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Velhos são os trapos

por Sarin, em 15.03.19

 

Ando a rever as primeiras temporadas de uma série que passa na Fox Crime, "New Tricks" (BBC, 2003).

Uma superintendente da polícia londrina lidera uma equipa de três antigos membros das forças policias, todos reformados e com idiossincrasias diversas, na investigação de casos antigos em aberto.

Além de ser ficção policial, área que muito me agrada e talvez uma das poucas que me mantém em frente ao televisor quando tenho disponibilidade, alimenta-se de um conceito que, cada vez mais, se torna pertinente: o que fazer aos bons profissionais quando atingida a data oficial de reforma.

Um indivíduo que se sente activo e capaz, e que assim é reconhecido por colegas e empregadores, deverá ser colocado de lado apenas porque perfez determinada idade e deve dar espaço aos mais jovens?

Nem sequer pretendo abordar a consequência do aumento da esperança de vida nalgumas sociedades, nem desejo analisar o envelhecimento de algumas populações; nem tampouco me preocupa a questão financeira da perda de investimento em capital humano, prisma que me agonia mas que é tão do agrado de muitos gestores - e que acabo por usar em situações extremas pois metade do sucesso da comunicação advém de se usar a mesma linguagem...

Centro-me no indivíduo que sabe e nos indivíduos que com ele podem aprender - e esta aprendizagem é válida para ambos, uma simbiose perfeita assim se enquadrem devidamente as funções e o respeito, nada tendo este a ver com deferência.

Sem precisar da série, recordo a substituição sem demérito do médico Francisco George no cargo de Director-Geral de Saúde, atingido o limite de idade para a Função Pública, relembro as aulas do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, apreciadas até por quem não de arquitectura, revejo o dinamismo e a desenvoltura do jornalista Henrique Garcia, mesmo não sendo consumidora da TVI... Curiosamente, apenas os políticos parecem não serem considerados velhos para o exercício dos cargos a que se propõem, e lembremo-nos de Mário Soares candidato ao terceiro mandato de Presidente da República já com os 81 anos cumpridos.

[Parece sexismo, apenas dar exemplos masculinos... mas confesso que não recordo notícias sobre mulheres portuguesas em idênticas situações. Sexismo poderá ser, mas não meu. E a questão é transversal a homens e mulheres, independentemente dos indicadores. Que não estou a usar, por isso adiante.]

Não manter no activo funcionários idosos apenas por causa da idade, quando o funcionário é um excelente parceiro do negócio/serviço, essa é a sua vontade e as capacidades tal permitem, é uma dupla perda para a sociedade: para o indivíduo em causa, que definhará e se tornará um velho em vez de apenas idoso nesta sociedade que desde crianças nos incute ser o trabalho fonte de dignidade e em que tantos confundem o que são com o que fazem mercê da importância dada ao trabalho; e para a empresa/serviço, que perde um acervo de experiência valiosíssimo - e reproduzível, se devidamente aproveitado.

Reformas compulsórias são, até, estranguladoras da meritocracia, que passa por atribuir o mérito a quem o tem e independentemente de cor, sexo, religião... ou idade, não? Claro que há o risco de cristalização, do conhecimento ou no lugar - mas ambas se podem evitar pela constituição de equipas heterogéneas em idade e em experiência. 

Por outro lado, manter idosos no activo para lá da idade da reforma não significa forçosamente atribuir-lhes as mesmas funções ou o horário completo de trabalho - a assessoria interna pode ser uma excelente solução. Embora se encontrem consultores seniores quase adolescentes, mas espero que apenas em algumas empresas pré-formatadas.

 

Voltando à série, divirto-me muito a ver as abordagens criativas para os choques de gerações e a comicidade ambígua das personagens idosas, que tão depressa suspiram pelo dantes é que era como se recusam a ser classificados de velhos ou ultrapassados. Não é nenhuma obra prima, mas durante 45 minutos estou bem disposta com as suas peripécias. E nos minutos posteriores penso nas pequenas mensagens paralelas. Hoje deu-me para escrever tais pensamentos... há dias assim. Mas tinha saudades. Da série e de escrever.

