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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Mas... a descontração é que é o problema!

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Um tabu contrai as opiniões até estas se reduzirem à dimensão atómica.

E sim, tudo o que esteja relacionado com a sexualidade humana continua a provocar muita excitação molecular entre várias tipologias, dos moralistas aos libertinos - muitos dos quais continuarão a confundir sexo com sexualidade, erotismo com pornografia, conhecimento com sem-vergonhice, e tudo isto num belo ramalhete de tabus e preconceitos.

Falar de disfunções femininas e de problemas ginecológicos ligados à sexualidade, então, parece ser ainda tabu - embora a história sempre nos tenha atirado as culpas, com ou sem responsabilidade.

O artigo cuja capa ilustra este postal está assinado por uma médica de medicina estética, Dr.a Ana Sousa, e apenas lamento que não tivesse mais divulgação, pois, embora não seja recente, contribui para desmistificar algumas cirurgias correctivas ginecológicas.

Sendo bom falar abertamente no assunto, ainda assim acho que podiam ter arranjado outro título para um artigo que aborda as operações tornadas necessárias pela falta de força dos músculos: descontrair é tudo o que não precisam, caramba!

 

Ainda sobre esta questão da sexualidade feminina, recordo e retomo um postal que deixei a meio em Agosto, por alturas daquela tonteira que, atingindo alguns sectores da sociedade norte-americana, os levou a olhar de viés para o termo vagina - em defesa da sensibilidade das mulheres que a não têm.

Além da tentativa de algumas estudantes para reescrever os Monólogos da Vagina, a norte-americana Healthline, sítio internáutico de esclarecimento e divulgação sobre Saúde, trocou o termo científico vagina pelo aparentemente mais inclusivo termo buraco da frente num guia dedicado à comunidade LGBTTT sublinhando que tal termo é utilizado também por outras entidades responsáveis do sector da saúde. 

Desculpem lá, sejamos descontraídos nas abordagens mas não demasiado descontraídos, sob pena de se nos desenrolar o ADN!

Existem mulheres sem clítoris, sem útero, sem ovários, sem mamas - e sim, chamo-lhes mamas porque são o seu nome e por isso sermos mamíferos, Mammalia, que seios todos temos e em muitas partes do corpo. Dizia que há mulheres sem um ou sem vários órgãos femininos, de nascença ou na sequência de ablações mais ou menos necessárias; mas sem vagina, e apesar de a agenesia e a disgenesia vaginal afectarem cerca de 1 em cada 5000 mulheres, não, parece que todas temos uma - ainda que possa ser um canal incipiente,  diminuto ou ocluso.

A disforia de género apresenta-nos uma personalidade de mulher num corpo de homem, e poderemos, eventualmente, ter indivíduos que se sintam mulheres sem vagina - mas também sem qualquer marcador genético que, biologicamente, os permita definir como mulheres. E por muito respeito que tais pessoas me mereçam, por elas e pelos desconfortos sociais que sofrem, ainda assim não posso aceitar que se classifiquem "mulheres sem vagina". Muito menos aceito que os propagandistas LGBTTT troquem a vagina por um estúrdio e a raiar a boçalidade buraco da frente - os buracos da frente são as órbitas, as narinas, a boca e a uretra. A vagina está onde sempre esteve, nem atrás nem à frente mas a meio. E dentro, que por fora chama-se vulva e não coisa-para-imbecis-rebaptizarem.

 

Enfim, o segredo está em contrair e descontrair com conta peso e medida. Nos tabus, nas definições... e também na sexualidade, com os cumprimentos de Arnold Kegel.

Obrigada por estar aqui.

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[A palavra a quem a quer]