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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

LGP, essa coisa esquisita

LGP_mensagem.jpeg

 (fonte da imagem aqui)

 

Começamos a aprender a falar antes de cumprirmos o primeiro aniversário. Mesmo aqueles que começam a falar com dois ou três anos vão identificando os sons, percebendo os sons, reagindo aos sons

Mais velhitos ou bem mais velhos podemos ler mal e escrever pior, mas vamos dizendo raios e coriscos enquanto tropeçamos na ortografia, na gramática ou na sintaxe...

Poucos de nós não falarão também com as mãos. Suponho que só os muito introvertidos nunca terão agitado a mãozita para pedir calma no tempo ou no espaço, que serão raros os que jamais usaram dedo ou cabeça para dizer não - coloque a mão no ar quem nunca!

 

Mas... há aqueles que nunca ouviram os sons das palavras, e que por isso só os conseguirão reproduzir depois de muito treino. SE conseguirem.

E há aqueles que, ouvindo ou tendo ouvido os sons, nunca tiveram, ou por algum motivo perderam, a capacidade de os reproduzir.

Estes falam com o corpo, com as mãos, com a frustração. Porque todos precisamos de comunicar...

 

Se todos precisamos de comunicar e quase todos gesticulamos, porque não aprendemos, junto com a Língua Portuguesa, a Língua Gestual Portuguesa (LGP)?

 

Porque é uma língua, não uma linguagem. Tem elementos próprios e convencionados usados de acordo com regras gramaticais específicas. E varia de país para país, não de região para região - a LGP é distinta da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), mas quem oraliza fala ainda em Língua Portuguesa, cá e lá.

 

Não sabemos quando teremos um amigo, um primo, um filho que não fala.

Nem sabemos se manteremos sempre a capacidade de falar.

Mas tenho certeza que ninguém  deseja ficar incompreendido, nenhum de nós aceita não compreender o que tentam comunicar  as pessoas que fazem parte do nosso mundo.

 

E, já sei, haverá sempre quem questione o objectivo de aprender algo que se não usará. Como o Teorema de Pitágoras ou as conjugações do verbo Haver, certo? Para esses será apenas mais uma coisa inútil. Para os outros, outra ferramenta que lhes permitirá quebrar barreiras. Do som, no caso.

 

LGP não é difícil de aprender. E acredito que é muito mais fácil se não se lidar com a urgência e com a ansiedade da sua aprendizagem.

Difícil é fazer quem de direito ouvir esta mensagem.

 

Espero que quem me lê a ouça.

Até porque eu não aprendi LGP na escola, e em 8 anos gesticulei na formação e duas vezes fora dela. Sim, só aprendi LGP há oito anos - porque demorei 15 anos a descobrir quem me ensinasse... e isto também é tristemente importante para a mensagem deste postal.

 

2 comentários

[A palavra a quem a quer]