 

 

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Dos ventos que sopram hoje

por Sarin, em 14.02.19

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Está uma ventania que promete não sei bem o quê, a aplicação a dizer que os ventos se deslocam de sudeste a uma velocidade de  27km/h... será uma aragem, mas quem a sente nos ramos senti-la-á mais forte, que a velocidade é relativa e o Einstein explicou muito bem aquilo da energia ser o quadrado da aceleração multiplicado pela matéria.

Já que pó somos e ao pó voltaremos, visto está que da matéria não escapamos... e porque dia mais dado à matéria que o de hoje não haverá - sejamos então materialistas e honremos a data.

Data onde pontificam as caixas, as de jóias e de bombons que os namorados e cônjuges se poupam durante 364 dias, e as que teremos de guardar em casa repletas de lixo, pois os serviços de recolha entraram esta meia-noite em romântica greve. E porque o dia é de amores materializados em dinheiro, podemos também dedicar o dia à outra Caixa e aos seus antigos administradores, como o Governador do Banco de Portugal que parece não ter os dias contados - apesar dos milhões perdidos com os amigos do coração.

É bom que nos dediquemos aos coraçõezinhos e ignoremos as maleitas do dito, pois os hospitais não estarão apenas em greve cirúrgica, será mesmo greve para anestesia geral, embora nas notícias do almoço tenham dito que não se sente.

No médio e longo prazo, uma das soluções é dormir, dizem que faz bem a tudo e talvez por isso sejamos um povo que, porque adormecido, a tudo assiste sem grandes erupções - mas hoje talvez não seja boa ideia colocar o sono em dia, principalmente se ladeados por quem liga imeeeeeenso à campanha comercial que ao pobre santo que casou jovens às escondidas transformou em Cupido.

Não por Cupido e menos por cupidez, aconselho programas caseiros para hoje, que o dia em que se celebra a intimidade é também o dia em que menos privacidade se consegue alhures. Excepto talvez em motéis...

Quem não gosta de surpresas, pode acompanhar, se possível em directo, a presença de May no Parlamento Europeu. Não sabemos exactamente o que dirá, mas desconfiamos do resultado exacto, que o dia de hoje não é dado a divórcios e divorciados andam os britânicos de si mesmos desde que votaram pela saída.

Por falar em divórcios, li que 58% dos jovens que namoram já sofreram abusos por parte dos namorados, e que 67% acha normais vários comportamentos abusivos. Normais. Ainda supus terem sido inquiridos jovens matemáticos, e a normalidade seria assim lida como expressão das atitudes que ocorrem com a maior frequência; infelizmente, parece que não, são jovens com problemas sérios de educação que assumem a normalidade como naturalidade.

Candidatos a divorciados ou a vítimas de violência doméstica, este programa é para vós! Acendam as velas, escolham um bom chá que estas coisas não pedem vinho - até porque alguns de vós não têm idade e outros apenas distinguirão pela cor um tinto do álcool etílico - e leiam o estudo feito em 2017 pela UMAR (União Mulheres Alternativa e Resposta), pois o de 2018 ainda está a ser apresentado. Leiam muito bem e pensem que as vossas vidas são mais do que os corações vermelhos que inundam o dia de hoje. O Sangue é também vermelho, embora pisado deixe nódoa. Negra, como as intenções. E, já agora, o coração bonitinho que adoram colocar nas mensagens com que encharcam telemóveis resulta de analogia com as nádegas das mulheres. Talvez sejam preferíveis os unicórnios, não? Sempre dão para se defenderem...

