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Aproxima-se a Meia Noite. O tempo por aqui está seco, mas chovem votos de Bom 2020 e de Feliz Ano Novo.

Acredito que o ano que chega nada traga. Excepto, talvez, a esperança de que sejamos melhores.

Solidarizo-me com o Novo Ano e deixo, assim, os votos de que em 2020 possamos ser versões melhoradas de nós mesmos.

E, porque o acaso também faz parte, que a sorte nos mantenha os azares sob controlo...

Tenham uma muito feliz passagem de 2019 para 2020!

 

E que por cá nos encontremos no próximo ano.

 

 

[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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lançado às 20:00

Em memória de uma nota vibrante

por Sarin, em 31.12.19

Soube agora.

Não posso dizer que tenha sido uma surpresa. Mas foi inesperado.

Porque quase acreditei ser-lhe a força inesgotável, tanta era a vontade de escrever, de ler... de estar. De estar também aqui, neste aqui onde com ela convivi, neste aqui onde somos o que escrevemos. E ela estava, era, vibrava em cada frase que nos dava. E ria.

"Se a vida te der limões faz uma limonada". Acredito que tenha sido exactamente o que fez! E partilhou connosco um pouco dessa saborosa limonada que arrancou à vida que se lhe arrancava.

 

Terei saudades do Mr. Green.

Terei saudades da Marta.

 

 

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lançado às 01:10

O grotesco na Porta dos Fundos

por Sarin, em 26.12.19

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Li a notícia. Li várias opiniões e várias respostas às opiniões. Pois também quero opinar!

 

Não posso condenar o ataque à sede do Porta dos Fundos.

Não posso condenar porque, ainda que fosse juíza, não condenaria um ataque, condenaria quem o leva a cabo. E aos que usam a violência física para contestar palavras condenaria a trabalhos forçados - forçá-los-ia a trabalhar em silêncio. A viver em silêncio, até à eternidade ou até perceberem a liberdade de expressão, o que acontecesse primeiro.

Mas não sou juíza, apenas os posso condenar ao silêncio no mundo que domino: as minhas palavras, a minha casa, os meus blogues. Não serão mencionados depois de classificados pelo acto cometido: este foi vil, eles, além de vilões e terroristas, foram imbecis. Como são todos os que recorrem à pedra contra a palavra.

 

E apenas posso classificar de grotesco o discurso dos defensores da liberdade de expressão que, tolerantes às piadas, dizem ser fácil gozar com a cristandade - ser fácil e ser de cobarde, pois de gente forte e sem papas na língua é gozar com o islamismo! E relembram e comparam o drama do Charlie Hebdo, claro. 

Tal abordagem revela um profundo desconhecimento da obra dos agredidos - tanto a trupe do Porta dos Fundos como a do Charlie Hebdo (como a dos nossos Gato Fedorento, aproveito para relembrar) têm rábulas e artigos com Jesus, Deus, Maomet, Alá... sei lá se não, até, com Buda e Hare Krishna!  Mas no embalo da crítica, as assumpções são quase naturais aos desaçaimados discursadores - porventura quem normalmente os lê desconhecerá ainda mais. 

Revela, também, desconhecimento ou desprezo por aquilo que rege a liberdade de expressão: o direito de escolher os temas. Porque em tal discurso denotam não perceber que o autor, o criador, fala sobre o que lhe apetece e não sobre o que aos comentadores daria jeito ou gosto. Nem se apercebem, ou fingirão que não sabem, que questionar tal direito é, já de si, uma tentativa de condicionamento da liberdade de expressão que dizem defender. É um mas tão claro como outro mas qualquer.

Depois, revela-se-lhes o preconceito entrelaçado na defendida tolerância. Assumem que, ao ironizar-se com o Islão, se convoca a fúria dos islâmicos mas que, ao ironizar-se com o Cristianismo, os cristãos acham piada ou, numa prova de suprema abnegação, sentem-se mas não se ressentem. Talvez o assumam porque imbuídos de uma extraordinária fé, que não será de S. Tomé! São Tomé seria ateu, pois olhando ao redor nada encontraria que atestasse serem os cristãos gente da paz e do amor... mas eles, os tais opinadores, não, eles crêem! Não há História nem histórias que os demova da crença de serem os cristãos gente amorosa e pacífica apenas pelo facto de, puramente, aceitarem um Cristo. E a suprema anedota: defenderem a tolerância, a diferença, dizendo nas entrelinhas que ser cristão ou ser islâmico define os indivíduos e os arrebanha por iguais.

