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Num artigo de opinião publicado na Visão, leio no cabeçalho que a tolerância nem sempre é tolerável. (As)saltam-me visões de revoltas populares, extremismos, convulsões sociais... e depois leio o artigo. Que logo nas primeiras linhas me demonstra apelar não à intolerância mas antes à aceitação da diferença, e continua tal mensagem a luzir-me no texto enquanto eu leio entre agradada e desconfortável porque crente no fim mas descrente do meio.

 

É importante aceitar que a diferença é um direito tão válido como a igualdade, e que nisso devemos mesmo ser iguais, os indivíduos. E que a concórdia na sociedade e entre sociedades vem desta aceitação, não apenas da não-agressão - e muito menos da condescendência ou da indiferença, como bem escreve José Brissos-Lino, doutorado em psicologia, professor universitário, pastor protestante, articulista.

 

Sim, tolerar é suportar, é aguentar. Mas se suportar se pode ler sofrer, e com este toda a repulsa e inacção, também se pode entender como ser suporte, e por aqui pensar a segurança e a força, a acção de retirar obstáculos.

Porque Tolerância é, também por definição, aceitar a liberdade de expressão da diferença e reconhecer-lhe o direito equânime de existência.

Que, em bom rigor, diverge de aceitar a diferença, já que aceitar pode ser lido como aprovar,  contrariando implicitamente a desejada liberdade individual de escolha e o direito ao seu exercício; ou poder-se-à entender como receber, abraçar, aderir  à diferença em causa, substituindo a coexistência de diferenças pela uniformização de pensamento/sentimento.

Ser tolerante não é, assim, exactamente o mesmo que ter tolerância.

Ser tolerante não admite condescendência nem resulta de indiferença ou inércia, pois que parte da premissa mais básica: o outro existe, logo é por direito próprio e não carece de aprovação ou validação para ser, para existir.

Ser tolerante não compreende imposições ou limites nem tampouco gradientes: é uma tolerância sem escala, ao contrário da tolerância à dor.

 

E por tudo isto, concordando com a mensagem do artigo, "coexistência harmoniosa das diferenças religiosas" (e ideológicas e morais, acrescento eu), discordo do argumento usado.

Não, caro Doutor J. Brissos-Lino, não me parece que a tolerância seja "um conceito enganador, uma vez que não significa aceitação da diferença" - pelo simples facto de que, conforme aduzi, não pretende significar tal. 

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61 comentários

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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 09:47

Sarin, o problema é conseguires a estabilidade de um grupo permitindo "tudo" em nome da tolerância,  da liberdade de expressão,  legitimada pelo relativismo de valores. Com isso obterás um niilismo global, onde tudo se resumirá a uma questão de liberdade de expressão/felicidade. A excessiva tolerância põe em causa a segurança,pela instabilidade grupal, e por isso a liberdade de seres feliz.
O problema da tolerância Ocidental surge sobretudo da intolerância problemática do mundo não Ocidental. 
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De Sarin a 14.11.2018 às 15:48

Partes sempre de uma falsa premissa nestes nossos debates, Pedro, e usando as tuas palavras: não se tolera tudo. :)


Aceita-se ao outro o direito de pensar, de expressar tal pensamento e de agir de acordo com o mesmo em todas as áreas do individual. A relação com os outros resulta de debate, de compromisso, de consenso. Direitos Humanos e Democracia são valores intrínsecos apenas para algumas sociedades. Demoramos milénios desde os Gregos até à abolição da pena de morte - que ainda não é universal no Ocidente, como bem sabes.


O Oriente nada tem a ver com as tolerâncias e intolerâncias no Ocidente - na Idade Média o Oriente estava lá longe e a intolerância entre pares recomendava-se, vê como surge a Inquisição.


O verdadeiro problema é entenderem-se as sociedades, ou as suas cúpulas, cada uma como sendo a melhor. O relativismo moral e a moralização universal são as duas faces da mesma moeda que dá pelo nome de instabilidade: quem define a moral são os homens, e se o fazem sem atender à História de cada civilização e sem dialogar entre civilizações, as fronteiras que seriam naturais serão sempre móveis e estarão sempre em guerra.
Pedro, foi Constantino quem, no séc. IV, definiu no Ocidente que os filhos não são propriedade dos pais. No séc. XXI ainda há, neste mesmo Ocidente, quem julgue que são.
Porque a moral é efectivamente relativa e não universal - e continuará a sê-lo enquanto for lida com escalas de avaliação. A moral terá que ser definida por ondas e não por vectores :)
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 17:35