 

Entretanto, o que seria do Dia dos Namorados sem bicadinhas de amor - como as que andam a dar ao Serviço Nacional de Saúde e à pele da ADSE. Embora os amantíssimos privados já tenham deitado contas à vida e percebido que - afinal! - não podem passar sem estas relações mesmo que extraconjugais, que 250 milhões de bombons não são despiciendos... portanto, entendem tarifar as consultas a 40% do preço, vejam como são doces - azedo, azedo é devolver 15% do que facturaram indevidamente.

É este um programa que aconselho aos casais que apreciam suspense... aproveitem e, já que falamos de docinhos, tentem descobrir a marca do chocolate que tem sido derretido no financiamento das greves crowdfondue, que entretanto o Supremo Tribunal Administrativo aceitou a intimação e a temperatura aumenta - chocolate a mais de 40ºC perde as qualidades nutricionais e organolépticas, vejam lá a água do banho-maria...

 

Ficaria mal num dia dado aos amores não falar dos amores que alguns jornalistas têm pela manipulação da informação - não é que o Observador faz notícia com a publicação de um email alegadamente enviado para o Ministério da Educação, cheio de erros e sem destinatário específico, a denunciar os amores que um padre, entretanto condenado, tomou pelos seus alunos num externato, e lhe dá o pomposo título "Governo ignorou denúncia contra padre do Fundão quatro anos antes da investigação da PJ"?!

Aprofundar esta matéria é o programa ideal para namorados com estômago forte - para ler sobre os abusos sexuais e para ler os abusos da imprensa. 

 

E, claro, num dia comercialmente festivo como o de hoje, não pode faltar o bom-humor, que se o amor se paga com amor já o humor não cobra taxa de juro; e há lá bom-humor que resista ao impacto comercial, que ambiental não interessa, produzido por todas as tretas desnecessárias e efémeras dadas e ofertadas por este mundo fora?  Só os aviões a atravessar as Américas carregados de rosas para os namorados norte-americanos gastaram, em 3 semanas, 114 milhões de litros de combustível. Digam lá se não são boas notícias para a indústria petrolífera - que, como sabemos, é a que faz girar o Mundo com as suas gargalhadas?

 

Perante isto, só me resta desejar-vos um Feliz Dia dos Namorados...

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imagem retirada de PolítiKaUCAB

 

A bravura de Maduro na Venezuela não é de herói mas de bravata, o cerco à morte por dentro e a ajuda humanitária que fique longe, lá longe que na Venezuela ninguém é pedinte mesmo que tenha fome. Tem medo da invasão, fecha fronteiras que, fechadas, não deixam entrar armas mas também não deixam entrar nem alimentos nem medicamentos.

 

Não deixa de ter razão, e só a terá neste parágrafo, quando diz que ninguém quis acompanhar as eleições, e por isso não têm agora o direito de dizer que as eleições não foram livres ou que os resultados não são legítimos. Excepto, talvez, o direito que há muito anseiam ter sobre o petróleo

Petróleo que abunda entre os famélicos dessa terra, onde dizem que falta tudo e agora nada entra, esmagada entre dois Presidentes: um talvez eleito e apoiado por meio mundo, e outro auto-proclamado com o ámen do outro meio - duas metades desse mundo que apenas olha as tragédias quando há mais a lucrar do que vidas...

... o que apenas inviabiliza o discurso humanista dessa gente desses tais meios mundos, que gente assim não pode ser de um Mundo inteiro.

Inviabiliza o discurso, não inviabiliza a ajuda. E menos a torna dispensável, a essa ajuda. Qualquer ajuda.

Porque os cidadãos na Venezuela precisam de ajuda. Precisam de comida, precisam de medicamentos - e precisam de paz. Precisam de saber que podem ter e dizer a sua opinião. Precisam de saber que têm o que comer. Precisam que os negócios não sejam congelados apenas porque quem os congela não gosta dos dirigentes por si eleitos. Precisam de saber que o Presidente que elegem se preocupa mais com eles do que com a cadeira que ocupa.

Os cidadãos da Venezuela precisam urgentemente que as hienas nacionais lhes deixem o sono e o poder em paz.

