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Música Dedicada: Elisabetta Trenta

por Sarin, em 15.08.19

A peça, With arms wide open

Intérprete, Creed

Letra e música, Mark Tremonti e Scott Stapp  (1999)

Motivo da dedicatória: Recusa em assinar o novo decreto de Salvini

 

Well I just heard the news today
It seems my life is gonna change
I close my eyes, begin to pray
Then tears of joy stream down my face

With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open

Well I don't know if I'm ready
To be the man I have to be
I'll take a breath, I'll take her by my side
We stand in awe, we've created life

With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
Now everything has changed
I'll show you love
I'll show you everything

With arms wide open
With arms wide open
I'll show you everything
With arms wide open, wide open

If I had just one wish
Only one demand
I hope he's not like me
I hope he understands
That he can take this life
And hold it by the hand
And he can greet the world
With arms wide open

With arms wide open
Under the sunlight
Welcome to this place
I'll show you everything
With arms wide open
Now everything has changed
I'll show you love
I'll show you everything
With arms wide open
With arms wide open

I'll show you everything
With arms wide open, wide open

 

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Wikipedia e Burke

por Sarin, em 03.08.19

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Ontem li um artigo em que um dos fundadores da Wikipedia, Larry Sanger, dizia que este era um projecto falhado.

Porque não haviam encontrado solução para garantir a fiabilidade dos dados, especialmente no tema política, que ficava assim exposto a manipulações várias desvirtuando o objectivo de colocar informação fiável ao alcance de todos. Por isso Sanger apelava a que não usássemos a Wikipédia.

 

Coincidentemente, há minutos deambulava pelo tema Opinião e encontrei um postal que falava também da Wikipédia. A perspectiva do postal era completamente distinta [classificar uma entrada insultuosa como machismo; discordo, mas não é este o ponto] mas uma das consequências a mesma: a exposição de uma informação manipulada.

Já havia encontrado na Wiki diversos textos com muitos elementos subjectivos ou abusivos (exemplifico com um caso recente que li agora quando procurava amostras desta subjectividade), motivo pelo qual há mais de 10 anos que não considero a Wiki fonte segura; mas nunca me tinha deparado com insultos explícitos. Lamentável.

Lamentável que um projecto tão meritório seja destruído por energúmenos que, propositada ou inconsequentemente, conspurcam o que, mesmo não sendo inteiramente credível, tem a capacidade de coligir bases para investigações mais profundas em todos os campos do saber. A democratização do saber, objectivo dos seus fundadores, foi desvirtuada de muitas formas, e esta a mais infame. [Quem me ler pela primeira vez e me supuser movida por pruridos partidários, pois que dê uma volta pelo burgo e cá torne]

 

Apelo a cada um de nós que consultamos a Wikipedia para que participemos na sua manutenção activa, mesmo apesar do desânimo de Sanger - enquanto a solução não surge, mantenhamos nós o projecto que nos dá acesso a tantos pontos de partida.

 

É fácil. Basta clicarmos no lápis no topo direito e registarmo-nos.

Demorou-me um minuto, o registo como editora e a edição da informação. 

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Poderão dizer que foi perda de tempo, que quem adulterou voltará a adulterar. Bom, também o joio nasce nas searas e não deixamos de produzir pão. E, ademais, prefiro fazer parte da solução do que acomodar-me na vazia indignação.

Bem sei que a frase de Burke está mais do que estafada, mas nestes tempos de desinformação e reactividade indignada não devemos desprezar as frases simbólicas. Todos os gestos contam.

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imagens de reprodução livre

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Música dedicada: Amazónia

por Sarin, em 28.07.19

A peça, Amazônia

O intérprete, Nilson Chaves

Letra e Música, Nilson Chaves (1991)

 

Sim eu tenho a cara do saci, o sabor do tucumã
Tenho as asas do curió, e namoro cunhatã
Tenho o cheiro do patchouli e o gosto do taperebá
Eu sou açaí e cobra grande

O curupira sim saiu de mim, saiu de mim, saiu de mim...

Sei cantar o "tár" do carimbó, do siriá e do lundú
O caboclo lá de Cametá e o índio do Xingu
Tenho a força do muiraquitã

Sou pipira das manhãs
Sou o boto, igarapé
Sou rio Negro e Tocantins

Samaúma da floresta, peixe-boi e jabuti
Mururé filho da selva
A boiúna está em mim

Sou curumim, sou Guajará ou Valdemar, o Marajó, cunhã...
A pororoca sim nasceu em mim, nasceu em mim, nasceu em mim...

