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Um erro delicioso

Lido de passagem, cravou-se-me na retina

por Sarin, em 29.10.19

Perdi-me de amores, acho a palavra bonita. Ou talvez seja pela repetição.

Seja como for, não pude ler e esquecer.

Porque lamento os erros, ainda mais em prefixos; mas admiro o engenho e a arte que recria as palavras com esta desenvoltura.

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Por razões óbvias, não indico onde recolhi tal pérola por ser a fonte um comentário e não um artigo da comunicação social.

[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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lançado às 01:50

Uma velha irritação

Temos de escolher

por Sarin, em 14.10.19

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Já o havia defendido, inclusivamente  aqui: a manipulação da opinião pública é fácil e bastam algumas palavras criteriosamente escolhidas pela Comunicação Social para aniquilar a credibilidade de alguém.

No caso, mais uma vez o caso, do juiz Ivo Rosa. 

Não sei se tem interesses partidários ou apenas faz uma leitura coerente da letra da Lei. Se tem interesses partidários, como tantos jornalistas e opinantes gostam de insinuar, gostaria de os ver noticiados como factos, não como insidiosos verbos  colados em notícias e destinados a manipular grosseiramente a opinião dos mais distraídos. Esta é apenas mais uma dessas manipulações: Juiz Ivo Rosa tentou proteger Polícia Militar no caso de Tancos

Tentou proteger? Esta afirmação indica intencionalidade. Portanto, ao jornalista do Eco que não assina esta peça ficaria muito bem explicar o que lhe permitiu inferir a intencionalidade. Porque o que escreve apenas permite a leitura de que o juiz Ivo Rosa recusou o pedido de acesso aos registos de comunicações de quatro antenas por estes serem demasiado abrangentes e isso violar a privacidade dos outros utentes dessas antenas. Sim, o pedido incluiu os registos de todas as comunicações das antenas do Montijo, da Golegã, do Entroncamento e de Torres Novas - incluindo as nossas, particulares - porque a chamada anónima foi feita de uma dessas antenas.

O Tribunal da Relação de Lisboa lá terá entendido que o caso merecia, e por isso todas, e repito todas, as comunicações efectuadas foram e serão desenroladas perante os olhos dos inspectores - e com mais motivo do que o apresentado pelo jornalista para atacar o juiz, eu questiono a segurança de tais dados. Porque os registos das chamadas foram colocados ao alcance de quem lhes deitar a mão. Quem me garante que os registos apenas são lidos pelos investigadores? E a sua distribuição, a sua duplicação, os circuitos que percorrem - quem garante a sua estanquicidade? Quem garante que não passa nos olhos de alguém que reconhece os números de particulares e que não usará tal informação para outros fins?

As minhas chamadas poderiam perfeitamente estar naquela lista, sem que eu tenha rigorosamente nada a ver com o assunto. As minhas e as vossas. E eu não abdico do meu direito à privacidade. Não adianta virem com o ditado "Quem não deve não teme": a Constituição da República Portuguesa tem um artigo que garante o direito à reserva da vida privada. E eu gosto muito da minha.

Sim, a Lei tem uma série de mecanismos que por vezes beneficiam os infractores - mas estes mecanismos existem para beneficiar os inocentes. Nós. Falta acertar nas regras que inviabilizem o seu uso pelos infractores - não se conseguirá tal restrição restringindo-nos os direitos a todos por igual, mas até acertarem é o que temos. E o juiz Ivo Rosa provavelmente não quis tomar sozinho tal decisão. Eu, no lugar dele, sei que não quereria.

Portanto, percebo perfeitamente a reserva e a recusa - ou o Regulamento Geral de Protecção de Dados só existe para passar multas e a preocupação constitucional com a privacidade só funciona para gente com nome sonante?

Talvez se a área fosse mais circunscrita o juiz tivesse deferido o pedido? Mas não, colocar a questão nestes termos não seria tão apelativo para os jornais.