Os cidadãos da Venezuela precisam urgentemente que os vampiros internacionais lhes não embarguem o sorriso em troca das entranhas.

Os cidadãos da Venezuela precisam de estar na sua terra entre os seus na plena posse do que é seu, terra e ar e petróleo e decisão.

 

Os cidadãos da Venezuela não precisam de um presidente que usa as suas vidas como arma, um presidente que de Maduro apenas tem o nome, podre que está. Nem precisam de armas para uma Primavera Sul-Americana. A Árabe, sabemos, não correu nada bem.

 

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Um padre não se deveria meter na vida partidária, segundo defendem alguns também padres. Penso o mesmo, até pelo ascendente moral que um pastor tem sobre o seu rebanho.

Não significa isto que não possa tecer considerações sobre algumas políticas ou sobre as actuações de alguns políticos, mormente naquilo que considere estar em ruptura com a moral da confissão que representa. Afinal, apesar de terem vários direitos restringidos, ainda assim gozam de uma certa liberdade de expressão, e eu prezo muito tal liberdade.

Como a que goza no Observador o padre Gonçalo Portocarrero de Almada, que até lhe permitiu chamar hipócrita e fariseu a um deputado do BE que se diz católico e que defende a eutanásia. Deve ser por ser do BE, pois faz parte dos 67,9% de católicos da Grande Lisboa que admitem a eutanásia, e duvido que este padre se ponha a gritar "hipócritas" em pleno púlpito - afinal, cerca de 81% dos portugueses diziam-se católicos no último Censos... 

Chamou fariseu e hipócrita, chamou está chamado e é a sua opinião... podia relembrar-lhe, por exemplo, a veneração das estátuas de N.ª Sr.ª de Fátima quando em peregrinação, quais bezerros de ouro, mas deixo isso para os católicos dirimirem entre si. Os católicos e o tal deputado, o único nomeado em todo o texto.

Mas não se ficando por aí, "É sabido que a ética do Bloco de Esquerda deixa muito a desejar: recorde-se, entre outros, o caso do ex-vereador bloquista" diz esta sumidade em banha-da-cobra que aparentemente entrou em hibernação no final do séc. XIX e acordou hoje ao bater com os olhos na entrevista que um tal Manuel Pureza deu ao Público na véspera do Natal passado.

Sobre a falta de ética que apenas vê no Bloco de Esquerda, deixo para os bloquistas ou para quem se quiser dar ao trabalho de comprar um jornal para o pobre padre ter o necessário e irrevogável banho de ética. Só vê com um olho, e aparentemente não será nenhum dos ramelosos, mas isso é com o triunvirato.

 

Mas um padre que num texto publicado escreve "Na Igreja católica, em que o formalismo da lei judaica deu lugar a uma moralidade mais verdadeira e racional, não existe o conceito de impureza legal." ou "Assim, por exemplo, um fiel que pertença a um partido político de extrema-esquerda, ou nacional-socialista, está, por professar alguma dessas ideologias ateias, impossibilitado de receber a comunhão eucarística" está mesmo a pedir para ser expulso do Templo, vendilhão que é...

... e ainda dizem que não há extremismo religioso em Portugal!

Embora eu, democrata militante, pasme sobremaneira perante a sua análise "O mesmo deputado ‘católico’ não tem, pelos vistos, muita consideração pela vontade do povo, democraticamente expressa pelo voto dos seus representantes", isto assim escrito com todo o descaramento de quem só esteve hibernado para o que lhe deu jeito e não viu a imposição de disciplina de voto por parte de alguns partidos - disciplina essa que é tudo menos democrática. Um luxo de contradições, tal verborreia, e pena tenho de me estar a dar o sono...

Ateia e não bloquista que sou, confesso que fiquei muito enojada com o extremismo e com a hipocrisia que o texto deste indivíduo exsuda. Texto que me surgiu perante os olhos enquanto buscava matéria para um  outro postal, vejam bem a minha sorte e o vosso azar... Enfim, são estes pastores de homens assim hipocritamente armados em políticos que me fazem gostar de Henrique VIII.

