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À luz da vela

por Sarin, em 21.05.19

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Analisando as notícias sobre política e políticos - desde as trocas de influências às tricas partidárias, desde a poligamia entre política banca e empresas ao divórcio entre as Europeias e a campanha feita pelos candidatos, desde o que nos exigem ao que se exigem - eu diria que nós, eleitores portugueses, não somos muito iluminados.

 

O que, aparentemente, contrasta com o facto de sermos os europeus que mais caro pagam a electricidade...

Na verdade, apenas o confirma.

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As cigarras são as que cantam no Verão e tremem de frio e fome no Inverno.

E as formigas são as que trabalham no Verão para terem sopas quentes no Inverno.

 

Então, quem é quem nesta história da Comissão Eventual para o Reforço da Transparência, que devia durar 180 dias e já conta 3 anos?

 

Porque não há notícia de que passem fome ou frio, cigarras não são.

Mas, se em 990 dias nada tinham feito, e se em Maio os resultados são piores do que a inércia - ou, como disse a Provedora da Justiça Maria Lúcia Amaral, o trabalho apresentado tem pontos "incompatíveis com os princípios da transparência e da publicidade.", - também não lhes podemos chamar com propriedade formiguinhas trabalhadoras, não é?

 

 

imagem recolhida no Expresso

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Aliança com azar

por Sarin, em 18.05.19

Poderia ser jocosa e dizer "Estarão a fazer um trabalho de investigação sobre os serviços de emergência médica e de urgências hospitalares no centro do País?" Mas não me parece que ser jocoso nestes casos sirva qualquer propósito - nem sequer o do humor.

Poderia ser supersticiosa e perguntar "Estarão a ser vítimas de mau-olhado, bruxaria e afins?" Mas não sou supersticiosa, e se fosse melhor seria dedicar-me a esconjurar-lhes a má-sorte do que a alvitrar teorias da conspiração.

Poderia ser mal-intencionada e perguntar "Estarão a usar e a abusar de  bebidas alcoólicas e substâncias recreativas?" Mas não sou mal-intencionada, se estivessem seria assunto entre eles e as autoridades, e se alguém espera dos políticos uma vida moralmente irrepreensível melhor será que procure os seus representantes entre os canonizados.

Mas, sendo cidadã e conhecendo alguns dos padrões de acção dos meus concidadãos, pergunto "Estarão a ser descuidados, na segurança como no descanso?"

Um aparatoso acidente de viação com o presidente do partido e com o cabeça-de-lista às Europeias, agora um acidente doméstico com o vice-presidente... num curto espaço de dias. 

Espero que os acidentados melhorem e que ao Aliança não lhes aconteça outra. Não que tenham o meu voto, mas a solidariedade está acima de cores partidárias.

 

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Só por causa das coisas...

por Sarin, em 17.05.19

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Abri o postal para falar de outro assunto, mas a pintura levou-me a pensar na arte, desta saltei à educação e, antes de tocar no assunto que aqui me trouxe, falarei de manuais escolares. Eu sei... adiante: manuais escolares!

Aqueles que são, e muito bem!, gratuitos para os alunos dos primeiro e segundo ciclos do ensino público. E cuja reutilização nunca percebi bem, pois lembro-me de que os meus eram, na década de '80, muito interactivos: eles davam-me matéria de estudo e eu carregava-os com anotações. Por vezes tinham troianos, recados discretos para os vizinhos, e programas perniciosos, anotações-poemas que caíam nas margens por descuido da esferográfica que não meu pois nesses entãos longe.

Pergunto-me como se pode reutilizar manuais escolares - fazendo dos livros museus com grossos cordões entre a obra e o estudante? [Lembro-me de ter observado as nuances da Mona Lisa num livro, pois no Louvre foi impossível - e não sou baixinha.] Recuperando o método do copiar para aprender? [Confesso que duvido dos méritos, os meus avós sabiam os rios e as estações de Norte para Sul e de Sul para Norte, mas não tivessem viajado e o norte ter-lhes-ia sido, a vida toda, o portão do quintal. Pronto, pode resultar nalguns casos - mas é em alguns...]

