Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Lembretes ao olhar a televisão

por Sarin, em 26.11.19

conversas em família.jpeg

Para alguns, parece que a Democracia começou com o 25 de Novembro.

Mas sem o 25 de Abril não haveria 25 de Novembro. Não haveria coragem para pedir mais ou pedir menos, não haveria liberdade para o anunciar, não haveria liberdade para agir ou reagir. Honra lhes seja feita, Vasco Lourenço e Ramalho Eanes sabem que o 25 de Novembro não foi o que alguns querem que tenha sido.

Sabem que os que venceram o 25 de Novembro não teriam feito o 25 de Abril se não fossem instigados - e que tudo ficaria como estava.

Sabem que os que se alcandoraram no 25 de Novembro são os mesmos que aos membros das FP25 chamaram terroristas mas que aos do ELP deram a amnistia. E a vantagem do secretismo. E a garantia do imaculado currículo. E que, assim, deixaram mais de uma dezena de mortos sem justiça. Mas isso de Justiça só interessa para alguns.

 

Pela televisão verifico que em 24 de Abril não era muito diferente. Nem sequer aquela mania das amnistias e do fingir que nada se passou.

Fica-lhes bem, a feia cara sem máscara. 

imagem: Marcelo Caetano em Conversas em Família, Arquivo RTP

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Isolamento social. Etiqueta respiratória. Higiene. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

Autoria e outros dados (tags, etc)

Onde ideias-desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor.


Obrigada por estar aqui.



6 comentários

Sem imagem de perfil

De Rita a 27.11.2019 às 17:18

Olá Sarin, a democracia começou a 25 de Abril. Acho que a maioria dos portugueses não tem dúvidas. Agora não concordo, e estou talvez bem informada sobre o assunto, que quem fez o 25 de Novembro precisou ser instigado para fazer o 25 de Abril. Quanto às amnistias foram para ambos os lados e são uma das razões da transição de regime ter sido relativamente pacifica, facto do qual, como portuguesa, sempre me orgulhei. Bjs
Imagem de perfil

De Sarin a 27.11.2019 às 17:57

Olá, Rita :)
Nem todos, parece haver cada vez mais portugueses a entenderem que a democracia começou em 25 de Novembro de '75.
Não disse que quem fez o 25 de Novembro foi instigado a fazer o 25 de Abril - mas que os que ganharam o, e com o, 25 de Noembro. Que, como talvez saibas, não são os mesmos do Grupo dos Nove.
Os membros das FP25 foram a tribunal também por crimes cometidos antes e durante o Verão Quente. Do Exército de Libertação nem sequer é pública a lista de membros - portanto, não, lamentavelmente a amnistia não foi para ambas as partes.
A amnistia que serviu ambas as partes foi a do 25 de Abril.
Aliás, penso até que o facto de não ter havido julgamentos e alterações profundas nos corpos policiais e judiciais contribuiu para o corporativismo que se verificou depois - e que ainda hoje se nota até ao nível do CSM.


Penso que ninguém estará realmente informado enquanto não se juntarem todas as peças da História. Não será na nossa geração, desconfio.
Sem imagem de perfil

De Rita a 28.11.2019 às 15:40

Olá Sarin, acho que quando as peças não se juntam no imediato haverá poucas probabilidades de as juntar mais tarde, principalmente porque mais tarde os actores já morreram (já sobram poucos mas ainda temos alguns entre nós). De qualquer das formas também acho que não há muitos segredos sobre o assunto. Já muito se escreveu sobre o 25 de abril, o 11 de março e o 25 de novembro, inclusive os próprios intervenientes, interpretações diversas sempre haverá. Quando disse que a maioria das pessoas acha que a democracia começou no 25 de abril também estava a pensar nos portugueses que só sabem o que é o 25 de abril porque há feriado ou porque aprenderam na escola (infelizmente acho que são a maioria). O 25 de novembro não é feriado e os meus tios que pensavam nele como o começo da democracia já morreram (infelizmente também). Quanto às amnistias houve para ambos os lados e durante vários anos, umas mais abrangentes outras menos, posso concordar contigo que estão na origem de vários males, mas também posso achar que foram a origem de um bem duradouro. É uma escolha pensar de uma maneira ou outra.
Ontem estive a reflectir sobre este teu post e sobre o facto de só eu o ter comentado. Talvez isso mostre bem o interesse das pessoas no 25 de novembro! Hoje estive ao almoço a relembrar coisas antigas com a minha mãe e ela agradeceu-me o tempo que passamos a fazê-lo. Agora eu retransmito os agradecimentos dela. Obrigada. Bjs
Imagem de perfil

De Sarin a 01.12.2019 às 15:40

Olá, Rita, e desculpa só agora.
Por muito que se escreva e haja testemunhos, apenas o Tempo permitirá uma análise global dos factos e, conforme dizes, ainda assim as interpretações poderão ser distintas :)


Não defendo que devesse ter havido afastamentos dos cargos (as purgas) mas penso que a responsabilidade de algumas acções não deveria ter ficado por atribuir. E nunca conseguirei aceitar a amnistia do ELP, nado e criado depois do 25 de Abril.


Penso que o postal foi pouco comentado porque tenho estado ausente e já o publiquei no dia 26 à noite - mas também pode ter uma boa dose de desinteresse, sim :) no entanto, embora o meu postal atrasado possa não ter tocado ninguém, outros houve que publicaram sobre o tema e tiveram reacções - de apoio à celebração do 25 de Novembro, bastantes.


Eu é que agradeço, Rita. Beijos às duas, e bom domingo
Imagem de perfil

De Ricardo Nobre a 28.11.2019 às 20:17

No país em que Mário Soares é, em placa topográfica do jardim a que dá nome em Lisboa, o «pai» da democracia, há um ou dois heróis e os outros são ou ficam ignorados (não lhe estou a tirar o mérito, estou a dizer que a História tem mais capítulos e cores). Não que isso seja uma coisa boa ou má em si: é simplesmente uma selecção histórica como qualquer outra. Apenas não fizeram desta uns Lusíadas, embora haja Os Memoráveis, de Lídia Jorge.
Mas abri a caixa de comentários para dizer outra coisa, que diz respeito à ilustração do postal e que me lembra o que José Gomes Ferreira (muito amigo de Mário Soares e Maria Barroso, por sinal) diz no diário sobre «Marcelo (com dois ll)» ou Salazar II e as suas aparições televisivas. Logo que tenha tempo (!!) faço uma antologia e ponho no blogue: não é apenas elucidativo do uso que a política faz do discurso tendo por base uma leitura distorcida da realidade, é também actual, digamos.
Imagem de perfil

De Sarin a 01.12.2019 às 15:46

Aguardo a antologia, Ricardo - o discurso político encerra muitos mais indícios sobre o indivíduo do que a mera estratégia política. São excelentes registos históricos e sociológicos.
E, sim, a história repete-se.
Já sobre Mário Soares e a policromia que tantos vêem monocromática - e que nem sequer é P/B...
tenho a dizer...
Pois. Digamos. :)

[a palavra a quem a quer]




logo.jpg




e uma viagem diferente



Localizar no burgo

  Pesquisar no Blog



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Cave do Tombo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D