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Pois não sei se

<<as notícias publicadas contra ele servem para desviar as atenções de “pessoas que cometeram crimes e abusaram de um sistema (...)">> 

mas tem toda a razão ao dizer deste sistema

<<"que, sobretudo até 2008, concedeu à supervisão bancária poderes legais limitados e assentou numa excessiva confiança na gestão privada dos bancos e na pretensa autorregulação dos mercados financeiros”>>

Isto diz Vítor Constâncio no jornal Expresso sobre processar o jornal Público, noticia o Jornal Económico

 

1. Acho muita graça a este excesso de jornais, noticiar num o que alguém diz noutro sobre um terceiro.

Por outro lado, a declaração de intenção individual, o "ir fazer", já foi elevada a categoria de notícia. Por antecipação da dita, suponho. Resta-me o consolo de saber que, se entretanto o protagonista mudar de ideias, estarei a braços com a pertinente dúvida de ter isto sido ou não uma fake news; e, não mudando, com a desconcertante certeza de que os mesmos jornais publicarão uma notícia que, afinal, já não o é.

 

2. Não acho graça nenhuma a estas sanhas persecutórias que analisam o passado exigindo-lhe mecanismos que então não existiam.

Nada de confusões: a inexistência dos mecanismos deve-se aos mesmos agora auditados tanto quanto aos, senão os mesmos então primos (mas não inter pares), auditores. Não invalida a sua responsabilidade, apenas a reflecte noutro ângulo da mesma questão.

Fossem os senhores deputados tão diligentes a balizar os objectivos das leis como são os advogados a avalizar as letras e os créditos, e não apenas lhes seriam mais fáceis as audições como, até, desnecessárias. Porque, entretanto, a banca continua assaz desregulada e as comissões parlamentares de inquérito já fazem parte do rico anedotário nacional.

 

3. Desconheço os pormenores da trama entre Constâncio e o Público. Reconheço apenas a constância da coisa: nós, público, seremos sempre os tramados. Talvez porque nos mantenhamos isso mesmo, público, desengraçada assistência, e desgraçadamente não assistamos à coisa pública quando precisa de nós.

E tu, onde estavas?

 

 

 

imagem em Boho Weddings & Life

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Perguntas de palavras feitas

por Sarin, em 06.06.19

Há verdades insofismáveis. Que na rede se encontra de tudo, é uma delas.

Também nos canais noticiosos e de opinião se encontra de tudo: dos que escrevem para os outros aos que escrevem para si, dos que pagam as contas com a escrita aos que gastam dinheiro para escrever.

Quando leio alguns desses tudo, há perguntas que me são recorrentes e que por vezes lhes coloco, no momento em que leio ou debato. Quando o locutor me merece continuidade. Outras, guardo-as por ausência de forma ou porque desperdício de tempo. Estas vão-se revestindo por leituras várias enquanto eu esperançosa que se dissipem - nada muda antes piora, e as perguntas ali, cheias de camadas de si mesmas ganhando dimensões alarves. Até que um dia as liberto, deixando espaço para outras. Invariavelmente, as mesmas...

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Director de jornal, porque permites comentários em notícias?

Esperas que alguém exerça contraditório numa caixa de comentários?

Desejas que quem lê ateste ou complemente os factos?

Ou apenas suportas os comentários porque a isso és obrigado, like it or not?

 

 

Jornalista, porque fazes notícia das notícias dadas por outros?

Porque não pesquisas notícias tuas ou não acrescentas pertinência ao que outros já escreveram?

Desde quando te conformas com ser um mero e mau tradutor de notícias de "lá de fora"?

Quando te darás ao trabalho de investigar factos que qualquer um pode cruzar, evitando assim publicar informação desconexa e até contraditória?

 

 

Colunista ou bloguista, porque não indicas fontes para os dados que avanças e sobre os quais escreves como se factos?

Porque insistes em validar a tua opinião com os galões de que te ufanas em vez de usares argumentos que a sustentem e que a definam como tua?

Porque escreves como se a Língua Portuguesa não fosse digna de respeito?

