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Sobre o Ambiente e as Legislativas 2019

E outras considerações em 5 Actos

por Sarin, em 03.10.19

B22.jpg

Acto I - Uma notícia interessante

De passagem, ouvi no Jornal da Noite aquilo que supus ser uma notícia interessante, e que verificaria ser interessante mas por outro motivo.

Um grupo de cidadãos teve e concretizou a ideia de comparar os programas dos vários partidos no que respeita às propostas ambientais. Mentalmente aplaudi - em Julho propus-me fazer uma comparação dos programas até às eleições e à data de hoje só consegui começar... [ainda não havia perdido a esperança, à hora que comecei este postal no telemóvel - assim que terminou a tal notícia; e a madrugada de amanhã prometia ser longa. Mas, no entretanto, descobri que talvez seja desnecessária, e já explicarei porquê. Primeiro, a notícia interessante.] Assim, não será de estranhar que tenha ficado muito agradada por outros terem tido a mesma ideia e lhe terem dado forma.

Não sei exactamente o que fizeram os tais cidadãos, mas a notícia apresentou-me um simpático biomédico que, em vez de propostas, me apresentou estatísticas. Estatísticas! 

Fiquei a saber que o PAN é o partido que mais propostas ambientais apresenta no seu programa eleitoral e o CDS o que menos espaço lhes dedica. Também fiquei sabedora de que, das propostas apresentadas, o BE é o que tem mais alta percentagem de medidas concretas e o CDS consegue a proeza do 0%.

Foi, de facto, uma notícia muito interessante. Porque, sendo notícia, na verdade nada noticiou. Repito, nada noticiou. A menos que se considere notícia o facto de um grupo de cidadãos ter tratado estatisticamente as propostas ambientais dos partidos que concorrem nestas legislativas. Está bem... mas não.

Vejamos: de que vale tal estatística? Qual é a informação que se retira daqui, e qual a sua pertinência?

Sem conhecermos as propostas,

Sem conhecermos os critérios de avaliação das "medidas concretas",

Sem percebermos como se integram as "propostas com medidas concretas" noutras propostas com medidas concretas sobre emprego, saúde, segurança, enfim, medidas concretas que interferem no nosso quotidiano e que, afinal, acabam por nos ser quase tão essenciais como o O2, o CO2 e a H2O,

... apenas ficamos a saber que o CDS não concretizou objectivos nesta matéria - o que não invalida que as suas propostas noutras matérias influenciem o ambiente;

... apenas ficamos a saber que o PAN produz muitas propostas na matéria - o que não significa que, em termos de efeitos objectivos, não valham exactamente o mesmo que as propostas apresentadas pelo CDS;

... apenas ficamos a saber que o BE é o mais eficaz a traduzir políticas em medidas - e continua a não obstar a que valham exactamente o mesmo que as do CDS e as do PAN.

 

Acto II - Um excelente e mui louvável acto de cidadania

Reparem que não teci a apologia de qualquer partido - não é esse o meu objectivo com este postal. Até aqui, apenas pretendo demonstrar como se pode usar a estatística para enfatizar uma imagem de absolutamente nada. Porque, e notem que também não analisei nenhuma proposta, olhando assim de repente, caramba, o CDS estaria mesmo em maus lençóis e o BE muito à-frente nesta coisa do Ambiente!

Mas, e conforme disse no início, é importante comparar as várias propostas dos vários partidos. Como me tinha proposto fazer. E como descobri (através do Shifter) que já houve quem o tenha feito, poupando-me assim a noitada que previa para amanhã. Houve quem o tenha feito, e fê-lo de forma excelente: por temas e por partidos, permitindo até comparação entre dois partidos de cada vez.

Gostei muito do Legislativas 2019, um projecto de dois estudantes que se traduz num magnífico exercício de cidadania pois, além de lhes ter permitido perceber os programas de 9 partidos (explicam muito bem porque não apresentam de todos), faculta aos seus concidadãos uma consulta simples e exaustiva mas não esgotante da paciência de cada um. [minha querida Não me dêem ouvidos, falavas do número de páginas? Pois neste sítio não teremos tal problema] 

Fiquei adepta deste sítio, Legislativas 2019e lamento só o ter descoberto hoje. Espero que na Comissão Nacional de Eleições ou na Assembleia da República alguém se lembre de financiar este tipo de projectos, para que os objectivos possam ser ampliados, os cidadãos mais bem esclarecidos - e os seus criadores reconhecidos pelo trabalho desenvolvido. Vale o que vale, mas pelo menos o agradecimento público desta desconhecida terão: Francisco Campaniço e  Pedro Leal, obrigada por me terem permitido usufruir do vosso trabalho.

