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E assim os anjos

por Sarin, em 09.12.18

Quando o Diabo arribou

a aldeia fugiu.

Esqueceram uma menina

que chorou

e o Diabo sorriu.

É que a menina não tinha medo...

tinha, mas não dele.

Era o medo da noite

do silêncio

do papão

- mas do diabo não.

(porque quando a aldeia fugiu

não teve tempo

para gritar

que aquele era o diabo

que os havia de levar)

 

Mas

lembrava-se o Diabo

de ter sido pequenino

e por isso

do seu olhar jorrou luz

que iluminou a noite.

E a menina

riu

e o silêncio morreu com a escuridão apagada

- os olhos do Diabo.

 

Quando a aldeia voltou

tudo estava sossegado.

Intacto.

Menos a menina,

que não apareceu.

 

Devolveu a alma ao Diabo

e morreu.

 

 

(Não datado. Década de '90)

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Obrigada por estar aqui.



3 comentários

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De Pedro Vorph a 09.12.2018 às 20:50

Que morrendo,  tenha, de verdade, começado. Sempre vi no diabo a rebelião do livre pensar.


Gostei...



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De Sarin a 09.12.2018 às 21:02

É também isso, mas mais: o diabo é feito de nós, cada um do seu; não está nos outros  aprisiona-se cada um ou liberta-se pelo pensamento.
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De Pedro Vorph a 09.12.2018 às 22:31

O diabo está nos detalhes...de cada um

a palavra a quem a quer




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