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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Maestro António Vitorino e a música do mundo

Organização Internacional para as Migrações (OIM) existe há quase 70 anos. Ao fim de 70 anos tem um chefe máximo português. Importante dizer isto? Apenas um residual orgulho nacional, talvez.

Mas a OIM tem, ao fim de quase 50 anos, um director que não é apoiado pelos EUA. E dizer isto é tecer um ror de considerações numa frase tão curta!

 

Porque os EUA hoje são Trump, e Trump é e age como sabemos em matérias de migrações e políticas internacionais.

E sei que haverá almas que defendem não estar Trump a fazer nada que não tenha sido começado por Clinton ou Obama. Ainda que assim fosse, Clinton e Obama levaram mais de 20 anos a concretizar o que Trump agora faz - e que está a fazer arbitraria e concertada e desmedidamente em simultâneo. As consequências do longo-prazo permitem gestão, as do curto-prazo implicam submersão. You are overwhelmed, mister Trump, and not in a good manure manner.

 

Porque a UE alinhou sempre com os EUA, mas desta vez desalinhou.

Talvez também por causa do tal acordo comercial, que nisto da política nunca nada é exacta e somente o que se vê. Mas certamente por causa do posicionamento da UE em matéria de migrantes e imigrantes - muito embora ainda andemos a tentar descortinar o que pensamos nós, a UE, fazer exactamente. (Pela notícia anterior quase parece que chegaram a acordo, certo? Pois, ênfase no "parece", até porque parece-me terem acordado intenções. O debate e a concretização ficam para depois.)

 

Porque as migrações afectam a segurança, e a UE anda às voltas com Schengen e com a gestão comum das fronteiras de cada um.

Por outro lado, a UE está quase em bloco na NATO, com excepção da Áustria, Chipre, Finlândia, Irlanda, Malta e Suécia. E Trump está longe de gostar da NATO, o que não augura relações fáceis nos tempos mais próximos, i.e, durante o mandato trumpiano.

 

Porque a UE, com a agenda Brexit à saída, a agenda Erdogan à entrada e as agendas Orbán, Conte e Kurz à mistura, parece em entropia acelerada mas com centro de gravidade próprio. E ninguém sabe o que sairá disto.

 

 

Talvez que o trabalho de António Vitorino beneficie deste afastamento entre a UE e os EUA. Porque dentro da UE vai ter longos rounds, e arrisco que sem luvas por parte de alguns.

Mas continuará a trabalhar ao nível da migração e não da fixação. Esta é matéria para António Guterres, se a ONU finalmente ousar ser aquilo para que foi constituída.

Espero que obtenham resultados práticos. Não por serem portugueses. Não por serem humanistas. Apenas por nós.

Porque não é apenas a música que nos é universal.

 

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[A palavra a quem a quer]