 

Acto III - Ilustração: análise de algumas propostas 

Particularmente, duvido que o CDS tenha alguma medida que contribua efectivamente para melhorar a gestão dos recursos naturais, a diminuição da produção de resíduos e a sua gestão, a sustentabilidade das explorações agrícola florestal fluvial marítima, em suma, qualquer coisa no âmbito da sustentabilidade e responsabilidade ambiental, mas essa é uma questão minha: porque estas são-me abordagens pertinentes, porque a dúvida resulta da minha análise às intervenções do CDS-PP nos últimos 20 anos, incluindo os ministérios de Assunção Cristas e de Paulo Portas; e porque a mesma dúvida se desfaz na depuração das propostas apresentadas por este partido: "Criação de planos de bonificação às famílias que lograrem reduzir o seu consumo energético, como Eco-cards, cartões de pontos que permitam incentivar comportamento ambientais relevantes" assemelha-se à minha proposta do Voto Sortudo, inspirada na Factura da Sorte nascida no governo PSD-CDS, portanto qualquer semelhança não é, de todo, coincidência... e falamos de todas as fontes de energia? E ao Ambiente, isto fará o quê exactamente? Mas a algumas empresas fará muito bem, e as famílias gostam de sorteios. "Garantir o uso eficaz dos fundos comunitários e efetuar os pagamentos de forma atempada e previsível, quer os destinados a apoiar o rendimento dos agricultores, exclusivamente financiados pela UE, quer os de apoio ao investimento, concentração da oferta e rejuvenescimento do setor agrícola" faz-me sorrir - o sector não precisa de rejuvenescimento, o sector agrícola precisa de políticas que não o deixem à mercê das grandes distribuidoras, das grandes farmacêuticas, dos grandes exploradores de intensivo, que não o afoguem em exigências absurdas, que lhe reconheçam a especificidade e a dificuldade por ser constituído maioritariamente por micro-empresas que garantem a biodiversidade e a manutenção dos terrenos - e que não são remuneradas por isso. Mas falar em financiamento é mais fácil e talvez dê mais votos. 

Da mesma forma, não acredito nos resultados das propostas do PAN, um partido que já antes afirmei ser de causas e de políticas nanicas - aquando deste último postal espreitei-lhes os projectos submetidos e verifiquei que mais de metade dos entrados neste ciclo legislativo haviam sido dedicados, àquela data, a proibições e obrigações, o que não me dá grande confiança nas medidas que possam apresentar. Porque prefiro incentivar do que proibir, mas não vejo grandes incentivos por parte do PAN. E algumas propostas, que não proibições, até serão interessantes - algumas; outras são muito bonitas mas não passam disso, "Interditar o uso de herbicidas sintéticos na limpeza urbana" será meritório mas nas pequenas cidades e vilas e aldeias as vivazes nascem entre o empedrado como areia na praia, arrancá-las é contraproducente e aplicar-lhes herbicidas biológicos é gastar água; e outras assemelham-se a crença, "Proibir a produção e o cultivo comercial de Organismos Geneticamente Modificados" porquê? Os OGM podem ser maus e podem ser muito bons, seria importante perceber a causa desta proibição. Enfim, o PAN tem algumas propostas interessantes, mas continua com a tónica no proibir ao abordar uma das suas áreas de maior intervenção, o Ambiente.

