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Portugal a todo o vapor

por Sarin, em 08.02.19

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imagem retirada do altoastral

 

I

Num teste de inglês do 11º ano de um curso técnico é colocada uma pergunta, cujo objectivo é levar os alunos a identificar quais os acessórios de moda que são usados por homens, por mulheres ou por ambos. Um aluno responde que todos são usados por todos. A professora considera errado. O aluno argumenta em favor das suas respostas. A professora ameaça o aluno com falta disciplinar se insistir em discutir a matéria.

Foi na disciplina de inglês, mas até podia ser na de romanche ou de latim, que para o caso tanto dá... que em testes sejam colocadas questões que dependem exclusivamente de opinião pessoal, já é abusivo; mas absolutamente desconcertante é o entendimento que a professora tem do que pode ou não pode motivar uma falta disciplinar - aparentemente, discordar da opinião do professor é suficiente.

O meu avô contou-me várias vezes a história da reguada que apanhou por ter corrigido o professor em 1930. E lembro-me do sangue que em 1979 saltou do lábio de um colega ao dizer à professora que não conhecia a capital do país. Nem era não saber qual era a capital, mas o Paulo Renato não conhecia, nunca tinha ido a Lisboa e ficava maravilhado quando eu lhe contava do vento dos aviões ou do cheiro dos hipopótamos ou dos carros na Rotunda do Relógio... 

II

No Parlamento o BE, o PAN e o PCP levaram a votação projectos de resolução para a abolição de portagens nalgumas das vias mais estruturantes do país, das quais destaco a A22 (Via do Infante), a A23 (Estrada da Beira Interior), a A25 (IP5, a principal ligação rodoviária a Espanha e ao resto da Europa) e a A24 (que liga Chaves à A25 atravessando todo o interior Norte). Estes projectos foram chumbados por quase todos os deputados do PS e com a abstenção de todos os deputados do PSD e do CDS-PP.

No entanto, as propostas do PSD para estudar alternativas em Aveiro e reduzir o preço das portagens entre Entroncamento e Condeixa foram aprovadas e baixaram à comissão.

Não duvido que Aveiro precisa de alternativas, e acredito que os preços na A13 não sejam atractivos (os da A19, construída para desviar o trânsito do Mosteiro da Batalha, também não são, acreditem!) mas Aveiro tem várias auto-estradas por perto e a A1 passa em Torres Novas, Fátima, Coimbra. As auto-estradas cujas portagens não preocupam nem PSD nem CDS e que o PS quer manter porque, como alvitrou o deputado Ricardo Bexiga , apesar de reconhecerem “os impactos negativos para alguns”, como é que estas infra-estruturas seriam sustentadas se as portagens fossem abolidas?, não têm alternativas que não sejam conhecidas como estradas da morte. Apesar da Estrada da Morte.

Lembro-me de quando auto-estradas em Portugal significava A1, um pedacito de estrada larga só num sentido (no outro também!) entre a Rotunda do Relógio e Vila-Franca e mais tarde Aveiras, a Ponderosa a ser trocada pelo Pôr-do-Sol... sim, havia um pedacinho de A1 lá pelo Porto, mas quase nem dava para acelerar, o que eram 10 quilómetros comparados com 45 quilómetros seguidos... Agora auto-estradas significa dinheiro em caixa, mas só naqueles sítios onde não há alternativa.

III

O direito à greve surgiu em Portugal após o 25 de Abril, estando consagrado no artigo 57º da nossa Constituição e bem definido no Código do Trabalho.

O crowdfunding, ou financiamento colaborativo, é a antiga vaquinha, mas agora recorrendo a tecnologias modernas e não ao boné. Torna indistinta a contribuição de cada um, e garante o anonimato.

As sucessivas greves dos enfermeiros, justas nas reivindicações, estão a ser financiadas pelo financiamento colaborativo, uma forma criativa de tornear a regra "A greve suspende o contrato de trabalho de trabalhador aderente, incluindo o direito à retribuição". Uma subversão da lei, que acaba por tornar injusta uma greve com reivindicações justas. E bastante suspeita pois não se conhece a origem do dinheiro, o qual não chegou aos 100.000€ para os incêndios entre 2017 (Pedrógão) e 2018 (Monchique), mas já passa os 750.000€ para estas greves cirúrgicas que começaram em Novembro. Temo que os enfermeiros estejam a ser conduzidos que nem ovelhas por interesses obscuros que (ab)usam as suas justíssimas reivindicações. Tal como no Estado Novo o voto.