Porque tens caixas de comentários se não interages com os comentadores?

 

 

Comentador, porque insistes em escrever o que te apetece e raramente sobre o abordado por quem te deu espaço?

Porque presumes e peroras sem conhecimento, sem empatia, sem respeito?

Porque te permites evidenciar uma quase nenhuma civilidade atrás de um anonimato que te não isenta de responsabilidade?

Quando deixarás de verter ódios pessoais e frustrações globais num espaço criado para diálogo e que acaba por ser usado apenas como medidor de visualizações?

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Que vergonha

por Sarin, em 24.05.19

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Antes de entrar no postal propriamente dito, cumpre-me esclarecer que aprecio o Polígrafo, apesar de este ter muito a melhorar; que não conheço o verificador nem lhe conheço mais trabalhos; e que não conhecia, continuo sem conhecer, o colectivo responsável pelo texto avaliado. O que neste postal partilho resulta exclusivamente da leitura dos artigos em causa.

Esclarecida esta questão, sigamos...

 

O Polígrafo dá-me conta de que circula nas redes um texto [de um colectivo autodenominado Os Incorruptíveis] afirmando que os deputados portugueses custam 40 vezes mais do que os deputados espanhóis, e que vai verificar tais factos.

E eu li a verificação dos factos, e verifiquei que o verificador não verificou grande coisa, antes escreveu um texto em que apenas demonstra a sua confusão.

O verificador Gustavo Sampaio, doravante G.S., pessoa talvez muito competente que neste dia teve azar, falha logo na interpretação que dá às alegações: o texto que se propôs verificar fala em custo, o verificador diversas vezes entende salário. Mas já voltarei a esta questão.

 

G.S. começa por verificar os orçamentos, e corrige: o orçamento da Assembleia da República para 2018 foi de 104 909 890,00€, mas em Espanha as Cortes Gerais têm três orçamentos e não apenas um, que em 2018 foram os tais 54,5 milhões de euros, cf. indicado, acrescidos dos orçamentos específicos do Senado, cerca de 54,1 milhões de euros, e do Congresso, cerca de 39 milhões de euros. O que, segundo as contas do Polígrafo, contabilizaria cerca de 147 milhões de euros em Espanha contra os cerca de 105 milhões de euros em Portugal.

Seria quanto bastaria para desmontar a veracidade das alegações, factos concretos rebatidos.

Mas G.S. quis ir mais além, suponho que com o intuito de desmontar a proporcionalidade aventada por Os Incorruptíveis - afinal, mesmo com erro nos valores, até sem grandes contas se verifica que temos mais de 2/3 do orçamento espanhol para uma casa com um pouco mais de 1/3 dos deputados. [Relembro, como fazem no texto Os Incorruptíveis, que Portugal tem 230 deputados e Espanha conta com 616 pessoas, entre 266 senadores e 350 congressistas.]

 

Se até aqui G.S. foi claro, a partir deste ponto deixa de o ser, deixa de explicar, deixa de verificar. Confunde-se, baralha-se, opina - e factos, nenhum.

Apurar o custo per capita de um deputado não é verificar a sua folha salarial mas contabilizar todos os encargos relacionados com a manutenção do seu lugar. Portanto, de forma simplista, dividir o orçamento da Assembleia da República pelo número de deputados da nação. Como fizeram no tal texto que o Polígrafo verificou.

E se o verificador, diligentemente, se apressou a contestar tais contas avançando que os deputados espanhóis auferiram em 2018 cerca de 55 000€ e os seus homólogos portugueses apenas 49 000€ [sem explicar onde ou como apurou este valor], foi incapaz de explicar o que aconteceu ao remanescente do orçamento: nem apresentou o custo de cada deputado nem rebateu a proporção, ou desproporção, verificada em ambos os lados da fronteira.