O BE tem várias propostas semelhantes ao PAN, mas tem outras que se me afiguram mais coerentes, embora algumas me deixem em dúvida quanto ao exacto objectivo: "Certificação obrigatória de coleta e tratamento de resíduos poluentes de todas as unidades de produção animal e agroflorestais" ? Certificação? Antes de exigir certificações que oneram o agricultor,  talvez seja importante garantir que as ETAR (estações de tratamento de águas residuais) existentes funcionam devidamente e que são em número suficiente para as necessidades produtivas, talvez se possa repensar a gestão de resíduos e as respectivas entidades gestoras - enfim, pensar em fornecer condições antes de exigir consequências. A "Criação da rede de infraestruturas ecológicas de qualidade, para reduzir o consumo de pesticidas, adubos, energia e água" é notável, mas quererão tentar de novo o emparcelamento (e desta vez sem os fundos da CEE que Cavaco desbaratou) e tentarão dinamizar as Organizações de Produtores, enquanto por outro lado propõem o "Fim de apoios públicos nacionais e comunitários a novas explorações agro-florestais e pecuárias intensivas e superintensivas, bem como às produções existentes que não iniciem o processo de transição ecológica"? Se sim, é bom que incentivem a tal "Rede nacional de hortas urbanas acessíveis em cada município", porque algumas das propostas que apresentam parecem-me ser pouco sustentáveis quando penso no défice nacional da produção agro-alimentar. Pelo menos eu não consigo preocupar-me com o Ambiente e despreocupar-me da alimentação e da sobrevivência dos meus semelhantes. Consigo ver aplicação para quase todas as medidas propostas pelo BE - mas não certamente numa legislatura, até porque algumas apenas podem ser aplicadas após atingidos os objectivos e metas de outras - e falamos de solos, de alimentos, de trabalho. É aqui que a coerência perde para a inconsistência, em matéria de Ambiente. Talvez uma passada maior do que a perna, como se usa dizer. E faz muita diferença, pois as propostas devem ser exequíveis.

Nota: as citações são textuais, por isso e apenas por isso obedecem ao AO90. Eu continuo profundamente desobediente.

 

Acto IV - Explicação da análise

Gostaria de frisar que exponho a minha opinião sobre algumas das propostas destes partidos não como tentativa de influenciar o voto de quem me lê mas como explicação de como propostas interessantes podem estar armadilhadas contra os princípios e objectivos que cada um de nós defende - relembro que enumerei os meus algures no primeiro parágrafo da terceira parte. A verde. E fui acrescentando mais um ou outro objectivo eleitoral. Meu. Portanto, a análise foi feita à luz desses meus objectivos.

Detive-me também nestes três partidos porque foi essencialmente sobre estes que a tal notícia se debruçou. 

Finalmente, recordo que o Ambiente é apenas um de muitos temas constantes das propostas.

 

Acto V - Votar

Votar é um direito, não votar é apenas uma opção. Todos os votos são válidos, mas exercer a cidadania passa também por votar em consciência e passa por votar detendo a informação que entendermos relevante.

Sinceramente, desejo que que quem me lê forme opinião informando-se e vote o melhor que conseguir.

 

Relembrando que já não há número de eleitor e que as mesas se organizam por ordem alfabética,

Para saber qual a mesa de voto basta enviar uma SMS para o 3838, começando por RE, seguido do número de Cartão de Cidadão e a Data de Nascimento, esta no formato [ano mês dia] e sem espaço. Assim:

RE CCCCCCCC AAAAMMDD

 

 

Imagem de Chema Madoz

 

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

Autoria e outros dados (tags, etc)

lançado às 03:55

Onde ideias-desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor.


Obrigada por estar aqui.



44 comentários

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De Ricardo Nobre a 03.10.2019 às 07:45

Não tenho nada a dizer de concreto sobre as questões ambientais defendidas pelos partidos, mas não queria deixar de expressar a satisfação por poder ter lido uma apreciação tão bem feita do que está em causa nesse tópico.
O problema está no futuro, quando os partidos já estiverem sentadinhos no parlamento (os que não faltarem), a palrar, a dormir, a jogar no computador ou a a arranjar as unhas: passar as propostas à letra da lei, em particular estas, que colidem com uma realidade comportamentalmente adversa (e aqui a Greta ajuda), em busca das «políticas que não o deixem à mercê das grandes distribuidoras, das grandes farmacêuticas, dos grandes exploradores de intensivo, que não o afoguem em exigências absurdas, que lhe reconheçam a especificidade e a dificuldade por ser constituído maioritariamente por micro-empresas que garantem a biodiversidade e a manutenção dos terrenos».
Só um aparte muito rápido (daqueles que temos com a vizinha no patamar das escadas): alguns partidos também têm o acordo ortográfico no programa. Nos que o querem rever estão CDS e PSD — os mesmos partidos que estiveram no governo a seguir ao desastre ter começado (o CDS teve até Paulo Portas nas Necessidades, onde agora está um pró-acordista que não aceita — apesar dos fumos democráticos — que o assunto seja discutido).
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De Sarin a 03.10.2019 às 10:45

