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O Polígrafo também falha

por Sarin, em 01.02.19

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imagem retirada do Jornalismo PortoNet

 

 

Uma vítima não é necessariamente uma vítima mortal.

 

Segundo a Pordata, em 2017 verificaram-se mais de 34000 acidentes de viação com vítimas.

Feridos registaram-se quase 44000, e mortos 510.

No Polígrafo, a propósito da verificação da frase de Marta Temido, dizem que o número de vítimas de erro médico será superior às vítimas de acidentes de viação,

1. Apresentando como dado "um valor entre 1300 e 2900" vítimas de erro médico;

2. Dizendo que o valor acima é estimado, "Estima-se", sem identificar Quem o estima. O Como também seria interessante conhecer, até porque em 2017 as queixas entradas no DIAP de Lisboa foram 60, sendo esta a única divisão que tem estatísticas desta queixa - conforme o noticiado em Janeiro de 2018 pelo Jornal de Notícias.

 

Muito pouco claro, ainda mais num jornal que se dedica à verificação de factos.

 

Em 10 minutos, uma breve pesquisa; e além dos dados que apresento no início do postal, descobri que a entidade que estimou os números de vítimas de erros médicos foi a Neglimed, associação de vítimas de negligência médica, e que apresentou tais valores sem identificar o prazo em que ocorreram os erros a que reportam. Além disso, tudo indica terem sido considerados nestes valores, cuja fórmula de apuramento desconheço, tanto vítimas de erro como vítimas de negligência.

 

Não é a primeira falha que detecto no Polígrafo - tenho ainda os alertas que lhes enviei nos dias 7 e 12 de Novembro, sobre o nome do baixista dos Queen, John Deacon trocado por um qualquer Roger Deacon desconhecido, ou sobre a classificação "pimenta na língua" (notícia escandalosamente falsa) atribuída a afirmações de Rui Vitória, em que este "mentiu" por se ter enganado numa diferença de 1,3% dos resultados obtidos na Champions... mas serão questões de somenos, estas que agora aponto. Não deixando de ser imprecisões jornalísticas a cuja correcção, apontada, ninguém deu crédito, serão pormenores de "bola" e "música", portanto nada de verdadeiramente importante.

No entanto, os dados e interpretações divulgados a propósito da verificação de factos feita à frase de Marta Temido, são graves, pois além de não serem suportados em factos replicam conclusões que induzem em erro - são, infelizmente, sensacionalistas.

Duvido que este postal seja lido por alguém daquele jornal, mas fica o alerta: nem todas as verificações de factos se cingem aos factos.

 

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It Musk have been love

por Sarin, em 24.01.19

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imagem retirada do pplware

 

 

Elon,

is it you they're looking for?

'cause i wonder where you are,

but they wonder what you dooooo...

 

Deixando Lionel Ritchie e os Roxette em paz, coisa que esta gente não consegue fazer quando o assunto envolve Elon Musk, parece que o esquema agora é investigar para onde é canalizado o dinheiro doado pela Fundação Musk.

Não me choca que uma fundação doe dinheiro para projectos que o seu fundador acarinha e nos quais está pessoalmente envolvido.

Como fazem tantos outros, alguns dos quais compram o direito de ter os seus nomes em monumentos e edifícios públicos de utilidade social ou cultural beneficiários da sua caridade.

Financiamento ilícito não será, afinal a Fundação é privada e doa a quem os seus administradores entenderem. Falta de transparência também não, o mecenato é figura jurídica e fiscal bem conhecida em ambos os lados do Atlântico Norte...

Não sou adepta de teorias da conspiração, mas nem no Jornal Económico nem na sua fonte, The Guardian, avançam qualquer motivo para desconfiança, acrescentando até o The Guardian que nada disto é contra a lei sendo mesmo habitual entre os milionários. Então, Onde e A Quem levanta dúvidas?

 

Assim de repente, para origem de tal artigo parece sobrar o medo. O medo do fim da hegemonia da NASA, do fim da hegemonia do petróleo, do fim da hegemonia da investigação com patentes elevadas e royalties absurdos. Uma pressãozinha adicional, portanto, para poderem cair em cima de Musk.

Isso, e no Jornal Económico continuarem a ser sensacionalistas, apesar de o seu director escrever vários artigos em sentido contrário.