E apenas tornam mais sólida a admiração por Francisco, fadado que está a aturar tais gentes que assim ignoram os cristãos desígnios de bom entendimento entre os homens e os povos.

 

Nota: As citações têm negrito para sublinhar os pontos que me pareceram impertinentes no texto - e por isso pertinentes para o postal. O original está imaculadamente branqueado, quero dizer, sem qualquer negrito.

 

 

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Portugal a todo o vapor

por Sarin, em 08.02.19

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imagem retirada do altoastral

 

I

Num teste de inglês do 11º ano de um curso técnico é colocada uma pergunta, cujo objectivo é levar os alunos a identificar quais os acessórios de moda que são usados por homens, por mulheres ou por ambos. Um aluno responde que todos são usados por todos. A professora considera errado. O aluno argumenta em favor das suas respostas. A professora ameaça o aluno com falta disciplinar se insistir em discutir a matéria.

Foi na disciplina de inglês, mas até podia ser na de romanche ou de latim, que para o caso tanto dá... que em testes sejam colocadas questões que dependem exclusivamente de opinião pessoal, já é abusivo; mas absolutamente desconcertante é o entendimento que a professora tem do que pode ou não pode motivar uma falta disciplinar - aparentemente, discordar da opinião do professor é suficiente.

O meu avô contou-me várias vezes a história da reguada que apanhou por ter corrigido o professor em 1930. E lembro-me do sangue que em 1979 saltou do lábio de um colega ao dizer à professora que não conhecia a capital do país. Nem era não saber qual era a capital, mas o Paulo Renato não conhecia, nunca tinha ido a Lisboa e ficava maravilhado quando eu lhe contava do vento dos aviões ou do cheiro dos hipopótamos ou dos carros na Rotunda do Relógio... 

II

No Parlamento o BE, o PAN e o PCP levaram a votação projectos de resolução para a abolição de portagens nalgumas das vias mais estruturantes do país, das quais destaco a A22 (Via do Infante), a A23 (Estrada da Beira Interior), a A25 (IP5, a principal ligação rodoviária a Espanha e ao resto da Europa) e a A24 (que liga Chaves à A25 atravessando todo o interior Norte). Estes projectos foram chumbados por quase todos os deputados do PS e com a abstenção de todos os deputados do PSD e do CDS-PP.

No entanto, as propostas do PSD para estudar alternativas em Aveiro e reduzir o preço das portagens entre Entroncamento e Condeixa foram aprovadas e baixaram à comissão.

Não duvido que Aveiro precisa de alternativas, e acredito que os preços na A13 não sejam atractivos (os da A19, construída para desviar o trânsito do Mosteiro da Batalha, também não são, acreditem!) mas Aveiro tem várias auto-estradas por perto e a A1 passa em Torres Novas, Fátima, Coimbra. As auto-estradas cujas portagens não preocupam nem PSD nem CDS e que o PS quer manter porque, como alvitrou o deputado Ricardo Bexiga , apesar de reconhecerem “os impactos negativos para alguns”, como é que estas infra-estruturas seriam sustentadas se as portagens fossem abolidas?, não têm alternativas que não sejam conhecidas como estradas da morte. Apesar da Estrada da Morte.

Lembro-me de quando auto-estradas em Portugal significava A1, um pedacito de estrada larga só num sentido (no outro também!) entre a Rotunda do Relógio e Vila-Franca e mais tarde Aveiras, a Ponderosa a ser trocada pelo Pôr-do-Sol... sim, havia um pedacinho de A1 lá pelo Porto, mas quase nem dava para acelerar, o que eram 10 quilómetros comparados com 45 quilómetros seguidos... Agora auto-estradas significa dinheiro em caixa, mas só naqueles sítios onde não há alternativa.

III

O direito à greve surgiu em Portugal após o 25 de Abril, estando consagrado no artigo 57º da nossa Constituição e bem definido no Código do Trabalho.