 

Assusto-me com a ligeireza das notícias e a facilidade com que se ataca o carácter de tudo e de todos. E assusto-me porque tal ligeireza cresce na agenda de alguns, sim, mas sobretudo alimenta-se do desconhecimento da sociedade. Que, inerte e modorrenta, come as notícias como lhas dão. E assim as regurgita, sem sequer as digerir e assimilar.

Qual o limite dos ataques na Comunicação Social? Até onde pode seguir a impunidade de quem se diz contrapoder e faz jogos de poder em vez de escrutinar? 

Mais, até onde continuaremos a ser coniventes com esta dualidade de critérios? E de que direitos estaremos dispostos a abdicar em prol das investigações àquilo que nos revolta ou prejudica? 

Pensemos nisto, porque não podemos "ter sol na eira e chuva no nabal". É assim que surgem as inundações extremistas e as secas sociais.

 

imagem: microscópio de Oswaldo Cruz, via FIOCRUZ

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lançado às 13:28

Sobre o Ambiente e as Legislativas 2019

E outras considerações em 5 Actos

por Sarin, em 03.10.19

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Acto I - Uma notícia interessante

De passagem, ouvi no Jornal da Noite aquilo que supus ser uma notícia interessante, e que verificaria ser interessante mas por outro motivo.

Um grupo de cidadãos teve e concretizou a ideia de comparar os programas dos vários partidos no que respeita às propostas ambientais. Mentalmente aplaudi - em Julho propus-me fazer uma comparação dos programas até às eleições e à data de hoje só consegui começar... [ainda não havia perdido a esperança, à hora que comecei este postal no telemóvel - assim que terminou a tal notícia; e a madrugada de amanhã prometia ser longa. Mas, no entretanto, descobri que talvez seja desnecessária, e já explicarei porquê. Primeiro, a notícia interessante.] Assim, não será de estranhar que tenha ficado muito agradada por outros terem tido a mesma ideia e lhe terem dado forma.

Não sei exactamente o que fizeram os tais cidadãos, mas a notícia apresentou-me um simpático biomédico que, em vez de propostas, me apresentou estatísticas. Estatísticas! 

Fiquei a saber que o PAN é o partido que mais propostas ambientais apresenta no seu programa eleitoral e o CDS o que menos espaço lhes dedica. Também fiquei sabedora de que, das propostas apresentadas, o BE é o que tem mais alta percentagem de medidas concretas e o CDS consegue a proeza do 0%.

Foi, de facto, uma notícia muito interessante. Porque, sendo notícia, na verdade nada noticiou. Repito, nada noticiou. A menos que se considere notícia o facto de um grupo de cidadãos ter tratado estatisticamente as propostas ambientais dos partidos que concorrem nestas legislativas. Está bem... mas não.

Vejamos: de que vale tal estatística? Qual é a informação que se retira daqui, e qual a sua pertinência?

Sem conhecermos as propostas,

Sem conhecermos os critérios de avaliação das "medidas concretas",

Sem percebermos como se integram as "propostas com medidas concretas" noutras propostas com medidas concretas sobre emprego, saúde, segurança, enfim, medidas concretas que interferem no nosso quotidiano e que, afinal, acabam por nos ser quase tão essenciais como o O2, o CO2 e a H2O,

... apenas ficamos a saber que o CDS não concretizou objectivos nesta matéria - o que não invalida que as suas propostas noutras matérias influenciem o ambiente;

... apenas ficamos a saber que o PAN produz muitas propostas na matéria - o que não significa que, em termos de efeitos objectivos, não valham exactamente o mesmo que as propostas apresentadas pelo CDS;

... apenas ficamos a saber que o BE é o mais eficaz a traduzir políticas em medidas - e continua a não obstar a que valham exactamente o mesmo que as do CDS e as do PAN.