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(fonte da imagem aqui)

 

O conselho deontológico do Sindicato dos jornalistas condenou a TVI pela exibição no Jornal das 8 do dia 17 de Janeiro, e repetido nesse mesmo dia no programa Ana Leal, de uma reportagem sobre o caso Manuel Maria Carrilho e Bárbara Guimarães, com identificação e divulgação de imagens dos filhos menores do ex-casal.

A resposta da TVI foi repetir o programa às 2 horas do dia 19 de Janeiro.

 

Esclarece outro jornal, na abertura da sua versão da mesma notícia, que segundo a lei, os órgãos de comunicação social que divulguem elementos que permitam identificar jovens em perigo estão a cometer um crime, princípio que estará na base de tal condenação.

O conselho deontológico condenou. Os jornalistas visados, e os seus empregadores, ignoraram ostensivamente esta condenação. O que fará o Sindicato? Assumirá a sua função de único regulador desta massa disforme que é o jornalismo português actual, ou demonstrará a sua irrelevância assumindo que fez tudo o que devia ou podia?

 

Preocupo-me com a resposta, e sigo este e outros casos com atenção. Não os casos nas matérias divulgadas, mas os casos da divulgação das matérias. Porque corrigir tais casos é fundamental para a recuperação da credibilidade do jornalismo, e sem um jornalismo limpo não podemos ter uma democracia transparente. O quarto poder é o garante do escrutínio dos outros três, e se quem investiga, quem relata, quem expõe usa de artifícios e de desrespeito pela deontologia que os próprios traçaram, adulteram a notícia, inquinam o escrutínio, ferem a Democracia.

E esta é responsabilidade de todos os que a desejam.

 

Nota: Quero realçar a atitude de Garcia Pereira que, e como afirmou, enquanto advogado e enquanto cidadão, manifestou reiterada e veemente desaprovação pela publicação de tais imagens durante o programa; também Daniel Cotrim afirmou mais do que uma vez que não se iria referir ao caso apresentado por terem tais casos espaços próprios para serem analisados. Uma vénia perante tais posições, mantidas contra, e apesar de, todas as insistências de Ana Leal e de Sara Bento.

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Que as enfie quem de direito!

por Sarin, em 10.01.19

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(fonte da imagem aqui; e por aí em cargos vários, as orelhas)

 

Leio que "Alunos com piores notas no exame de português são os que escolhem ser professores".

E fico estupefacta, pois conheço antigos colegas hoje professores de várias áreas que tiveram excelentes notas, antes durante e depois da minha frequência de tal disciplina nos ensinos básico e secundário. Intrigada e preocupada com as eventuais alterações curriculares que terão afastado as boas notas a português dos professores, ou com a (má) vida que terá afastado os professores das boas notas a português, vou-me à notícia.

Choco, embora não chocada porque já habitual, com a evidência do sensacionalismo jornalístico: não, afinal não são apenas os piores alunos de português que acorrem aos cursos pedagógicos, pois afinal trata-se da análise de 1 média de 1 exame nacional em 1 ano lectivo. Singular, tudo isto...

Convém referir que a média em causa se situava, no ano lectivo analisado que foi o de 2016/17,  em 10,2, dez vírgula dois - já os alunos de comunicação social granjearam 11,8. Onze vírgula oito. Fixemos estes valores, a eles voltaremos.

Entretanto, vejamos que entre os futuros profs estatisticados, e assim denunciados como fraquinhos na língua pátria, estão os que estudaram a Língua Portuguesa porque em Humanidades, os que estudaram a Língua Portuguesa porque em Ciências Económicas e Sociais, e os que estudaram a Língua Portuguesa porque em Ciências Naturais, e talvez ainda todos os outros de todas as outras áreas de estudos que não refiro não lembro não conheço. Todos estudaram a língua, tal como os alunos que se candidataram a cursos de Comunicação Social, mas estes com mais profundidade do que os de Ciências Naturais ou Económicas pois que maioritariamente oriundos de um  secundário de Humanidades feito. E muitos das humanidades perdidos quando na vida activa. Cá voltaremos, também...

Estas baixas médias em Língua Portuguesa permitem reabrir o debate: afinal, o que se pretende dos professores? Que sejam bons alunos na língua que todos falamos ou que sejam exímios pedagogos e que dominem conhecimentos na sua área científica?

Um professor é um modelador de mentes e de carácteres, não apenas um explicador limitado à sua área de formação. Logo, tem de conhecer, tem de aplicar e tem de exigir aplicadas as regras comuns da Gramática da Língua Portuguesa, Pragmática antes de Sintaxe e Semântica.

