Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Quem são estes inquisidores?

inquisição.jpg

 (fonte da imagem aqui)

 

 

 

Há um mês, surgiu em escolas de Lisboa e Porto um questionário que incluía perguntas sobre a etnia.

Agora, surge na Escola Básica Francisco Torrinha, no Porto, um questionário da disciplina de Cidadania que pergunta, entre outras, a orientação sexual de crianças do 5º ano de escolaridade. De seres com 9-11 anos, portanto.

 

 

No inquérito de Setembro ninguém nas escolas teve responsabilidade porque o mesmo teria proveniência numa agência de estudos e dados.

[Pergunta que se impõe: fontes externas porquê? Não temos, na dependência do ME, nenhuma organização que faça tais estudos, sei lá, um gabinetezinho de uma universidadezita?]

Percebo a necessidade de conhecer a população de emigrantes no país. Mas, percebendo ou não tal necessidade, não percebo porque é isso competência do ME e não do SEF e da Administração Interna. Sinergias? Com crianças?

Por outro lado, mesmo aceitando (que remédio!) que a fonte das perguntas seja externa, porque é que nenhum dos professores que distribuiu o inquérito se recusou a fazê-lo... não leram o que distribuiram? Leram e não acharam estranho? Até acharam estranho e nenhum alertou que os ciganos portugueses são portugueses desde 1822?

E mesmo que o não fossem desde então, a Lei da Nacionalidade diz que, à data dos tais inquéritos, eram. São. Saber quantos não será tarefa para departamentos estatais relacionados com integração (? fica para outro dia) discutirem com os pais, em vez de as escolas perguntarem aos filhos?

 

E hoje surge este, numa mesma zona onde andaram a circular os outros, mas desta vez a perguntar quais as orientações sexuais das crianças, se já tiveram namorado, qual a sua identificação de género... 

 

Por mais perspectivas que tente, não consigo perceber para que querem os professores na Torrinha saber a vida sexual de crianças de 10 anos!

 

Não consigo perceber mas assusta-me.

E assusta porque não foi ninguém concreto, foi alguém mas não se consegue rastrear, não se consegue rastrear mas vai ser aberto um inquérito... ... ...

E assim sabemos que nas escolas entram e circulam documentos sem controlo. Nas escolas, que deviam ser espaços seguros, qualquer um pode meter perguntas do foro íntimo no meio de uma ficha e sacar informação privada às crianças.

Porquê?

Quem?

E, mais importante ainda, 

Para quê?

 

Chamem-me paranóica, mas estes inquéritos não são acaso, tal como não é coincidência os locais onde foram detectados. Duas vezes, não apenas uma.

Não vamos assobiar para o ar, foram só umas folhas com perguntas chatas... Não foram! Foram perguntas pessoais e discriminatórias, distribuídas pelos professores a crianças sob a sua responsabilidade, perguntas estas feitas por não se sabe quem nem porquê e cujas respostas serão lidas por não se sabe quem nem para que fim.

E, assim, de repente, ocorrem-me muitos fins e nenhum deles agradável.

Comparado com isto, Tancos é um jogo de subuteo.

*** Obrigada por estar aqui. Sarin *** Info sobre o blogue em i, no cabeçalho

16 comentários

[A palavra a quem a quer]