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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Estou 200% certa

Ouvi esta frase há umas hora numa passagem do "Pé em riste", na CMTV.

Se não foi usado o vocábulo "certa" terá sido um outro com o mesmo sentido. Tento confirmar enquanto escrevo, mas confesso a falta de paciência. No entanto, a exactidão do vocábulo é irrelevante para o postal - foi a expressão que o originou, não a palavra nem a pessoa que a usou.

 

Independentemente da profissão ou do nível de estudos, quase todos tivemos aulas sobre as percentagens, pelo menos os 100% de nós nascidos depois de 1966 que frequentámos as aulas do ensino obrigatório. E também estudámos as figuras de estilo, mas não todas - são mais que as mães! Assim, acredito que nós portugueses estejamos mais familiarizados com percentagens que com figuras de estilo. E, ainda assim,  há quem use figuras de estilo usando mal percentagens na tentativa de dar estilo à figura...

 

Não sei de onde surgem estas pouco iluminadas hipérboles, mas sei que são papagueadas e mastigadas  sem percepção do seu sentido. Sei porque corriqueiras - rara a semana em que não tropeço numa.

 

Antes de mais, relembro os esquecidos:

100% é 100 em 100. É o pleno, o inteiro, o certo.

Menos de 100% é insuficiência. É o 99 em 100, é o 1 em falta.

Mais de 100%... é exagero

 

Assim,

Que alguém se dedique "mais de 100%" ainda se percebe - fanáticos de qualquer coisa, pessoas com distúrbios obsessivos-compulsivos, indivíduos dedicados, enfim, qualquer situação em que se verifica ou supõe um excesso de dedicação.

 

Agora,

Que alguém se assuma "mais de 100%" certo daquilo que afirma? Que despautério!

Percebe-se que pretende, com o exagero da certeza, conferir segurança ou confiabilidade ao que diz.

Mas ao interlocutor mais atento é legítimo inferir que, se a pessoa assume inconscientemente que exagera no que diz, pode bem adicionar ou desvirtuar dados por pura falta de rigor, não necessariamente com intenção de ferir o que transmite. Com tanta confiança apenas contraria a sua garantia de idoneidade.

A sorte de muitos é terem interlocutores que, tal como eles, se lembram tanto de matemática como de figuras de estilo.

O azar é que nem todos... 

7 comentários

[A palavra a quem a quer]