Por outro lado, um exame não avalia as capacidades de um aluno. Classifica apenas o que o aluno consegue debitar no momento do exame - pois é, a avaliação contínua é uma prática muito do meu agrado, e embora compreenda a necessidade de quantificar o conhecimento, deparo-me sempre com a impossibilidade matemática de resumir o saber adquirido ao longo de uma recta de anos num ponto do mesmo eixo temporal. É este um outro tema - se bem que relacionado, pois nisto da cidadania da educação e do ensino anda tudo mais interligado que o ovo e a galinha, só não se pode é contar com o dito no dito-cujo da dita.

Voltando às médias e aos professores saberem ou não saberem português, lembro-me de um meu professor universitário da área da biologia que escrevia muito. Escrevia tanto que, nas aulas teóricas, projectava nas paredes as sebentas que escrevera e, não satisfeito, lia-as vírgula a vírgula numa excelente dicção apenas audível nas três primeiras filas. Felizmente imobilizava-se junto ao retroprojector, movesse-se ele e lá se iriam as ondas espraiar longe dos ouvidos sonolentos que as aguardavam. Lembro isto nitidamente, já menos nítida recordo a microbiologia por ele escrita que, não obstante, foi muito bem ensinada nos laboratórios pelo próprio e pelos assistentes sob sua orientação.

Pretendo com esta ilustração verídica demonstrar que, se a Língua Portuguesa é condição sine qua non  para se ser um bom professor, as competências comunicacionais deviam-no ser mais. Mas, e acima de tudo, deviam ser avaliadas e equacionadas as capacidades e limitações de quem  realmente sabe, para que o Saber não fique perdido entre vozes baixas que funcionam em laboratório mas não perante cem alunos,  ou em textos técnicos confusamente escritos porque, entre decorar definições gramaticais e praticar a sua aplicação, a quantificação ganhou e o professor de física teve que aprender e apreender outras fórmulas, não tendo por isso pachorra para, sozinho, tentar perceber o que raio seria aquilo de atractores de próclises. Sim, disse sozinho - a forma como são leccionadas as disciplinas de português aos alunos de outras áreas científicas é muitas vezes direccionada para a nota positiva nos exames e não tanto para a aprendizagem efectiva. Porque os professores conhecem, na prática, os desajustes dos currículos e das fórmulas de avaliação, e o modelo de ensino não lhes permite muito espaço de manobra para ajustes directos (ao contrário do que acontece com o Código das Contratações Públicas um muito por todo o Estado! Desculpem, isto não é deste postal, escapou-se-me...)

 

 

Títulos como o da notícia mais não fazem que rebaixar a profissão do professor. De qualquer professor.

Numa sociedade que exige tudo e nada dá, onde o ruído abafa qualquer som, onde a moda é contestar sem saber ler nem escrever os porquês da contestação quanto mais as propostas para melhoria, este tipo de títulos dá, certamente, muita visibilidade ao jornal que o escreve.

 

Mas... lembram-se dos números que deixámos uns parágrafos acima? Pois é, os senhoras da Comunicação Social, cuja formação no ensino secundário é feita maioritariamente em Humanidades e cujo ensino superior prevê mais horas de disciplinas de Língua Portuguesa do que o dos professores de Matemática, Física e Biologia juntos, têm uma excelente razão para se regozijarem (11,8)... entredentes e com orelhas de burro, digo eu perante títulos como este.

 

Que a Língua Portuguesa é por nós muito maltratada, é um facto.

Que os professores são maltratados e destratados, tendo ou não responsabilidades individuais e colectivas, é outro facto.

Que a Comunicação Social tem enormes responsabilidades nos factos anteriores, desafio-vos a contradizer!

 

Agradeço aos Professores que foram meus. Mais do que me ensinarem a matéria curricular, apoiaram-me e deram-me liberdade para ser curiosa e perguntar  criar  sonhar - e por isso os guardo em mim. Foram e serão sempre meus.

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Oh gentes que clicais e replicais...

por Sarin, em 05.01.19

Escrevo postais aqui e partilho-os automaticamente no Facebook. Este percorreu caminho inverso - exactamente porque nascido de uma irritaçãozinha por aquelas bandas. Nada de original, as falsas informações são difundidas em todas as plataformas - mas, caramba, vou ao FB responder a mensagens e levo com repetições que me entram pelo feed  dentro sem terem sequer a decência de bater à porta? Bati com a porta... mas não sei se terá eco.

