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Auto-retrato de quem quando

por Sarin, em 09.12.18

Dói-me o corpo das batalhas que encetei.

Dói-me o corpo, não a vontade

- a última fronteira.

 

Lutei, abracei,

dei tudo de mim

- e ainda assim fiquei inteira.

 

 

Por isso me pergunto

- como me achei

se nunca me perdi?

 

E assim me vislumbro nos pedaços não estilhaços

que de mim vou encontrando por aí

- sei que não os deixei espalhados,

não os dei, menos vendi.

 

 

 

Encontro lampejos meus,

do que serei.

E vivi.

 

 

(não datado. Antigo. E actual)

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lançado às 08:37

E assim os anjos

por Sarin, em 09.12.18

Quando o Diabo arribou

a aldeia fugiu.

Esqueceram uma menina

que chorou

e o Diabo sorriu.

É que a menina não tinha medo...

tinha, mas não dele.

Era o medo da noite

do silêncio

do papão

- mas do diabo não.

(porque quando a aldeia fugiu

não teve tempo

para gritar

que aquele era o diabo

que os havia de levar)

 

Mas

lembrava-se o Diabo

de ter sido pequenino

e por isso

do seu olhar jorrou luz

que iluminou a noite.

E a menina

riu

e o silêncio morreu com a escuridão apagada

- os olhos do Diabo.

 

Quando a aldeia voltou

tudo estava sossegado.

Intacto.

Menos a menina,

que não apareceu.

 

Devolveu a alma ao Diabo

e morreu.

 

 

(Não datado. Década de '90)

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lançado às 08:15

In histórias que deviam acabar

por Sarin, em 07.10.18

Em dois pontos distintos do mundo, duas mulheres responderam simultaneamente e com os olhos brilhantes: "sim, amo!".

Uma respondia a um "Amas-me, querida?".

Outra, a um "Faz o que te digo ou mato-te!"

Em dois pontos distintos dum mundo distante e indiferente. Quantas vezes na porta ao lado.

 

(Abril 2012)

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lançado às 05:54

histórias inacabadas #4

por Sarin, em 22.06.18

dóis-me no sangue sem me ferires. e por isso quero os passos que não damos no espaço que temos no tempo que não tivemos. quero o tempo e quero o espaço. quero os passos. porque me ris no sangue à gargalhada.

(Setembro 2011)

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lançado às 03:03

histórias inacabadas #3

por Sarin, em 21.06.18

queimava-os a amizade arrastada, o amor abafado, o ponto que nunca foi exclamação nem final.

gelada pela ausência, percebeu que falar mais uma vez não era repetição, era conquista. conquista dela - do orgulho, da tristeza. se conquista dele, logo se veria.

 

e por isso disse-lhe, no jeito tímido que sempre usou: "há dias em que finjo que não, mas tenho saudades tuas."

 

aguardou. com a noite veio a claridade: quem cala não sente.

 

(Abril 2012)

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lançado às 12:51

histórias inacabadas #2

por Sarin, em 21.06.18

um dia

dir-te-ei como o meu rumo e o teu rumo não se cruzam,

são um só.

e porque não o sabes te perdes de mim.

e porque o sei

me perco de mim quando sem ti.

 

(Maio 2012)

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lançado às 12:31

histórias inacabadas #1

por Sarin, em 21.06.18

Romanticinismo é ter

um dicionário cheio de palavras

para te bater

até que ouças o que te quero dizer!

 

Amor talhada

não o posso usar

porque a Língua Portuguesa

é para ser estimada.


- e tu foges com medo da pancada.

 

 

(Agosto 2012)

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lançado às 12:11

O Facebook é um mundo. Um mundo reflexo deste mundo onde vivemos, mas um mundo onde a maioria vive do outro lado do espelho, como se no conto de Lewis Carrol.

 

Aderi ao Facebook devido a solicitações várias de amigos e familiares distantes. Nunca apreciei o modelo - não pelo modelo em si mas pela permissividade latente que lhe permitiria tornar-se aquilo que se tornou: um invasor quotidiano.

 

Andei por lá 3 anos mal medidos, e se me chateavam os códigos sociais seguidos pela maioria (a obrigação de responder, de aceitar, de gostar!) mais me chateava a invasão de privacidade - e portanto quase tudo que publicava ficava visível para um grupo muito restrito de conhecidos. Que teve que ser alargado porque, enfim, velhos conhecidos de escola, primos afastados, depois os irmãos dos primeiros e quando dei por mim, de uns saudáveis 50 amigos de interacção facebookiana descobri-me com mais de 1200 "amigos" com quem havia trocado meia-dúzia de palavras na vida fora-do-facebook.

 

Fechei a conta.

 

Não me valeu de nada, porque descobri - fui alertada, na realidade! -  que o Facebook teve umas actualizações quaisquer e eis-me de volta sem o saber; mas esse é outro assunto.

 

Neste 10 de Junho, que é o Dia de Portugal e das Comunidades e da Língua Portuguesa, o que me interessa é recordar os amigos portugueses que, alguns já então e outros agora espalhados pelo mundo, encontrei e reencontrei durante aquela minha breve passagem pelo Facebook.

E para quem escrevi na altura este poema.

Onde estiverem, um beijo abraçado no poema que de novo envio ao vosso enontro até que nos voltemos a encontrar. 

 

AMIGO, OU A DEFINIÇÃO MAIS CARA


“Amigo”
não é a pessoa com quem falamos
ou bebemos uns copos
e até rimos às vezes…
“amigo”
é quem nos ouve,
quem nos sente
“amigo”
é aquele que voa connosco
mas nunca se esquece do lastro que nos prende à terra,
que nos prende a nós.
“amigo”
é uma pessoa cara numa palavra vendida ao desbarato

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lançado às 19:21

trago no sangue um poema

por Sarin, em 27.05.18

Trago no sangue um poema.


Não tem rimas, nem estilismos
- mas tem maneirismos!


Por métrica,
a dos dias vivos e das horas mortas,
esparsas e soltas…

 


Não é poema erudito,
nem poema popular.
Não se declama, não é dito
e não se pode cantar.

 


Mas é meu,
nasce em mim e em mim corre.
E por nome tem a chama que me aquece,
a força que me move.

 


A verdade?
Trago no sangue um poema:
a minha vontade

 

(data não registada)

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lançado às 00:44

sem meias-tintas

por Sarin, em 26.05.18


Se te der o melhor de mim… haverá sempre o pior.

Nunca me darei inteira.

Nunca me verás completa.

 


Prefiro dar-te o que sou.
O bom e o mau
- o radiante e o r
Mas sem sombra, sem projector,
sem jogos de luz.

Sem efeitos de cor,

dou-te todas as tintas da paleta em que me pinto.
Não para me desenhares,
colorindo à tua imagem os meus traços mais difusos…
Não para me completares,
preenchendo contigo os meus espaços em branco…
Dou-te as tintas, a luz e a sombra,
dou-me completa,
para que me vejas inteira
e me aceites absoluta.

 

(2010)

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lançado às 19:27

Obrigada por estar aqui.


COVID19, uma ameaça muito séria

Cuidemos de todos cuidando de nós. Cumpramos as instruções das autoridades de Saúde.




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