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Paradoxo do silêncio

por Sarin, em 17.08.18

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 (fonte da imagem aqui)

 

 

 

Do que tenho lido, a maioria das gentes que se têm manifestado em blogues acha que não se deve receber Marine porque, além de lhe dar palco para difundir a sua mensagem de ódio, não haverá argumentário que demova as suas políticas.

 

 

É aqui que entendo residir a falha: acharem que, no diálogo, quem importa é Marine ou os Nacionalistas. 

Não! Quem importa são os hesitantes, os distraídos, os atraídos pelo discurso eivado de aparente preocupação social. Os órfãos de segurança e os abandonados à dúvida.

São estes que têm de ser dissuadidos, esclarecidos, alertados.

 

Marine e os seus correligionários têm todas as certezas e todas as respostas imediatas com soluções imediatas para problemas imediatos - e têm a sua crença, portanto são inamovíveis.

 

Porque os problemas são profundos e transversais, as soluções não são nem imediatas nem definitivas. Por isso exigirem negociação, por isso demorarem, por isso serem meias respostas. Fracas respostas, até, porque o equilíbrio é infelizmente ténue.

Quem hesita, quem receia... quer respostas, quer medidas. E vê ou é levado a ver os ensaios de resposta como se incapacidade... ao mesmo tempo que não vê ninguém a assumir, ninguém a discutir as fraquezas dessas respostas e os seus porquês - ninguém a identificar e a arrostar com as nossas responsabilidades para podermos avançar para as soluções.

E ainda recusam debater com quem aparentemente tem todas as respostas! Aparentamos medo perante quem usa o medo como arma...

Os Nacionalistas agradecem; no lugar deles, rejubilaria: é uma questão de tempo. 

 

Porque enquanto nos manifestamos para que Marine não venha - não vá - não seja, Marine sem falar chama a si os órfãos e os abandonados.

 

 

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15 comentários

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De HD a 17.08.2018 às 15:44

Concordo, é pelo medo que eles têm angariado mais militantes e cegos seguidores... :s
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De Sarin a 17.08.2018 às 18:02

O confronto directo de ideias parece-me ser, neste momento, a única via para debelar os extremismos. Porque enquanto estudamos as respostas complexas para problemas complexos e os empurramos para palcos só deles, eles apresentam "respostas" simples a um público ansioso.
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De Pedro D. a 17.08.2018 às 17:29

Como já escrevi no meu estaminé sou da opinião que Le Pen deveria vir a Portugal, nem que fosse para podermos desmontar os argumentos mais radicais e esclarecer as pessoas cuja a opinião é formada pelos medos criados pelo nacionalismo e suas alavancagens de actos proferidos por terceiros: como os islâmicos, africanos e todos os que não são - no caso - franceses.

Convém ainda não esquecer que o nacionalismo que apesar das suas várias ópticas tem a sua base - tal como o entendemos - na Revolução Francesa e sempre foi sustentado, até aos dias de hoje, por alguém que utiliza o medo e a fobia dos que vêm de fora para julgar quem não é da nação. O que infelizmente faz parte da cultura francesa e nos períodos de crise política/económica.

Porque eu não sou Marine...
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De Sarin a 17.08.2018 às 18:32

Je n'ais jamais été Charlie.
Este foi mais um exemplo em que se falou demasiado e talvez se tenha pensado pouco... o mundo ocidental gritou pela Liberdade de Expressão, e bem. Mas podíamos ter aproveitado para perceber o que é isso de Liberdade e se não acarretará responsabilidades. Não pela imposição de outros mas por exercício de auto-consciência.
Condeno e condenarei sempre a violência, e até aquela coisa do "uso de força proporcional" me revolta porque, quero dizer, se for uma forçazita nuclear, bom... ou talvez deva usar uma onomatopeia e escrever boom💥?