Que importância tem uma liberdade de pensamento sem uma capacidade transformativa do mundo ? Um pensamento político sem acção é exercício estéril. E falo em político pois encaro a liberdade de pensamento para lá da liberdade de expressão - devemos permitir que um marido obrigue a sua mulher de usar burka? Devemos tolerar determinados comportamentos que não sendo ilegais firam a noção de dignidade humana? 
Uma Sociedade que se preocupe com Direitos e garantias dos seus cidadãos,  com Direitos Humanos é superior a uma outra que o não faça. 
Quem define a verdade científica é o Homem e nem por isso ela deixa de ser universal.  





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De Sarin a 14.11.2018 às 17:54

Não leste a parte do "área do individual".


Um dos problemas começa na afirmação, tão generalizada, de que a burka é uma imposição do homem à esposa e não uma opção da mulher. Não podes, o Ocidente não pode arrogar-se tal ideia - e logo o Ocidente onde as mulheres vítimas de crimes sexuais são ainda vistas como culpadas por tantos homens e mulheres!


Uma guerra é uma acção política, Pedro. A diplomacia também. Porque não o é a tolerância? O aceitar que as distintas culturas têm valores distintos e que a apregoada inviolabilidade dos Direitos Humanos é uma sarcástica forma de superioridade moral?
Queremos mudar o mundo à nossa imagem e semelhança em 7 dias?
Ou queremos caminhar para um mundo onde os valores básicos e fundamentais sejam real e efectivamente comuns às sociedades? É que esta última leva tempo, Pedro, estamos todos em patamares distintos.
O pensamento político é muito mais veloz do que a acção porque o pensamento é individual e a acção quer-se conjunta.
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 18:12

apregoada inviolabilidade dos Direitos Humanos é uma sarcástica forma de superioridade moral?

Prefiro não responder...decepcionante.
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De Sarin a 14.11.2018 às 18:22

É? Vê quem reconhece o TPI, vê quem tem assento no CS da ONU, vê quem cumpre os acordos.


Não foste tu que disseste que o pensamento político sem acção é estéril?
Pois nesta matéria os mesmos que querem inseminar outras culturas são também os que esterilizam aqui e ali a sua própria cultura.
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 17:57

E não falo na Idade Média. Vê as estatísticas dos crimes de honra, as violações bárbaras do Direitos Humanos,  a legitimação religiosa da violência.  Sim, vivo num país,  num Continente com uma Moralidade superior, independentemente das suas falhas e margem para melhorar. A justificação para muitas atrocidades no Oriente/África relacionam-se com a estrita Cultura do Poder e não com valores culturais intrínsecos, sendo estes unicamente usados para legitimação de estratégias políticas. Sim, os Direitos Humanos são produto da Civilização Europeia e neste aspecto ela é a melhor. Não nos envergonhemos.
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De Sarin a 14.11.2018 às 18:13

Não me envergonho. Discordo abertamente, apenas.


Porque falas do Continente como se a moralidade fosse transversal e comum - não é! Nem a moralidade nem a História.
Somos um continente em que todos defendem os direitos humanos, mas não defendemos todos os mesmos direitos.


Podes seduzir, atrair, convocar outras culturas - mas não podes arrogar-te ser melhor ou pior e por isso impores-te ou submeteres-te! Esse é o princípio de todos os desentendimentos. Ou extermínio ou repressão, são os resultados.


Concordo contigo na questão da cultura do Poder ser a causa da maioria das atrocidades no Oriente/África. No entanto, essa mesma cultura é intrínseca, tribal - lá ou cá, mas cá substituímos as tribos por partidos e facções. 
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 18:25

Se não for maçada qual a parte dos Direitos Humanos que não concordas que se devam considerar universais? Não há uma moral comum , mas há uma natureza e dignidades comuns provadas cientificamente. Deveria ser a ciência e não a cultura a determinar a moralidade.  Todos desejamos humanamente as mesmas coisas  Viver, ser feliz, ter filhos e viver sem dor. Tudo o que impedisse tais axiomas naturais é imoral.
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De Sarin a 14.11.2018 às 18:45

Nunca me leste discordância com os Direitos Humanos nem me ouviste que não deseje a sua universalidade.


O que sempre disse, e podes vasculhar muitos dos meus escritos em busca de tal, é que os Direitos Humanos não são universais. Porque não são abraçados, respeitados, aceites - nem em todas as sociedades nem sequer integralmente no Ocidente.