 

Acto II - Um excelente e mui louvável acto de cidadania

Reparem que não teci a apologia de qualquer partido - não é esse o meu objectivo com este postal. Até aqui, apenas pretendo demonstrar como se pode usar a estatística para enfatizar uma imagem de absolutamente nada. Porque, e notem que também não analisei nenhuma proposta, olhando assim de repente, caramba, o CDS estaria mesmo em maus lençóis e o BE muito à-frente nesta coisa do Ambiente!

Mas, e conforme disse no início, é importante comparar as várias propostas dos vários partidos. Como me tinha proposto fazer. E como descobri (através do Shifter) que já houve quem o tenha feito, poupando-me assim a noitada que previa para amanhã. Houve quem o tenha feito, e fê-lo de forma excelente: por temas e por partidos, permitindo até comparação entre dois partidos de cada vez.

Gostei muito do Legislativas 2019, um projecto de dois estudantes que se traduz num magnífico exercício de cidadania pois, além de lhes ter permitido perceber os programas de 9 partidos (explicam muito bem porque não apresentam de todos), faculta aos seus concidadãos uma consulta simples e exaustiva mas não esgotante da paciência de cada um. [minha querida Não me dêem ouvidos, falavas do número de páginas? Pois neste sítio não teremos tal problema] 

Fiquei adepta deste sítio, Legislativas 2019e lamento só o ter descoberto hoje. Espero que na Comissão Nacional de Eleições ou na Assembleia da República alguém se lembre de financiar este tipo de projectos, para que os objectivos possam ser ampliados, os cidadãos mais bem esclarecidos - e os seus criadores reconhecidos pelo trabalho desenvolvido. Vale o que vale, mas pelo menos o agradecimento público desta desconhecida terão: Francisco Campaniço e  Pedro Leal, obrigada por me terem permitido usufruir do vosso trabalho.

 

Acto III - Ilustração: análise de algumas propostas 

Particularmente, duvido que o CDS tenha alguma medida que contribua efectivamente para melhorar a gestão dos recursos naturais, a diminuição da produção de resíduos e a sua gestão, a sustentabilidade das explorações agrícola florestal fluvial marítima, em suma, qualquer coisa no âmbito da sustentabilidade e responsabilidade ambiental, mas essa é uma questão minha: porque estas são-me abordagens pertinentes, porque a dúvida resulta da minha análise às intervenções do CDS-PP nos últimos 20 anos, incluindo os ministérios de Assunção Cristas e de Paulo Portas; e porque a mesma dúvida se desfaz na depuração das propostas apresentadas por este partido: "Criação de planos de bonificação às famílias que lograrem reduzir o seu consumo energético, como Eco-cards, cartões de pontos que permitam incentivar comportamento ambientais relevantes" assemelha-se à minha proposta do Voto Sortudo, inspirada na Factura da Sorte nascida no governo PSD-CDS, portanto qualquer semelhança não é, de todo, coincidência... e falamos de todas as fontes de energia? E ao Ambiente, isto fará o quê exactamente? Mas a algumas empresas fará muito bem, e as famílias gostam de sorteios. "Garantir o uso eficaz dos fundos comunitários e efetuar os pagamentos de forma atempada e previsível, quer os destinados a apoiar o rendimento dos agricultores, exclusivamente financiados pela UE, quer os de apoio ao investimento, concentração da oferta e rejuvenescimento do setor agrícola" faz-me sorrir - o sector não precisa de rejuvenescimento, o sector agrícola precisa de políticas que não o deixem à mercê das grandes distribuidoras, das grandes farmacêuticas, dos grandes exploradores de intensivo, que não o afoguem em exigências absurdas, que lhe reconheçam a especificidade e a dificuldade por ser constituído maioritariamente por micro-empresas que garantem a biodiversidade e a manutenção dos terrenos - e que não são remuneradas por isso. Mas falar em financiamento é mais fácil e talvez dê mais votos. 