 

Enfim, lanço em postal o facebookiano desabafo em forma de apelo ou vice-versa. Ei-lo:

 

Voltei ao FB ao fim de muitos anos.
Pouco aqui comunico, confesso.
Um dos motivos que me afastou do FB, e continua a afastar, é o verificar a facilidade com que por aqui se propagam falsas informações, sem qualquer cuidado ou atenção por parte de quem as clica e replica... em três dias vi, difundidas por várias pessoas sem qualquer ligação entre si, partilhas sobre pedidos de doação de sangue e de medula para hospitais que não as solicitaram; mortes por afogamentos secundários mais de uma semana depois do afogamento primário; mortes por ingestão de bebidas com a rodelinha de limão que, cortada e guardada no frigorífico, teria envenenado as bebidas; e mais umas quantas bizarrias ou informações estranhas.

Será que custa muito verificar a autenticidade da informação antes de a partilhar? Uma breve pesquisa na net e encontram-se desmentidos emitidos por fontes fidedignas - ou, pelo contrário, apenas se encontram referências em blogues e sítios não especializados. Ou pode-se sempre enviar um brevíssimo email para as entidades mencionadas em tais postais - geralmente todas as informações falsas trazem qualquer coisa de verdade, como dizia Aleixo, e este qualquer coisa, noto-o, é normalmente alguém ou alguma instituição real.
Sempre vos digo que, das vezes que enviei emails a solicitar esclarecimentos, em todas obtive respostas semelhantes e mais ou menos elaboradas mas que resumo de forma telegráfica: "Falso. Agradecemos informação." Esclareço que, sobre a notícia do afogamento secundário, não sei ainda se falso ou verídico pois enviei há minutos um email para a Cleveland Clinic - estranho ter ocorrido mais de 48h após afogamento, mas poderá ser verdade... no meio de informações estranhas podem surgir as que, estranhando-se, sejam verdadeiras.

Repassar informação cuja veracidade se desconhece é uma das piores formas de bisbilhotice, acreditem!
Porque, ao fazê-lo de boa fé, se colabora no ataque a pessoas ou instituições - e há sempre alguém que sai prejudicado.
Imaginemos o problema logístico que se criaria num hospital se 1% das pessoas que partilham um falso pedido de sangue acorressem ao hospital de X com a boa intenção de doar sangue não solicitado, sem falar no transtorno para os que se deslocam e na descrença futura que se origina - Pedro e o Lobo, recordam-se da história? Ou o prejuízo, tempo dinheiro paciência, se num bar ou num restaurante as rodelas de limão fossem cortadas no momento da preparação da bebida - que pode ir do simples "copo de água com rodelinha de limão" ao mais elaborado cocktail...
Haverá informações que, sendo falsas, aparentemente serão inofensivas - mas não são, nunca são pois podem potenciar uma resposta ou um estado de alerta anormal ou desproporcional em alguém.

Não me vou perder nos motivos que levam idiotas, psicopatas, técnicos de marketing e avençados a lançar falsas informações.
Peço-vos apenas que ponderem se valerá a pena apoiar tais gentes.

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As novas invasões francesas

por Sarin, em 07.12.18

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E brasileiras e...

 

Quanta incongruência.

Não conheço o restaurante, e desejo-lhe muito sucesso! Mas temo que chegue o dia em que, para comer comida portuguesa no centro histórico, me tenha que dirigir a Espanha...

 

... calma, centros históricos, a partir de Leiria, só para Sul onde os bistrôs ganham espaço, ou em direcção a Espanha: mera geografia e agonia com os bistrôs.

Tínhamos as tabernas; as tascas e os tascos; as casas  de pasto, quantas delas de repasto; e, claro, os restaurantes. Tínhamos. As que vamos tendo ou são fora do centro histórico ou histrionicamente são bistrôs a clamar tradição mas apenas no nome.

Não é saudosismo. É pena do futuro.

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No Sapo 24 de hoje, aparece um artigo intitulado

"Premier League: três motivos para perceber o ódio entre o Arsenal e o Tottenham".

 

Não li o artigo. O título foi suficiente para perceber qual é  o principal motivo.