Se eu tenho a cara do Pará, o calor do tarubá
Um uirapuru que sonha
Sou muito mais...
Eu sou, Amazônia!

 

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Ninguém sabe o que o Brexit trará.

Para já, trouxe aos britânicos dois Prime Ministers que não elegeram.

Great, o mundo avança...

... não se sabe muito bem em que direcção

... mas atrevo-me a descrer, a desprezar, a detestar o rumo que leva.

 

Enfim, faça-se a suma apologia da superfluosidade do Raciocínio, da Argumentação, do Diálogo...

Alea iacta est.

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Movimento político NQGNP

por Sarin, em 17.07.19

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Para que não me pensem desertora aqui do burgo, venho (muito de passagem) iniciar um movimento político:

 

Nunca percebi o porquê de continuarmos a receber guardanapos entre o prato e as tostas, as sandes, os bolos. Se nos fritos sempre absorve alguma gordura (para quem tem coragem de aceitar comida mais oleada que cambota de motor), nos outros só atrapalha. E não apenas, se analisarmos melhor este hábito que representa desperdício de papel (vertente ambiental) de dinheiro (vertente económica) e que se pode revelar perigoso (segurança alimentar). Manias!

Dispensem-no. Digam para não vos porem o papelucho no prato -  mas digam-no antes de vos colocarem a comida sobre o guardanapo, recusar depois de servido será apenas demonstração de petulância e mau-feitio. Afinal, convém relembrar que as condições do serviço se negoceiam antes da sua prestação.

 

Se depois de tal pedido vos responderem que "não pode ser por causa da segurança alimentar", que é bem provável que aconteça, peçam-lhes as avaliações de riscos e que por elas vos encontrem a justificação. Se conseguirem.

Armando em técnica, que sou, adianto-vos que os pratos têm de ser lavados a 55-65•C e enxaguados a 80•C, temperatura de desinfecção, com detergente específico para a indústria agro-alimentar. Logo, a superfície de contacto com o alimento dispensa outra protecção - o guardanapo, que há muitos anos talvez se justificasse pela lavagem manual a frio, mas que agora foi tornado obsoleto pelas máquinas de lavar industriais.

Depois de verificadas as condições de higienização (e acondicionamento) dos pratos, verifiquem se as condições de armazenamento dos guardanapos constam da tal avaliação. Dificilmente constam, aviso... pois é, poderão estar perante um perigo alimentar absolutamente desnecessário - porque os ratos gostam de papel e as embalagens passam por muitos armazéns antes de chegarem ao café ou ao pub; e mesmo que este tenha um controlo de pragas de excelência, as leptospiras (presentes na urina dos roedores) podem impregnar o papel muito antes de este chegar ao café - e não estou a ver o sr. Zé do café a rastrear os guardanapos... se o fizer, pronto, a leptospirose e outros riscos estarão sob controlo, parabéns sr. Zé!

Assustei-vos? É apenas um exemplo, e dos mais graves senão não valeria a pena exemplificar; mas quantas vezes as dores de cabeça e as dores de barriga sem causa aparente resultam de coisas assim mínimas?

 

Enfim, depois disto feito não se lhes riam nas caras de quem perpetua manias sem saber porquê mas que responde "é por causa da lei" porque assim lhes foi transmitido.

Digam-lhes antes:

Não quero guardanapo no prato.

Ser-lhes-á mais fácil aprender a pensar no que é isso do Agá-Cê-Pê que pagam sem saberem para quê.

 

Só para chatear

Não estou na rede que usa o cardinal para não sei bem o quê, mas vá, ei-los, usem e abusem e talvez a moda sustentada pegue:

#nãoqueroguardanaponoprato

#nqgnp

 

Não será grande coisa como movimento, mas há por aí alguns mais mal fundamentados...

Até breve.

 

ADENDA

Depois de ler os comentários, temo não ter sido explícita como pretendia ao usar o exemplo das leptospiras.

Assim, esclareço que os perigos (circunstâncias) podem ter riscos (consequências) graves associados; mas a avaliação do risco faz-se pela gravidade e pela probabilidade da sua ocorrência, sendo esta condicionada pelos mecanismos naturais e pelos mecanismos de controlo.

