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Não é Não

por Sarin, em 07.10.18

A expressão não precisa de ponto de exclamação.

O postal, sim.

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(fonte da imagem aqui

 

 

Há quem julgue o "Não" um sim disfarçado, seja porque o ego não consegue processar a recusa, seja porque o emissor depois faz beicinho e diz "esperava que insistisses".

 

Falando de sexo, a coisa resume-se a   "Comuniquem com clareza".

Porque a denguice associada a um "sim disfarçado" pode levar a um sexo "mais ou menos" consentido. Exacto, a ambiguidade joga para ambos os lados - só que não há "violações assim-assim", nem quando quem viola não sabe estar a violar... porque a vítima, essa, saberá.

E antes que me corrijam com um "o outro pode sempre parar", pensemos que a violação não tem que compreender toda a consumação. Uma vítima de violência será vulnerável durante 2 segundos ou 2 minutos, mas qualquer trauma durará mais do que isso.

 

Não podemos evitar a violência gratuita. Mas a violência por não sabermos comunicar? Temos a Língua que falamos, temos a linguagem corporal, temos códigos de sedução, temos imaginação...

 

Resumindo ainda mais: "Pensem".

Não é Não.

Isto no sexo.

 

No resto também.

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Obrigada por estar aqui.



19 comentários

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De júlio farinha a 07.10.2018 às 13:39

Nas relações, incluindo as sexuais, exige-se muita sensibilidade, inteligência e respeito. Quem reunir estas condições saberá ver quando há sim ou quando há não. De resto, a relação é uma construção exigente e nem todos são capazes de relações saudáveis.
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De Sarin a 07.10.2018 às 15:04

Mas não há sensibilidade e respeito que resistam à incoerência no traçado dos limites, à ambiguidade na comunicação constante... por isso, também, haver quem não seja capaz de relações saudáveis - sendo esta sanidade definida pelo bem-estar dos envolvidos, não pelos ditames sociais.
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De júlio farinha a 07.10.2018 às 17:44

Tem toda a razão. Prefiro mil vezes uma relação honesta em vez de incoerente e não suporto a cultura da equivocidade, do jogo malicioso. Uma relação pode ser curta ou longa, mas tem que ser sempre séria e clara.
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De HD a 07.10.2018 às 18:58

Há quem não reconheça o significado do não... e precisa de ser esclarecido com advertências, por vezes demasiado penosas... -.-
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De Sarin a 07.10.2018 às 19:24

Sem dúvida, H.D.!

Há jogos que se tornam perigosos sem que haja intenção, apenas falha na comunicação...
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De júlio farinha a 07.10.2018 às 20:36

Observação cheia de oportunidade.
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De Pedro D. a 08.10.2018 às 10:38

Um não será sempre um não. Por vezes o ego - tal como diz - filtra as palavras e ouve-se um "continua"... é como em tudo na vida e não apenas no sexo.

Dar sinais do sim e no último segundo gritar "não" pode dar azo a asneira...
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De Sarin a 08.10.2018 às 11:20

E ainda assim esse não pode resultar de real mudança de opinião... tal como um sim pode seguir-se a vários nãos. Porque a volubilidade acontece, para quê aumentar o perigo com falsos nãos?
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De Pedro D. a 08.10.2018 às 19:32

Isso depende de cada um e da sua maneira de estar perante os outros. sejamos honestos falamos indirectamente do ex-melhor jogador do mundo e da sua relação com uma senhora que trabalhava numa discoteca de Las vegas para fazer os clientes gastarem dinheiro... sobe para o quarto e o imbecil pensa que pode fazer tudo, mas tarde paga monetariamente pelo que fez e pensa que está resolvido. Ela assina um contrato e 10 anos depois lembra-se... é muito "sombras de Grey", uma senhora que assina um contrato para ter sexo com um multimilionário. Ambos ficam muito mal na fotografia.
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De Sarin a 08.10.2018 às 20:07

Não falava indirectamente desse caso, cujos contornos nem sequer conheço a não ser por comentários difusos.

Falo de falta de clareza na comunicação, falo do direito de mudar de opinião, falo da não submissão ao que outros esperam perante certas atitudes: só porque sou adulta e solteira e vou jantar com um homem, a noite não tem que acabar em sexo; só porque convido esse homem para um café em minha casa às tantas da manhã porque a conversa está agradável e nenhum tem sono (ou aceito um café em casa dele quando o vou levar) não significa que o estou a convidar para a minha cama ou para o meu corpo. Nem que eu fosse prostituta e convidasse um homem para minha casa isso seria um sinal de sexo.