Da mesma forma, não acredito nos resultados das propostas do PAN, um partido que já antes afirmei ser de causas e de políticas nanicas - aquando deste último postal espreitei-lhes os projectos submetidos e verifiquei que mais de metade dos entrados neste ciclo legislativo haviam sido dedicados, àquela data, a proibições e obrigações, o que não me dá grande confiança nas medidas que possam apresentar. Porque prefiro incentivar do que proibir, mas não vejo grandes incentivos por parte do PAN. E algumas propostas, que não proibições, até serão interessantes - algumas; outras são muito bonitas mas não passam disso, "Interditar o uso de herbicidas sintéticos na limpeza urbana" será meritório mas nas pequenas cidades e vilas e aldeias as vivazes nascem entre o empedrado como areia na praia, arrancá-las é contraproducente e aplicar-lhes herbicidas biológicos é gastar água; e outras assemelham-se a crença, "Proibir a produção e o cultivo comercial de Organismos Geneticamente Modificados" porquê? Os OGM podem ser maus e podem ser muito bons, seria importante perceber a causa desta proibição. Enfim, o PAN tem algumas propostas interessantes, mas continua com a tónica no proibir ao abordar uma das suas áreas de maior intervenção, o Ambiente.

O BE tem várias propostas semelhantes ao PAN, mas tem outras que se me afiguram mais coerentes, embora algumas me deixem em dúvida quanto ao exacto objectivo: "Certificação obrigatória de coleta e tratamento de resíduos poluentes de todas as unidades de produção animal e agroflorestais" ? Certificação? Antes de exigir certificações que oneram o agricultor,  talvez seja importante garantir que as ETAR (estações de tratamento de águas residuais) existentes funcionam devidamente e que são em número suficiente para as necessidades produtivas, talvez se possa repensar a gestão de resíduos e as respectivas entidades gestoras - enfim, pensar em fornecer condições antes de exigir consequências. A "Criação da rede de infraestruturas ecológicas de qualidade, para reduzir o consumo de pesticidas, adubos, energia e água" é notável, mas quererão tentar de novo o emparcelamento (e desta vez sem os fundos da CEE que Cavaco desbaratou) e tentarão dinamizar as Organizações de Produtores, enquanto por outro lado propõem o "Fim de apoios públicos nacionais e comunitários a novas explorações agro-florestais e pecuárias intensivas e superintensivas, bem como às produções existentes que não iniciem o processo de transição ecológica"? Se sim, é bom que incentivem a tal "Rede nacional de hortas urbanas acessíveis em cada município", porque algumas das propostas que apresentam parecem-me ser pouco sustentáveis quando penso no défice nacional da produção agro-alimentar. Pelo menos eu não consigo preocupar-me com o Ambiente e despreocupar-me da alimentação e da sobrevivência dos meus semelhantes. Consigo ver aplicação para quase todas as medidas propostas pelo BE - mas não certamente numa legislatura, até porque algumas apenas podem ser aplicadas após atingidos os objectivos e metas de outras - e falamos de solos, de alimentos, de trabalho. É aqui que a coerência perde para a inconsistência, em matéria de Ambiente. Talvez uma passada maior do que a perna, como se usa dizer. E faz muita diferença, pois as propostas devem ser exequíveis.

Nota: as citações são textuais, por isso e apenas por isso obedecem ao AO90. Eu continuo profundamente desobediente.

 

Acto IV - Explicação da análise

Gostaria de frisar que exponho a minha opinião sobre algumas das propostas destes partidos não como tentativa de influenciar o voto de quem me lê mas como explicação de como propostas interessantes podem estar armadilhadas contra os princípios e objectivos que cada um de nós defende - relembro que enumerei os meus algures no primeiro parágrafo da terceira parte. A verde. E fui acrescentando mais um ou outro objectivo eleitoral. Meu. Portanto, a análise foi feita à luz desses meus objectivos.

Detive-me também nestes três partidos porque foi essencialmente sobre estes que a tal notícia se debruçou. 