Não desculpam o acto de terrorismo contra o Porta dos Fundos, atenção! Mas o outro, o do Charlie, esse é que foi terrorismo, neste talvez nem tivessem intenção de fazer mal a uns cobardes que apenas falam mal da cristandade por temerem pela própria porta dos fundos... Grotescos.

 

A tolerância parece-me perigosa quando guiada pelo preconceito e pelo desconhecimento.

E mais não digo por ser natal...

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lançado às 16:50

Fantasmas de Natal

por Sarin, em 23.12.19

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As árvores choravam neve. As renas escavavam o solo, impacientes, os cães samoiedo latindo para orientar o rebanho que ficaria... e Maria Natal soluçava. Cofiando as barbas espantadas pelo choro em plena noite, Nicolau perguntou o que se passava. Do peito molhado de lágrimas e tristeza, ouviu-se um Quero ir contigo, os grandes olhos brilhantes fitando o velho que se agachava. Mas, Maria Natal, o avô vai trabalhar... vai passar a noite com as renas, deixando prendas nas casas das famílias dos meninos... E a menina olhou o Avô e disse, Sim, Avô, mas tu não vais estar comigo. Nicolau olhou a neta e percebeu que havia andado todos aqueles anos a dar felicidade aos meninos do mundo mas que havia esquecido a sua própria família. Chamou a Mãe Natal e perguntou se os elfos, as outras renas e os cães estavam todos tratados. Ouvindo que sim, disse sorrindo Vá, Mãe, entra. E tu também, Maria. Este Natal estaremos juntos como a família que somos. E lá foram, pelos céus, distribuir as prendas aos meninos que se portaram bem.

Se, esta noite de Natal, te portares bem e não fizeres barulho, poderás ouvir os sinos alegres das renas e a gargalhada feliz da Maria Natal descendo com o Avô pela tua chaminé.

Agora silêncio... e Feliz Natal...

 

Luís, sentado junto à lareira, perguntou como é que o Pai Natal tinha uma neta se não tinha filhos.

Lueji, sentada à-beira mar, perguntou o que eram elfos e renas.

Luaty, sentado nas vazias sacas de cereais, perguntou o que eram prendas.

Luana, sentada no dormitório, perguntou o que era família.

 

 

Abracem os vossos, com os braços com a vista com a alma.

Celebrem os que estão, recordem os que longe e os que não voltam.

E durmam em paz. O mundo estará igual dia 26. Estejamos nós mais cheios de calor.

Feliz Natal

saudação usada também em 2018. usada antes de haver blogue. a usar em 2020. a usar sempre...

a historieta em citação é invenção minha. mas pode bem ser a história de muitas crianças.

 

Imagem: Um conto de Natal (2009), Disney

Canção: Adestes Fideles

Letra e Música presuntivamente de D. João IV

.... mas Rui Vieira Nery diz que não. Os historiadores de D. João IV não falam da música.

Acredito em Nery. Sou fiel a Pavarotti. Aproximemo-nos:

 

 

 

 

 

 

[Desafio O meu conto de Natal, da imsilva]

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lançado às 15:55

Lembretes ao olhar a televisão

por Sarin, em 26.11.19

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Para alguns, parece que a Democracia começou com o 25 de Novembro.

Mas sem o 25 de Abril não haveria 25 de Novembro. Não haveria coragem para pedir mais ou pedir menos, não haveria liberdade para o anunciar, não haveria liberdade para agir ou reagir. Honra lhes seja feita, Vasco Lourenço e Ramalho Eanes sabem que o 25 de Novembro não foi o que alguns querem que tenha sido.

Sabem que os que venceram o 25 de Novembro não teriam feito o 25 de Abril se não fossem instigados - e que tudo ficaria como estava.

Sabem que os que se alcandoraram no 25 de Novembro são os mesmos que aos membros das FP25 chamaram terroristas mas que aos do ELP deram a amnistia. E a vantagem do secretismo. E a garantia do imaculado currículo. E que, assim, deixaram mais de uma dezena de mortos sem justiça. Mas isso de Justiça só interessa para alguns.

