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Uma velha irritação

Temos de escolher

por Sarin, em 14.10.19

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Já o havia defendido, inclusivamente  aqui: a manipulação da opinião pública é fácil e bastam algumas palavras criteriosamente escolhidas pela Comunicação Social para aniquilar a credibilidade de alguém.

No caso, mais uma vez o caso, do juiz Ivo Rosa. 

Não sei se tem interesses partidários ou apenas faz uma leitura coerente da letra da Lei. Se tem interesses partidários, como tantos jornalistas e opinantes gostam de insinuar, gostaria de os ver noticiados como factos, não como insidiosos verbos  colados em notícias e destinados a manipular grosseiramente a opinião dos mais distraídos. Esta é apenas mais uma dessas manipulações: Juiz Ivo Rosa tentou proteger Polícia Militar no caso de Tancos

Tentou proteger? Esta afirmação indica intencionalidade. Portanto, ao jornalista do Eco que não assina esta peça ficaria muito bem explicar o que lhe permitiu inferir a intencionalidade. Porque o que escreve apenas permite a leitura de que o juiz Ivo Rosa recusou o pedido de acesso aos registos de comunicações de quatro antenas por estes serem demasiado abrangentes e isso violar a privacidade dos outros utentes dessas antenas. Sim, o pedido incluiu os registos de todas as comunicações das antenas do Montijo, da Golegã, do Entroncamento e de Torres Novas - incluindo as nossas, particulares - porque a chamada anónima foi feita de uma dessas antenas.

O Tribunal da Relação de Lisboa lá terá entendido que o caso merecia, e por isso todas, e repito todas, as comunicações efectuadas foram e serão desenroladas perante os olhos dos inspectores - e com mais motivo do que o apresentado pelo jornalista para atacar o juiz, eu questiono a segurança de tais dados. Porque os registos das chamadas foram colocados ao alcance de quem lhes deitar a mão. Quem me garante que os registos apenas são lidos pelos investigadores? E a sua distribuição, a sua duplicação, os circuitos que percorrem - quem garante a sua estanquicidade? Quem garante que não passa nos olhos de alguém que reconhece os números de particulares e que não usará tal informação para outros fins?

As minhas chamadas poderiam perfeitamente estar naquela lista, sem que eu tenha rigorosamente nada a ver com o assunto. As minhas e as vossas. E eu não abdico do meu direito à privacidade. Não adianta virem com o ditado "Quem não deve não teme": a Constituição da República Portuguesa tem um artigo que garante o direito à reserva da vida privada. E eu gosto muito da minha.

Sim, a Lei tem uma série de mecanismos que por vezes beneficiam os infractores - mas estes mecanismos existem para beneficiar os inocentes. Nós. Falta acertar nas regras que inviabilizem o seu uso pelos infractores - não se conseguirá tal restrição restringindo-nos os direitos a todos por igual, mas até acertarem é o que temos. E o juiz Ivo Rosa provavelmente não quis tomar sozinho tal decisão. Eu, no lugar dele, sei que não quereria.

Portanto, percebo perfeitamente a reserva e a recusa - ou o Regulamento Geral de Protecção de Dados só existe para passar multas e a preocupação constitucional com a privacidade só funciona para gente com nome sonante?

Talvez se a área fosse mais circunscrita o juiz tivesse deferido o pedido? Mas não, colocar a questão nestes termos não seria tão apelativo para os jornais.

 

Assusto-me com a ligeireza das notícias e a facilidade com que se atacam os carácteres de tudo e todos. E assusto-me porque tal ligeireza cresce na agenda de alguns, sim, mas sobretudo alimenta-se do desconhecimento da sociedade. Que, inerte e modorrenta, come as notícias como lhas dão. E assim as regurgita, sem sequer as digerir e assimilar.

Qual o limite dos ataques na Comunicação Social? Até onde pode seguir a impunidade de quem se diz contrapoder e faz jogos de poder em vez de escrutinar? 

Mais, até onde continuaremos a ser coniventes com esta dualidade de critérios? E de que direitos estaremos dispostos a abdicar em prol das investigações àquilo que nos revolta ou prejudica? 

Pensemos nisto, porque não podemos "ter sol na eira e chuva no nabal". É assim que surgem as inundações extremistas e as secas sociais.

 

imagem: microscópio de Oswaldo Cruz, via FIOCRUZ

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lançado às 13:28

Companhia Nacional de Bailado solidária

Um pequeno contributo para quem faz muito - a favor da Fundação Portuguesa de Cardiologia

por Sarin, em 08.10.19

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Não sou de Lisboa. Não vivo em Lisboa. Nunca quis viver em Lisboa.

Mas há dias em que o lamento.

O dia 9 de Outubro será um desses dias.

Porque a Companhia Nacional de Bailado abrirá à solidariedade as portas do Teatro Camões, no Parque das Nações. Será um Ensaio Geral do espectáculo "Hans van Manen". E um ensaio geral é uma espécie de ante-estreia, um ensaio com tudo no lugar: fatos orquestra bailarinos cenários... e, no caso, espectadores. Que, doando um mínimo de 12€ à Fundação Portuguesa de Cardiologia, poderão assistir a um ensaio que é um espectáculo. Leiam este "espectáculo" como nome e como adjectivo - é ambos, ou não falássemos da CNB a dançar coreografias de van Manen. Sim, a nossa Companhia Nacional de Bailado, que tem bailarinos nacionais galardoados lá fora e que tem bailarinos estrangeiros galardoados lá fora que se sentem em casa entre nós. Recordem estas estrelas.

Suponho não ser necessário apresentar a bem conhecida Fundação Portuguesa de Cardiologia. Mas nunca é demasiado salientar a importância das suas acções de prevenção e rastreio das doenças cardiovasculares, a primeira causa de morte em Portugal. Será sempre bom recordar a importância do seu trabalho no tratamento e reabilitação de doentes, porque a doença pode matar, sim, mas há quem ensine a controlá-la e a viver com ela. A viver apesar dela.

E nunca será demasiado o apoio que damos a estas gentes, a estas pessoas, a estas causas.

Poderão encontrar pormenores no sítio da FPC, acima ligado, ou na sua página do Facebook.

 

Para não haver dúvidas quanto ao teor deste postal, informo que nada tenho a ver com a Fundação Portuguesa de Cardiologia - mas pediram-me a divulgação, e eu não poderia recusar. Nem quereria. Porque gosto de bailado e gosto da CNB. Porque sei o que é o trabalho sem fins lucrativos e aprecio o esforço da FPC. E porque a Saúde Pública é também responsabilidade minha. Porque me afecta, porque a afecto. Por isso escrevo este postal, e por isso vos agradeço terem-no lido sabendo ao que vinham.

 

Aos que puderem contribuir mesmo não indo, tenho a certeza de que a Fundação agradece a vossa ajuda. Eu sei que agradeço.

Aos que puderem ir, saibam que não vos invejo. Mas pudesse eu e trocaria de lugar convosco num ápice! Se tiverem pena de mim, venham contar como foi. Ou, vá, escrevam um postal.

 

Deixo-vos um relance de Hans van Manen. Os créditos estão todos no filme.

 

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lançado às 15:10

Porque amanhã é dia de eleições

Pensemos bem

por Sarin, em 05.10.19

E não esqueçamos que a abstenção é isto!

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lançado às 13:30

Porque hoje é dia de Reflexão

O reflexo de algumas das propostas

por Sarin, em 05.10.19

 

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lançado às 13:10

Porque hoje é dia de reflexão

O reflexo de alguns candidatos

por Sarin, em 05.10.19

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lançado às 13:10

Obrigada por estar aqui.




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