 

 

Tudo isto tresanda a naftalina. A atraso.

Está bem para um país que insiste em usar máquina a vapor.

 

 

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Os segredos numa Caixa

por Sarin, em 30.01.19

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Em menina, perdia-me numa caixa preta lacada, pinturas estranhas e incrustações de madre-pérola... onde, além da bailarina que rodopiava na plataforma de espelho e do Danúbio Azul que com ela ondulava, havia umas funduras onde dormiam brincos e pulseiras e colares, coloridas saudades trazidas na mala de guerra, 2 anos perto do Índico em vez de aqui connosco à beira-Atlântico porque o Império assim mandava. O guarda-jóias era da minha mãe, a mala do meu pai, meu o tempo assim esquecida do tempo naquela caixa.

Não eram os colares que me atraíam. Eram a bailarina e a música quase etéreas, eram as sementes e as madeiras e os vidrilhos cheios de cores e cheiros e sonhos exóticos... e era a gaveta de segredo, descerrada por um alfinete tocando um ponto que mal se notava no vermelho acetinado do forro.

Longos minutos embevecida a mirar as maravilhas naquela caixa, daquela caixa.

 

Esta Caixa? Nada a ver, só os segredos e o tanto mas tanto ainda por saber!

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A Madeira declarou a independência?

por Sarin, em 23.01.19

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Câmara Municipal do Funchal

imagem retirada do visitarportugal.pt

 

 

A Madeira declarou a independência? Ou talvez apenas o Município do Funchal?

Só uma destas opções justifica que o Presidente de tal município tenha tomado uma posição oficial sobre a Venezuela.

 

O Maduro pode ter condicionado as eleições, como tudo parece indicar, ser um ditador e até um cruel verdugo...

... o Cafôfo pode ter opinião sobre a matéria, pode expressá-la e até fazer campanha em plena praça da cidade... 

... e os emigrantes venezuelanos podem ser maioritariamente madeirenses, e merecerem o apoio público dos seus autarcas...

... mas:

O edifício da Câmara Municipal pertence ao Estado, e tudo o que nele é feito pelos legítimos representantes do Poder Local é feito pelo Estado.

E os responsáveis pelas políticas internacionais do Estado continuam  a ser o Ministério dos Negócios Estrangeiros e a Presidência da República.

 

Apenas eu me sinto indignada por esta usurpação de funções, por este abuso?

Ninguém pede explicações?

Ninguém condena o acto?

 

Haverá os que concordarão, porque, enfim, trata-se de afrontar Maduro...

Mas Maduro deve ser enfrentado, não afrontado.

E certamente não deve ser nem uma coisa nem outra por alta recreação de um representante do poder local que ignora os seus limites. O meu Estado não merece ser afrontado!

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Pedra angular no charco

por Sarin, em 18.01.19

 

 

Não percebo...

... se Luís Montenegro não sente como derrota política a vitória da moção de confiança a Rui Rio, o que considerará ele uma derrota política? Mudar de postura não mudou, vejamos por quanto tempo.

 

Não percebo II...

... se o que Montenegro queria e quer são eleições directas, para que raio desejava esperava ansiava ser ouvido neste Conselho?

 

Não percebo III...

... se Luís Montenegro queria e quer eleições ao fim de um ano de mandato porque as sondagens indiciam perda de eleitores, porque não se demitiu nem propôs a demissão do presidente do partido em 2013 quando perderam as autárquicas, em 2014 quando perderam as europeias, em 2015 quando o governo PàF e o seu programa de governo perderam o pé e foram rejeitados pela Assembleia da República? Ou, perante as descidas anuais nas intenções de voto no tempo da troika, porque não propôs a demissão do então Governo?

 

 

E ainda fala de sentido de Estado e preocupação com o País... enfim, a história de um pedreiro que nunca foi mas quase foi mas nunca chegou bem a ser!

 

Não sou pedreira nem frequento catacumbas, mas gosto de arquitectura...

... e anda o tonto do Rui Santos a dizer que quem quer controlar a AR e os tribunais são os clubes... haja paciência para tanto desarrazoado!

Para arrozado, temos o da tia Cristas. Ai o gostinho...

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Ontem clarificou-se que nem o Corbyn entra nem o Brexit sai, o que sempre revela respeito pelos pais que nem morrem nem deixam os filhos almoçar descansados... e não se veja nisto uma metáfora sobre Sua Majestade - que para lhe não atrasar a digestão se abrem já corredores de acesso ao buffet.