 

Na Premier League, ou nas ligas com os nomes dos patrocinadores, os adeptos da violência surgem nas bancadas mas também nos cabeçalhos dos jornais. Resta-me esperar que, nestes, seja por inadvertência editorial - por advertência já cansa.

 

Mas, porque me atenta muitas vezes o bichinho do benefício da dúvida, fui investigar o que diz o autor sobre si, e descubro que quem assim escreve é "um jovem treinador" que trabalha "na terra de sua majestade", ainda que venere Bobby Robson e não Isabel II.

Passou, assim, de articulista a treinador que usa a palavra ódio para se referir à animosidade entre alguns adeptos de clubes rivais - para mais num país que teve  graves problemas de violência entre adeptos e que entretanto os conseguiu controlar.

 

Serei apenas eu que considero o conjunto uma deprimente normalidade?

 

Desejo sinceramente que este "jovem treinador" amadureça o suficiente para perceber que ser treinador não se esgota no treino do jogo, que o treinador treina mentes e molda indivíduos.

Desejo também que, no processo, se aperceba da diferença entre escrever qualquer coisa na comunicação social, tarefa para treinadores de bancada, e a responsabilidade que deveria orientar profissionais quando peroram sobre a sua área temática. Não?

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Liberace over the rainbow

por Sarin, em 27.11.18

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(fonte da imagem aqui)

 

Estava em amena cavaqueira com dois simpáticos bloguistas, e oh! desculpem-me, mas se nada tenho contra estrangeiros por serem estrangeiros, já os estrangeirismos dão-me cabo da moleirinha; eu sei que acabarão por (se) vingar, mas ainda posso presidir ao seu assassinato ou reinicializar o tema até acertar na muche! Por isso insisto no bloguista em detrimento do blogger, e nada tem a ver com o desacordo heterográfico. Allez!

Dizia que estava em amena cavaqueira sobre um antigo blogue de sexo, falou-se num blogue gay, brinquei com os termos gay e jolly, e subitamente ocorreu-me:

Será que a malta que tão intransigentemente adultera a nossa Língua, como o camarado e outr@s extremist@s da genderização (olha outra!), não necessariamente bloquistas (nem bloguistas)...

.... que justamente reclama sobre a discriminação de género e exige, também justamente, paridade para os homossexuais....

... e que a Homossexual prefere o termo Gay, num colorido LGBTTT...

... será que, pergunto eu talvez não originalmente mas com muita curiosidade, ...

... se apercebeu que ao usar o termo Gay está a recorrer a uma das primeiras discriminações da época pós-vitoriana, em que os dândis (dandy, pl. dandies) eram aqueles senhores bem vestidos e os homossexuais eram-no todos mas com cores mais berrantes e por isso terem  merecido o insultuoso epíteto Gay?

 

Oscar Wilde teria achado um must!

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Gosto de comunicar. Por isso gosto de aprender sobre as muitas formas de comunicar que temos, a oralização e o gesto a encimar a lista.

Preferindo de criança as Ciências Naturais, dediquei e dedico tempo e interesse às Língua Portuguesa e Língua Gestual Portuguesa, a algumas Línguas estrangeiras e à Neuro-Linguística. 

 

Sou fluente em algumas, sofrível noutras e devo dizer que com o alemão sofro quase o mesmo que com o mandarim, o íidiche ou o árabe, línguas em que, se fosse dada à pesca, não pescaria nem um plástico quanto mais um carapau.

 

Folheio dicionários e gramáticas por gosto e por hábito, e é também por hábito que ao escrever um texto me certifico de que uma determinada palavra não tem significados que eu desconheça e me possam desvirtuar a mensagem. O mesmo faço quando as dúvidas gramaticais me atravessam, embora estas sejam bem menos porque a gramática não é tão dinâmica como a semântica; e faço-o porque gosto e respeito a comunicação e as Línguas que no-la facilitam.

 

Numa conversa fluída e informal, na qual o tempo que medeia entre pensar e expor a frase é tão mais reduzido, poderá surgir uma ou outra dúvida, facilmente sanável com uma explicação mais aprofundada - na semântica, porque na gramática o pontapé tanto pode doer-me à saída, e eu mesma interrogo ou corrijo, como doer a outros, e cá estarei para analisarmos se foi ou não exercício de kung fu.

 

Tal como cá estou e estarei para corrigir falhas nos meus textos, assim as detecte ou as apontem. [Considerem um convite aos alertas, convite feito, aliás, num dos textos orientadores cá do burgo.]

