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Números

por Sarin, em 19.06.19

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Segundo as notícias, o relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados indica que, em 2018, havia 70,8 milhões de pessoas deslocadas no mundo, sendo pessoas deslocadas eufemismo para refugiados, exilados e migrantes económicos em situação desesperada.

 

Setenta e um milhões de pessoas. Quase metade do número das crianças que trabalham no mund... ah, isto não foi notícia? Bolas, atrapalho-me sempre com estes números! Qualquer deles me deixa confusa - ficar triste e revoltada é apenas consequência da vergonha.

 

Quando é que começámos a reduzir as pessoas a números? Sim, bem sei, mas esses fizeram-no por recusarem nomear quem matavam.

Agora reduzimo-las a números porque, juntas, são tantas mas tantas que é impossível manter-lhes os nomes quando delas falamos. E, com isto, o resultado prático poderá vir a ser quase o mesmo, que o diga Miguel Duarte enquanto arrisca a liberdade por salvar vidas num país que assinou a Convenção Europeia dos Direitos do Homem.

 

Só por curiosidade, em 1925 a Alemanha esteve presente na Conferência Mundial para o Bem-Estar da Criança, o que não impediu que em 1936 crianças dessem entrada em Dachau.

 

fonte da imagem aqui

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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lançado às 09:48

Onde ideias-desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor.


Obrigada por estar aqui.



20 comentários

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De Robinson Kanes a 19.06.2019 às 11:33

 A verdade é que se os números não nos deixam a pensar, então não será o resto...


P.S.: essa farpa contra a Alemanha, foi forçada - Hitler só chegou ao poder em 1933, a Alemanha de 1925 era outra ;-) - já cheirava a nazismo, mas ainda tardou.
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De Sarin a 19.06.2019 às 11:47

Não foi forçada: a sociedade era sensivelmente a mesma - tanto era que em 3 décadas se entusiasmou com duas guerras. Pelos mesmos motivos.
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De Robinson Kanes a 19.06.2019 às 12:45

Duas guerras completamente diferentes e a primeira pouco tinha a ver com a "sociedade" e entusiasmou é um termo forte... Além disso, 1925 foi pré "crash" e pós Primeira Guerra (embora Hitler já andasse por perto)- algo totalmente diferente da Alemanha de Brüning, de 1933 e de 1939 onde tudo já parecia estar perdido. 


É redutor dizer que esse entusiasmo, como lhe chama, foi pelos mesmos motivos, para não dizer falacioso - como é um erro histórico (muitas vezes cometido) catagolar todos os cidadãos alemães da época como bestas. 


Mas poderia ter falado da União Soviética, até porque, por incrível que pareça, a Alemanha, foi em Rapallo, a primeira nação a estabelecer relações com a primeira e também em 1925 tomou parte na Liga das Nações... ;-)
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De Sarin a 19.06.2019 às 13:03

Não cataloguei ninguém, e é mesmo a primeira vez que leio sobre classificarem os civis de bestas.
Assim como não referi motivações políticas - falei da sociedade, do cidadão comum cujos anseios passavam pela recuperação do poder do Império da Prússia. E daí o entusiasmo.


Tal como se entusiasmam agora os italianos com a possibilidade de fecharem fronteiras e ignorarem convenções internacionais.


Falei da Alemanha porque a Alemanha pertence, como a Itália e Portugal, à União Europeia. E o facto de o Robinson perguntar porque não usei como exemplo a União Soviética pode perfeitamente indicar que o Robinson não percebeu a alusão ou que o Robinson insiste em levar o debate para áreas que não são, de todo, as que estão nos meus textos ou no meu modo de estar.
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De Robinson Kanes a 19.06.2019 às 13:30

O cidadão comum de Weimar queria apenas "pão", se tinha algum entusiasmo era esse. Além de que existem muitas formas de chamar besta a alguém.


Itália é outra situação, além de ser um dos berços do facismo, cuja ideologia ficou sempre mal resolvida naquelas bandas. É um barril de pólvora prestes a explodir, mas acredito que não terá força suficiente...


Uma nota: Também a Convenção Europeia dos Direitos do Homem não é apenas composta por países da UE. Falei da União Soviética, pois também falou da Alemanha do(a) (pré) Segunda Guerra. Mas podemos falar da Hungria, Polónia e por aí adiante - podemos falar de muitos países que assinaram a Carta dos Direitos Fundamentais e que...


P.S.: não insisto em nada (não transforme os meus comentários naquilo que não são- :-) ). 
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De Sarin a 19.06.2019 às 14:44

É a sua leitura sobre as ambições do cidadão da antiga Prússia entre guerras, e nem vou tentar rebater demonstrando-lhe as ambições imperialistas que subsistiam entre o cidadão comum.




Quando um comentador diz algo como "essa farpa foi forçada" e acrescenta "em vez de A poderia ter falado de B", a minha interpretação é: ou 1. O comentador tem razão e eu falhei, ou 2. É pessoa pouco assertiva e delicada, ou 3. Pretende levar o debate para outros temas.
Elimino 1., eu ter falhado, porque os comentários posteriores corroboram a ideia que pretendi transmitir, a de que assinar convenções não é garante de nada e menos ainda quando os restantes países se mantêm calados e quietos perante o desrespeito de alguns. Não me inclinei para 2., mas há sempre essa hipótese, que até poderá ser concomitante, e lamento se me enganei. Mas, até devido à insistência em querer comparar as actuações de dois países na História, a intenção pareceu-me ser a 3., abordar outro tema.


