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Estou cansada dos reaccionários que acham mal a saia do assessor e estou cansada dos progressista que acham bem a saia do assessor. Até estou cansada dos críticos de moda que não ligam ao manequim mas ao modelito, embora estes sempre tenham uma abordagem mais engraçada porque utilitária - a discussão do gosto pode ser útil.

O vestuário preocupa-me pelos atropelos sociais e ambientais que os trapos e as marcas que se exibem possam promover, não pelas figuras que propiciam que essas são com cada um. Talvez tenha uma cegueira selectiva que me bloqueia os pormenores, ou talvez me preocupe mais com a linguagem corporal ou com a harmonia dos gestos, não sei. Sei que acho uma perda de tempo discutir o que veste fulano - ainda mais perda de tempo quando fulano não está ligado à indústria da moda e da imagem. E acho absurdo, até deprimente, dedicar-se a nação a atacar ou a defender os trapinhos. Supunha que para isso existiriam as revistas cor-de-rosa e de glamour.

Se a roupagem é importante e há códigos a respeitar, então que se definam formalmente regras protocolares de indumentária - e aí qualquer atropelo deverá ser avaliado nas suas causas e nas suas consequências porque, então sim, contrariar os ditames será uma declaração política.

Agora, arrepelar cabelos por códigos estéticos não escritos? Neste século e nesta sociedade?! Olho os que falam no assunto e lembram-me vetustas alcoviteiras palrando sobre escolhas que não suas. E lamento a importância dada a trapos de lana caprina. Talvez isto seja mesmo a queda no precipício...

 

imagem: O voo de Ícaro, de Jacob peter Gowy). domínio público

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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lançado às 18:59

Onde ideias-desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor.


Obrigada por estar aqui.



26 comentários

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De júlio farinha a 30.10.2019 às 20:18

Acredita que não vejo relação entre danças celestes e indumentárias a despropósito. Só um reparo: parece que falta a gaita de foles para o desprezo nacionalista ser completo. De resto, cada um veste o que quer e pode desde que lho permitam os protocolos - se os houver. 
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De Sarin a 30.10.2019 às 20:45

"Se os houver". Não há.
A relação não é entre os trajes, mas entre os propósitos: os sóis iracundos queimam as asas de quem se atreve a voar com asas diferentes. Mas quem os nomeou sóis e quem definiu as especificações das asas?
Não percebo a questão do desprezo nacionalista: há algum trajo nacional? Conheço vários regionais, e há 50 anos uma nazarena de calças era uma mulher perdida. Por isso, nem sequer perco tempo a discutir trajos a propósito ou a despropósito - longe vai o tempo em que as meninas ajoelhavam no corredor das escolas para aferir do comprimento das saias.
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De júlio farinha a 30.10.2019 às 21:11

E eu não percebo a pertinência de vestir coisas que cá, agora e dantes, nunca fizeram sentido. Eu acho que o malandro está a gozar connosco e atreve-se, como um insensato Ícaro, a voar com asas de cera e  que tudo lhe é permitido. Arranje o assessor - com responsabilidades - outras formas de nos provocar e este alarido não faria sentido. Fazia sentido, ecologicamente falando, que o deputado Mota Soares se deslocasse de lambreta para o Parlamento.
Quanto às nazarenas de ene saias não as censuro por usarem , hoje, calças. Evoluiram num contexto social moderno. Não se trata de discutir trajos "a propósito ou despropósito" mas discute-se a coisa num âmbito sociológico, antropológico e político. "Mais vale sê-lo do que parecê-lo", não é Sarin? 
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De Sarin a 30.10.2019 às 21:33

Os saios ainda fazem parte do traje mirandum.
A questão é mesmo a pertinência: tem zero. É uma opção, não uma revolução - essa, supostamente, teria sido feita aquando do 25 de Abril, qual a pertinência das barbas e dos cabelos compridos.


