não a Sharia. E não foi pelo futebol que se imolou. Foi por ser mulher.

Qual o limite que sentiu cruzado, para preferir a eternidade a seis meses? Quem o sabe não contará, deixando à imaginação os seus meses de cativeiro. Terá sido vencida pela força? Pelas ameaças? Pela humilhação? Talvez os seis meses tenham sido meros corolários de uma vida inteira de 30 anos. E o futebol apenas a face mais azul da vida em negras lutas

 

Porque Sahar era uma adepta de futebol, a FIFA também se pronunciou. A mesma FIFA que colocou o Mundial de Futebol no Qatar, mas que por Sahar tentará levar o Irão a elidir uma das muitas leis não escritas mas inscritas na vida das iranianas. Inscritas na sua morte, também.

Talvez Sahar não tenha morrido em vão. Mas a morte é vazia, e todas as mortes são mais vazias quando assim.

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15.Outubro.1922 - 3.Junho.2019

por Sarin, em 03.06.19

E dos seus olhos vieram ventos que repassaram as frestas da gente e ali onde nos encontrou plantou as palavras que nos traduziram quem somos.

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Frame do Documentário "Agustina Bessa-Luís - Nasci Adulta e Morrerei Criança" da produtora PANAVIDEO

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A outra metade da mesma indiferença

por Sarin, em 15.12.18

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"Muito obrigada por esta honra, mas o único prémio no mundo capaz de restaurar a nossa  dignidade continua a ser a justiça e a acusação dos criminosos".

 

A violência sofrida na primeira pessoa agradece assim o Nobel da Paz.

Porque a violência continua e continuam os crimes contra a humanidade, enquanto assistimos às cerimónias porque a humanidade sofrida é um grupo de indivíduos distante e sem nome sem rosto sem nada.

Nadia Murad mostra-nos um desses rostos. Nadia Murad é um desses rostos. Tem no corpo e na alma o dever de nos mandar para o inferno pela indiferença com que deixámos acontecer o prémio que lhe aplaudimos... e ainda assim só nos pede a justiça que lhe falhámos entre tantas outras culpas.

Para ler. E reler até fazer sentido. Porque agora não faz.

 

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Onde ideias-desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor.


Obrigada por estar aqui.




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