Obrigada, Ricardo.
Evitei fazer uma avaliação exaustiva, e não pretendi avaliar os partidos, antes chamar a atenção para a falácia que pode ser avaliar partidos pelas estatísticas ou pelas propostas ambientais (ou outras) sem analisar as mesmas à luz de outras políticas, sem pensar no como influenciarão, condicionarão, outras questões.
Espero que assim o leiam.
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De Sarin a 03.10.2019 às 10:48

O acordo é importante, mas ainda não cheguei lá :)
Obrigada pelo alerta. É sempre giro ver alguém propor-se a fazer  o que nem sequer tentou, ou o contrário do que defendeu,  quando lá esteve...
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De Ricardo Nobre a 03.10.2019 às 19:27

O jornalista Nuno Pacheco já fez a revisão da matéria.
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De Sarin a 03.10.2019 às 20:00

Uma excelente revisão!
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De Ricardo Nobre a 03.10.2019 às 20:25

O tipo de revisão que os jornalistas (que se especializam a escrever sobre determinados temas) deveriam fazer.
Num comentário, alguém diz que nós, cidadãos (nada que ver com o partido homónimo), não temos tempo para verificar programas partidários. Mas os jornalistas, que gostam tanto de se anunciar como garante democrático, podiam, deviam, fazer. Nos jornais, essas coisas vêm mais ou menos explicadas, mas a maior parte das pessoas já não os lê. E a televisão e a rádio estão cheias de «casos do dia» da «campanha».
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De Sarin a 03.10.2019 às 22:37

Em poucos jornais. Porque já os há poucos.
Deixei de perceber o que é isso de "jornalistas especializados".
Claro que temos tempo para os verificar - não teremos paciência, vontade, estômago, mas são outros quinhentos :)
Cada vez mais compete aos cidadãos fazerem tal papel, o de escrutinadores.
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De Ricardo Nobre a 03.10.2019 às 23:02

Acabei de escrever a expressão «outros quinhentos» num comentário do meu blogue. Adoro!
Não disse que eram especializados, mas que se especializaram. As jornalistas do Público que escrevem sobre Educação e Cultura são exemplos de pessoas que conhecem as «pastas». E ninguém pode dizer que Carlos Cipriano não é um especialista em ferrovia!
Mas mesmo que os jornalistas nos traduzam o mundo, concordo que a nossa tarefa de cidadãos é formarmo-nos. Porque só assim agiremos e faremos escolhas mais acertadas.
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De Sarin a 03.10.2019 às 23:29

Quem se especializa, fica especializado, não? O que não significa deter mais conhecimento específico, como sabemos :))


Cidadão mal formado e mal informado é cidadão manipulado. Mesmo formado e informado é manipulável, pior quando campo virgem.
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De Ricardo Nobre a 03.10.2019 às 23:36

Digamos que frequentam o curso da especialidade, mas não lhes concederam o grau. Porque são jornalistas e não verdadeiros politólogos, economistas, linguistas…
Isto não é uma crítica. Se eu só fosse falar do que sei por ter completado o curso não abria a boca. Apenas formo ideias. Algumas vezes más, por certo.
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De Sarin a 03.10.2019 às 23:59

A Língua Portuguesa é rica, é o que temos vindo a falar. E o Ricardo saberá talvez, ou pelo menos desconfia, que uso os vários significados das palavras :D


Um dos problemas actuais é a excessiva especialização e a não formação de equipas verdadeiramente inter-disciplinares, e depois surgem os economistas que dissertam sobre política em jornais. Especialistas de um ramo que advêm especializados em várias matérias :)
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De Ricardo Nobre a 04.10.2019 às 08:22

E essa quantidade de significados permite torcer e distorcer a língua… foi mais ou menos o que tentei fazer antes de lhe dizer, como o juiz: tem razão!
Agora (voltando ao tópico do seu texto) lembrei-me (e falarei disto já porque amanhã estarei em reflexão no Rossio, junto de Sófocles) de que a juntar à leitura e análise de propostas dos programas partidários deveria estar também o seu histórico de votações. Sobre o acordo ortográfico, lembro-me de que nas últimas votações parlamentares apenas algumas pessoas do P.S. se abstiveram. É possível que os partidos da C.D.U. tenham votado contra, mas em rigor ninguém no convento de S. Bento da Saúde tem uma política de língua (nem política cultural ou educativa — porque ofertas de manuais e tablets não é política educativa, é económica). Talvez por isso seja tão mediaticamente rentável falar do roubo de armas: ninguém quer saber de uma carreira digna para os artistas ou para os professores.
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De Ricardo Nobre a 03.10.2019 às 23:10

