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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

O fim do Princípio

contradição.jpg

 (Original de Pawel Kuczynski. Fonte da imagem aqui)

 

 

 

 

Quantos de nós defendemos os Princípios e quantos de nós defendemos a simpatia, a empatia, a vivência própria - e só depois os encaixamos ou desencaixamos dos Princípios com um retumbante Mas?

 

Defendemos o direito à não ingerência num Estado autónomo e por nós reconhecido - mas aceitamos a ingerência de Estados terceiros desde que invocado o "apoio humanitário" ou a "intervenção cirúrgica". Mesmo sabendo que estas "intervenções" e "apoios" são geralmente uma máscara para intervenções em sectores estratégicos e apoios à colocação no poder de forças "amigas". Basta ver quantos apoios humanitários ficam por prestar e relacioná-los com o onde ficam por prestar.

E, antagonicamente, aceitamos tais ingerências desde que perpetradas por países amigos mas acusamos de ingerência os países que consideramos desalinhados com os nosso interesses. Não nos desencantamos com os alinhamentos, e o objectivo é cumprido.

 

 

Defendemos o direito à liberdade de expressão - mas ofendemo-nos quando expressam opiniões contrárias ou quando usam meios distintos para se expressarem, e invocamos a democracia para calar quem a ataca e olvidamos que a democracia não é universal. Nem sequer perfeita.

E, paradoxalmente, quem ataca a democracia acha-se no direito de invocar a liberdade de expressão para defender as suas diatribes mas apenas porque devolve o princípio defendido. Não tem legitimidade mas a devolução fere, e o objectivo cumpriu-se.

 

 

Defendemos o direito ao livre arbítrio individual - mas legislamos e moralizamos sobre a relação que o indivíduo deve ter com o seu corpo, com a sua morte, com a sua sexualidade, consigo, e invocamos a ética e a moral para sustentar tais legislações e moralizações, olvidando que a ética e a moral, tal como as leis, são estabelecidas por indivíduos.

E, absurdamente, argumentamos que um grupo de indivíduos não pode legislar a opção do indivíduo porque outro grupo de indivíduos estabeleceu regras morais para proibição do indivíduo. Não tem qualquer lógica, mas ainda assim o argumento é usado e o objectivo atingido.

 

 

O que nos define como Civilização são os Princípios, que subjazem aos hábitos e aos costumes.

Sinto que atingimos um tal grau que não somos já Civilização mas Contradição.

Talvez tenha sido assim em todas as épocas, mas esta é a minha e é a que me preocupa. O resto é História, e parece que não serve de ensinamento.

*** Obrigada por estar aqui. Sarin *** Info sobre o blogue em i, no cabeçalho

76 comentários

[A palavra a quem a quer]