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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

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Marine Le Pen na Web Summit: um caso extremo de falta de senso

Marine Le Pen consta da lista de oradores da Web Summit, Marine Le Pen já não aparece na lista de oradores, Marine Le Pen volta a surgir na lista... e enquanto o nome da chefe dos Nacionalistas franceses brinca às escondidas, na nossa praça muitos se insurgem contra este convite, contra esta presença, contra esta pessoa. Porque entendem não se dever dar tempo de antena a quem defende princípios fascizantes, e até persona non grata em Portugal lhe chamaram. [Persona non grata em Portugal? Atentou alguma vez contra o território, a cultura, a lei ou os cidadãos portugueses? Tanto quanto sei e é público, não. Portanto, poderá ser pessoa desprezada e até odiada por alguns portugueses, têm esse direito - não têm é o direito de a declarar "indesejada no país".]


Do outro lado, dos que defendem a sua participação, os nacionalistas mais ou menos encapotados atiram a luva da censura e da falsa democracia "que a uns convida e a outros proíbe".

 

E, algures num ponto que certamente não é o meio entre aqueles dois grupos, estão os que, como eu, se manifestam incrédulos com ambos os argumentos. Ainda não li nem vi nenhum outro, mas sei que existem - ou existiram em situações semelhantes.

 

A Web Summit tem como objectivo falar do futuro que se vive hoje e se espera amanhã. A organização é livre de convidar quem quiser. E, como qualquer organização apolítica, convoca elementos de organizações e entendimentos distintos que possam contribuir para o objectivo dos encontros que organiza.

Não me agrada que Marine Le Pen seja um desses entendimentos distintos, não por ter algo contra Marine cidadã mas por abominar alguns dos princípios defendidos por Marine e pelo seu partido. Mas o apoio que tem de tantos confere-lhe o estatuto de pessoa a ouvir.
Seria infantil ignorar que a extrema-direita tem peso na Europa.
Assim como é infantil querer silenciá-la cerceando-lhe o acesso à divulgação, ao debate - enfim, querer isolá-la na sombra. Na sombra crescem os fungos, senhores, e produzem das toxinas mais letais a que o homem tem acesso... percebem a analogia?
A melhor maneira de enfraquecer uma força é deixando-a actuar enquanto se exerce força contrária: deixem-na falar. Ouçam, ouçamos o que diz e perguntemos, questionemos, desmontemos os argumentos falaciosos que Marine, tal como antes Jean-Marie e outros nacionalistas antes dele, usaram usam e usarão. Aos argumentos mais sólidos contraponhamos soluções, apresentemos alternativas credíveis que anulem as questões levantadas e que incomodam os que lhe dão apoio e alguns dos que ainda não.


Claro que querer evitar a vinda de Marine Le Pen é censura. Óbvia censura que muito me entristece em democratas.
Mas uma coisa é uma Democrata dizê-lo, outra permitir que os Nacionalistas usem tal argumento: senhores nacionalistas, não apontem aos democratas um mecanismo de defesa como se fosse uma falha já que, pelos senhores, este mecanismo é usado como ataque. Inventem outro argumento – são os senhores que querem silenciar os outros, todos os outros; e que apenas não silenciam quando não têm poder para tal. Conhecemos os resultados quando o têm, e o curioso é que muitos dos que vos apoiam não: “só se aplica aos outros”.

 

Venha Marine! Silenciemo-la derrotando os seus argumentos.

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[A palavra a quem a quer]

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