 

Em compensação, pespega no artigo 

"No caso de Espanha, acrescem as 17 comunidades autónomas e respetivos parlamentos (em Portugal há apenas duas assembleias regionais das regiões autónomas da Madeira e dos Açores)"

informação que apenas faria sentido se os orçamentos dos parlamentos  das regiões autonómas saíssem dos orçamentos dos parlamentos nacionais. Que não saem. Já se pretendia evidenciar a quantidade de deputados (17 regiões e províncias deles contra as nossas 2) e, com isso, o esforço orçamental adicional em terras de Espanha, teria sido interessante que tivesse analisado os respectivos orçamentos e o número de deputados em causa - por exemplo, a Catalunha tem 136 deputados para cerca de 7,5 milhões de habitantes, La Rioja tem 33 deputados  para cerca de 300 mil habitantes, a Madeira tem 47 deputados para perto de 255 mil habitantes. [não tive oportunidade para averiguar os orçamentos de cada um, mas também não é esse o objectivo do postal]

 

Apresentando unicamente os valores dos orçamentos dos parlamentos nacionais e do tal valor auferido pelos deputados - que, repito, não foi justificado - G.S. termina aquilo a que chama verificação de factos dizendo que as afirmações de Os Incorruptíveis são falsas porque sustentadas "Partindo mais uma vez de números errados quanto aos orçamentos e fazendo cálculos pouco rigorosos a partir dos salários médios, dívida pública e PIB de cada país."

Assim. Confundindo salário com custo, sem apresentar contas nem fontes, abstendo-se de explicar o raciocínio que lhe permita sustentar os "cálculos pouco rigorosos" e adicionando informação desnecessária.

 

É preciso ter muito descaramento para escrever  um tal artigo e chamar-lhe verificação de factos, mas parece que é o que vamos tendo mesmo nos que desejamos "jornais de referência".

 

Nota: apesar de Os Incorruptíveis terem errado as contas e apresentado uma relação acima da real, ainda assim a diferença entre os dois países é acentuada. Seria bom dedicarmos mais tempo a pensar estas contas, estes orçamentos, estes retornos.

 

Este postal não é apenas sobre uma vergonha.

3524B168-9A23-4980-B3D1-2B8C4A138D93.jpeg Foto de Eduardo Gageiro, recolhida em Parlamento

 

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A mania dos sinónimos

por Sarin, em 02.05.19

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A notícia que ilustra o postal arrancou-me das funduras da memória um outro ao qual queria ter dado continuidade. Sobre sinónimos. Guardado está o bocado... ou não, depende dos glutões em funções.

 

Esperar é aguardar. Mas também pode ser desejar. Que, por sua vez, pode ser anelar, ansiar... sem que ansiar seja sinónimo de aguardar.

Como no caso desta notícia com título delicodoce.

Porque Paulo Macedo não espera não aguarda não deseja.

Paulo Macedo quer mesmo 570 trabalhadores na rua.

E desconfio que, destes, já todos o esperem mas nem todos o desejem.

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Pátria e Língua desacordadas

por Sarin, em 02.05.19

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No Brasil preparam-se para rasgar o Acordo Ortográfico de 1990.

Podem mesmo mudar a língua e o português do Brasil passar a ser brasileiro. É uma opção política, embora não propriamente protagonizada por Bolsonaro. Talvez que a ênfase colocada nos símbolos pátrios a exacerbe, mas não é de sua autoria.

Na verdade, desde 1911 e do primeiro acordo ortográfico que a ideia estaria latente em algumas elites intelectuais e políticas. Mas, aparentemente, este AO90 reacendeu o debate inflamando-o até às cinzas.

 

Intriga-me a mecânica do processo: o acordo com que pretendiam harmonizar a escrita e consolidar uma língua vai acabar por criar duas línguas em países que durante duzentos anos se entenderam. Há quem ao AO90 chame Caixa de Pandora, para mim sempre se assemelhou a um boomerang.

 

Não tenho argumentos técnicos nem políticos para defender se deve ou não deve ser uma nova língua, e confesso que não me interessa desde que continue a perceber o que dizem e escrevem do lado de lá.

 

Gostaria também de dizer "desde que perceba o que sentem", mas... não percebo. De todo.