Desde que o Campeão Português e o Investigador Português deixaram de ser publicados que só conheço o Público e o Expresso, por isso uso o termo «jornais» um bocado frouxamente.
(Não resisti à piada oitocentista.)
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De Sarin a 03.10.2019 às 23:34

Eu leio alguns mais, é sempre bom saber o que se diz a esquerdo e a direito :))
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De Ricardo Nobre a 03.10.2019 às 23:40

Também leio estrangeiros, para não esperar até dia 6 de Outubro para vir no jornal que roubaram ontem, dia 2, as cinzas do Gandhi.
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De Sarin a 04.10.2019 às 00:02

Costumo ler ingleses, norte-americanos, brasileiros, franceses e espanhóis - mas Setembro é realmente terrível, e este trouxe adicionais :))


Não sabia das cinzas do Ghandi. Mas também não sabia que eram roubáveis, supunha-as espalhadas há muito.
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De naomedeemouvidos a 03.10.2019 às 09:38

Não conhecia esse projecto, "Legislativas 2019". Obrigada. Àqueles dois estudantes, Francisco Campaniço e Pedro Leal, também. Que bom é ver que há gente que se empenha em fazer a diferença e em dar o seu contributo a favor da cidadania e da democracia.


Será impossível, para o cidadão comum, analisar todas as propostas de todos os partidos; ou, mesmo apenas dos principais. Mas, penso que estará ao alcance de qualquer pessoa que se interesse por isso analisar as propostas principais, ou, pelo menos, aquelas com que se identificará mais. 


Domingo, lá iremos a votos. 
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De Sarin a 03.10.2019 às 10:00

Exactamente, domingo lá iremos a votos. E seria bom que conseguíssemos analisar o conjunto de propostas para além da temática do Ambiente! E que ao analisarmos as propostas pensemos no seu objectivo e no como se poderão traduzir na prática.

Parece que o Ambiente e Tancos dominam as atenções, o resto um deserto imenso... 
Votemos conscientes. Mais não podemos esperar. :)
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De naomedeemouvidos a 03.10.2019 às 10:52

Um deserto imenso que interessa a todos ou a quase todos. Acho que é esse o verdadeiro drama da "nossa" democracia. Há demasiados telhados de vidro.
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De naomedeemouvidos a 03.10.2019 às 11:26

Por coincidência - parece que és bruxa...bruxinha, vá - o coordenador da "Política para Todos", está, agora mesmo, na SIC Notícias a falar sobre essa outra plataforma :))
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De Sarin a 03.10.2019 às 12:19

Sabes que não aprecio lá muito o Política para Todos desde que descobri esta? :)) São diferentes, claro, mas para os objectivos de esclarecimento sobre os programas eleitorais, esta está muito mais prática e imediata.


Se tiveres oportunidade, revê a notícia de ontem - aquilo foi tão absurdo que ainda acho que devo ter ouvido mal :s
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De naomedeemouvidos a 03.10.2019 às 12:54

Quase não ouvi notícias ontem. Assim que puder, vou espreitar.
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De naomedeemouvidos a 03.10.2019 às 19:29

Já vi. Não ouviste mal. Não há ali nada de relevante. Só não percebi bem quem é que não chegou lá, se os cidadãos, se a notícia. Falavam do "site", mas, não tive paciência para confirmar.


De qualquer forma, acredito que grande parte das pessoas não vote pelos projectos de cada partido - se calhar por isso é que há 3 ou 4, se recordo bem, que se apresentarão a eleições sem projecto. Eu gosto de espreitar as medidas que considero com mais impacto, mas, não sei se chego a mudar de ideias por isso.
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De Sarin a 03.10.2019 às 20:11

A ideia com que fiquei é que teriam sido os cidadãos a apurar as estatísticas, o que apenas me faz desconfiar de manipulação; mas sei lá, já não digo nada...