Finalmente, recordo que o Ambiente é apenas um de muitos temas constantes das propostas.

 

Acto V - Votar

Votar é um direito, não votar é apenas uma opção. Todos os votos são válidos, mas exercer a cidadania passa também por votar em consciência e passa por votar detendo a informação que entendermos relevante.

Sinceramente, desejo que que quem me lê forme opinião informando-se e vote o melhor que conseguir.

 

Relembrando que já não há número de eleitor e que as mesas se organizam por ordem alfabética,

Para saber qual a mesa de voto basta enviar uma SMS para o 3838, começando por RE, seguido do número de Cartão de Cidadão e a Data de Nascimento, esta no formato [ano mês dia] e sem espaço. Assim:

RE CCCCCCCC AAAAMMDD

 

 

Imagem de Chema Madoz

 

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lançado às 03:55

Mafalda Anjos, no editorial de hoje da Visão, fala das maiorias absolutas. Da forma como Costa desvia o tema. Da forma como o BE o entende.

Do PSD relembra apenas "a performance mais ou menos desastrosa", e dos outros nada diz.

Mas termina com uma frase lapidar que me parece o objectivo de todo o editorial. Não o corolário do pensamento que articulou, antes o mote e o soneto - e tudo o mais palavra para encher artigo.

Será apenas impressão minha, ou a directora da Visão termina este artigo com um descarado apelo ao voto numa determinada força política?

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lançado às 11:00

Estranhas coisas que se escrevem

por Sarin, em 25.09.19

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Não é erro de Português.

É erro de percepção. Má escolha, péssima escolha sintáctica!

Mas confio que os cientistas não se sintam melindrados: com vírgula é uma excelente notícia.

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Imagem: "O Grito", de  Edvard Munch (1893) (domínio público)

 

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lançado às 00:21

Tenho pouco tempo, paciência e vontade de escrever hoje.

Mas há um assunto que me está a fazer cócegas...

 

Há por aí gente muito indignada, a exigir multas e até o encerramento do Estádio da Luz, porque o SLB não inscreveu claques cf previsto no regulamento da prevenção da violência no desporto. Não me interessa discutir esta matéria, até porque a lei não o obriga e eu acho que as claques deveriam ser parte integrante dos clubes e não grupos autónomos - além de achar que esta lei não resolve absolutamente nada, como se tem visto. Sendo lei, havendo provas de infracção resolva-se nos tribunais e penalize-se o infractor, no caso o meu clube. Mas o cerne, aqui, não é o que eu acho e sim o que acham os tais indignados.

 

Os mesmos que se indignam agora porque o Ministério Público quer suspender um sindicato profissional que aparentemente não cumpriu e aparentemente continua a não cumprir o regulamento para o ser. Também não interessa aqui o que acho, embora concorde que um sindicato que não cumpre o regulamento, nomeadamente tendo nos órgãos sociais membros que não são profissionais do sector, deve ser inibido de funcionar até o cumprir, assim como uma empresa precisa de estar devidamente registada para laborar. Mas, mais uma vez, não é a minha opinião que importa e sim a dos indignados. 

 

Que usam dois pesos e duas medidas, conforme lhes dá jeito. Porque na Política e no Desporto parece que vale tudo desde que seja a favor dos seus interesses.

E ainda enchem a boca para falar de Democracia. Sem qualquer rebate de consciência ou pingo de vergonha.

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lançado às 17:52

Ouvido de passagem

por Sarin, em 06.08.19

Rui Santos há minutos na SIC Notícias

"O resultado da Supertaça poderia ter acabado em 3-6 ou 3-7..."

E o Vlachodimos, não estava lá a fazer nada?

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lançado às 23:34

Joga-se hoje a Supertaça Cândido de Oliveira.

Embora se defrontem as equipas vencedoras do Campeonato e da Taça da época passada, este é o o primeiro jogo e o primeiro troféu nacional da época 2019/20.