Não percebo a alusão ao livro pois nunca li, mas acho que percebo a ideia.

Há muitas motivos para um homem pagar sendo inocente (continuará culpada por escamotear a verdade) e há muitos motivos para uma mulher aceitar dinheiro sendo vítima - evitar exposição é comum a ambos. Mas uma vítima não reage de acordo com um padrão, e passa ou pode passar por diversas reacções ao longo dos anos, por exemplo superando os receios que a levaram a aceitar acordos ou descobrindo que sem denúncia do crime não consegue adquirir auto-confiança ou até percebendo que sem denúncia encobre um violador que poderá ter ou fazer mais vítimas. Uma oportunista também pode ficar mais ambiciosa, mas por isso culpo (e sou mais dada a responsabilizações do que a culpas!) os inocentes que pagam silêncios.
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De Pedro D. a 09.10.2018 às 10:39

Compreendo a ideia, mas: A Sarin não é alternadeira, nem trabalha numa discoteca em que a sua função é entreter os clientes. A Sarin de certeza que não tem o hábito de subir para um quarto de hotel com desconhecidos - ou de os levar para casa. A violação é sempre complicada, seja uma mulher ou homem. Neste caso, a estranheza - que raio de palavra - é apenas se lembrar do assunto 9 anos depois e com uma equipa de advogados "batida" nestes casos.
Não há inocentes neste no caso de Ronaldo. Ela porque se dispôs a isso, ele porque o fez. Se pagou é porque se sente culpado ou terá cedido a chantagem? Ambos ficam muito mal na fotografia.

PS- sinceramente creio que Ronaldo o fez, é suficientemente egocêntrico para pensar que todas as mulheres querem dormir com ele. Mas nada como as provas...

Por curiosidade aqui fica o relatório da polícia: http://www.spiegel.de/media/media-43488.pdf
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De Sarin a 09.10.2018 às 11:20

Efectivamente não só, e apenas posso supor como será a pressão a que tais mulheres estão sujeitas na sua vida privada.
Aponto dois ou três pormenores, para ilustrar alguns vícios de análise: assume que Ronaldo era desconhecido, já li comentários que os davam com vários encontros na altura do ocorrido (é facto que houve sexo); mesmo sendo desconhecido, sexo ocasional existe e não é por isso que as mulheres que o fazem são violadas ou os homens que o fazem são vítimas de chantagem; se o par, casal ou desconhecidos, embarcar em actividades sexuais e se, sem aviso ou combinação, ocorrerem práticas inesperadas que desagradem, a pessoa pode sentir-se violada, é mesmo violada se pedir para parar e tal não acontecer.

Foi isso que se passou? Não sei. Mas desconfio que o Pedro se sentiria violado se, durante o sexo oral, a sua companheira lhe inserisse um dildo sem lubrificante nem aviso. Não obstante o sexo ter iniciado de comum acordo, a prática não teria sido consentida. São questões cuja prova se torna difícil, mas a vítima existe tal como existe agressor. E a agressão poderia resultar de um tempo antes ter partilhado com a parceira tal gosto e ela ter resolvido fazer a surpresa - falha de comunicação e de percepção; ou de inclinação sádica - e para prová-lo necessitaria de histórico, não necessaria ou exclusivamente sexual.

Não sei se foi o caso com CR e a mulher em causa. É uma possibilidade, cuja probabilidade desconheço, mas que também poderia explicar o pagamento - desconforto de ambos, ela sentir-se violada e ele não se sentir agressor mas saber que algo correu mal.

Comunicação, comunicação, comunicação.
E nada de julgamentos sumários.
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De Sarin a 09.10.2018 às 11:22

Efectivamente não sou, não efectivamente não só


É esta uma daquelas gralhas gralhudas...
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De júlio farinha a 09.10.2018 às 15:18


Também não me interessei por aí além pelo caso destacado. De acordo com a minha leitura do homem, não me surpreende que este tenha ido além dos limites. A mulher, no mínimo. descuidou-se ao favorecer a ocorrência. Ninguém dança com um sujeito e, na sequência, o convida ou aceita o convite para uma ascensão ao quarto que não é bem um espaço para tomar café, Sarin. Cada um sabe ao que vai. Cada um deve assumir as consequências. Se houve do jogador, abuso sobre o implícito, CR demonstrou que é tão mau jogador nas relações como é bom no campo. Alguém se enganou ou foi enganado. Os terão sido os dois?
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De Sarin a 09.10.2018 às 16:32

Num hotel, o quarto é ou pode ser também um local para tomar café, mais ainda se dor suite, Júlio.