Assim, a leptospirose ser grave não significa que seja provável, pois depende dos mecanismos naturais (as leptospiras estarem activas - pouco provável na ausência de humidade, portanto a capacidade patogénica será reduzida) e dos mecanismos de controlo (a tal rastreabilidade, que significa saber exactamente como e com que materiais foi produzido o artigo, por onde e em que condições andou até chegar ao café; e as condições de acondicionamento, incluindo a existência de um controlo de pragas adequado, e de manuseamento desde que entra no café/bar até chegar à mão do consumidor final).

São muitos os factores que interferem, e quanto mais bem identificados e controlados menor a probabilidade da ocorrência da doença, da intoxicação alimentar, da reacção alérgica.

Por isso estas avaliações de riscos não deverem ser feitas levianamente. Nem por quem não perceba da matéria - ter ouvido falar no assunto não chega, a Saúde Pública é bem mais importante do que achismos e a economia local não pode depender de (maus) rumores.

Assim, creiam que não pretendi nem pretendo ser alarmista, até porque a maior parte dos HACCP implementados atenta nos riscos comuns.

Não desejo que se sintam alarmados, os riscos graves e incomuns mas prováveis geralmente espoletam alertas públicos pela Direcção-Geral de Saúde.

Mas espero desejo quero que fiquemos alerta para este e outros (não tão) pormenores que influenciam ambiente e saúde.

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Nós e Eles ou apenas Nós

por Sarin, em 09.07.19

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Os ataques aos uigures continuam. Já aqui havia falado desta integração forçada, de como o governo chinês obriga ao abandono da religião, das tradições destes também chineses.

E parece-me importante e oportuno falar neste tema.

Não apenas porque se trata de um atentado aos direitos humanos e por isso dever ser recordado,

não apenas porque as questões dos direitos humanos nunca estão em cima da mesa quando se discutem tratados comerciais e isso dever ser exigido,

mas, muito especificamente, porque o racismo, as etnias, os grupos "étnico-raciais", as raças, todas estas questões andam no ar e foram especialmente empoladas estes últimos meses. 

 

A discussão é longa

e pertinente

e exigente.

Por agora, desejo que ponderemos se este tratamento que os uigures, chineses, estão a receber do governo central chinês não se poderá assemelhar a algumas propostas e comentários que se ouvem sobre a escolaridade obrigatória e o porquê de não se forçar as meninas ciganas a permanecerem na escola - ouço-os falar assim mesmo, forçar.

Peço que avaliemos se assimilação forçada a que os uigures estão a ser sujeitos, se esta substituição de raízes, será a melhor resposta para a integração.

Desejo que pensemos na fronteira entre o que é a cidadania e o que são os costumes, onde estará o limite entre aquilo que nos deve ser obrigatório no gozo da cidadania e aquilo que nos é permitido enquanto indivíduos diferentes nascidos ou criados num país comum.

 

Uma das questões que coloquei recentemente foi a inexistência de definição cabal para grupos 'étnico-raciais': o que são e quais são.

Peço assim que ponderemos também como agruparemos as pessoas - e porque teremos deveremos quereremos agrupar. Mais uma vez, a fronteira entre o que nos tem de ser comum enquanto cidadãos e o que nos distingue enquanto indivíduos com raízes. Porque são campos distintos e não os podemos nem devemos confundir.

 

Entendo que os deveres de cidadania não são negociáveis. Mas que deveres são esses? Penso que talvez devamos começar esta reflexão por aqui.

 

 

imagem de José Eduardo Taveira

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Era uma vez... A polícia política

por Sarin, em 08.07.19

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Ainda há pouco brincava, agradecendo no Não me dêem ouvidos o ter a autora (bem como os autores do Quinta Emenda, d'O Flávio  ou d'O Coletivo) contribuído para que eu lesse e opinasse sobre a polémica envolvendo o artigo de Maria de Fátima Bonifácio, poupando-me assim à escrita do postal que não me apetecia. Até porque ainda recentemente publiquei alguns postais sobre racismo e aquilo que ainda ninguém explicou - os grupos "étnico-raciais".