Porque o postal estabelece uma correlação entre várias notícias. Que se centram nos Direitos Humanos e na posição da sociedade perante estes. Não no debate histórico de quem fez o quê - a menos que refutasse ser facto o que deixei como curiosidade a título de alerta, coisa que não fez, e portanto tal debate é redundante e contraproducente excepto para Robinson, que quereria chegar a algum resultado que ainda não identificou claramente. Esteja à vontade.
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De Robinson Kanes a 19.06.2019 às 14:56


Falhou em todas as interpretações, mas tem toda a razão ;-)
Bom feriado...
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De Sarin a 19.06.2019 às 14:56

Obrigada, Robinson, bom feriado :)
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De /i. a 19.06.2019 às 13:00

Somos um número e dificilmente saíremos desta forma de sermos vistos como um número. É mais fácil governar para números. A intenção é de apresentar medidas para números que depois de analisadas chegamos à conclusão que: as medidas aplicam-se aos números e que não se ajustam às pessoas com nome. Ou seja, os números ficam com os problemas resolvidos, mas as pessoas ficam sem os seus problemas resolvidos. A ideia base é resolver os problemas aos números para as estatísticas e a nunca tentar que as medidas sejam flexíveis para as pessoas chamadas Josefinas ou Albertinas. Temos o exemplo disso: as ligações de telefone naquelas áreas ardidas dizem os números das operadoras que está tudo restabelecido. Mas há pessoas que não tem o telefone fixo. Ora a operadora  apresentou números, logo para eles está tudo solucionado, pois trabalham para os números e não para as pessoas. Por isso, podem reclamar à vontade com o nome, que não serão ouvidos. 
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De Sarin a 19.06.2019 às 13:07

Sim, trabalhar os números é desumanizar as questões. Mas como chegámos a este ponto, nesta sociedade que assina convenções e tratados e até tem cúpulas reunidas para tratar destas matérias?
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De /i. a 19.06.2019 às 13:41

Acho que sempre foi assim, o problema é que há mais difusão da informação, há mais pessoas instruídas.  Que questionam esta forma de governar para o próprio umbigo e apresentando as tais soluções genéricas para os números no documento que é enfiado imediatamente na gaveta. Marcam a próxima cimeira com o mesmo tema, com título diferente para parecer que é um assunto novo e o da anterior cimeira foi resolvido com sucesso. E andamos assim. 


 (Apesar de estarmos a passar uma fase em que há mais gente com qualificações, porém iletrada e formatada para não pensar... ).
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De Sarin a 19.06.2019 às 14:03

Todo o teu comentário é pertinente, mas o que deixaste entre parêntesis é talvez o cerne. Infelizmente.
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De /i. a 19.06.2019 às 15:29

Pois é. E preocupa-me não se preocuparem-se com isso. 


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De MJP a 19.06.2019 às 16:12

Olá, Sarin!


Permite-me desviar do cerne da questão... mas... quando comecei a ler o teu texto, imediatamente, me transportei para o interior de um determinado serviço de internamento hospitalar, no longínquo ano de 1996, onde iniciei o ensino clínico (estágio) de enfermagem... todos as pessoas internadas eram conhecidas, apenas, por números... os mais delicados, diziam "o senhor da cama y"... eu fiquei muito desconfortável com a situação e claro que, fiz questão de saber o nome de cada um dos utentes e tratá-los pelo respectivo nome... 
Num determinado dia, durante uma visita médica, o director do serviço pediu-me que apresentasse o caso clínico de um utente... e, eu, descrevi toda a situação clínica do "sr. Francisco Correia" (que já estava internado naquele serviço havia 6 semanas!!!)... e o dito sr. dr. não fazendo ideia de quem era a pessoa... "berrou" para a enfermeira-chefe: "afinal quem é esta inútil que só me fez perder tempo??!!!"... enchi-me de coragem... e, de imediato, respondi... "se há aqui há algum inútil é o sr.... que, ao fim de 6 de semanas de internamento, ainda não foi capaz de aprender o nome do utente"... e depois, rematei... "quando, um dia, se vir deitado numa destas camas e lhe chamarem, simplesmente, "o 23", vai-se lembrar de mim!!!"...    


De facto, não gosto de ser considerada, apenas, um número e nunca desejei tal "fado" para quem quer que fosse... 
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De Sarin a 19.06.2019 às 16:30

É mesmo muito mau. Compreendo que alguns profissionais precisem de mecanismos para suportarem a miséria ou o sofrimento humano a que por vezes assistem - mas não me parece que passe por eliminar a individualidade daqueles com quem lidam.


No postal, tento mesmo deixar no ar a ideia de que estes números já nos dessensibilizaram, já não falamos de pessoas, de crianças, mas de números - e que se eles são um número nada impede que o sejamos também. Como já somos em tantas situações...
E por isso o que partilhaste não estar desenquadrado. Obrigada!
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De Luísa de Sousa a 19.06.2019 às 18:21

Ora, ora, é mais "fácil" lidar com números, desumaniza todas as situações e o impacto que causa é muito menor!!!
Triste mesmo é o número de crianças que trabalham no mundo!!!!




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De Sarin a 19.06.2019 às 18:26

A dessensibilização é um processo que não deixa marcas... excepto nos mortos :(


Todos os números arrepiam, Luísa :'(
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De HD a 19.06.2019 às 20:31

Hoje em dia tudo se resume a números... -.-
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De Sarin a 19.06.2019 às 21:07

E por isso muitos olham para estes e já não sentem nada :(
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De HD a 20.06.2019 às 20:41

Tristemente... -.-

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