Sinto-me a viver outra dimensão perante alegações como "Portugal colonizador quer colonizar a Língua Portuguesa", perante outras acusações que vou ouvindo e que mais me parecem tentativas de branquear a sua brasileira vergonha por em duzentos anos de independência não terem estancado aquilo de que nos acusam. Branquear não no sentido de lavar, mas de colar aos portugueses brancos de Portugal. No caso, os males da História, presente passado e futuro.

 

Não peço desculpa por me ter reconciliado com a História do meu país, mesmo com aquelas passagens vergonhosas, e não foram poucas!, ou aquelas horríficas, das quais imagino apenas esboços sem vislumbre real do imensas que foram.

Mas no agora o verbo conjuga-se no presente, não no pretérito. E o pretérito que a uns foi ensinado mais-que-perfeito e a outros imperfeito não é mais do que pretérito, simples.

Não aceito que me cobrem no presente qualquer dos pretéritos vividos e sofridos pelos nossos ancestrais. Sim, os meus avós também foram colonizados, também foram expulsos dos seus lares, também foram escravos, também morreram na gleba. E foram arrancados das casas que reconstruíram tantas vezes para atravessarem os mares e morrerem longe destes seus. Por isso respeitemos os mortos. Onde quer que tenham caído.

E não me queiram condoída pelas vossas línguas indígenas: em plena campanha, o vosso presidente anunciou pretender reduzir o espaço onde algumas ainda se podem considerar nativas! Onde esteve a vossa preocupação? Onde está, quando os índios que não dizimámos continuam a cair às vossas próprias mãos?!

Portanto, lambam as feridas como as lamberam os meus avós, como eu lambo as minhas. E avancemos, porque a gramática não pára o relógio e os vivos precisam de atenção, não de cucos!

Podemos construir sociedades melhores se aceitarmos que não podemos refazer a nossa História comum. Mas que podemos e devemos aprender com ela.

Afinal, em português (pt) ou em português (br), em língua portuguesa ou em língua brasileira, futuro grafa-se, ainda, da mesma exacta maneira.

 

 

 

Na imagem, grande plano sobre inversão do quadro "Fernando Pessoa", de Almada Negreiros

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Je suis António

por Sarin, em 30.04.19

Recordo um excerto do editorial do The New York Times publicado em 29 de Fevereiro de 2016 sobre os ataque ao Charlie Hebdo, intitulado "From 'Je suis Charlie' to attacks on Free Speech":

"(...) and his postscript: “Somebody will say, ‘Oh freedom of speech, freedom of speech.’ These are foolish people.”

On the contrary, what is foolish is the rush to exploit fear and crisis to suppress the freedoms that define democracy — the very freedoms Charlie Hebdo stood for and its attackers sought to undermine.>>

 

Parece, no entanto, que o The New York Times apenas defende a liberdade de expressão se e só esta não ofender amigos. A "opinião pública" é tramada!

 

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Imagem publicada no The New York Times. Que a não merece.

 

Abaixo, outra imagem publicada no mesmo jornal. Mas o cão talvez seja um gato, e apesar de o Kim ser tão vaidoso como o Don, o Gugu e o Banban, juntos, são menos quezilentos do que o Bibi e por isso niguém se ofendeu.

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O Polígrafo também falha

por Sarin, em 01.02.19

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imagem retirada do Jornalismo PortoNet

 

 

Uma vítima não é necessariamente uma vítima mortal.

 

Segundo a Pordata, em 2017 verificaram-se mais de 34000 acidentes de viação com vítimas.

Feridos registaram-se quase 44000, e mortos 510.

No Polígrafo, a propósito da verificação da frase de Marta Temido, dizem que o número de vítimas de erro médico será superior às vítimas de acidentes de viação,

1. Apresentando como dado "um valor entre 1300 e 2900" vítimas de erro médico;

2. Dizendo que o valor acima é estimado, "Estima-se", sem identificar Quem o estima. O Como também seria interessante conhecer, até porque em 2017 as queixas entradas no DIAP de Lisboa foram 60, sendo esta a única divisão que tem estatísticas desta queixa - conforme o noticiado em Janeiro de 2018 pelo Jornal de Notícias.