O crowdfunding, ou financiamento colaborativo, é a antiga vaquinha, mas agora recorrendo a tecnologias modernas e não ao boné. Torna indistinta a contribuição de cada um, e garante o anonimato.

As sucessivas greves dos enfermeiros, justas nas reivindicações, estão a ser financiadas pelo financiamento colaborativo, uma forma criativa de tornear a regra "A greve suspende o contrato de trabalho de trabalhador aderente, incluindo o direito à retribuição". Uma subversão da lei, que acaba por tornar injusta uma greve com reivindicações justas. E bastante suspeita pois não se conhece a origem do dinheiro, o qual não chegou aos 100.000€ para os incêndios entre 2017 (Pedrógão) e 2018 (Monchique), mas já passa os 750.000€ para estas greves cirúrgicas que começaram em Novembro. Temo que os enfermeiros estejam a ser conduzidos que nem ovelhas por interesses obscuros que (ab)usam as suas justíssimas reivindicações. Tal como no Estado Novo o voto.

 

 

Tudo isto tresanda a naftalina. A atraso.

Está bem para um país que insiste em usar máquina a vapor.

 

 

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A saúde de Trump

por Sarin, em 06.02.19

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Tento não dar grande projecção ao que diz este senhor.

Mas desta feita rendo-me e publicito: 500 milhões de dólares para a busca de novas terapias para os cancros infantis. Que bom! Isto porque, no seu entender, "há décadas que não surge nenhuma nova terapia". Não necessariamente por não serem investigadas, but who cares perante 500M$?!

 

Mas fará mais, irá baixar o preço dos medicamentos.

Como sabemos, há muitas pesquisas que começam por ser uma coisa e depois passam a outra; há aquela história de ao fim de uns anos os medicamentos perderem as patentes; e há aquela coincidência de tudo isto envolver apenas e só as farmacêuticas que fazem contratos com o governo americano. Tudo coincidências, certamente. 

 

De uma assentada que prevê para 10 anos, combaterá também "a epidemia de VIH nos EUA e no Mundo", o que será excelente.

Principalmente depois de se saber que o famoso "paciente 0" americano não o foi, e que a importação do vírus se deu numa altura em que os EUA importavam vários produtos de sangue do Haiti. E de se saber que milícias paramilitares sul-africanas com ligações ao regime e à CIA (e ao MI5) espalhavam intencionalmente o VIH pelos negros sul-africanos e moçambicanos.

Muito importante tal combate, Mister President, e louvo tal desígnio universal independentemente do que dizem.

É que dizem algumas más-línguas que terá sido por este programa de combate que Trump combateu o Medicaid. E, claro, erradicando o VIH deixará de ser necessário exigir às suas meninas que façam o teste. Grab them by the pussy, but no test no fun.

 

É com muita alegria que vejo as preocupações de Trump com a saúde, e especialmente com as crianças. 500 Milhões de dólares é muito dinheiro. Dariam para construir 1/12 avos do seu bem-amado muro.

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O Instituto Nacional de Emergência Médica disponibiliza viaturas, enfermeiros e médicos para situações de emergência médica. De acidentes de viação em plena cidade a paragens cardio-respiratórias em locais ermos, os recursos do INEM a todas as emergências tentam responder.

 

A instituição poderá ter por vezes maus presidentes,  ou maus e  muito maus funcionários, debate-se com a inoperacionalidade de recursos por questões burocráticas ou por questões técnicas, ao que acrescem as limitações decorrentes de a Banca e alguns indivíduos viverem acima das nossas possibilidades.

 

Ainda assim, defendo que os serviços de emergência devem ser gratuitos, suportados por nós, sim, mas via impostos e taxação de produtos e serviços que não o prestado.

Da mesma maneira, defendo que quem, por acto intencional ou com desrespeito de regras e sinalética, se coloca em perigo e obriga à intervenção destes serviços deve suportar os custos integrais dos mesmos, sem prejuízo de indemnizações e eventuais acusações criminais - por desvio de recursos que, limitados, poderão ser necessários junto de quem é vítima sem intenção.