 

Os comentários em jornais ou em blogues são para mim conversas, não textos, e quando não são editáveis dificultam a correcção do auto-detectado, só mesmo com errata... e, ainda assim, quando o meu erro me fere, lá vou. As gralhas, se não forem gralhudas, não causam engulho e por isso deixo-as voar se libertas, que também são criaturas do teclado que nos une. Tento evitar ambos, erros e gralhas, mas por vezes abrem as asas. Ou as fauces, que há gralhas e erros que assustam.

Porque num comentário nascido do calor do debate só há tempo para lançar mão do conhecimento que detemos e, eventualmente, de fontes que o sustentem, ao conhecimento do tema e não propriamente da Língua, quantas vezes se me escapa um acento, circunspecto circunflexo a voar  qual chapéu distraído no vento, ou um agudo que se assenta numa esdrúxula e me cai ao chão; litros de aliterações forçadas, plurais que singularmente se submetem e até artigos a preceder palavras transgéneras quais valetes em antecâmara de uma dama... um dama, perdão, um drama!

Mas, e porque o meu amor à Língua Portuguesa não me torna infalível, além do esvoaçar das gralhas uma ou outra vez tropeço com estrondo.

Aconteceu ontem, por exemplo.

Num comentário a um postal de outro blogue, escrevi "Porque continuarão a haver audiências mistas e plateias só de homens e assistências só de mulheres." Poderia ter escrito "continuarão a surgir" ou "continuarão a juntar-se" ou até "continuarão assistências", assim mesmo sem mais nada; mas na guinada do raciocínio saiu isto.

Fui alertada para o gravíssimo erro, e segue em itálico porque assim foi escrito e porque erros de conjugação verbal são, também para mim, gravíssimos.

Analisando a frase entretanto publicada e assim comentada, surgiu-me a dúvida: "o verbo haver é irregular, mas aqui surge precedido de preposição e funciona como complemento da oração... o que está a ser conjugado é o verbo simples "continuar", portanto o "haver" nem funciona como principal nem como auxiliar... ou nada disto?!" Pedi explicações, mas como tenho lido vários comentadores que identificam os erros (muitos deles inexistentes) sem o conseguirem explicar ou corrigir devidamente, enviei pedido de assistência ao Ciberdúvidas.

Entretanto, o comentador escreveu sobre a lamentável conjugação do verbo haver que prolifera por este país, mas não percebeu a minha questão - verbo composto ou verbo simples - e entendeu estar eu a recusar ter um erro gramatical no meu texto. Esclareço: não tenho especial predilecção por erros e prefiro passar sem eles, mas se e quando os dou gosto de corrigi-los porque me corrijo - e não tenho pejo em o assumir, ao erro mas também à correcção. Não por ser humano errar, mas por ser inteligente não insistir no erro. Só que corrigir um erro implica perceber as causas desse erro, caso contrário corrigir-se-á aquela expressão particular mas não o que a permitiu, perpetuando-se assim o erro que se multiplica feliz na sua própria inconsciência. Distingue-se, em várias disciplinas, a Correcção (corrigir o erro escrito) e a Acção Correctiva (perceber as causas e eliminá-las, evitando novas ocorrências do erro)

 

Do Ciberdúvidas tive notícias há pouco: a expressão continuar a haver é um verbo composto. Não me responderam exactamente assim, antes "Quando o verbo "haver" se combina com um auxiliar - por exemplo, "continuar", como é o caso (...)". Mas era este o cerne do meu erro, e é este esclarecimento que me fará evitar novos tropeções - porque agora sei e fixei que, mesmo que seja dispensável, ou que tenha uma preposição a separá-los, o verbo Haver forma um verbo composto quando com outro verbo.

 

Se tivesse pensado no assunto, talvez me tivesse lembrado do estar a ser ou do ficar a ver, compostos tão comuns. Mas todos sabemos que se a minha avô não tivesse morrido a futurologia não teria futuro e o Senhor de La Palisse não seria chamado ao caso - ele que, coitado, nada mas nada tem a ver com a lapalissada que lhe atribuem.

A verdade é que há regras, gramaticais ou outras, cuja existência apenas questionamos quando nelas tropeçamos.

Só tenho a agradecer o alerta.

