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Organização Internacional para as Migrações (OIM) existe há quase 70 anos. Ao fim de 70 anos tem um chefe máximo português. Importante dizer isto? Apenas um residual orgulho nacional, talvez.

Mas a OIM tem, ao fim de quase 50 anos, um director que não é apoiado pelos EUA. E dizer isto é tecer um ror de considerações numa frase tão curta!

 

Porque os EUA hoje são Trump, e Trump é e age como sabemos em matérias de migrações e políticas internacionais.

E sei que haverá almas que defendem não estar Trump a fazer nada que não tenha sido começado por Clinton ou Obama. Ainda que assim fosse, Clinton e Obama levaram mais de 20 anos a concretizar o que Trump agora faz - e que está a fazer arbitraria e concertada e desmedidamente em simultâneo. As consequências do longo-prazo permitem gestão, as do curto-prazo implicam submersão. You are overwhelmed, mister Trump, and not in a good manure manner.

 

Porque a UE alinhou sempre com os EUA, mas desta vez desalinhou.

Talvez também por causa do tal acordo comercial, que nisto da política nunca nada é exacta e somente o que se vê. Mas certamente por causa do posicionamento da UE em matéria de migrantes e imigrantes - muito embora ainda andemos a tentar descortinar o que pensamos nós, a UE, fazer exactamente. (Pela notícia anterior quase parece que chegaram a acordo, certo? Pois, ênfase no "parece", até porque parece-me terem acordado intenções. O debate e a concretização ficam para depois.)

 

Porque as migrações afectam a segurança, e a UE anda às voltas com Schengen e com a gestão comum das fronteiras de cada um.

Por outro lado, a UE está quase em bloco na NATO, com excepção da Áustria, Chipre, Finlândia, Irlanda, Malta e Suécia. E Trump está longe de gostar da NATO, o que não augura relações fáceis nos tempos mais próximos, i.e, durante o mandato trumpiano.

 

Porque a UE, com a agenda Brexit à saída, a agenda Erdogan à entrada e as agendas Orbán, Conte e Kurz à mistura, parece em entropia acelerada mas com centro de gravidade próprio. E ninguém sabe o que sairá disto.

 

 

Talvez que o trabalho de António Vitorino beneficie deste afastamento entre a UE e os EUA. Porque dentro da UE vai ter longos rounds, e arrisco que sem luvas por parte de alguns.

Mas continuará a trabalhar ao nível da migração e não da fixação. Esta é matéria para António Guterres, se a ONU finalmente ousar ser aquilo para que foi constituída.

Espero que obtenham resultados práticos. Não por serem portugueses. Não por serem humanistas. Apenas por nós.

Porque não é apenas a música que nos é universal.

 

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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lançado às 19:28

Onde ideias-desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor.


Obrigada por estar aqui.



9 comentários

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De Pedro a 30.06.2018 às 23:26

Nunca gostei de António Vitorino. Saiu de um governo socialista para a Banca e desde então tem-se sentado em diversos Bancos. Um homem que mede demasiadamente as palavras nunca se compromete. E há missões que requerem palavras e gestos musculados quando não incómodos. Julgando-lhe o perfil Vitorino vai sobretudo arranjar currículo e arranhar o resto. Um homem situado comodamente para um lugar incómodo resultará numa incompetência fatal.
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De Sarin a 30.06.2018 às 23:51

Não desgosto do António Vitorino para o cargo - alguém que pese e volte a pesar o que diz é fundamental quando se lida com governantes a quem apetece mandar para o Armazém 6 do Sitio Dos Poços, em Vale de Touros, lá para os lados de Palmela.

Pelo panorama, exercícios de musculação neste momento exigem uma autoridade (económica, porque moral não há) que nenhum organismo pode assumir dada a dispersão mas, mais importante, dadas as causas do fenómeno. Portanto, braços-de-ferro improdutivos.

Desejo que Guterres traga a ONU para o espaço ocupado pela ONU de Kofi Annan.
Vitorino poderá contribuir para tal. (Red) Cross fingers...
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De Pedro a 01.07.2018 às 00:01

A intransigência é fundamental em determinadas alturas. O tempo das falinhas mansas já ficou para trás. Quando a razão está do nosso lado não precisamos de sofismas para o convencimento. A verdade torna-se até sem palavras evidente.
Veja o Papa. Uma autoridade moral sem medo de machucar ou chocar.
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De Sarin a 01.07.2018 às 00:22

Pedro, mas a Santa Sé é sede de Estado e é sede religiosa, o Papa é Chefe de Estado e é autoridade moral para os católicos. A OIM nem sequer tem financiamento próprio, é financiada pelos Estados e pela ONU, que idem... o director-geral de tal organismo tem tanta capacidade impositiva como tem o Papa no FMI.
A fragmentação é demasiada; o discurso só poderá ser duro se a OIM conseguir um núcleo duro de apoio - e por núcleo duro falo de 4 dos do G7...
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De Pedro a 01.07.2018 às 07:57

O Vitorino que não tenha medo de perder o lugar mas que o conserve para os outros não terem tanto medo.
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De Sarin a 01.07.2018 às 10:09

Não elejo comentários, mas se o fizesse... era este :)

Plenamente de acordo!
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De Pedro a 01.07.2018 às 13:02

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De Sarin a 01.07.2018 às 13:08

(esperava uma observaçãozita sobre o Armazém 6... )
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De Pedro a 01.07.2018 às 13:58



Talvez por ser domingo?

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