Não defendo, de todo, que se deixe alguém sem assistência, ou que se hierarquize a emergência pela intencionalidade - a qual necessita de contexto e apuramento, e não se pode basear numa "impressão", numa leitura momentânea que alguém, testemunha médico polícia ou jornalista, possa fazer.

Não sei se haverá moldura penal para estas situações, mas espero que sim. A penalizar todos os usos abusivos. Sejam turistas que se chegam às falésias, sejam condutores sob o efeito de substâncias psicotrópicas ou que declaradamente alteram os reflexos e a atenção, sejam transeuntes que atravessam vias fora das passadeiras por desleixo, sejam patrões que não respeitam regras de segurança no uso de equipamentos...

... e, acima de tudo, que penalize fortemente os indivíduos que não se colocam em risco mas que colocam outros em risco porque desviam recursos por diversão. Em 2018 foram, apenas, 7500 as vezes que as viaturas do INEM acorreram às mais de 20000 chamadas falsas que passaram na primeira triagem, feita pela PSP.

Chamadas falsas, não chamadas indevidas.

As chamadaa indevidas devem-se, aparentemente, aos cidadãos que desconhecem a diferença entre doença, para a qual existe a Linha Saúde 24, e emergência médica, o 112 - onde serão triadas, dentro do possível, as emergências que podem ser assistidas por socorristas e aquelas que exigem presença de médicos ou/e enfermeiros.

As falsas devem-se, sem dúvida, a cidadãos que desmerecem a cidadania. A imbecis, que pelo visto emergem todos os dias.

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CSM, mais tarde que cedo

por Sarin, em 30.01.19

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Os juízes

são independentes.

 

O Conselho Superior da Magistratura

CSM

é o regulador dos juízes.

 

O CSM diz

que não se pode meter

nos assuntos jurisdicionais. 

Só após queixa.

 

O CSM

assume uma posição.

 

Alguns juízes

têm medo

de perder a independência.

Ou talvez o poder.

 

O tempo passa.

passa.

passa.

E continua a passar.

 

Finalmente,

no CSM

perdem o medo

ou ganham vergonha.

Mas nem todos...

 

Afinal,

o juiz Neto Moura

talvez escape:

Questão de tempo.

 

 

O tempo é como a roleta:

geralmente

sai a favor da casa.

 

 

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Do Reno. Ou do Tejo.

por Sarin, em 22.01.19

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Cataratas do Reno, Neuhausen, Suíça

(foto retirada do Turismo da Suíca

 

 

O rio Reno é alpino e nasce neutro, nos Grisões suíços. Desce a montanha e sobe a Europa, ansiando morrer no Mar do Norte, frio como nasceu e talvez por isso enrolado no Mosa, que mais frio não haverá do que frio morrer sozinho.

No caminho, leva a memória dos países que banha e lava das terras a mancha das muitas batalhas que nele sangraram, desde os romanos caídos pela Fronteira Norte do Império aos soldados que finaram na Operação Market Garden - porque o Reno nasce neutro mas só depois da Segunda Guerra Mundial assim o deixam morrer. 

 

E se em todos estes séculos todos os dias o Reno nasceu a Sul e morreu a Norte, num ciclo perfeito de água velha rechovida, parece que agora todos os dias morre assim mas morre mais um pouco em cada gota: o Reno está a secar.

As notícias vão dizendo, nos últimos anos, que o Reno recupera lentamente, que o Reno está com o mais baixo nível de água, que a Economia está ameaçada pela baixa de caudal no Reno...

... e o Tejo? E o Douro, o Guadiana, o Mondego, o Sado?

A gestão dos riscos climáticos continua a ser preocupação apenas de alguns no Mundo. Pelo Mundo.

E, em Portugal, a gestão da água continua a ser uma coisa que vai e vem. Como a chuva.