 

Pela televisão verifico que em 24 de Abril não era muito diferente. Nem sequer aquela mania das amnistias e do fingir que nada se passou.

Fica-lhes bem, a feia cara sem máscara. 

imagem: Marcelo Caetano em Conversas em Família, Arquivo RTP

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lançado às 22:50

O que querem as crianças pelo Mundo

por Sarin, em 20.11.19

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A UNICEF tem no seu sítio oficial um conjunto de vídeos com as reivindicações de crianças de todo o mundo.

É interessante. Mas é mais: é importante.

Porque é importante ouvirmos o que têm a dizer as crianças quando se cumprem 30 anos sobre a Convenção que lhes consagrou os Direitos.

 

Se tiverem interesse, podem acompanhar aqui.

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lançado às 18:15

Dia Mundial da Criança

quase seis meses depois

por Sarin, em 20.11.19

Tristemente, pouco ou nada tenho a acrescentar ao que disse no dia 1 de Junho. Por isso, reedito esse meu postal. 

 

Oficialmente, o Dia Mundial da Criança é o 20 de Novembro.

Porque foi no dia 20 de Novembro de 1959 que na ONU se assinou a Declaração Universal dos Direitos da Criança. E foi no dia 20 de Novembro que em 1989 se assinou a Convenção dos Direitos da Criança.

Esta convenção é, apenas, o tratado internacional mais ratificado de sempre: 192 dos 193 países reconhecidos junto da ONU são aderentes. A excepção são os EUA.

 

Mas o dia 1 de Junho já anteriormente havia sido declarado Dia Internacional da Criança... em 1925, durante a Conferência Mundial para o Bem-Estar da Criança realizada em Genebra, 

Por isso, em 51 países o Dia da Criança continua a ser celebrado a 1 de Junho.

Mas apenas 115 países dos mais de 200 países existentes no Mundo comemoram esta data - ou melhor, 114, pois no Japão não se comemora o Dia da Criança mas sim o Dia das Meninas (3 de Março) e o Dia dos Meninos (5 de Maio), uma evidência de quão profundamente a sociedade nipónica ainda é machista.

 

A Convenção dos Direitos da Criança não é um mero quadro de boas intenções: é um tratado internacional, um documento que deve ser vertido na legislação de cada um dos cento e noventa e dois países que a assinaram.

Assenta em quatro grandes pilares, transcritos exactamente como constam no sítio da UNICEF:

  • não discriminação, que significa que todas as crianças têm o direito de desenvolver todo o seu potencial – todas as crianças, em todas as circunstâncias, em qualquer momento, em qualquer parte do mundo.
  • interesse superior da criança deve ser uma consideração prioritária em todas as acções e decisões que lhe digam respeito.
  • sobrevivência e desenvolvimento sublinha a importância vital da garantia de acesso a serviços básicos e à igualdade de oportunidades para que as crianças possam desenvolver-se plenamente.
  • opinião da criança que significa que a voz das crianças deve ser ouvida e tida em conta em todos os assuntos que se relacionem com os seus direitos.

 

E, no entanto...

... são cerca de 15000 as crianças com menos de 5 anos que morrem diariamente.

... a cada 7 minutos morre um adolescente de forma violenta; em 2015 foram cerca de 82000.

... um quarto das crianças com menos de 5 anos não está registada. Sem registo não há certidão, sem certidão não há acesso aos cuidados de saúde ou à educação.

... em África, 38,6% das crianças em meio rural e 25,7% em meio urbano estão subnutridas.

... 61 milhões de crianças em idade escolar nunca andaram na escola nem frequentaram o ensino básico.

... há países onde nem todas as escolas têm água canalizada, instalações sanitárias ou promovem a higienização: são 58 os países onde nenhuma escola tem água canalizada, 49 os sem escolas com instalações sanitárias básicas e 70 aqueles onde as escolas não têm nem água nem  sabão para lavagem das mãos.

... há cerca de 152 milhões de crianças a trabalhar no mundo. Aproximadamente 18,2 milhões na indústria do vestuário e calçado, e cerca de 1 milhão na extracção de minérios para a indústria electrónica, actividade que também facilita a prostituição infantil.