E mesmo que subissem ambos e o objectivo de ambos fosse sexo, pode ainda assim haver violação. Na resposta ao Pedro D. exemplifico como pode haver violação entre casais, por falta de comunicação ou por intenção outra.

Não sei se foi o caso. Não sei se é oportunismo ou violação. Ambas são plausíveis. As reacções de uma vítima não são previsíveis, as violações não são todas iguais, e aquilo que verdadeiramente me choca no caso são as certezas de tanta gente. As ilações - por conta da roupa dela, ou por ela ter subido ao quarto, ou de se ter posto a jeito; ou de ele ser um mimado, ou de ser um bruto, ou outra coisa qualquer... estas ilações apenas demonstram que somos uma sociedade de Marias Luísas Abrantes e de Netos de Moura.
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De júlio farinha a 09.10.2018 às 20:47

Pode haver intenção como pode não haver. Neste caso, a intenção , acredito, não terá sido premeditação. Pode ter havido frustração que levou a um acto mais ou menos violento física e psicologicamente. Se foi o caso, pode ter havido violação da mulher e das expectativas do homem. Duas violações, embora com pesos diferentes. A última não está justificada pela primeira e merece o repúdio social. Não posso julgar, pois não estive lá.
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De Sarin a 09.10.2018 às 21:34

A maioria das violações acontece sem premeditação, Júlio. E acredito que muitas o sejam também sem intenção. Daí o postal sobre comunicação.

Expectativas violadas? Desculpe, Júlio, mas a expressão incorre em falha semântica - violar implica invasão, violência, e expectativas podem ser violentamente goradas mas apenas por hipérbole ou outra figura estilística; a expressão assim formada, e acredito que nem se tenha apercebido, na verdade o que faz é minimizar, reduzir, banalizar a violência sofrida pelo violado. Como se se comparadse o sofrimento pelo carro destruído com o sofrimento do acidentado no hospital.


E é isso mesmo, não estávamos lá, não testemunhámos - e vamos lendo factos dispersos, e vamos ouvindo interpretações de desconhecidos factos à luz de suposições e preconceitos vários.

E é isto, estes julgamentos, que dão força a chantagens e a contratos de silêncio. Os que já a julgaram como oportunista devem ficar satisfeitos por terem colaborado no florescimento das próximas.
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De júlio farinha a 10.10.2018 às 00:51

Sarin, tem razão. Cometi uma imprecisão grave ao falar em expectativas violadas. O que estava na minha mente era expectativas goradas. O resto está certo. Só mais uma coisinha: não estou afim de desresponsabilizar ninguém. Se houve culpa, ela está nos dois lados. Falta pesar a de um e do outro. De resto, não creio que a mulher tenha processado o homem por atentado à honra ou dignidade ou atentado aos direitos da mulher. Se o atleta foi o principal culpado, condene-se. Mas mete-me confusão. e não abona a favor da senhora, que ela e os seus, mais do que um, advogados estejam prontos a renunciar à queixa a troco de uma soberba indemnização
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De Sarin a 10.10.2018 às 01:08

Calculei que fosse lapso, caro Júlio, com tantas repetições da palavra esta já quase se escreve sozinha...


Sabendo quão desgastantes são os processos judiciais, e quão humilhantes podem ser estes casos para a vítima, o quererem celeridade e evitar tribunais é o que menos me espanta...
É a vítima que tem que descrever o que lhe fizeram, que vai ver fotografias suas e relatórios sobre si passarem nas mãos de juízes e peritos e médicos e polícias, é a vítima que vai ser acossada com perguntas sobre a sua intimidade, os seus hábitos, a sua moral...
Não me espanta mesmo nada que uma vítima queira proteger-se de mais esta violação. O agressor não terá nem um centésimo desta exposição...

Se ela é vítima ou não, repito que não sei.

a palavra a quem a quer




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