Deveria ser a ciência... e o que dizem os religiosos sobre tal opinião?


A questão é, mais uma vez, podemos e devemos aplicar e defender os nossos princípios - mas não os podemos impor porque os outros, e muito especialmente os de outras culturas, têm direito aos seus princípios.
A forma como as sociedades se organizam nem sempre reflecte tais princípios, principalmente se houver coacção. Mas eles existem, e não são necessariamente melhores ou piores. Quantos concordarão com a lapidação? Talvez a mesma proporção dos que concordam com os barbitúricos?
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 20:12

Para mim não existe uma cultura que faça no não princípio um princípio. Nenhum sistema é legítimo se for contra a vontade do povo. E onde há coação, controlo da informação e proibição da liberdade de consciência, tem legitimidade.  É assim desde a fundação do Estado Moderno, e poderás encontrar o mesmo em qualquer livro religioso  (o despotismo,  um governo contra o povo não é reconhecido nos cânones religiosos).


O facto de eu roubar uma maçã porque tenho fome não me proíbe de condenar o roubo ou me considerar melhor daquele outro que mata a "velha "da loja 
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 20:15

E onde há coação, controlo da informação e proibição da liberdade de consciência, não tem legitimidade


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De Sarin a 14.11.2018 às 21:34

Sobre este particular estamos de pleno acordo.


Mas, aqui onde ninguém nos ouve, onde verdadeiramente não há?
A liberdade de consciência ainda vamos garantindo, mas a coacção no Ocidente chama-se Pressão dos Pares e Lobbies; a diferença entre informação controlada ou manipulada não é tão distinta, só que no Ocidente não é executada pelos Governos mas pelos grupos que os e se governam.
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 22:17

Eu leio o que quero. Desde o Diabo, ao Avante. Contrasto informação 
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De Sarin a 14.11.2018 às 22:40

Essa é a atitude natural de que reflecte na informação em vez de reflectir a informação. E ainda assim o  puzzle é completado ao longo do tempo, raramente tens acesso aos factos porque o que vai repassando, além das já habituais "com base numa notícia do", são interpretações e desejos em volta dos factos :)
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De Sarin a 14.11.2018 às 21:11

Nenhum sistema é legítimo se não for a vontade do povo, e sobre isso não há qualquer dúvida. Mas muitos indivíduos vivem sistemas ilegítimos, o que não significa que susbcrevam tais princípios: e é aqui que entram as generalizações, e as comparações e as penalizações culturais. Porque a história está cheia de avanços e recuos civilizacionais, e nenhuma sociedade pode reclamar a hegemonia.




Não percebo para que falas  de revoltas contra poderes despóticos, uma vez que o que se discute é a moral das sociedades e não os regimes instituídos - matarias Hitler aquando da sua eleição?


Matar para sobreviver diverge de matar para evitar que mate, tal como diverge de matar para vingar a morte ou de matar para impedir as ideias de vingar. A primeira é reacção instintiva, lutar/fugir. As outras são respostas racionais ou talvez emocionais racionalizadas.


A tolerância reconhece o direito inato e incontestável à liberdade de pensamento e ao direito de escolha. Ser tolerante não é sucumbir ao relativismo, é negar hegemonias.


Confundir tolerância com aceitação é um erro, cf digo no postal: se os direitos humanos norteiam a tolerância e por isso esta aceita o direito à diferença, incompatibilizam-se com algumas práticas diferentes para as mesmas acções. A diferença é que a tolerância faz-nos perceber que essas práticas, para alguns aviltantes, podem ser - são, geralmente - parte da cultura de uma sociedade, aceite e vivida pelos indivíduos dessa sociedade. Tidas como boas, portanto. Apenas o diálogo poderá realmente mudar tais práticas, porque a repressão cria núcleos de resistência - e são estes que eclodem, ciclicamente. As fronteiras naturais, sejam geográficas ou sociais, consolidam-se pela história e cultura comuns (a nação) e pelos valores, direitos e deveres, partilhados - a tal civilização de que falo no postal Esperança: em vias de recuperação. Querer ultrapassá-las ou mesmo violá-las em nome de uma qualquer hegemonia nunca deu bons resultados.
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 20:14

Lapidação e barbituricos.  De um lado a morte humilhante e dolorosa justficada pelo simples adultério,  do outro uma morte rápida indolor justificada pela doença crônica,  dolorosa e humilhante. Tem tudo a ver...