Gosto de conhecer as propostas que apresentam, mas porque estas ajudam a definir o que esperar da prestação dos partidos. Mudar é difícil pois, genericamente, apresentam propostas consonantes com os discursos e prestações anteriores - excepto os novatos e os demagogos :))
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De naomedeemouvidos a 03.10.2019 às 20:18

Não sei se concordo contigo na "consonância" de programas, discursos e prestações, mesmo genericamente. De qualquer forma, salvaguardaste os novatos e os demagogos (olha, o corrector diz-me que demagogos parece que não há). A questão que começa a inquietar-me é se, de facto, há outros.
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De Sarin a 03.10.2019 às 22:48

Não foi de qualquer forma, foi de forma ponderada ;)))


Se reparares, o discurso nunca muda 180•, vai virando. E estas rotações e a velocidade a que ocorrem também definem um padrão. É a falsa vantagem da lenta renovação dos partidos. Até dos novos.
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De naomedeemouvidos a 03.10.2019 às 23:16

E, neste caso, o movimento é perpétuo. Ou não será? 


Estou bastante curiosa com o dia depois de depois de amanhã. Aliás, com o que se lhe seguirá.
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De Sarin a 03.10.2019 às 23:38

Detesto repetir comentários, como talvez saibas.
Mas este tenho mesmo de copiar. Ou ligar :)))
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De naomedeemouvidos a 03.10.2019 às 23:53

:)))


Já tinha lido o post do Eduardo, mas não tinha visto os comentários:)
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De Rita a 03.10.2019 às 14:17

Olá Sarin,
Tens aqui um post muito interessante e fui também espreitar o Legislativas 2019 que está muito simples e completo. No entanto, e de certa forma com surpresa minha(!), já cheguei à conclusão que não voto por propostas. Embora as leia, não me condicionam. Voto para premiar ou reprovar o trabalho feito pelos partidos nos últimos anos, e surpresa também (!) para condicionar o governo com a cor de um partido minoritário que poderá ter maior representatividade. Por exemplo: o PS irá provavelmente ganhar. Neste momento as políticas que mais me interessam ver implementadas são as ambientais. Concordo mais com as propostas do Bloco, no entanto provavelmente votarei PAN simplesmente porque leva a bandeira verde enquanto o bloco leva a bandeira vermelha. Sendo o PS a governar irá estar mais alinhado com políticas verdes se vir o PAN com mais força do que se vir o Bloco com mais força, que representa além dos ambientalistas, os comunistas (nos quais também já me incluí). De resto o PAN fez um trabalho melhor na assembleia do que o Bloco, que se meteu em algumas alhadas em temas que me interessam. E no fundo, dada a natural tendência dos políticos a concretizarem apenas metade do que prometem, acho mais lógico votar pelo passado do que andar a escrutinar o que cada um promete para o futuro.
Acho muito interessante saber as razões por detrás do voto de cada um, inclusive do meu :-)
Rita
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De Sarin a 03.10.2019 às 14:29

Olá, Rita.
Eu avalio o histórico mas também as propostas - apenas 1/4 dos partidos existentes tem histórico, se fosse por aí o PAN nunca teria entrado no Parlamento.


E avalio as propostas porque estas ou têm uma base ideológica - o que me permite perceber o seu posicionamento noutras matérias, a tal forma como as medidas se interligam; ou são causas avulsas, pequeninas, e denunciam uma certa impreparação para pensar nas consequências mais latas - especificamente, emprego, saúde, segurança, educação.
Os meus representantes têm que me dizer o que pretendem e têm de me dar confiança para acreditar que me representarão em matérias que, não estando programadas, certamente surgirão.
Cada vez me afasto mais do voto útil - que apenas usei em segundas voltas de presidenciais :)
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De /i. a 03.10.2019 às 14:58

Ai as propostas... Os programas políticos dos partidos são como as bulas dos medicamentos: abragem todos os cenários mas as principais soluções para os problemas estruturais não são mencionadas e as razões para as não implementarem. 
Vou votar e sei em que partido irei "botar" a cruz.. Mas, nos últimas semanas um bocado abstraída da telenovela que se tornou a campanha eleitoral
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De Sarin a 03.10.2019 às 15:36

Se procurares encontras várias medidas estruturais... podem é ser antagónicas aos teus objectivos - ou podem ser apresentadas por partidos que não pertencem ao arco da governação. As dos partidos que já por lá passaram causam-me o mesmo riso que a do CDS de Cristas a falar do rejuvenescimento do sector agro-florestal - e foi ela Ministra, imagina o tamanho da barbaridade que diria se o não tivesse sido!
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De /i. a 03.10.2019 às 16:35