O âmbito sociológico, antropológico e político da coisa é um vazio de ideias e um poço de contradições - não me apanhas nessa discussão. Não há protocolo no sentido formal, logo não há desrespeito.
Calpúrnia teria mais que fazer do que meter-se em tais grelhados.
E repara, Júlio: o ruído deu razão ao moço - vestiu para provocar, e o mundo sentiu-se provocado. O moço ganhou.
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De júlio farinha a 30.10.2019 às 22:16

O traje mirandum tem explicação histórica e sociológica. Como a tem o kilt para os escoceses. Estes, que eu saiba, não são um traje regional em Portugal. Não é nenhuma opção é uma provocação. O estatuto do nosso assessor não deixa de se revelar uma brincadeira e não foi para - por anedotário - que os portugueses votaram e pagam impostos.
Os cabelos compridos e a barba foram antes e no 25 de Abril um símbolo revolucionário importados e assimilados do Che, por exemplo. Por exemplo, com a adopção dos enfeites e tatuagens assumiu-se historicamente a sua pertinaz justificação. Hoje dá-se como justificado o uso de brincos nos homens e piercings nas mulheres. Ninguém censurou Galamba por ostentar um brinco na orelha no parlamento.
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De Sarin a 30.10.2019 às 23:15

Como te disse, é-me um não assunto, uma perda de tempo, uma conversa de vetustas alcoviteiras na qual não participo porque cheia de contradições. Repara no argumento: "as barbas foram inspiradas no Ché". E este, inspirou-se em quem? Pertinaz justificação, a adopção de tatuagens e adornos tribais? Mas qual pertinácia? Começaram a usar porque gostaram. Galamba usa brinco muitos anos depois de andarem professores tatuados e brincados nos corredores das universidades, as vetustas alcoviteiras já acostumadas à moda. Surgisse uma Natália ou uma Odete com um brinco no nariz e teriam sido trucidadas - aliás, a Odete foi enxovalhada nas revistas e nas televisões durante anos por se estar nas tintas para as convenções do penteado ou do traje arranjadinho como "convinha" a uma deputada.
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De Ricardo Nobre a 01.11.2019 às 11:42

Eu aqui, com as minhas calças de ganga portuguesíssimas quanto o Snr. Levi foi, não posso achar mais engraçada cada letra desta prosa. Obrigado por me fazer rir com o nacionalismo de trapo.
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De Luísa de Sousa a 30.10.2019 às 21:28

Tanta tinta está a fazer correr a vestes do assessor da deputada!!!
Por mim que vá como quiser, já que não há dress code no parlamento.


Beijinhos Sara!
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De Sarin a 30.10.2019 às 21:35

Exactamente o que penso, Luísa!
O resto é dar-lhe o que pretendia: agitação.
Beijocas :)
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De Belinha Fernandes a 30.10.2019 às 21:58

Não foi, realmente, assunto que puxasse por mim, já em muitas outras ocasiões tenho defendido a possibilidade de os homens vestirem saia, se assim o quiserem fazer. Também em tempos idos um homem que estivesse sem gravata no Parlamento era mal visto. A esquerda começou a libertar-se da gravata após o 25 de Abril e foi um Deus nos acuda. Hoje, andariam todos de pescoço ao vento se entretanto não tivesse havido um certo retorno ao formalismo. Mas os colarinhos abertos ainda andam por lá. Entretanto muitos homens querem agora usar saias e é um escândalo e não apenas aqui. Até mesmo calções, isso, calções, como o caso dos motoristas de autocarros que se queixavam de ter imenso calor e que até fizeram greve. ( Não foi em Portugal, e não sei aonde foi, já não me lembro. E ainda o caso dos meninos de uma escola inglesa que também queriam usar calções e em protesto por terem sido proibidos usaram as saias das meninas, o protesto mais giro que me lembro a este respeito!) A saia já foi vestuário masculino, na Antiguidade era uma forma rica e civilizada de vestir, os marginais é que usavam a calça, mais prática, para lidar e andar a cavalo. Às mulheres foi proibido usar a calça por séculos, depois apropriaram-se dela. Hoje são os homens que querem usar a saia. E estão a ser trucidados por isso. Porquê? Porque é vergonhoso que um homem use uma peça "feminina". Por mim, façam favor. Não há grande diferença entre um par de calções largos e uma saia. Por alguma razão existem peças chamadas saia-calça  - de que eu gosto muito. Simplesmente, para mim, o facto de um homem querer usar saia é um não-assunto. Se querem obter a minha atenção têm de se esforçar mais. É provável que daqui a muitos anos, muitos homens a usem. Tudo depende da moda, das convenções. Seria realmente estupendo que as pessoas que se incomodaram com a saia plissada do assessor, um mero tarefeiro, se incomodassem na mesma medida com aquilo que os deputados, o Governo, esses sim, que são nossos representantes, fazem na AR. O que fazem e o que deixam por fazer... 
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De Sarin a 30.10.2019 às 22:55

As saias deste, as calças de ganga do outro, o vestido da outra... um absoluto não-assunto. Absurdas, as ondas levantadas.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 31.10.2019 às 09:54

Na Escócia a saia é indumentária masculina e nacional.