Sarin, és comunista? 
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De Sarin a 14.11.2018 às 21:19

Barbitúricos são as substâncias usadas na injecção letal, meio privilegiado de aplicar a pena de morte no Ocidente.


Pedro, esqueceste-te que existe pena de morte no Ocidente dos Direitos Humanos?
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 22:19

Sarin onde são os Direitos Humanos mais respeitados?  No Ocidente ou no "Oriente "?
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De Sarin a 14.11.2018 às 22:42

No Ocidente. Mas a questão nunca foi essa, ora relê: foi a Tolerância vs a hegemonia de culturas.
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 23:03

E quais são os crimes previstos com a morte no Ocidente e no "Oriente"?


O que afirmo é que a cultura ocidental é de longe a que confere mais direitos aos cidadãos e nesse sentido é superior a outras que o não façam. Cada um que viva no seu país como quer desde que soberania não implique o há vontade de se fazer o que se queira, que viole princípios básicos de humanidade...


Não consigo andar para cima com o texto. Ou é do telefone ou do site.
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De Sarin a 14.11.2018 às 23:15

(Limpa os cookies. E coloca RTF nos comentários do teu blogue - viste como as ligações ficam mais bonitas? ;))


Sobre esta tua afirmação não há discussão possível, e concordamos imllícita e explicitamente - mas repara que a formulação é bem distinta das anteriores: usar o termo superior numa comparação objectiva é diferente de usar como adjectivo. :)
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 18:36

Há uma natureza humana universal e qualquer cultura que dê liberdade à realização dos seus desejos - felicidade, liberdade, vida- é superior a uma outra que negue essas justas aspirações. Somos,  os Ocidentais, infinitamente superiores aos Norte coreanos, ao regime deposto de Pol Pot,  aos chinês. ....
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De Sarin a 14.11.2018 às 18:59

Quais ocidentais?
Os alemães, espanhóis, italianos de '40?
Os franceses, ingleses, soviéticos de '50?
Os gregos, espanhóis, portugueses, irlandeses de '70?
Os irlandeses e bascos de '80?
Os croatas de '90?
Os gangues e cartéis americanos da década passada?
Os turcos desta década?




Pedro, não caminhamos ao mesmo passo. Vê a Pérsia de Palahvi e a Turquia de Ataturk... as instituições têm a solidez que lhes dermos, e sim, no Ocidente são sólidas. Não o foram sempre, é recente - e, exactamente porque conhecemos o longo caminho, devemos aos outros o direito, inerente, de conhecerem o nosso mas trilharem o que escolherem.
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 21:43

"A relação com os outros resulta de debate, de compromisso, de consenso. "

Foi devido a esse pressuposto de não ingerência,  da necessidade de diálogo e consenso,  a esse diletantismo que tem dado aos sanguinários a oportunidade de agir, como tão bem descrito no livro «A Pior das Guerras» de Daniel Jonah Goldhage. Sentem-se seguros pois enquanto os outros dialogam eles massacram. 
Quanto à moral ser relativa não conheço ninguém saudável psiquiatricamente que não deseje uma vida longa, próspera,  sem sofrimento. Se existe e existem frequentemente códigos morais e culturais que façam apologia da violência sobre o indivíduo estes são cientificamente anti-naturais e não devem ser equiparados a outros que embora imperfeitos assegurem de modo incomparável os tais desejos naturais. 
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De Sarin a 14.11.2018 às 21:57

Se a universalidade da moral se resumisse a esses três princípios, subscrevê-la-ia. Mas não resume, como bem sabes.


Achas que os sanguinários teriam meios para o ser se não fossem as ingerências? 
Os afegãos armados e treinados para correr com os russos que acabam por correr com os americanos; os angolanos armados e treinados para correr com os americanos e treinados e armados para correr com os russos; a venda de armamento em troca da exploração dos recursos das regiões controladas por sanguinários... há ingerência sempre que alimentas apenas um lado de uma sociedade terceira - a menos que acredites que Portugal foi neutro na II GM...
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 22:12

Na guerra fria havia uma luta entre um mundo democrático e livre representado,  maioritariamente, pelo Ocidente e uma visão totalitarista representada pelo comunismo. Por vezes é a i"ngerência " ocidental que alerta a opinião pública e pressiona os governos nacionais a pôr limites no despotismo estrangeiro 
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De Sarin a 14.11.2018 às 22:35

Comunicação, denúncia, alerta - não são ingerência. São actos de informação, de divulgação.
Dar opinião também não é ingerência - agir com base nessa opinião é que o será.