Hoje cheira-me a clorofórmio nas reuniões entre ministra e enfermeiros... mas talvez seja apenas o hábito de ler suspenses antigos.

Ou talvez sejam eflúvios do Parlamento. Dizem que estes acalmam os mais agitados, embora possam potenciar episódios esquizofrénicos - de certeza que as propostas são apenas do BE e do PAN?

Amanhã, que hoje já não, saberemos se as laranjas chegam para construir açudes ou se o monte pariu um ratinho. Lutador, tentará não morrer inglório de braço no ar, que os ditames devem mudar-se quando nos dá jeito que mudem e há mesmo quem queira chamá-los pelo nome. E o rato aguarda sorridente, poucochinho ou nada irritado com a situação que positivamente o afecta. Ai, os afectos...

 

Como não desejar o fim-de-semana?

Por mim, embarcaria num cruzeiro às planuras da Terra, mas está um frio de achatar os pólos e por isso fico-me por cá, em sentido luto pela semente que fracassou na face oculta da Lua. Mas dispensava ouvir falar dos confortos que terá quem de Face Oculta nos varejou o graveto neste tempo tão frio, valha-nos a ciberpolícia nestes e noutros casos. Que, finalmente, "não comento".

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(fonte da imagem nem aqui nem em lado nenhum. recuso publicar imagens assim chocantes)

 

Numa escola de Cascais, professores, alunos e pais que foram alunos queixam-se do frio, do barulho das explosões nas obras próximas, da decrepitude e instabilidade das paredes, da cobertura de amianto, de a escola ser provisória há quarenta anos. Uma das entrevistadas diz que todos o sentem desde sempre mas também desde sempre tiveram medo de falar por receio de ficarem sem escola. Entre alface e esparguete sai-me inconsciente e quase indistinto um "olha, afinal o Tiago Brandão é bom, deu-lhes confiança suficiente para perderem o medo!" A professora ao meu lado quase se engasga com a bica.

 

Eu, que chegara tarde, continuo de volta do bife e, aquando de nova garfada de esparguete, ouço que Montenegro pediu ao Conselho que a moção fosse votada por voto secreto e não de braço no ar, como previsto, a cuja notícia Mota Pinto terá, segundo o jonalista, respondido que, assim sendo, entregaria uma petição pela votação nominal.

 

Não volto a ver notícias à refeição. Se é para dar projecção à comida, que seja por espirro incontrolável, agora por engasgar gargalhadas?!

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C17589D9-384A-4A4C-BFF4-F09BCA7203E7.jpeg(Fonte da imagem indicada na mesma)

 

 

Os dias têm estado frios no termómetro, o mercúrio que já pouco se vê a comprimir-se mais e mais no fundo do tubo de vidro. Penso que será por timidez, e talvez até vergonha, por este início de ano tão escanzelado e, ainda assim, de enorme e rotundo ventre dilatado pelos vermes que o corroem.

Atravessado o Atlântico, pelo Brasil toma posse um Presidente eleito democraticamente mas designado pelos deuses. O do autoritarismo entre estes, vestido de azul e de arma em punho pela defesa da exploração da Amazónia. Já nos EUA mais de oitocentos mil funcionários públicos ficam sem salário porque o Presidente quer provar que os Democratas não se preocupam com o país, traidores que lhe não dão o dinheiro que permitirá deixar de fora os imigrantes ilegais e de dentro os barões do jogo, da droga, do tráfico de pessoas e de influências. Isto enquanto na Venezuela é reempossado um Presidente possesso pela democracia, e que por tanto amor lhe ter manda prender quem lhe chama doente, ao Presidente ou à Democracia, não se sentindo proxeneta quando a clamam violada.

Do outro lado do Pacífico, pelo Japão fazem-se preparativos para retomar as grandes caçadas às baleias enquanto se aumentam os esforços para deixar as mulheres de fora do ensino superior e dos cargos de decisão, gueixas sem direito a queixas. A China ali tão perto, pelo contrário, distancia-se e avança rumo a África e à Europa, seja em barcos pesqueiros travados pelas terras de Moçambique ou em cargueiros que aportam à Europa sem problemas porque seus os portos, ou quase. Mas do lado de cá do Índico,  nas arábias, joga-se o tradicional jogo menina não tem querer, seja no futebol apartadas ou do casamento fugidas, enquanto a hipocrisia se instala encostada à ONU - enquanto o petróleo for saudita a responsabilidade por acolher refugiados, mesmo que apenas uma jovem, é da ONU e assim oh, nu vamos indo.