Ora veja lá (não é preciso agradecer) :


https://youtu.be/YGPQujE5QvI
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De O ultimo fecha a porta a 30.10.2019 às 22:01

Sobre a saia, acho que foi uma maneira bem sucedida de chamar a atenção e ser falado. Até já valeu uma ida ao programa do Goucha. Progressista sim, mas quando faz sentido. Agora, vestir-se de saia só para ser falado, é mau. Revela até um certo complexo de inferioridade, do tipo: "vou-me vestir de saia para me conhecerem e ser falado nas redes sociais".  Lamentável e escusado.
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De Sarin a 30.10.2019 às 23:05

Como disse ao Júlio, o moço ganhou. Uma provocação é-o não por querer ser mas por alguém a aceitar. O país aceitou, triste país que só se sente provocado por modinhas.
As saias não se destinaram a dar-lhe fama mas a trazer para a praça um não assunto: a liberdade de vestir o que apetecer.
Não ligamos às regras escritas, mas é um ai-jesus com os costumes... uns tretas, é o que somos.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 31.10.2019 às 09:48

Eu preferiria discutir sobre a falta de indumentária das deputadas. Terei de esperar por um novo Partido. Temos Ambientalistas, mas faltam - nos os Naturalistas. 
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De Sarin a 31.10.2019 às 09:50

Ora aí está um tema interessante :)
Qual a diferença entre naturalismo e exibicionismo, e onde fica o atentado ao pudor? :))))
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 31.10.2019 às 10:08

No primeiro caso julgo que a diferença está na companhia. No segundo, na Beleza da coisa 
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De Sarin a 31.10.2019 às 10:16

Percebo. E o atentado ao pudor assiste de camarote mas com direito a pipocas.
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De João Silva a 31.10.2019 às 23:03

Sabes o que me incomoda nesta fantochada? Mais do todo o fait-diver em torno da figura e da espampanância do dito senhor, incomoda-me que ele seja acessor, que claramente tenha ido assim para chamar a atenção e que tenha tido a lata de dizer que não estava ali para que falassem da roupa mas do conteúdo. Quem não quer ser lobo que não lhe vista a pele.
Um bom feriado 😉
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De Sarin a 31.10.2019 às 23:08

Incomodares-te com isso é dares-lhe motivos para o repetir ;)
Se o moço gosta de saias, que as use - se ninguém se chatear, das duas uma: ou continua a usar por  gosto, ou cai-lhe a máscara. Em qualquer dos casos, não me chateiam os trajes dos outros. Preocupam-me mais os teus dedos dos pés :))
Beijos, bom fim-de-semana :)
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De João Silva a 01.11.2019 às 00:03

Ahahah, sacaste-me uma bela gargalhada agora 😉😁 tens razão, isso é secundário. Quanto aos pés, como agora há dilúvio em vez de calor, não deverei ter problemas no domingo 😂😂😂 bom fim de semana e obrigado pela preocupação e força. 
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De Sarin a 01.11.2019 às 00:10

A minha mente não é sedentária ;)
Que a força, o hirudoid e os pensos rápidos estejam contigo!
Beijocas :)))
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De Ricardo Nobre a 01.11.2019 às 11:46

O que é um «dito senhor», João?
Veja para lá da saia, que o rapaz começou agora a aparecer, mas já é inteligente há muito tempo.
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De João Silva a 01.11.2019 às 12:47

Não digo o contrário é nem ponho isso em causa, mas em bom português, "dito senhor" significa apenas "senhor ao qual foi feita referência no decurso do comentário". Se preferir, podemos mudar de "dito senhor" para "mencionado/referido/citado senhor". 
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De Ricardo Nobre a 01.11.2019 às 13:46

Esperava que assim fosse. Obrigado.
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De Ricardo Nobre a 01.11.2019 às 11:44

Queria ter escrito sobre isto, mas fiquei na reserva (adiando sobretudo porque conheço o rapaz em questão) a pensar que a Sarin faria um texto sobre o assunto com o qual eu concordaria em grande medida. Acertei. Obrigado.

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