Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



É a greve, dear Dr Watson

por Sarin, em 14.08.19

29madozt.jpg

 

Tenho andado a tentar perceber esta greve. Não percebo.

Durante anos não ouvi os motoristas manifestarem-se sobre condições de trabalho, sobre remunerações, sobre horários, sobre funções. Ouvi, ouvimos todos, queixarem-se do preço do combustível e das exigências de formação.

Não afirmo que não se tenham manifestado; mas não serei das mais desatentas, e a minha memória não costuma falhar-me tão rotundamente, portanto assumo que se mantiveram calados, a falar baixo ou a falar em círculos muito restritos. Poderão ter falado... Não chegou cá.

 

Os motoristas de pesados têm de ter formação específica, a que acresce mais formação específica para algumas substâncias; têm imposições legais quanto às horas de condução contínua; têm restrições à circulação em algumas cidades; dormem nas viaturas quando em transportes de longa distância; são responsáveis pela segurança dos produtos que transportam; são solicitados para as operações de carga e descarga; não encontram facilmente postos de descanso onde possam estacionar, tomar um duche, esticar as pernas; e certamente mais umas quantas questões que não me ocorrem.

Exigir remunerações proporcionais às condições de trabalho não apenas é legítimo como é fundamental - basta-nos pensar que ao fim de um dia de trabalho voltamos para casa enquanto muitos deles se afastam na continuação da viagem, a casa possível às costas.

 

Mas...

Porquê agora?

Porquê sair de uma mesa de negociações que começou este ano?

Ouvi o debate. Foi confrangedor. Da ANTRAM apenas perguntavam "Mas onde está a contra-proposta que o SIMM e o SNMMP ficaram de enviar? Qual foi o ponto que a ANTRAM recusou negociar? Porque vão entrar em greve e interromper as negociações sem entregarem aquilo que se comprometeram entregar, conforme consta na acta?" E as respostas eram, invariavelmente "A proposta foi entregue na reunião.", "Disseram que não era necessário enviar mais nada.", "De leis não percebo muito."

Durante anos andaram felizes a receber ajudas de custo, sobre as quais não pagam impostos. Alguns gabavam-se disso. Agora, só agora descobriram que as ajudas não contam para efeito de reforma e subsídio de doença? O que está mal contado nesta história?!

 

Os motoristas têm um porta-voz que é putativo candidato às legislativas. Que "não vai comentar esse assunto durante a greve" - talvez porque se a greve correr mal nunca teria sido intenção e se a greve correr bem terá uma excelente rampa de lançamento. Mas posso estar a ser injusta e Pardal Henriques apenas entenda que não se devem aclarar águas turvas.

A ANTRAM tem um porta-voz que é irmão de um adjunto de um Secretário de Estado. Eu diria que as coisas estão bem equilibradas para os assessores...

E, mais uma vez, parece-me que os trabalhadores estão a ser manipulados por interesses obscuros.

Entretanto, desde que comecei este postal, na sexta-feira, e até hoje, as posições extremaram e a greve é agora um nítido braço de ferro. Força desproporcional de todas as partes. Temo que ninguém saia vencedor. Lamentavelmente.

 

Espero que esta greve traga para a sociedade civil a discussão da Lei da Greve. Que a coloque nos programas políticos dos partidos nestas legislativas, que se definam regras adaptadas aos dias de hoje e que seja permitido aos sindicatos independentes fazerem greves sem manipulações nem suspeitas.

Espero que esta greve traga a discussão da necessidade de investimento nas grandes obras estruturais: rede ferroviária; ligações fluviais, marítimas, aéreas e ferroviárias; oleodutos. São urgentes e já vêm tarde. Onde um plano nacional?

 

Espero, ainda, que esta greve demonstre que o Estado não pode deixar de ter mão nos serviços energéticos.

É que os mais distraídos parecem não se aperceber que a greve nada tem a ver com o Governo mas com os privados. Sim, com os privados. Que normalmente reclamam da intervenção do Estado, que entendem abuso, mas que quando se sentem ameaçados acorrem ao bastião do Terreiro do Paço.

 

imagem de Chema Madoz

Autoria e outros dados (tags, etc)

Obrigada por estar aqui.