Estar, estão. Mas cumpri-las? Não há vagar... Daqui a dois anos não é? Há as eleições autárquicas. 
Estamos neste momento com o António Costa que nunca ocupou cargos de governação e com a Crista que esteve sempre na oposição... Por isso, o desinteresse por esta forma de fazer política e a claro, aquilo que tu tanto debates: a configuração do nosso sistema politico-governativo. Neste caso estamos a eleger deputados, e não o primeiro-ministro. Contudo faz-se campanha para eleger o dito cujo.
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De Sarin a 03.10.2019 às 16:51

Não se cumprem, concordo. Mas não por falta de vagar e sim por falta de peso no hemiciclo - os do arco da governação (PS, PSD e CDS) já provaram serem mais adeptos de aquecer os lugares do que as mãos, e não têm desculpa. Nenhuma! Nem sequer Rio, que poderia ter feito alguma diferença mas o saco de felídeos no PSD é composto por animais de espécies distintas - é que já nem é questão de raça! Rio é social-democrata, Passos era liberal, o próximo pode ser qualquer coisa - porque repara que o PSD pariu uma coisa política chamada Ventura que diz não ter ideologia... 


A reforma só avança quando lá dentro estiverem os suficientes para a promoverem. Por fora nada acontecerá, a única esperança é a pressão, a educação, o esclarecimento.
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De Sarin a 03.10.2019 às 15:37

Mudaste a tua imagem??? :))
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De /i. a 03.10.2019 às 17:09

Sim, mudei. Esta imagem pertencia ao antigo template do blogue. 
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De Sarin a 03.10.2019 às 17:15

Tenho que ir espreitar! Também mudaste o blogue? ESTÁS EM CAMPANHA PELOS SAPOS, É?! :)))
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De /i. a 03.10.2019 às 18:34

Não. Eu não ligo muito a essas iniciativas, andam sempre a "leste". Há um ano mudei o template por uma questão de funcionalidade. Era dos mais antigos e não estava adaptado para tablet e smartphones. Mas, mudei e nunca mais liguei e agora tenho de ver se recupero as imagens que estavam no cabeçalho do template antigo. 
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De Sarin a 03.10.2019 às 22:54

Esta iniciativa não premeia senão os que alinham - ficam a conhecer novos blogues, dão a conhecer outros blogues.


É uma brincadeira que nada tem a ver com prémios e posições mas com conhecermos blogues :)
Em 2018 descobri os Sapos já depois de as nomeações terem fechado, mas diverti-me a conhecer os nomeados - nem imaginava que existissem blogues sobre temas tão variados :)))
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De /i. a 03.10.2019 às 18:36

*ando sempre a "leste" e não andam. 
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De Sarin a 03.10.2019 às 17:18

Bolas! Esqueci-me que no telemóvel não consigo ver :s :D
À noite desfraldarei velas ao pc - de qualquer forma, já não tenho de dedicar a noitada ao postal das promessas dos políticos... :))))
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De Luísa de Sousa a 03.10.2019 às 18:26

Olá Sarin,
Muito grata pela tua excelente análise, sei que não é teu objectivo influenciar, mas a verdade é que nos abres e muito bem os olhos (a mim), eu que não olho muito para as notícias (ainda bem que existem blogs como o Sarin para me manter actualizada!
Vou deixar o Legislativas 2019 para ler à noite e informar-me mais!
Pelo pouco que me vou informando também concordo contigo quando dizes que o PAN tem uma política proibitória.
Quanto aos CDS, não me admira a falta de "conteúdo" no seu programa, passam os dias a falar dos outros partidos e não do que nos têm para oferecer!!
O BE, está a surpreender-me pela positiva, a ver vamos o que se vai passar no dia 06 de Outubro!!!
Lá estarei, no domingo,  a exercer o meu direito de voto, como sempre!!!


Beijinhos
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De Sarin a 03.10.2019 às 23:01

Olá, Luísa :)
Sim, não quero influenciar o voto - mas tento influenciar a forma como se escolhem aqueles em quem se vota, como se olham as propostas que apresentam, como se ouvem as notícias que nos trazem.
Tento que nos questionemos, que questionemos os outros.


Sinceramente, vários partidos apresentam propostas interessantes, mas poucos são os que apresentam medidas de fundo - e não apenas para o Ambiente. Escolhamos em consciência - é sempre bom definirmos o que queremos e depois tentar encontrar quem melhor responda :)


Beijocas, Luísa :****

[a palavra a quem a quer]




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