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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Era uma vez um jornalista

Dou valor ao jornalista.

O jornalista procura, observa, relata, questiona, revela. Informa-nos, desperta-nos…


E presta um péssimo serviço quando não respeita a forma como o faz!

As falhas são notórias, frequentes, abusivas, lesivas da notícia e do leitor ou ouvinte: a Língua truncada e mal-tratada (empresas baseadas em vez de sediadas, por exemplo), o uso e abuso de adjectivos e frases feitas (o “jogador sensacional” e a “notícia arrepiante”), a citação de outros jornais e órgãos de comunicação social como fontes das notícias que ecoam...

... e, as piores falhas: a não verificação dos factos e a incorrecção dos termos usados -  a total falta de respeito pela ocorrência ou (muitas vezes, e) pela terminologia própria da área do saber que noticia.
Seja por má tradução de outra língua ou por incompreensão dos termos usados, é injustificável.
E é grave! Contamina a notícia e infecta quem, sem quaisquer noções ou conhecimentos técnicos, a lê ou ouve - e qualquer desmentido ou correcção são vistos por parte dos consumidores da notícia como uma tentativa de disfarçar a verdade.

Vem isto a propósito das muitas notícias sobre Alfie Evans e sobre Trenton McKinley.
Li em alguns jornais que os médicos de Alfie declararam a sua "vida fútil" - quando, por cruzamento de leituras sobre os julgamentos, na verdade os médicos disseram serem "fúteis novos exames e procura de curas alternativas”.
Sobre Trenton, li em alguns que estava em "morte cerebral" - mais uma vez, os jornais que encontrei com citações dos médicos ou dos pais falam em "coma", nas notícias e nas citações.
Em ambos os casos li, em diversos jornais, que as crianças tinham "data marcada para morrer” – mas o que estava determinado era a “data para desligar o suporte básico de vida”.
Há diferenças profundas entre “morte cerebral” e “coma”, entre “matar” e “desligar o suporte básico de vida”, Srs. Jornalistas! A menos que entendam como fútil o rigor, e nesse caso talvez se aproximem da futilidade do exercício enquanto agentes do jornalismo...

Falo destes casos, poderia falar de outros temas. Mas estes interessam-me sobremaneira, porque levam aos debates sobre Eutanásia e sobre a prevalência da opinião médica sobre a vontade dos pais – quando em Portugal temos em preparação uma lei sobre a Eutanásia que fractura a sociedade, e quando se discute o ressurgimento de doenças cujas vacinas constam no Plano Nacional de Vacinas mas que alguns pais recusam por receio. Direitos do indivíduo ou direitos da sociedade.

Numa época em que os extremismos se definem e as intolerâncias se exacerbam, os jornalistas caminham a passos largos para serem parte dos problemas em vez daqueles que relatam os problemas. Por inépcia ou por estratégia, própria ou de quem lhes paga, é o que resta apurar.

O meu agradecimento aos que insistem na profissão sem facilitismos.

*** Obrigada por estar aqui. Sarin *** Info sobre o blogue em i, no cabeçalho