66 comentários

Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 14.08.2019 às 14:37

Porquê agora? E porque não agora? Do ponto de vista jornalístico quando começo a ver demasiado ênfase no facto de algo acontecer num determinado momento fico sempre com a sensação que se quer fugir da discussão do ponto central desse assunto, do seu real conteúdo, para o focar em questões acessórias. Se não fosse agora seria quando? No inverno em que as pessoas estão dependentes do aquecimento e a falta de combustível poderia ocasionar reais situações de risco de vida? Noutra altura em que o país estivesse todo a trabalhar em vez de estar de férias não iria ser ainda mais gravoso para a economia? Este argumento em que determinada decisão é tomada também costuma ser muito utilizado na discussão jornalística dos casos de corrupção do políticos em que se pretende sempre implicar que há uma determinada agenda política em condenar alguém e se pretende desviar a atenção de se o condenado é efetivamente corrupto ou não.

Neste caso até acredito que efetivamente exista uma agenda política. Uma greve nesta altura por um lado tem o mérito de que as medidas para este setor sejam discutidas nas campanha eleitoral e isso parece me fazer todo o sentido. Se se pretende que algo mude politicamente é nesta altura que mais impacto se consegue ter. Outro factor importante é que dá força aos motoristas é que efetivamente penso existir carência de motoristas a nível europeu o que dificulta o despedimento dos grevistas pelas respectivas empresas. Não é por acaso que existem muito mais greves no setor público em que é praticamente impossível alguém ser despedido do que no setor privado em que a precariedade é muito maior e por isso um trabalhador grevista tem muito maior probabilidade de ser despedido, não ter o seu contrato de trabalho renovado, se trabalhar a recobos verdes não lhe serem atribuídos  mais serviços etc
daVinci
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 14.08.2019 às 14:42


Pretendia escrever:
*este argumento em que determinada decisão é tomada no momento “errado”...**na campanha eleitoral
***outro fator importante e que dá força 
Fora as vírgulas que faltam, mas espero que se perceba a ideia que pretendia transmitir
(Peço desculpa mas escrever no telemóvel propicia este tipo de lapsoss
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 14:46

Sei como é, blogo e comento quase sempre ao telemóvel :)


Penso que percebi.
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 14:44

Olá, da Vinci.


O meu porquê não resulta de ser um período pré-eleitoral ou de ser Verão - mas da forma como, de repente, interrompem as negociações sem que durante anos (o SIMM tem 4 anos!) se lhes tenha ouvido qualquer reivindicação.
Depois, com o surgimento dos convites a Pardal Henriques para integrar listas partidárias, surge uma justificação para a oportunidade da greve - que não pretende colocar "tais temas" na agenda dos partidos pois, na verdade, o problema dos grevistas é com o patronato e o Estado não o é.
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 14.08.2019 às 15:11

Resposta à resposta das 14:44.
Dificilmente se saberá se foram os sindicatos que interromperam as negociações ou os patrões. O facto de a comunicação social mainstream o dizer não quer dizer que realmente isso seja verdade. Além do mais um pre aviso de greve não leva a que as negociações tenham de ser interrompidas. Isso é simplesmente uma decisão da ANTRAM no jogo de forças entre patrões e sindicato. 
“Ouvir” reinvidicacoes ou não provavelmente também está muito mais dependente da atenção que a comunicação social dá ou não ao sindicato do que propriamente ao sindicato as fazer ou não.
O problema dos grevistas não é só com o patronato. Se a autoridade das condições do trabalho, as finanças e a segurança social fizessem um trabalho de fiscalização a sério a estas empresas provavelmente não seria possível pagar as horas extraordinárias como se fossem ajudas de custo sendo assim isentas de segurança social e IRS.
Relativamente ao facto de o advogado ter sido convidado para um partido isso também acho que é uma falsa questão. Ainda por cima ele recusou o convite. A CGTP também tem imensos quadros sindicais do PCP e penso que a UGT seja mais dominada pelo PS. Qual é o problema de outros partidos também terem quadros sindicais? 
Relativamente a um sindicato estar 4 anos sem fazer greves insisto no ponto de ser muito mais complicado organizar uma greve no setor privado e de atualmente haver escassez de motoristas o que diminui o risco de despedimento. Essas escassez penso que não seria tão acentuada nos anos anteriores.
.da Vinci


Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 14.08.2019 às 15:14

Porque se consideram que a posição do sindicato é desacreditada por ter um advogado ligado à política mas não se considera que a posição da ANTRAM é desacreditada por ter um porta voz que é um boy do PS? (Há um artigo no observador que descreve os “tachos” deste advogado de 29 anos que a meu ver são totalmente desadequados ao seu percurso profissional e só se explicam pela sua influência política)
.davinci


Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 15:30

Não sei, eu desacreditei ambos no postal, disse equivalerem-se e estarem equilibrados...
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 21:08

Repare como Pardal Henriques primeiro apelou ao incumprimento dos serviços mínimos e da requisição civil, e agora quer "acabar com a palhaçada", dizendo que se senta à mesa das negociações, a ANTRAM que apareça ou será responsável "por todo o mal que possa acontecer aos trabalhadores".