 

Mas ainda não tinha lido esta notícia. Há situações que ultrapassam o limite de razoabilidade que traço para o que comento noutros blogues assim dispensando postal, e saber que vários foram os que reclamaram a publicação deste artigo à ERC é um deles.

 

O Regulador foi criado para garantir o cumprimento das regras de sã difusão de conteúdos. Podem comprovar. Assacar responsabilidades editoriais de um conteúdo individual e independentemente veiculado não faz parte das suas atribuições.

À ERC também não compete julgar ofensas e injúrias - estas  julgam-se nos tribunais, depois de denunciadas no Ministério Público ou numa polícia criminal.

Assim, o que pretendem os reclamantes com esta reclamação? O que esperam que a ERC faça, exactamente? Que cale Bonifácio? Que a impeça de escrever, que lhe exija uma retractação formal pelo que escreveu, que a obrigue a abjurar as suas opiniões?

 

Apelar para o regulador da Comunicação Social por se sentirem agredidos, aviltados, embaraçados, indispostos ou apenas aborrecidos com, ou pelo, texto de uma articulista não jornalista que é independente dos critérios editoriais do jornal que lhe publica os textos, assemelha-se a um pedido de intervenção de um censor... um apelo que, a comprovar-se algum dos objectivos acima, em nada desmerece das denúncias feitas à PIDE-DGS.

Para quem não sabe o que foi a PIDE - e parecem ser cada vez mais! - deixo uma ligação a um artigo explicativo. É leve, pode ser lido pelos menos impressionáveis.

 

Agradeço que algum ou alguns leitores me apontem a diferença. Porque, por mais leituras que tente, não a descortino.

 

A PIDE-DGS tinha uma rede de colaboracionistas. Garanto que não esperava ouvir falar de colaboracionistas de uma polícia política que ainda nem existe.

 

 

imagem recolhida no sítio de leilões Oportunity

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Arbeit macht frei agora traduzido

por Sarin, em 06.07.19

O TRABALHO LIBERTA

Tradução literal da frase - título de Diefenbach no livro sobre  a recuperação da virtude (1873)

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imagem do Google Books

 

 

O TRABALHO LIBERTA (MATANDO)

Tradução do sentido da frase usada cinicamente pelos nazis, aqui à entrada de Dachau

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imagem da Wikipédia (embora não apareça quando seguida a ligação...)

 

 

O TRABALHO É GRÁTIS

"Tradução" e talvez branqueamento da frase histórica no Google Translator. Ou, então, sarcasmo da Inteligência Artificial.

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imagem minha, recolhida há minutos 

 

 

O TRABALHO DIGNIFICA

Tradução bolsonárica em contexto de trabalho infantil

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imagem do Sapo 24, artigo

"Ou trabalha ou vai roubar?" A nova polémica  com Bolsonaro no Brasil é sobre se trabalhar prejudica ou não as crianças

 

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Da resposta devida a um comentário, naufragada entre temporais de disponibilidade e bateria, aproveito para fazer postal. A resposta incial era menos elaborada mas, notando agora que não a submeti, sigo à bolina e abordo mais profundamente dois temas sobre os quais acabei por nunca publicar mais do que comentários: o Politicamente correcto e o Museu das Descobertas de Lisboa.

 
Sobre o politicamente correcto
Ao politicamente correcto surgido nos anos 80 como forma de exigir igualdade no tratamento e elidir conotações desiguais e discriminatórias, sobrepôs-se agora o politicamente correcto referente ao incorrecto, ao exagero. O problema deste termo é que acaba por promover a descredibilização do tal inicialmente correcto. Manipulações linguísticas que muitos usam para retirar força às exigências legítimas. Há muito exagero, sem dúvida, e o exagero é politicamente incorrecto.
Chamemos os bois pelos nomes, e se o PAN não gostar que entre também na discussão.
 