Como em todos os anos, pelo menos nos mais recentes, entre o final de uma época e o arranque da seguinte, ambas as equipas participam em torneios restritos e jogos amigáveis - estes assim chamados por não darem acesso a qualquer troféu, não porque os jogadores entrem em campo para brincar à rodinha.

Os jogos e torneios da pré-época valem o que valem: servem para os jogadores se conhecerem, para se habituarem a ser equipa. E sim, todos os troféus são importantes - mas a pré-época pouco ou nada influencia a época. 

 

Ontem o Benfica confirmou a conquista, sem qualquer derrota e apenas um golo sofrido, da International Champions Cup 2019.

Parabéns, mereceu, mais um troféu prestigiante, agora olhos na época.

O Sporting perdeu o Troféu  Cinco Violinos, não ganhando qualquer jogo na pré-época.

Acontece, não é o fim de nada; aliás, não é o princípio de nada, apenas um aquecimento.

 

Por isso um dos cabeçalhos que encontro hoje ser deprimentemente ridículo:

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Que vergonha de jornalismo... Apesar de alguns festejarem empates como vitórias, é ridículo ver tal manifestação estampada num cabeçalho.

E assinalar a ausência de triunfos nada acrescenta - nem à não-notícia nem à Supertaça que se irá disputar. Verdadeiro exemplo de dar uma no cravo e outra na ferradura, tentando atrair adeptos de vários clubes e aumentar as visualizaçõe$.

 

Já que estou a falar da Supertaça, do começo da época e de vergonhas, aproveito para deixar nota de que alguns, talvez a maioria, dos blogues sportinguistas, sempre tão lestos a atribuir ao Benfica as asneiras de alguns adeptos,  foram incapazes de ecoar o discurso de Lage na vitória do Campeonato ou as palavras difundidas na newsletter do SLB apelando ao fair play dentro e fora do campo. (Original aqui)

 

Quanto à Supertaça, que seja um bom momento de futebol. E que vença o melhor em campo, de preferência o Benfica!

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lançado às 20:45

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Ouço Clara de Sousa, no Jornal da Noite, da SIC: "Manuel Pinho vai mesmo ser constituído arguido no processo EDP. Nova derrota para o juiz Ivo Rosa". Confusa, recuo na televisão a gravação que ainda não está disponível na rede... sim, ouvi bem.

Encontro uma notícia não assinada, no Observador: "Caso EDP. Juiz Ivo Rosa volta a perder na Relação de Lisboa e Manuel Pinho mantém-se como arguido". E fico com menos dúvidas.

 

Se bem percebo, tribunais da relação, ou tribunais de segunda instância, são o garante de que tanto os cidadãos como o representante do Estado, o Ministério Público, podem discordar de uma primeira decisão judicial e apelar para outra entidade: que podem, podemos, solicitar a reavaliação de uma decisão. Os juízes seguem, sempre, o mesmo regime legal; mas, sobre um mesmo caso, apresentam  perspectivas, sensibilidades, interpretações e, por isso, análises distintas uns dos outros - que se podem traduzir em decisões distintas. Daí que na primeira instância as deliberações sejam obra de um juíz e na segunda se submetam a um colectivo de juizes.

Deliberações distintas entre os tribunais da primeira e da segunda instância não são uma derrota deste ou daquele juiz, mas uma vitória do funcionamento do sistema judicial, que prevê este mecanismo também como controlo perante interpretações desajustadas. Porque um tribunal da relação não é um órgão que avalie o desempenho de um juiz - avalia a sua decisão. Portanto, as vitórias e as derrotas são atribuídas aos arguidos e aos acusadores, neste concreto caso o Ministério Público, pois o pleito é entre estes e não entre os tribunais.