 

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É exactamente isso que alguns bloguistas, incluindo eu, nos propomos: provar que apenas a inércia tem resultado certo. Em grupo, num blogue colectivo, queremos falar, debater, questionar as bases do País em que vivemos.

[Dito assim, "as bases", quase parece conversa partidária... mas não. Nada a ver. Nada mesmo nada! Explico melhor:]

Com o projecto Rasurando queremos discutir o Regime, o Estado, o Sistema Eleitoral, a Cidadania, Portugal e a Europa. Sem objectivos partidários. Mas com muita vontade de perceber o Estado que somos e vivemos e quais as falhas que lhe detectamos, quais os pontos fortes que nos fazem dizer que vale a pena.

Desejamos questionar e debater e levar os nossos leitores a, também eles, questionarem e ponderarem o que e como dizem, exigem, votam. Pretendemos desenvolver em nós e nos que nos são próximos o hábito de avaliar, de não aceitar ou de não rejeitar porque sim porque é hábito porque os outros. Não apenas na hora de votar, mas também ao exigir, ao manifestar opinião ou ao manifestar-se de cartaz na mão - ou de colete às costas, pronto...

Pessoalmente, sei que não vou mudar a forma que os nossos governantes usam para fazer política - mas quero mudar a forma que eu, cidadã, tenho de olhar a política. Quero alterar o verbo: quero ver fazer política, não quero apenas assistir ao que fazem os nossos governantes. Se conseguir levar-vos também a questionarem o vosso olhar, melhor para todos nós. Talvez que, se formos alguns, alguns dos nosso governantes percebam que podem ajustar, ou mesmo mudar drasticamente, algumas posturas. Muitas. Muitos.

Com este projecto, este desafio, procuro mais ideias do que soluções. Porque não há soluções sem diagnóstico, e se alguém disser que sim estará a vender banha da cobra. Não duvidem! Até pode funcionar ao início, afinal a banha amacia a pele e até diminui o atrito nas rodas dentadas se não estiver frio... mas é temporário. Como a casa de palha do porquinho mandrião. Como tantas decisões políticas que vemos e recordamos, de ontem como de há 40 anos.

Assim como não se pode construir uma casa pelo telhado. Mesmo que seja de palha, tem de se apoiar em estacas no solo firme, e quanto mais fundas mais estável. Como as políticas, precisa de estrutura. E é essa estrutura que me interessa perceber, discutir, diagnosticar. Na política, onde tantas vezes olhamos a palha que acoberta porquinhos e lobos maus.

Portanto, vou tentar os diagnósticos que me forem possíveis na companhia dos colegas da blogosfera Eduardo Louro, do Quinta EmendaGaffe, do A Gaffe e as avenidasJúlio Farinha, do oraviva, Mami, do mami, naomedeemouvidos, do Não me dêem ouvidos, e Pedro Vorph, do Blogue de Alterne. Que, como eu, procuram respostas. E que, como eu, acreditam que como cidadãos podemos fazer mais do que apenas dizer mal, sem termos forçosamente de nos envolver em aparelhos partidários. Uma pessoa de cada vez. Ah, sim, somos um grupo e todos os grupos merecem um nome; Opus Grei é o nosso.

 

Como todos os desafios são mais fáceis quando temos apoio, conto, ou melhor, contamos convosco para nos apoiarem - na discussão e na reflexão, no debate.

Temos espaço para questionar, reflectir, partilhar ideias no blogue Rasurando. Cujo caminho vos será desvendado ao clicarem no ícone que encerra este postal.

Como encerrará, aliás, todos os postais publicados nos blogues individuais no âmbito de tal projecto. Nos meus, e nos dos colegas mencionados. Portanto, quando virem este logótipo em algum postal já sabem: há nova discussão no Rasurando. Que terá as discussões sempre abertas a quem aparecer sem propaganda.

Espero encontrar-vos também por lá. A partir de hoje.

 

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Obrigada por estar aqui.




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