Se nos arrogamos direitos, devemos estar preparados para gerir as consequências do seu exercício. Atacar os símbolos de uma religião em vez de atacar os religiosos que os manipulam? É uma opção, mas esperemos reacção de qualquer crente dessa religião e não apenas dos radicais. Porque não temos todos os mesmos valores, e a Declaração dos Direitos Humanos nunca foi Universal.
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De Sarin a 17.08.2018 às 18:34

Um s a mais na conjugação, ups: leia-se "je n'ai jamais"
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De Pedro D. a 17.08.2018 às 19:24

Completamente de acordo. O tema liberdade de expressão dava para outro post - mais um.

Recordo uma professora minha - Maria Ivone Ornellas de Andrade: "A tua liberdade acaba onde começa a minha"
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De Sarin a 17.08.2018 às 19:28

Prefiro a outra versão:

A minha liberdade acaba onde começa a dos outros.

O limite é auto-imposto, o ónus recai sobre mim e não sobre o outro ;)
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De Sarin a 17.08.2018 às 19:32

É tema recorrente nos meus postais.

Não conseguiria fazer um postal sobre tal tema sem um caso concreto sobre o qual discorrer - corria o risco de escrever um livro no telemóvel
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De Pedro D. a 17.08.2018 às 19:43

Num dia quente de inverno em frente a um PC, com um copo meio de inspiração, meio de refresco.
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De Pedro a 18.08.2018 às 10:27

Sarin, julgo que o apelativo do discurso da extrema direita /esquerda é a defesa do Direito à vingança por parte das massas que se sentem falhadas. A frustração reconhece sempre prontamente no outro a razão da sua expiação - o discurso é assim maniqueísta. Básico. E estando o sistema capturado pelos outros ele é incorrigível. É necessária assim o sangue, o sacrifício do outro e a arma da Revolução - todos sabemos que as novelas para terem audiência têm de ter fluidos rubros em abundância

Torcendo Prudhomme:
O roubo é legítimo desde que sancionado pelo Estado
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De Sarin a 18.08.2018 às 10:51

É forte, essa do Direito à vingança. E não consigo desconstruir.

Que Prudhomme torceu? Não reconheço na torção a frase :)
Mas discordo pela confusão que pode gerar: quem é obrigado a ceder pode sempre ver roubo onde há contribuição para o bem comum.
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De Pedro a 18.08.2018 às 12:30

O roubo,tal como a vingança, podem ser armas de justiça.
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De Sarin a 18.08.2018 às 13:15

Os fins só justificam os meios no Robin dos Bosques e no Pimpinela Escarlate.

Ou seja, quando a desobediência é a solução que resta. Mas isso são revoluções, não é apenas justiça poética :)
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De júlio farinha a 18.08.2018 às 22:32

Cara Sarin, sou sensível à sua tese sobre o esclarecimento dos hesitantes e enganados, mas Le Pen não é ingénua e também procura, por seu lado, consolidar os seus argumentos perante tais indecisos. Dar-lhe a palavra é oferecer-lhe o flanco.
A maioria não racista não é obrigada à tolerância à ditadura. A educação pelos direitos do homem faz-se no contexto da prática democrática. Existe um preconceito pequeno burguês que se enuncia assim : não é democrata, quem não dá a palavra a anti democratas. Ora, a democracia é o poder da maioria, não é o poder de todos.
Segue-se daqui a pertinência do dito atribuído ao revolucionário francês, Marat: nenhuma liberdade para os inimigos da liberdade. - por muito radical e extremista que isso nos pareça.
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De Sarin a 18.08.2018 às 23:08

Mas, Júlio, não contesto o direito de lhe não dar palco.
Pessoalmente, nunca a convidaria.
Contesto veementemente que se pressione quem lho dá para que lho tire. Porque esse "quem" não é o Estado, é um terceiro. E os convidados desse terceiro são cidadãos no pleno gozo dos seus direitos.

Da mesma maneira que dizemos que ela é inimiga da Liberdade, também ela diz que os inimigos da Liberdade são os imigrantes e os muçulmanos e os que não são heptanetos de franceses brancos... e quem duvida vê os mesmos argumentos - pior, vê-nos os argumentos mas não propostas. Quem tem medo procura respostas no curto prazo. Não pensa nas consequências, não pensa nas implicações, não pensa.

a palavra a quem a quer




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