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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Não deveriam pesar

 

A minha bíblia é a Declaração dos Direitos Humanos.

 

Creio nela profundamente.

Guio-me por ela.

Mas nunca a disse Universal...

Como podia?

No Ocidente atravessámos séculos de escravatura, pena de morte, tortura, abusos vários... para chegarmos a uma Declaração que antecedeu o direito de voto das mulheres na Europa ou dos negros nos EUA. Que antecedeu a abolição da pena que continua a matar no Ocidente.

 

O Ocidente, essa figura indefinida, amálgama de culturas várias e tão distintas afinal.

Como nos podemos arrogar detentores da verdade universal, de qualquer uma mas especialmente da que aos Direitos Humanos respeita, quando não conseguimos respeitá-los aqui, no meio de nós que os declarámos?

Atingimos um quase comum. Um quase. E, ainda assim, queremos impôr este nosso tão recente quase a outras culturas tão ou mais ancestrais que as nossas... que topete!

 

Sim, quero que a Humanidade caminhe nesta direcção... mas não caminhamos lado a lado, e respeitar os Direitos Humanos é também respeitar o ritmo de cada sociedade. 

 

Respeito, diálogo, dissuasão... sempre insistência, nunca ingerência. Cedências de parte a parte, algumas dolorosas, muito dolorosas... como aceitar mutilações em troca de penas de morte?

Mas cada pequena conquista é uma grande vitória.

Porque mudar hábitos é um trabalho diário, doloroso, a desenvolver por gerações ao longo de gerações.

E exige, em cada uma, líderes que aceitem a lentidão do processo, governantes que usem diplomacia, não demonstrações de força.

 

 

Sabia-se que era questão de tempo... 

Um retrocesso. No Ocidente, um quase menos quase num gesto que fere todos. 

Apesar da garantia do compromisso com os Direitos Humanos, de lá vamos sabendo de crianças  separadas dos pais e de crianças raptadas pelos pais nas suas próprias casas e de crianças mortas por balas nas suas casas nas suas escolas nas suas ruas. Enquanto os líderes se chocam com as histórias, vão rasgando os compromissos e abandonando as  mesas de negociação. 

E eis como a universalidade não passa do nosso quintal. 

 

He ain't heavy, he's my brother

Não que sejamos irmãos... 

but we share the same biology

regardless of ideology

 

 

11 comentários

[A palavra a quem a quer]