 

Muito pouco claro, ainda mais num jornal que se dedica à verificação de factos.

 

Em 10 minutos, uma breve pesquisa; e além dos dados que apresento no início do postal, descobri que a entidade que estimou os números de vítimas de erros médicos foi a Neglimed, associação de vítimas de negligência médica, e que apresentou tais valores sem identificar o prazo em que ocorreram os erros a que reportam. Além disso, tudo indica terem sido considerados nestes valores, cuja fórmula de apuramento desconheço, tanto vítimas de erro como vítimas de negligência.

 

Não é a primeira falha que detecto no Polígrafo - tenho ainda os alertas que lhes enviei nos dias 7 e 12 de Novembro, sobre o nome do baixista dos Queen, John Deacon trocado por um qualquer Roger Deacon desconhecido, ou sobre a classificação "pimenta na língua" (notícia escandalosamente falsa) atribuída a afirmações de Rui Vitória, em que este "mentiu" por se ter enganado numa diferença de 1,3% dos resultados obtidos na Champions... mas serão questões de somenos, estas que agora aponto. Não deixando de ser imprecisões jornalísticas a cuja correcção, apontada, ninguém deu crédito, serão pormenores de "bola" e "música", portanto nada de verdadeiramente importante.

No entanto, os dados e interpretações divulgados a propósito da verificação de factos feita à frase de Marta Temido, são graves, pois além de não serem suportados em factos replicam conclusões que induzem em erro - são, infelizmente, sensacionalistas.

Duvido que este postal seja lido por alguém daquele jornal, mas fica o alerta: nem todas as verificações de factos se cingem aos factos.

 

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It Musk have been love

por Sarin, em 24.01.19

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imagem retirada do pplware

 

 

Elon,

is it you they're looking for?

'cause i wonder where you are,

but they wonder what you dooooo...

 

Deixando Lionel Ritchie e os Roxette em paz, coisa que esta gente não consegue fazer quando o assunto envolve Elon Musk, parece que o esquema agora é investigar para onde é canalizado o dinheiro doado pela Fundação Musk.

Não me choca que uma fundação doe dinheiro para projectos que o seu fundador acarinha e nos quais está pessoalmente envolvido.

Como fazem tantos outros, alguns dos quais compram o direito de ter os seus nomes em monumentos e edifícios públicos de utilidade social ou cultural beneficiários da sua caridade.

Financiamento ilícito não será, afinal a Fundação é privada e doa a quem os seus administradores entenderem. Falta de transparência também não, o mecenato é figura jurídica e fiscal bem conhecida em ambos os lados do Atlântico Norte...

Não sou adepta de teorias da conspiração, mas nem no Jornal Económico nem na sua fonte, The Guardian, avançam qualquer motivo para desconfiança, acrescentando até o The Guardian que nada disto é contra a lei sendo mesmo habitual entre os milionários. Então, Onde e A Quem levanta dúvidas?

 

Assim de repente, para origem de tal artigo parece sobrar o medo. O medo do fim da hegemonia da NASA, do fim da hegemonia do petróleo, do fim da hegemonia da investigação com patentes elevadas e royalties absurdos. Uma pressãozinha adicional, portanto, para poderem cair em cima de Musk.

Isso, e no Jornal Económico continuarem a ser sensacionalistas, apesar de o seu director escrever vários artigos em sentido contrário.

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(fonte da imagem aqui)

 

O conselho deontológico do Sindicato dos jornalistas condenou a TVI pela exibição no Jornal das 8 do dia 17 de Janeiro, e repetido nesse mesmo dia no programa Ana Leal, de uma reportagem sobre o caso Manuel Maria Carrilho e Bárbara Guimarães, com identificação e divulgação de imagens dos filhos menores do ex-casal.

A resposta da TVI foi repetir o programa às 2 horas do dia 19 de Janeiro.