Os números demonstram que muitos concordam comigo: 11% de reutilização no primeiro ciclo e 0,4% no segundo, com 16% das escolas a não terem quaisquer procedimentos de reutilização. O Tribunal de Contas é que não gosta destes números e avisa que a medida não é sustentável. Que tem de se aumentar o índice de reutilização, dizem... como? Ainda para mais com crianças - colocamos os livros em redomas? Talvez se pedirmos aos professores para estarem com atenção aos livros em vez de aos alunos, e enviarem recados aos pais "por favor, não alimente o seu filho enquanto estuda"...

Os actuais manuais não estão concebidos para a reutilização. Plastificá-los não me parece solução, e tecnologia é bom mas um livro é uma velha multi-ferramenta com alimentação autónoma. Que não bloqueia.

Por outro lado, o ensino não se deve adaptar à necessidade de aumentar estes índices sobre os quais se debruça o TC. [Tudo bem, analisa a medida conforme foi apresentada; mas podemos ir mais além, certo?]

Lamento que sejam necessários 145 milhões de euros para garantir manuais escolares gratuitos - é um valor elevado, nem discuto. Mas não significa que se deva rever o procedimento de reutilização - antes que se deve rever o procedimento de aquisição dos mesmos. Livre concorrência e direitos de autor? Desculpem lá, mas temos uma Imprensa Nacional, e os agrupamentos têm reprografias - porque é que adquirimos tais manuais às editoras e não os direitos de reprodução aos autores?

Porque concordo com a gratuitidade dos manuais. E concordo com a necessidade de promover medidas sustentáveis. Mas a reutilização nem é método nem medida. O Tribunal de Contas e o Ministério das Finanças precisam de sair das grelhas do Excel e de deixar de olhar para a Educação pela óptica da despesa ou pela óptica da sustentabilidadezinha - deixem-se de estrabismos e de ambliopias, a Educação é um investimento de retorno garantido!

 

 

Mas eu abri o postal foi para agradecer ao ainda comendador Joe Berardo [por pouco tempo, Cristas não dorme!] este supremo serviço à Nação. Precisávamos mesmo da catarse, pobre povo até aqui dividido nas indignações e agora, finalmente, com um alvo único. Indignados e verborrentos, mas unidos, caramba, que nem o Euro 2016 e seus comendadores nos uniram desta maneira!!!

Só por isso deixava Berardo ficar com as comendas...

 

 

imagem de Nuno Ferreira Santos, recolhida no Público

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Desventuras

por Sarin, em 14.05.19

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Ontem houve um debate, na RTP, com alguns candidatos ao Parlamento Europeu.

André Ventura faltou.

O assunto de hoje sobre o debate de ontem é, imaginem!, a ausência de André Ventura.

"Porque tinha um compromisso profissional noutro canal" disse ele, "porque gosta é de futebol" dizem muitos.

Propôs outro participante mas a RTP recusou, consta. Recusou porquê?!

 

Ventura encabeça uma coligação de vários e pequenos partidos cuja única hipótese de visibilidade seria associarem-se a alguém que fosse vistoso. Calhou-lhes bem, Ventura tem hábitos de pavão, adejando as penas numa espécie de programa de entretenimento onde só teve piada limpando o pó ao Paulo Andrade.

Ontem foi um excelente ensaio de limpeza para os seus parceiros de coligação - não são nada que interesse à RTP e não têm quem segure o Pavão, quem substitua o Pavão, quem seja algo mais ou algo menos que avestruz com manias de pavão.

Ao rigor do cumprimento do contrato profissional, razão justamente invocada por Ventura, têm que contrapor o próprio Ventura... onde estará Ventura quando houver discussão política?