Ora como não consta que...

o juiz Ivo Rosa se tenha constituído assistente ou seja arguido no caso EDP;

que este juiz tenha entrado com acção judicial contra alguém, ou vice-versa, no âmbito do mesmo processo;

ou que os tribunais disputem entre si qualquer campeonato...

... parece-me algo abusivo dizer que o juiz, este ou outro, teve uma "derrota" ou "perdeu" perante a anulação de uma sua decisão.

Parece-me mesmo muito abusivo: independentemente da opinião que se possa ter sobre o desempenho deste ou daquele juiz, quando jornalistas relatam factos devem usar da máxima isenção, do maior rigor. A menos que pretendam manipular quem lê e ouve. E depois das polémicas mediáticas havidas com as declarações do juiz Carlos Alexandre, desculpar-me-ão se não atribuir a escolha do léxico ao acaso ou à incúria. 

 

Ainda a propósito da forma das notícias, o Sol apresenta como título "Ex-ministro Manuel Pinho volta a ser arguido no caso EDP" e, em destaque, "Os desembargadores do TRL acreditam que o juiz Ivo Rosa não tinha legitimidade para voltar a nomear Pinho como arguido".

Não me parece que os juízes desembargadores tenham agido movidos por , crença ou convicção, antes por análise e interpretação racional dos elementos que analisaram à luz da lei vigente. Também sei que acreditar pode ter sido usado como sinónimo de aceitar, admitir, considerar válido; mas, dada a perniciosidade da primeira acepção, suponho que os jornalistas poderiam escolher melhor o vocabulário que usam.

 

E sobre a notícia? Verifico que ainda estamos no início da instrução... o que me reforça a ideia de que estes mega-processos foram monumentais erros de perspectiva. Esperemos que não prescrevam antes de ouvidos todos os arguidos.

 

imagem colhida no Medieval Imago & Dies Vitae

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lançado às 10:57

Do ócio e do ódio

por Sarin, em 27.06.19

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Há 15 milhões de jovens na União Europeia que nem estudam nem trabalham.

Serão...

indigentes ?

jovens com problemas de saúde e sem qualquer tipo de apoio escolar?

jovens fugitivos, crianças raptadas há anos, indivíduos cujo assento de nascimento foi feito mas aos quais se perdeu o rasto?

A notícia não esclarece. É pena, porque números, assim soltos, não dizem nada e permitem muitas interpretações. Decido ir à fonte. Mas a notícia não indica qualquer fonte, apenas se refere a "dados hoje divulgados pelo gabinete de estatísticas da UE"... enfim, mais um deficiente serviço noticioso.

 

Abro a página do Eurostat e tento localizar, entre os emitidos hoje, um relatório subordinado a um ou a qualquer dos temas juventude, emprego, escolaridade. Nada. Finalmente, lá descubro o artigo - que, afinal, é de Abril.

Os jovens que nem trabalham nem estudam, nomeados NEET, não se enquadram afinal em nenhuma das hipóteses antes aventadas. São jovens que, acabados os estudos, não conseguem encontrar emprego. Gente em início de vida, cheia de força, prenhe de vontade... e sem onde as aplicar.

 

No espaço de tempo que mediou entre ler a notícia e escrever o postal, li outra notícia: "Europol alerta para a acção de três grupos de extrema-direita em Portugal",  sendo que esta actividade não se esgota no nosso país. Mas é preocupante, vejam-se os números no Relatório Anual de Segurança Interna.

 

Parece-me poder haver aqui uma qualquer relação causa-efeito. E um padrão. E resultados. Não em Portugal - não ainda.

 

E, entretanto, sobre políticas demográficas, sobre políticas de emprego, sobre sustentabilidade social, estamos conversados. Ou melhor, não conversamos. Mas, avaliando pelas conversas do Presidente da República, pelos projectos na Assembleia da República, pelas opiniões dos comentadores políticos e, até, pelas conversas de café, também não deve ser importante.

 

imagem colhida em Segredos do Mundo

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lançado às 18:36

Obrigada por estar aqui.




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