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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Falemos de moda

crónica feminina.jpg          crónica feminina 2.jpg

 (fonte das imagens aqui)

 

 

 

Há muito a discutir sobre as relações internacionais.

Há muito a discutir sobre as relações entre Portugal e Angola.

Há, até, muito a discutir sobre discursos e actos dos governantes de cada país.

 

Só não me passaria pela cabeça que Moda fosse um dos temas de discussão...

 

Percebo e compreendo que o Protocolo sirva para evitar alguns melindres por não se saber o que fazer perante culturas e hierarquias distintas. Percebo muito bem e compreendo perfeitamente. E até percebo e compreendo que situações formais peçam roupa formal, para evitar constrangimentos sobre quem veste mais adequadamente ou melhor. [Quando era nova alguns usariam, sobre este constrangimento, a expressão 'Tá bem, abelha... fiquemo-nos pelo zunido]

 

O que não compreendo é que se façam casos em volta de quebras de protocolo relacionados com dar um beijinho em vez de um passou-bem ou usar calças de ganga em vez de fato-e-gravata ou usar vestido às flores em vez do tradicional monocromático.

Não compreendo mas percebo. É Moda atirar ao alvo, o que se atira é menos relevante. Apenas releva para quem se dedica a adejar a rama... desculpem, como substância é pouco, muito pouco! A Rainha Isabel II, que usa o protocolo como outros usam paus de vassoura, deu um belo exemplo de como se pode ignorar o que é irrelevante nas quebras de protocolo - nem a Rainha nem Michelle ficaram constrangidas, segundo é público. O resto é História.

 

Não adianta falarem em quebras de protocolo, em ofensas, em faltas de respeito: não me preocupa o que vestiu António Costa ou Manuel Domingos Augusto ou o que vestirá João Lourenço, como cumprimentaram os outros Michelle Obama ou Kolina Grabar-Kitarovič. Quero é saber se os seus interlocutores se sentiram ofendidos e se foi isso que lhes impediu a discussão dos problemas ou o estabelecimento de pontes e de compromissos. Mas há quem faça questão de se tomar de dores alheias antes mesmo de saber se os supostos doridos se queixarão... 

 

Enfim... mais que trajes, são ultrajes? Certo, discutamos esses ultrajes, dediquemos tempo a discutir tais violações de protocolo e a indignarmo-nos com as vergonhas alheias e próprias de quem nos factos vê importância. Perpetuemos a discussão em torno da Toga e a padronização do comportamento humano no que respeita a vestimenta e cumprimentos.

Afinal, é isto que faz girar o mundo, qual balança comercial, qual cooperação, quais direitos humanos...

 

 

 

... e eu aqui tão sossegada a tentar perceber como correu o ano lectivo e quantos professores estão deslocados e quantas crianças sem aulas ou sem refeições, quando afinal me devia estar a preocupar com o comprimento dos bibes.

Ahhh, as saudades que eu tenho de ler as verdadeiras revistas de protocolos...

 

 

Post Scriptum

Relendo, reforcei a ideia que tinha da escrita inicial: falo demasiadas vezes em "protocolo". Tentei alterar, mas... Incontornável. Até porque "quebras protocolares" só se previstas em protocolo!

Obrigada por estar aqui.

25 comentários

[A palavra a quem a quer]