Em lado algum, Ventura não é político, não debate - apenas tem monólogos e chavões. E uma mão que agarrará a primeira oportunidade de se candidatar a qualquer cargo no Glorioso, até de apanha-bolas. Azar, ninguém quer Ventura por lá - excepto, talvez os partidos pequeninos. Mas que ele tentará, tentará, e perder-se-à um nado-morto político para um ensaio desportivo.

E toda esta análise porque o homem demonstrou ser, não um bom profissional (que lá se  pode ser profissional como opinador!), mas um contratado consciente - tinha um contrato, e cumpriu as obrigações contratuais, a política é assunto secundário. Não deixa de ser uma pedrada no charco...

Que em nada contraria a lei, pois que não faz comentário político mas sim de uma coisa que ninguém percebe bem o que seja.

Dá-lhe visibilidade? Dá, pois! Mas, reparem, Marcelo partiu com uma vantagem de 15 anos e passeou-se por todos os canais generalistas de sinal aberto em horário nobre, só suspendendo o comentário político a dois meses da campanha. Se acham que não é a mesma coisa, acham muito bem: Ventura não tem as penas de Marcelo.

 

 

Mas acautelemo-nos, a estratégia militar prevê o envio de aves de reconhecimento: o próximo não será apenas espanador.

 

 

imagem da Norton

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Asterisco sobre política e religião

por Sarin, em 14.05.19

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"Nuno Melo fez notar que, no dia 13 de maio, o CDS constatou que ocupará o 13.º lugar no boletim de voto, algo que o cabeça de lista diz acreditar que não acontece "por acaso"."

 

Estará Nuno Melo a tentar seguir a fórmula de Bolsonaro? Misturar política e fé resultou lá, talvez resulte cá - afinal, o Estado é laico mas o País, não.

Não contesto a fé de cada um, mas considero uma angustiante falta de seriedade trazer a religião para o discurso político. Separação de poderes é bom.

 

Os religiosos fazem política pois políticos são todos os actos de intervenção social. Mas fazer política difere de interferir na vida político-partidária, embora haja uma longa tradição de religiosos a interferir, mesmo depois de 1974 - desde o antigo Bispo de Braga ao recente P. Gonçalo Portocarrero de Almada, este em permanente campanha velada.

Não posso nem quero pedir aos indivíduos do clero, enquanto indivíduos, que fiquem de fora do partidarismo, até porque a cidadania deve ser exercida por todos - embora acredite que o ascendente espiritual de um líder sobre os seus fiéis possa condicionar e confundir nestes o voto em consciência.

Mas posso pedir aos partidos que deixem de fora as evocações e as invocações religiosas. A menos que tenham a religião como programa de campanha, o que lhes seria legítimo - mas não é o caso.

Estas alusões a símbolos religiosos permitem a quem ouve identificar-se não com a política mas com a fé manifestada - é um apelo à emoção e não à razão. Que, por acaso, é o que define o populismo.

 

 

foto Miguel Pereira da Silva/Lusa, recolhida na TSF

 

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Pequena nota antes da época

por Sarin, em 10.05.19

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O SIRESP ameaça cortar as comunicações se Estado não pagar dívida de 11M€.

 

Agora que funcionam (supõe-se) pedem o pagamento de um valor que não foi pago devido a irregularidades - nas contas mas também nos serviços prestados. Mas o SIRESP tem razão, não foi pago mas devia ter sido - afinal, o contrato está blindado a multas por paragens inferiores a 3,8 milhões de minutos por ano.

 

A época de fogos aproxima-se e é isto que continuamos a ter.

 

imagem recolhida no Campeão das Províncias

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A semana

por Sarin, em 03.05.19

 

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O CDS-PP propõe e aprova passadeiras arco-íris em Lisboa.

O PSD e o CDS-PP votam a favor da FENPROF perante a abstenção do PCP.

O BE censura piropos mas canta-os.

O PS resiste aos incêndios e ao armamento de Tancos, e a meses de entrar em gestão entra em combustão.

 

 

Sinto que esta semana adormeci no comboio e acordei num Portugal várias estações depois.