 
Sobre o Museu dos Descobrimentos
Acabei por nunca escrever o postal que alinhavei mentalmente, pelo que aproveito o ensejo.
Um museu destes nesta época faz-me sentido se contar ambos os lados da História, dos descobridores e dos então descobertos territórios para o mundo europeu.
Não contesto o nome, Descobrimentos porque descobertos novos caminhos e novos territórios habitados, sim, mas depois colonizados pelos descobridores. O que alterou todo um modo de vida anterior e desenhou novas sociedades. Agradável ou não, é um facto, e chamar-lhe outra coisa não o vai alterar. Expansão afigura-se-me muito mais colonialista, imperialista: a população não se expandiu, miscigenou-se, e se os territórios inicialmente serviram para expandir impérios, ao cabo de 400 anos recuperaram a independência - um museu da Expansão não pode incluir estes novos países, tem de os deixar de fora do estudo da história sob pena de a continuar a colonizar, integrando-os num território político expandido que já não é o seu.
Não contesto o nome mas contesto tal museu se tem como objectivo único a exaltação, a glorificação da arte e engenho lusos, até porque já temos alguns museus dedicados ao tema.
Um museu dos Descobrimentos tem de contar a evolução técnica, as aventuras marítimas, mas também a história dos encontros de culturas e as suas consequências, boas e más: a escravatura que existia e o nosso papel no processo, a evolução técnica e agrícola e a adaptação das sociedades, o convívio e os processos mais e menos pacíficos de aculturação de ambas as partes, enfim, todas as vertentes de tal mudança.
 
Contesto também que seja mais um museu municipal - um museu destes devia ser supra-nacional pois aborda a história comum a outros estados-nação, história que desenhou novos países e inaugurou uma nova época da humanidade, a globalização. Lisboa é a capital do país, quer um museu dedicado ao tema e tem toda a legitimidade, tem todo o sentido. Mas o Ministério da Cultura deve ter um papel activo na coordenação dos museus, do acervo mas também do objectivo pois trata-se de museus financiados. Assim, um museu dos Descobrimentos em Lisboa, sim, mas pensado como parte integrante de um conjunto e não como um museu autónomo. Lisboa tem de aprender a descentralizar. Incluindo na cultura, dinamizando e privilegiando a ligação em rede.
 
Um museu não é uma bandeira, é um acervo de registos que contribui para contar a História, e por isso não deve, pelo menos não devem os que têm capitais públicos, ser usado com fins políticos. Excepto no cortar da fita, pronto. As polémicas geradas em torno da questão são políticas e não se centraram nem centram, afinal, no museu mas em interpretações da História.
 
Por outro lado, os museus tendem a ser vistos como mostruários. Quando serão projectados como fonte de conhecimento? Quando os usaremos interactivamente como investigação e aprendizagem? Este seria uma excelente oportunidade para tudo isso: definindo pólos em diversos locais geográficos, até noutros países, criar-se-ia uma rede de museus especializados ligados sob o mesmo tema - verdadeiramente ligados, com partilha do acervo, com interactividade entre investigadores e público localmente e via videoconferência... as possibilidades são enormes. E querem reduzir tal potencialidade a umas salas com montras? Cristalizadas numa história que já foi contada de várias maneiras?
 
Deixo o Centro Interpretativo de Belmonte como exemplo de interactividade.
Ou, dedicado a outra época, o antigo Museu Militar de São Jorge: de Museu passou a Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota.
Visitem, e depois contem como foi.
 
 
 
imagem: Caravela Vera Cruz no Rio Tejo, de Lopo Pizarro

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Números

por Sarin, em 19.06.19

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Segundo as notícias, o relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados indica que, em 2018, havia 70,8 milhões de pessoas deslocadas no mundo, sendo pessoas deslocadas eufemismo para refugiados, exilados e migrantes económicos em situação desesperada.

 

Setenta e um milhões de pessoas. Quase metade do número das crianças que trabalham no mund... ah, isto não foi notícia? Bolas, atrapalho-me sempre com estes números! Qualquer deles me deixa confusa - ficar triste e revoltada é apenas consequência da vergonha.

 

Quando é que começámos a reduzir as pessoas a números? Sim, bem sei, mas esses fizeram-no por recusarem nomear quem matavam.

Agora reduzimo-las a números porque, juntas, são tantas mas tantas que é impossível manter-lhes os nomes quando delas falamos. E, com isto, o resultado prático poderá vir a ser quase o mesmo, que o diga Miguel Duarte enquanto arrisca a liberdade por salvar vidas num país que assinou a Convenção Europeia dos Direitos do Homem.

 

Só por curiosidade, em 1925 a Alemanha esteve presente na Conferência Mundial para o Bem-Estar da Criança, o que não impediu que em 1936 crianças dessem entrada em Dachau.

 

fonte da imagem aqui

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