... cerca de 17 milhões de mulheres adultas oriundas de países com baixos rendimentos disseram terem tido sexo forçado na infância, e cerca de 2,5 milhões de jovens mulheres de 28 países da Europa afirmaram terem sofrido violência sexual antes dos 15 anos. Não há dados sobre a violência sexual contra homens, não quer dizer que não exista.

... ... ...

... porque há muito mais.

 

Que, dolorosamente, é também muito menos.

Menos atenção.

Menos cuidado.

Menos futuro.

 

 

E menos prendas, por favor:

Muitas das que hoje serão colocadas nas mãozitas das crianças felizes estão marcadas por mãozinhas de crianças sem riso. 

 

relembro as crianças no daesh,

ou, numa realidade oposta e mais nossa,

a Gaffe conta outra vez.

e mais poderia relembrar

mas, porque não perco a esperança,

deixo a ligação ao Tia! Tia! Tia!

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lançado às 14:35

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Os crimes relacionados com exploração de crianças já levaram, entre 1 de Janeiro e 31 de Outubro deste ano, à detenção de 207 pessoas. 

Estas detenções resultam da investigação de, e transcrevo,

2.206 situações inseridas na tipologia de crimes de abuso sexual de crianças, abuso sexual de dependentes, aliciamento de menores para fins sexuais, atos sexuais com adolescentes, lenocínio de menores, pornografia de menores, recurso à prostituição de menores e violação, contra crianças e jovens. (in Sapo 24)

O número de detenções indicado parece elevado, assustador: 207, duzentos e sete adultos agressores. Mas as denúncias foram 2206, pelo que, mais do que o número de detenções, assusta-me o que ficou por investigar ou por provar nestes 2206 casos que apenas conduziram à detenção de 207 agressores.

 

Por outro lado, a Associação de Mulheres Contra a Violência (AMCV), numa brochura que tem o patrocínio da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), diz que

O abuso sexual de crianças é três vezes mais comum do que os maus-tratos físicos a crianças. Dados estatísticos, que se acredita estarem subestimados (50-80% das vítimas não apresentam queixa), indicam que 25% das mulheres foram abusadas na infância. (in Abuso Sexual de Crianças, Mitos e Realidades)

Se a AMCV estiver correcta, então entre 1 de Janeiro e 31 de Outubro deste ano os casos de crianças vítimas de abusos sexuais não foram os supra-indicados 2206, antes se situam entre os 4412 e os 11030.

 

Como é possível?

Grande parte dos abusos ocorrem em ambiente familiar e são perpetrados por membros da família ou da vizinhança. Já o sabíamos de anos anteriores, e os dados deste ano não indicam alterações:

"Recorrendo ao critério de avaliação da relação entre vítima e agressor sexual prévia à situação crime, verifica-se a prevalência da relação de proximidade, entre vítima e agressor, previa à situação abusiva”, é referido.

Esta proximidade assume a natureza familiar, educacional, assistencial ou geográfica (vizinhança, por exemplo) e corresponde a cerca de 65% dos casos investigados. (in Sapo 24)

 

Então, se sabemos que em 10 meses 11030 crianças podem ter sido abusadas por familiares e vizinhos, por pessoas em quem, naturalmente, se habituaram a confiar...

... não será tempo de o Estado chamar a si a responsabilidade de educar as crianças para a auto-defesa?

Não será de pensar fazer da escola, incluindo a rede de infantários e ensino pré-primário, a primeira linha na prevenção dos crimes contra a autodeterminação sexual, seja pela explicação do direito à autodeterminação e à inviolabilidade do corpo, seja pelo ensino de mecanismos de resposta e de busca de apoio em situações de ameaça? 

Porque dotar centros médicos e escolas com mecanismos de detecção do abuso não chega: uma criança a quem são detectados sinais de abuso é uma criança que já perdeu a infância, é uma criança traumatizada, é uma criança a quem os adultos falharam.

Falhar a 1 criança é-nos doloroso. Falhar, só este ano, a 11030 é-nos abominável.

 

imagem: quadro da série Crying Boys, de Giovanni Bragolin

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lançado às 18:57

Agá dois pó

por Sarin, em 17.11.19

Escrevi o devaneio publicado há pouco, Agá dois ó p'ra mim, e pensei que uma música talvez aligeirasse a fatuidade da coisa

Geralmente tais devaneios nascem e morrem sem verem a forma das letras, mas este não teve tal sorte pois que me encontrou frente ao computador e com um rascunho aberto.