 

Esclarece outro jornal, na abertura da sua versão da mesma notícia, que segundo a lei, os órgãos de comunicação social que divulguem elementos que permitam identificar jovens em perigo estão a cometer um crime, princípio que estará na base de tal condenação.

O conselho deontológico condenou. Os jornalistas visados, e os seus empregadores, ignoraram ostensivamente esta condenação. O que fará o Sindicato? Assumirá a sua função de único regulador desta massa disforme que é o jornalismo português actual, ou demonstrará a sua irrelevância assumindo que fez tudo o que devia ou podia?

 

Preocupo-me com a resposta, e sigo este e outros casos com atenção. Não os casos nas matérias divulgadas, mas os casos da divulgação das matérias. Porque corrigir tais casos é fundamental para a recuperação da credibilidade do jornalismo, e sem um jornalismo limpo não podemos ter uma democracia transparente. O quarto poder é o garante do escrutínio dos outros três, e se quem investiga, quem relata, quem expõe usa de artifícios e de desrespeito pela deontologia que os próprios traçaram, adulteram a notícia, inquinam o escrutínio, ferem a Democracia.

E esta é responsabilidade de todos os que a desejam.

 

Nota: Quero realçar a atitude de Garcia Pereira que, e como afirmou, enquanto advogado e enquanto cidadão, manifestou reiterada e veemente desaprovação pela publicação de tais imagens durante o programa; também Daniel Cotrim afirmou mais do que uma vez que não se iria referir ao caso apresentado por terem tais casos espaços próprios para serem analisados. Uma vénia perante tais posições, mantidas contra, e apesar de, todas as insistências de Ana Leal e de Sara Bento.

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Que as enfie quem de direito!

por Sarin, em 10.01.19

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(fonte da imagem aqui; e por aí em cargos vários, as orelhas)

 

Leio que "Alunos com piores notas no exame de português são os que escolhem ser professores".

E fico estupefacta, pois conheço antigos colegas hoje professores de várias áreas que tiveram excelentes notas, antes durante e depois da minha frequência de tal disciplina nos ensinos básico e secundário. Intrigada e preocupada com as eventuais alterações curriculares que terão afastado as boas notas a português dos professores, ou com a (má) vida que terá afastado os professores das boas notas a português, vou-me à notícia.

Choco, embora não chocada porque já habitual, com a evidência do sensacionalismo jornalístico: não, afinal não são apenas os piores alunos de português que acorrem aos cursos pedagógicos, pois afinal trata-se da análise de 1 média de 1 exame nacional em 1 ano lectivo. Singular, tudo isto...

Convém referir que a média em causa se situava, no ano lectivo analisado que foi o de 2016/17,  em 10,2, dez vírgula dois - já os alunos de comunicação social granjearam 11,8. Onze vírgula oito. Fixemos estes valores, a eles voltaremos.

Entretanto, vejamos que entre os futuros profs estatisticados, e assim denunciados como fraquinhos na língua pátria, estão os que estudaram a Língua Portuguesa porque em Humanidades, os que estudaram a Língua Portuguesa porque em Ciências Económicas e Sociais, e os que estudaram a Língua Portuguesa porque em Ciências Naturais, e talvez ainda todos os outros de todas as outras áreas de estudos que não refiro não lembro não conheço. Todos estudaram a língua, tal como os alunos que se candidataram a cursos de Comunicação Social, mas estes com mais profundidade do que os de Ciências Naturais ou Económicas pois que maioritariamente oriundos de um  secundário de Humanidades feito. E muitos das humanidades perdidos quando na vida activa. Cá voltaremos, também...

Estas baixas médias em Língua Portuguesa permitem reabrir o debate: afinal, o que se pretende dos professores? Que sejam bons alunos na língua que todos falamos ou que sejam exímios pedagogos e que dominem conhecimentos na sua área científica?

Um professor é um modelador de mentes e de carácteres, não apenas um explicador limitado à sua área de formação. Logo, tem de conhecer, tem de aplicar e tem de exigir aplicadas as regras comuns da Gramática da Língua Portuguesa, Pragmática antes de Sintaxe e Semântica.