Que ingerência teve o Ocidente na URSS? Achas que o Muro caiu por infiltração de agitadores pagos pelos governos ocidentais? Que a Primavera de Praga foi uma manobra da CIA? Que os Soviéticos recuaram por causa das bases da NATO na Turquia? :)
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 23:09

As multinacionais ocidentais não querem estar envolvidas com déspotas sanguinários - em virtude da opinião pública -e nesse sentido são melhores que empresas estatais de Estados não democráticos -ex :China, Rússia. ...


A URSS caiu porque o sistema comunista é pior que a democracia liberal 


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De Sarin a 14.11.2018 às 23:32

Permite-me uma correcção importantíssima: "as multinacionais ocidentais não querem que se saiba,  se e quando, estão ou vão estar envolvidas com déspotas sanguinários - por causa da opinião pública". Porque o petróleo continua a sair da Arábia e do Iraque, os diamantes de Angola e da África do Sul, as espécies protegidas do Congo e do Ruanda, os artefactos históricos da Guiné e da Rodésia... e todos continuam a comprar armamento e bólides e tecnologia e luxos vários.


Exactamente. Não se deveu a ingerência mas à vontade de indignados e descontentes e liberais autóctones.




Espero que as democracias liberais não caiam por terem cometido a asneira de serem muito liberais na economia mas não tanto nos direitos sociais... já estivemos mais longe :(
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 10:17

Tolerares nos outros aquilo que não serias capaz de dizer/fazer não é um exercício de intolerância com aquela que és.
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De Sarin a 14.11.2018 às 15:27

Não é, de todo.


Mas não se trata de tolerar nos outros, antes de assumir que os outros têm direito a pensar e a expressar-se.
Respeitando sempre a integridade dos outros outros que os rodeiam - é aqui que o relativismo moral e eu divergimos, Pedro :) (respondo noutro comentário teu)
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 21:46

As palavras também matam.
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De Sarin a 14.11.2018 às 22:00

Podem não matar, mas certamente instigam.


Por isso o diálogo em vez de monólogos exacerbados e acidificados.
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De HD a 14.11.2018 às 17:55

Vejo a questão pelo exercício da escala de tolerância...
Feita por um compasso há muito enferrujado... :-\
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De Sarin a 14.11.2018 às 17:58

Pois é... o problema é que a tolerância política, religiosa ou cultural, por definição, não tem escala.


"Eu defendo o teu direito a pensares e a dizeres, mas"
É assim que começa a escala da intolerância. Escalando devagar, mas a mas...
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De HD a 14.11.2018 às 18:06

E nunca se define a circunferência, pois o raio de ação não é controlado... :-s
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De Sarin a 14.11.2018 às 18:15

É isso mesmo, uma espiral :(
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De HD a 14.11.2018 às 18:24

Tristemente sinuosa... -.-
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 18:18

Não permitiria, numa sociedade,movimentos ou partidos que defendessem a pedofilia  (como existiram nos EUA, justifiicando-se na sua tradição histórica) ou o homicídio, como o KKK....e poderia continuar mais era chato. Claro que é possível estabelecer limites à tolerância. Deixem-se de tretas quanto ao mal ser relativo. Uma questão de cultura. Digam isso às mulheres mortas pelos pais depois de violadas, por terem perdido a honra. Deixem -se de merdas
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De Sarin a 14.11.2018 às 18:31

Não o permitirias... como assim? Depende apenas de ti? Ou é o teu voto, a tua intervenção que o ajuda a permitir ou a impedir? Pegarias em armas para matar quem quisesse tais leis?
E confundes duas situações fundamentais: uma coisa é verificarem-se tais tentativas de mudança numa sociedade que assume a defesa dos direitos humanos para lá das políticas de quem exerce o poder, outra é quereres impôr os teus valores a culturas distintas e talvez mais ancestrais que a tua. 


A questão, mais uma vez, resume-se a isto: se estás disposto a matar/alienar/destruir para impôres os teus valores, onde pára a inviolabilidade dos direitos humanos?
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 18:39

 Pegarias em armas para matar quem quisesse tais leis?



Tivesse eu a coragem e a oportunidade e teria assassinado Hitler e Estaline.
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De Sarin a 14.11.2018 às 19:02

Pois sim, mas acontece que antes de lhes chegares terias que matar metade dos teus familiares, amigos, vizinhos. Antes mesmo de haver guerra. Porque não é a guerra que se pretende, é a paz.
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De Sarin a 14.11.2018 às 19:07

Hitler, antes da guerra, foi eleito por maioria. Matá-lo-ias em 1932, antes de saberes o monstro que se tornaria?
Ou matá-lo depende de saberes hoje o monstro que foi?