 

 

 

imagem recolhida em pngtree

 

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A mania dos sinónimos

por Sarin, em 02.05.19

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A notícia que ilustra o postal arrancou-me das funduras da memória um outro ao qual queria ter dado continuidade. Sobre sinónimos. Guardado está o bocado... ou não, depende dos glutões em funções.

 

Esperar é aguardar. Mas também pode ser desejar. Que, por sua vez, pode ser anelar, ansiar... sem que ansiar seja sinónimo de aguardar.

Como no caso desta notícia com título delicodoce.

Porque Paulo Macedo não espera não aguarda não deseja.

Paulo Macedo quer mesmo 570 trabalhadores na rua.

E desconfio que, destes, já todos o esperem mas nem todos o desejem.

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Passadeiras efeito dominó

por Sarin, em 30.04.19

Não sei de que me ria mais:

* Do receio de uma vizinha que me perguntava se as passadeiras arco-íris não dificultariam a travessia, "assim todas às cores e em redondo";

* Da descoberta de que a ideia de as pintar em Lisboa partiu de membros do CDS-PP;

* Do perceber que a ideia avançou e foi aprovada entre gritos de discordância do próprio partido e o apelo à intervenção de Cristas para pôr ordem na casa. Ou na rua, no caso.

 

O Bloco costuma ter ideias assim: diferentes irreverentes alegres... assim. Umas divertidas outras de mau gosto, mas ninguém lhes pode negar o colorido - e não apenas por causa dos direitos LGBT. Está bem que a ideia não é nova, mas... novos tempos, estes da irreverência de gravata.

 

Que não uso. Nem uso chapéu, mas tirá-lo-ia perante Abel Matos Santos. Por muito importante que a sensibilização possa ser, não posso deixar de concordar com a sua reflexão: "A inclusão faz-se rebaixando passeios para as pessoas com mobilidade reduzida, instalando dispositivos sonoros para cegos e tapando buracos na via pública." Concordo, e gostaria também de aplaudir uma proposta efectiva do CDS-PP tendente a esta inclusão de que fala AMS. Talvez um dia...

Parece-me que AMS esbarra algures na ilegalidade e no perigo das passadeiras arco-íris, como lhes chamam, mas convenhamos que a sua preocupação é legítima e lhe fica bem - a minha vizinha partilhava tais apreensões há uns anos. Parece-me também que AMS supõe que atender a esta inclusão substitui atender à outra, ou talvez que uma é mais importante que a outra... mas talvez seja erro de interpretação da minha parte - é amplamente sabido que a sensibilização é muito importante para esbater a discriminação nas questões de género. Afinal, digo eu, ser uma questão íntima não é exactamente o mesmo que ser uma questão silenciada. Além disso, acho que os orçamentos para rebaixar passeios são substancialmente diferentes dos das latinhas de tinta, mas não quero desanimar Abel Matos Santos, defensor da inclusão!

E perante este seu discurso pergunto-me como terá desenvolvido este homem um tal desejo por sangue: demitir o responsável por tal proposta? Assim tão sumaria e radicalmente? Aparentemente, a democracia ainda não chegou, ou já desapareceu, do CDS-PP. Então não há liberdade de opinião e de acção, nem sequer nas autarquias?!

Talvez se tenham passado coisas estranhas nos bastidores, não sei, nunca fui íntima; mas, assim de repente, parece indignação genuína por parte dos mais conservadores dos conservadores - daqueles que rejeitam quaisquer alterações ao modo de vida como a conheciam, embora alguns já só de ouvir falar e por isso não saibam muito bem como agir.

Mas tudo ganha outros contornos quando percebo que este Abel é o mesmo Abel do Tendência Esperança em Movimento, o que há um ano surgiu como opositor de Cristas e teve quase 10% dos apoios. Giríssimas, as guerras internas, e ainda mais coloridas do que as passadeiras em causa!

Colar Cristas às passadeiras teria um simbolismo profundo e um resultado prático interessante de observar... mas desconfio que Assunção é mais dada a cavalgar unicórnios.

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Obrigada por estar aqui.




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