Por outro lado, um exame não avalia as capacidades de um aluno. Classifica apenas o que o aluno consegue debitar no momento do exame - pois é, a avaliação contínua é uma prática muito do meu agrado, e embora compreenda a necessidade de quantificar o conhecimento, deparo-me sempre com a impossibilidade matemática de resumir o saber adquirido ao longo de uma recta de anos num ponto do mesmo eixo temporal. É este um outro tema - se bem que relacionado, pois nisto da cidadania da educação e do ensino anda tudo mais interligado que o ovo e a galinha, só não se pode é contar com o dito no dito-cujo da dita.

Voltando às médias e aos professores saberem ou não saberem português, lembro-me de um meu professor universitário da área da biologia que escrevia muito. Escrevia tanto que, nas aulas teóricas, projectava nas paredes as sebentas que escrevera e, não satisfeito, lia-as vírgula a vírgula numa excelente dicção apenas audível nas três primeiras filas. Felizmente imobilizava-se junto ao retroprojector, movesse-se ele e lá se iriam as ondas espraiar longe dos ouvidos sonolentos que as aguardavam. Lembro isto nitidamente, já menos nítida recordo a microbiologia por ele escrita que, não obstante, foi muito bem ensinada nos laboratórios pelo próprio e pelos assistentes sob sua orientação.

Pretendo com esta ilustração verídica demonstrar que, se a Língua Portuguesa é condição sine qua non  para se ser um bom professor, as competências comunicacionais deviam-no ser mais. Mas, e acima de tudo, deviam ser avaliadas e equacionadas as capacidades e limitações de quem  realmente sabe, para que o Saber não fique perdido entre vozes baixas que funcionam em laboratório mas não perante cem alunos,  ou em textos técnicos confusamente escritos porque, entre decorar definições gramaticais e praticar a sua aplicação, a quantificação ganhou e o professor de física teve que aprender e apreender outras fórmulas, não tendo por isso pachorra para, sozinho, tentar perceber o que raio seria aquilo de atractores de próclises. Sim, disse sozinho - a forma como são leccionadas as disciplinas de português aos alunos de outras áreas científicas é muitas vezes direccionada para a nota positiva nos exames e não tanto para a aprendizagem efectiva. Porque os professores conhecem, na prática, os desajustes dos currículos e das fórmulas de avaliação, e o modelo de ensino não lhes permite muito espaço de manobra para ajustes directos (ao contrário do que acontece com o Código das Contratações Públicas um muito por todo o Estado! Desculpem, isto não é deste postal, escapou-se-me...)

 

 

Títulos como o da notícia mais não fazem que rebaixar a profissão do professor. De qualquer professor.

Numa sociedade que exige tudo e nada dá, onde o ruído abafa qualquer som, onde a moda é contestar sem saber ler nem escrever os porquês da contestação quanto mais as propostas para melhoria, este tipo de títulos dá, certamente, muita visibilidade ao jornal que o escreve.

 

Mas... lembram-se dos números que deixámos uns parágrafos acima? Pois é, os senhoras da Comunicação Social, cuja formação no ensino secundário é feita maioritariamente em Humanidades e cujo ensino superior prevê mais horas de disciplinas de Língua Portuguesa do que o dos professores de Matemática, Física e Biologia juntos, têm uma excelente razão para se regozijarem (11,8)... entredentes e com orelhas de burro, digo eu perante títulos como este.

 

Que a Língua Portuguesa é por nós muito maltratada, é um facto.

Que os professores são maltratados e destratados, tendo ou não responsabilidades individuais e colectivas, é outro facto.

Que a Comunicação Social tem enormes responsabilidades nos factos anteriores, desafio-vos a contradizer!

 

Agradeço aos Professores que foram meus. Mais do que me ensinarem a matéria curricular, apoiaram-me e deram-me liberdade para ser curiosa e perguntar  criar  sonhar - e por isso os guardo em mim. Foram e serão sempre meus.

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