E nesse caso estarias ou não a violar direitos humanos no pressuposto do bem maior? Porra, a armar em deus?!
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 20:31

O mein kampf foi escrito em 1923,salvo erro. Está lá tudo. 
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De Sarin a 14.11.2018 às 21:45

E depois disso Hitler teve o apoio da União Nacional de Judeus Alemães e ganhou as eleições de '33 com larga maioria.


E a AfD tem judeus...
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 21:58

A Afd é possível devido ao revisionismo histórico e da moral que em última análise concluem que o mal é relativo, assim como equiparam a informação "informada" a mera opinião. As pessoas perdem a vergonha de serem bichos pois ser chimpanzé é tão digno como ser Homem. Tudo uma questão de gosto. A Afd não pode tomar conta do Poder e mudar a constituição alemã pois existe oposição,  tribunais independentes do Poder político ...ao contrário das teocracias e regimes ditatoriais 
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De Sarin a 14.11.2018 às 22:14

Apenas te falei da AfD porque disseste que matarias Hitler :)


O mal ser relativo? Não, o mal não é relativo, o mal é universal porque inato - matas para comeres, se fores guloso matas mais; e aprendes a matar para te vestires e para te calçares e por confortos vários. A fêmea selvagem mata para defender a cria, e deixa a cria ao abandono se a sentir inviável. Há fêmeas humanas que idem.
A razão é o contrapeso da maldade, a insensibilidade transforma o mal em Mal.


Confundes dignidade humana com direito animal à vida não antropocêntrica? Ena! Chimpanzé, chimpanzé, chimpanzé...
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 22:01

E Marx também era judeu e....,?
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De Sarin a 14.11.2018 às 22:22

E? O manifesto marxista  não contempla o anti-semitismo como doutrina. O manifesto nacional-socialista de Hitler contempla claramente.
E, ainda assim, teve judeus a subscrevê-lo, como agora há judeus no AfD. 
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 23:13

Marx escreveu contra os "porcos" judeus...se há judeus na Afd pois isso é lá com eles. São estúpidos 
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De Sarin a 14.11.2018 às 23:38

Não encontras no manifesto marxista, nem como ideologia nem como programa, a segregação dos judeus, a limitação dos seus direitos por serem judeus ou a apologia da sua exterminação.


Esta é uma diferenča fundamental: o marxismo é uma filosofia distinta dos ódios pessoais do seu pensador, o nazismo não passa do plasmar de ódios e aspirações pessoais de Hitler - são indistintos, criador e criação.
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 21:49

Como surgiram as  democracias parlamentares e as monarquias constitucionais?  Pelo diálogo? 


O uso da violência em nome do bem maior chama-se justiça 
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De Sarin a 14.11.2018 às 22:01

Qual é o artigo dos Direitos Humanos onde isso está escrito? 
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 22:24

Quando foi escrito a Declaração dos Direitos do Cidadão que enformou as outras Declarações Humanistas?  Após a decapitação de Reis.
Os Direitos não nascem de geração espontânea. Do diálogo e consenso entre pares.. Os seus partos são dolorosos mas libertadores 
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De Sarin a 14.11.2018 às 22:54

Esqueceste-te que já na Grécia Antiga havia lista de direitos dos cidadãos? :)


E que antes de Luís XVI muitos reis foram decapitados? Olha Carlos I e Oliver Cromwell, olha Maria Stuart e Isabel Tudor, estão logo ali do outro lado da Mancha, só que 150 e 200 anos antes.


Olvidas também que entre o 14 de Julho de 1789 e a total abolição da pena de morte em Portugal, consagrada pela Constituição de 1976, decorreram dois séculos de mortes, esclavagismo, negação do voto, negação do respeito, negação da dignidade a grande parte da população?


Demorámos séculos, e ainda tropeçamos.
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 21:59

Estou a andar..peço desculpa pelo "português "
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De Sarin a 14.11.2018 às 22:02

Achas que num diálogo a mensagem é prejudicada por gralhas? 
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De Pedro Vorph a 14.11.2018 às 22:24

Boa noite!  Dorme bem e obrigado pelo diálogo ))
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De Sarin a 14.11.2018 às 22:56

Boa noite e bom descanso.


Sabes que gosto destes diálogos, obrigada eu 

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