Enfim, estando escrito mais valia publicá-lo - tenho sido pouco produtiva, e ontem disseram-me ser eu muito "política" [não, não foi ofensa - se foi, não me senti nada ofendida, pelo contrário], portanto aproveitei a coisa para desmistificar a minha pessoa: eis-me despolitizada, desconfio que até desneuronizada, durante aqueles minutos para sempre cristalizados. Tenho muitos minutos parecidos, apenas suponho não costumar embrulhá-los em açúcar. Tornemos à coisa.

Na senda da tal música que me aligeirasse o fardo de tão patético devaneio, desviei-me até ao You Tube: revisitei filmes do Charlie Chaplin, passei por tutoriais faça-você-mesmo ou diy, má-da-faca, diy, descobri músicas que nunca tinha ouvido e gostaria de assim ter continuado, encontrei muitos vídeos sobre o novo papão pó-de-talco e os mauzões da [pub] Johnson & Johnson.... 

... e parei nisto. Corrijo: não parei, pois que ainda busquei Siouxsie para o postal inicial. Mas detive-me neste vídeo. Nisto:

Inicialmente parecia adequado, pó e mais pó. Mas ao fim de vinte segundos de pó e mais pó suspeitei estar perante uma monumental chatice. Foi quando atentei no título:

"Satisfying Asmr Powder Play with Baby Powder"

 

Asmr? Seria gralha ou diminutivo para asthma? Fiquei curiosa, asma e pó-de-talco dariam uma comédia negra polvilhada a branco... mas não, o título não teria, assim, qualquer lógica. Supondo depois Asmr uma sigla ao estilo diy, fui procurar o seu significado. 

É uma sigla, sim, mas não ao estilo de: ASMR é sigla para Autonomous Sensory Meridian Response, em Português, Resposta Sensorial Autónoma do Meridiano. Também conhecida como Orgasmo Acústico.

Sorri e pensei que, afinal, esta sociedade da tecnologia e da informação ainda me consegue surpreender com as suas Bruxas de Salém. Sim, já sei, posso estar a ficar velha e céptica. Mas continuo asséptica perante tais contaminações porque, tenha eu que idade tiver, haverá sempre a sugestão de grupo: por cada indivíduo que experimente uma qualquer reacção, surgirão cem outros dispostos a jurar que também. Felizmente surgirá com eles o centésimo primeiro, aquele alguém disposto a estudar seriamente os fenómenos enquanto centenas cantam loas ou endechas por conta do assunto.

Tendo recuperado os neurónios que indiquei perdidos no terceiro parágrafo, afirmo-me céptica até surgirem estudos suficientes que me digam ser esta ASMR um facto científico. Ou até descobrir os sons de baixa frequência que me encherão de indescritível bem-estar, o que acontecer primeiro...

Enfim, percebi que o assunto, não me merecendo muita atenção, merecia um postal dedicado.

 

E continuo a preferir ser água.

 

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lançado às 10:05

V de vento

por Sarin, em 11.11.19

O senhor deputado Ventura, que felicitou publicamente o Vox pela sua entrada do Parlamento Espanhol, e que felicita publicamente o aumento da representatividade do Vox nas eleições de ontem, parece ter atenção quase nula deste partido.

Basicamente, o Vox parece estar-se marimbando para o que pensa dele o deputado que faltou a um debate para ir comentar desporto, parece estar-se marimbando para o partido que mantém um assim candidato preocupado com a política. Parece ter-se estado marimbando em Abril como parece estar hoje. Esteve certamente em Outubro quando, após deslocação de Ventura a Madrid para "criar uma plataforma ibérica" e convidar representantes do Vox para o comício de campanha, Abascal lhe enviou uma carta.

Talvez que o Vox tenha felicitado o Chega, e Ventura, pela sua eleição, mas nada vi pelos jornais espanhóis que vou acompanhando. Provavelmente porque os jornais espanhóis não são tão elásticos como os portugueses.

Enfim, o senhor deputado vai certamente continuar aos pulinhos.

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lançado às 14:48

Obrigada por estar aqui.




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