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Made in China

por Sarin, em 22.11.18

 

Importamos tanta coisa da China, podíamos importar também esta decisão...

 

Sou a favor da meritocracia, portanto os bons têm que ser mais bem remunerados que os assim-assim, os maus não devem ser remunerados porque não têm lugar na profissão e os excelentes devem ter remunerações de excelência. Não se trata, assim, de retirar mérito a quem o tem.

Por outro lado, a vida profissional enquanto atleta de alta competição tem um prazo muito limitado e incerto; aliás, normalmente só dura até mais de metade da idade da reforma prevista pela lei para o comum dos mortais se se for atleta de xadrez - e nem vou entrar pela questão de o xadrez ser um desporto... Assim, é lógico que, sendo uma profissão de alto desgaste e sobre cuja duração apenas temos certeza de ser breve, as remunerações sejam mais elevadas do que as praticadas noutras profissões.

 

No entanto, e por muito que a indústria do desporto, ou melhor, de alguns desportos, mova e influencie PIB e Bolsa de vários países, a verdade é que neste século atingiram-se patamares absolutamente pornográficos, o que dilatou ainda mais o fosso entre os atletas, as expectativas e o comum dos mortais que alimenta tudo isto.

 

Sou a favor de tectos salariais. Num mundo perfeito tais tectos seriam desnecessários porque a meritocracia seria transversal à sociedade. Mas não é, apenas é transversal a quem vende nesta sociedade de consumo exacerbado.

Assim, aplaudo esta tendência lançada do outro lado do mundo.

Principalmente porque, sendo o investimento chinês cada vez maior nas antigas empresas públicas portuguesas, pode ser que finalmente as administrações de tais empresas comecem a ganhar ordenados condignos... 

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8 comentários

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De O ultimo fecha a porta a 23.11.2018 às 00:04

não tenho uma opinião formada sobre isso. acho que uma entidade privada pode ter a possibilidade de escolher quanto quer pagar aos seyus profissionais. Mas há sempre volta a dar a isso: direitos de imagem, prémios de assinatura, publicidade, ajudas de custo, prémios...
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De Sarin a 23.11.2018 às 00:23

Num mundo ideal também não teria opinião. E concordo que, no sector privado, cada empresa deveria ter liberdade para gerir os salários. Mas, se não houvesse salário mínimo, muitas empresas trabalhariam ao nível da escravatura; da mesma forma, não havendo tecto salarial, a discrepância acentua-se, a especulação aumenta - e os profissionais de topo, ou os que ocupam posições de topo em empresas, acabam por ganhar valores profundamente distantes dos restantes: a distribuição salarial não corresponderá ao esforço.
O tecto salarial deverá, coerentemente, abranger prémios de produtividade (no caso dos jogadores, prémios de jogo).


Os direitos de imagem, etc, são pertença do jogador e cada um contratará o que puder - o tecto que defendo é por função, não um tecto ao rendimento. Meritocracia e esforço - quem mais, qualitativa e quantitativamente, trabalhar, mais bem pago deverá ser :)
Apenas defendo - e faço-o porque os mercados, definitivamente, não são auto-reguláveis - algum bom senso na remuneração do trabalho.


Repara que, no futebol, temos putos de 15 anos a fazerem contratos de 1500€ nos juvenis. 
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De O ultimo fecha a porta a 26.11.2018 às 00:07

é verdade, mas continuo a não estar 100% de acordo com um tecto máximo numa entidade privada. Por muito obsceno que seja acho que cada um é livre de pagar o preço que entender pelos serviços de outra pessoa. 
Mas no caso do futebol em concreto os valores são de facto muito elevados e insustentáveis. Mas repara no caso provável: dois clubes oferecem o teto maximo a uma jogador. Como vai decidir? Ou vai por razões afetivas ou vai por jogadas debaixo da mesa com o empresário e extras não tributados nem declarados... Não há soluções perfeitas...
Porém hoje em dia na Europa já existe o fair play financeiro que limita os resultados negativos dos clubes com vista a trazer mais igualdade e sustentabilidade à industria,
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De Sarin a 26.11.2018 às 00:50

Escolhe por questões afectivas, de conforto, cultura, o que quiser.
Mas se apenas assim se conseguir travar a especulação, que seja.
Preferia que os sectores acordassem tais tectos entre si em vez de por imposição governamental, mas alguém que trave tal especulação: vês miúdos a largar a escola tentando ser o novo CR7, vês os clubes a contratar por 4x salário mínimo putos que nem idade têm para trabalhar porque os contratos dos bons já andam nos milhões... não quero que páre por falência - que é o que acontece quando a bolha da especulação rebenta...


O que preconizo para o futebol é aplicável a outras actividades.
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De O ultimo fecha a porta a 27.11.2018 às 00:02

Verdade, mas há muitos interesses envolvidos, nomeadamente empresários. Não sei se não seria pior a emenda que o soneto, com ainda mais fraude do que aquela que possa haver.
I.e., percebo a tua intenção e do governo chinês. Duvido da sua eficácia, pq temo os esquemas paralelos.
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De Sarin a 27.11.2018 às 00:51

Uma medida nunca deve ser aplicada isoladamente, e para funcionar tem de ser pensada pluridisciplinarmente ou acontecem as redundâncias técnicas, também chamadas de pescadinhas-de-rabo-na-boca.
O teu alerta vem exactamente no sentido contrário a estas mais-que-ocasionais pescadinhas, que acontecem sempre que a um Ministério lhe dá para legislar sem falar com os outros :)  
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De Zé Gato a 24.11.2018 às 09:44

Não creio que as elites assim o queiram, pois são elas que "mandam" sem pedir...  mas concordo que há honorários no desporto completam,ente pornográficos enquanto há tanta miséria no mundo. O mundo é injusto, porque o homem quer. 
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De Sarin a 24.11.2018 às 09:48

E é aqui que o meu libertarianismo diz: e quando os indivíduos não conseguem criar equilíbrio, cabe ao Estado intervir, estabelecendo regras mínimas para o são convívio.

a palavra a quem a quer




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