 

 

Nota de Rodapé

Sobre a maltratada memória do Senhor de La Palisse, celebrado por ser valente cavaleiro no comando das suas tropas caído frente a Pavia, e a quem atribuem a frase "Se não estivesse morto, estaria ainda vivo" (S'il n'etait pas mort il serait encore en vie) convém dizer que no seu epitáfio, ou em versos cantados pelos seus soldados que lhe sobreviveram, teria sido escrito "Se não tivesse morrido, ainda faria inveja" (S'il n'etait pas mort il ferait encore envie). A confusão parece resultar da grafia - nos antigamentes do Séc. XVI o S também se escrevia com um grafema hoje quase indistinto do f, e parafraseando, ser ou fazer, eis a questão.

É por estas e por outras que penso ser melhor deixar a sua memória em paz. E a da minha avó também...

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(In)Acção e Reacção

por Sarin, em 22.11.18

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A imagem, Desmembramento de Tupac Amaru, é de autor não identificado e pertence ao domínio público.

Foi retirada da Wikipédia

 

Hoje soube-se de mais uma pena suspensa num caso de condenação por abuso sexual. Desta vez, de crianças com debilidade mental.

Os comentários, indignados, invectivam juízes e advogados. Clamam por justiça popular. Pedem castrações. Condenam julgados e julgadores quase unanimemente.

Mais uma vez, (in)acção e reacção.

 

Tanta notícia sobre penas suspensas para criminosos sexuais permite-me várias reflexões:

 

mais julgamentos por crimes sexuais em Portugal

Não que haja, necessariamente,   mais crimes sexuais; mas serão talvez mais denunciados, mais investigados, mais  suficientemente sólidos para serem submetidos a juízo; e, cada um e todos, estes motivos denotam um amadurecimento social perante este tipo particular de crime.

 

As molduras penais estão mal definidas

Os juízes julgam por comparação dentro da moldura penal onde cada crime se enquadra. Há regras para a suspensão da pena, e criminosos sem antecedentes são bons candidatos. Apesar de depender da sensibilidade de cada juiz, também estes estão sujeitos a limites que não estipularam. Sem uma profunda alteração do enquadramento penal para este tipo de crimes, abusadas e abusados continuarão a cruzar-se quotidianamente com os seus abusadores julgados culpados. E a responsabilidade não será dos juízes mas dos legisladores. Daquela malta em quem votamos, na verdade.

 

Muitos comentadores são reincidentes no crime de julgar

Uns nem lêem os factos - e disto a responsabilidade será  também do ensino que não estimulou nem fomentou leitura & debate.

Outros não conhecem nem tentam perceber procedimentos e responsabilidades - e disto a culpa será também do poder judicial, fechado durante anos na sua própria importância e fechado de tal modo que levou os próprios juízes a terem dúvidas quanto a serem pilares do Estado ou funcionários públicos.

E a maioria dos comentadores  talvez nem se aperceba dos riscos associados às penas que preconiza - e disto a responsabilidade será de cada um, indubitavelmente de cada um de nós quando não pensamos o que expressamos ou quando expressamos o impulso que, tantas vezes, recebemos de outros.

 

Os jornais não ajudam a liberdade de expressão ao permitirem caixas de comentários nas notícias

Digo isto sendo comentadora desde que os jornais abriram as caixas, portanto nenhum preconceito me move também nesta reflexão.

Uma crónica, um artigo de opinião, um inquérito, são peças jornalísticas em que a interacção seria, se não desejável, pelo menos compreensível. Uso o condicional porque, com raras excepções, o articulista não responde.

Mas qual a interacção que se deseja numa notícia? Apurar se o leitor a percebeu, se está bem redigida, se é suficiente para esclarecer os factos noticiados? Seria construtivo, certo? Seria, mas não é. Porque o que se gera é maioritariamente ruído a que chamam opinião pública, num desfilar confrangedor de desconhecimento, incivilidade e desrespeito pelos deveres de cidadania. E os jornalistas, que bastas vezes nem assinam as peças, também não ouvem os alguns alertas para os erros que redigem.

As caixas de comentários são uma outra forma de abusar do outro. Cui bono?

 

Em jeito de conclusão

Noto um avanço na forma como, socialmente, olhamos os crimes, nomeadamente os crimes sexuais e especialmente os crimes sexuais que envolvem crianças.

Mas não vejo a evolução social que a possibilidade de debate público poderia promover.

Como pode uma sociedade evoluir quando assim auto-esquartejada?

 

 

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Obrigada por estar aqui.




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