Enfim, valha-nos o Velho Continente , onde Putin continua como quer, com paciência e gozo a manobrar o tabuleiro de xadrez onde nos colocou há muito. Por França os coletes amarelos dão dores de cabeça a Macron, enquanto que de Itália o governo se solidariza com os vandalismos. Com os vandalismos, não com a insatisfação. O plano B do Brexit continua a ser But WTF... ninguém sabe como sair da fossa que cavaram a não ser enchendo-a de tal forma que, um dia, conseguirão flutuar e finalmente alcançar terra firme, o cheiro nauseabundo colando-se-lhes na pele e nos objectivos.

E para não destoar, em Portugal o Presidente da República troca o sentido de Estado que tanto lhe é caro por um telefonema carinhoso, não vendo desafecto por ninguém pois as audiências são grandes; no PSD tentam imitar o PS: depois de muito gozarem e fazerem tiro ao pratinho do poucochinho, aperceberam-se da poucochinha hipótese de  colocar todos os novos galitos no poleiro e por isso vá de bicar  na direcção eleita; de Cristas, apenas o ronronar de gata que procura peixe, quem se fica por cavala quando pode apanhar carapau pois longe o tempo dos chernes? À esquerda a coisa vai num remanso de sindicatos a manterem-se sob rédea, e o BE indignado com todas as indignações, dos piropos ao OE ao género dos anjos que ocupam o hemiciclo. E a Justiça igual, apesar da campanha para vender a tese do afastamento da anterior PGR. Igual, e os do costume a estrebuchar... 

 

... enquanto o mercúrio se encolhe, pois como não? É Mercúrio em retroversão e Marte a entrar a abrir neste 2019, valha-nos a Terra andar desnorteada com o pólo magnético em fuga, talvez que a tormenta maior nos passe ao lado por engano dos GPS.

 

Ámen.

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(fonte da imagem aqui; a da água, desconheço)

 

 

Os dois vice-Primeiros de Itália  demonstraram publicamente o seu apoio ao movimento dos coletes amarelos franceses.

O Presidente da República Portuguesa beija a mão a outro Chefe de Estado.

 

O Presidente dos Estados Unidos da América emite via Twitter comunicados verrinos contra os seus outrora apoiantes.

O Presidente da República Portuguesa faz telefonemas em directo para congratular apresentadores de canais televisivos que têm mais audiência do que o próprio.

 

O Presidente da República Federativa do Brasil quer liberalizar a utilização de armas.

O Presidente da República Portuguesa incentiva o uso de câmaras fotográficas e as selfies.

 

Desculpem mas, sendo por vezes muito mal representados, podíamos estar muito mas muito mais mal servidos!

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O famoso Artigo 13

por Sarin, em 07.12.18

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Li que o Governo propôs aos sindicatos um aumento no salário base da função pública, de 580€ para 635€.

Antes, tinha lido que o Governo apresentou na Concertação Social uma proposta para o salário mínimo, que passaria de 580€ para 600€.

Fui confirmar: é fake news.

A Constituição da República Portuguesa consagra, no seu artigo 13, o Princípio da Igualdade. O Governo nunca  teceria propostas contra a CRP...

 

 

Esta discrepância no tratamento, endémica, sistémica, aceite como normal por governantes, funcionários públicos, sindicatos e por grande parte da população, dá-me mote para muito escrever. Voltarei ao tema em breve. Hoje, apenas deixo a minha irritação com a falta de mobilização dos funcionários privados neste tecido de PME, esgarçado pelas muitas incompetências legais e deformado pela baixa formação, técnica como cívica, de muitos dos seus actores.

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Uma pena não ter foto

por Sarin, em 07.12.18

Vi há pouco na RTP3 uma mini-reportagem sobre a greve dos guardas prisionais.

Tentei encontrar o vídeo na net, para captar a frame; mas, infelizmente, ou não tenho jeito para a coisa ou a coisa ainda não apareceu...

Dirigia-se ao nosso PR. Começava "Pedimos o seu afeto para..."

Afectou-me o acordês. Mas ainda mais o politiquês. Estavam a gozar, certo?

 

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Obrigada por estar aqui.




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