Duvidosas, muito duvidosas estas posturas...
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 15:27

Não foi a comunicação social que o disse, foi a ANTRAM no debate e sem desmentido do SIMM ou do SNMMP.


Porque nunca deu entrada de denúncia no Ministério do Trabalho ou porque só agora está a dar entrada na PJ?
Não compro essa história da fiscalização - o Estado não pode fiscalizar tudo. Cumpre-nos a nós, cidadãos e trabalhadores, fazer a nossa parte - e digo-o desde há muito.
Assim como não compro a história da dificuldade em organizar a greve por medo de despedimentos - a lei laboral não o permite, e os motoristas nunca foram precários.


Quanto ao convite, nada tenho contra os convites ou contra partidos envolvidos no sindicalismo - tenho contra o actual sistema partidário, mas esse é outro assunto. O cerne dos convites é que não foram recusados, da Vinci. E, como digo no postal, não aclarar a questão agora apenas serve para minar a confiança nas causas da greve. 
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 14.08.2019 às 16:24


Resposta ao comentário 15:27
Desculpe mas do meu ponto de vista existe um claro défice de fiscalização em Portugal em determinadas áreas e o cumprimento dos horários de trabalho é uma delas. A meu ver o sindicato está a fazer o papel deles em denunciar estas jornadas de 12,13, 14 ou mais horas. Já trabalhei num setor em que estás jornadas de trabalho efetivamente aconteciam por isso acredito que também sejam “normais” neste setor.


Na conferência de imprensa disseram que o convite para ser deputado foi recusado pelo advogado dos sindicatos. De qualquer forma do meu ponto de vista mesmo que fosse aceite não teria mal nenhum e seria algo normal.As causas da greve são simples. Cerca de 1500 euros limpos por um trabalho muito duro com jornadas de trabalho muito longas em que mais de metade desse valor não desconta para a SS. Tudo o resto a meu ver é ruído ou de menor importância. 
A meu ver a melhoria destas condições salariais é uma luta inteiramente justa por contraposição à dos juizes que vão receber mais do que o primeiro ministro. Os motoristas têm o governo a combater ativamente as suas pretensões e os juizes tiveram este aumento concedido praticamente de mão beijada. A interpretação que faço desta  diferença  de atitude e que o PS precisa de agradar aos juizes por motivos menos lícitos mas aos motoristas não (sei que este último aparte é muito controverso...)
.daVinci
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 17:02

Não tem de pedir desculpa pela sua opinião, ainda menos quando a expõe de forma urbana e assertiva - coisa que muito aprecio numa discussão :)


As reivindicações são justas. O que me causa muitas suspeitas é a forma como partiram para a greve. O que não me parece nada claro são as motivações dos porta-voz de cada facção. O que me faz desconfiar da oportunidade é a forma como o braço de ferro escalou de intensidade em tão pouco tempo.


Volto a repetir: os juízes são pagos pelo Estado. Os motoristas não, e o Governo não pode - porque não pode mesmo - intervir para estabelecer salários nos privados para lá do ordenado mínimo.
O Governo fez o que lhe competia fazer - como patronato, negociou com os juizes, aceitou ou não as propostas. Acho abusivo dizer que o Governo cedeu aos juizes como forma de os comprar - certamente há muitos juízes incorruptos e incorruptíveis. Convém recordar (e atenção que eu não defendo tais aumentos de 700€) que um magistrado não pode desempenhar qualquer outro cargo remunerado. Nem qualquer cargo em associações, fundações, partidos, autarquias, clubes, etc
Com os motoristas, o Governo fez o que lhe competia fazer: decretou os serviços mínimos e fez requisição civil para evitar o caos.
O que poderia ou deveria fazer em alternativa?


Sobre a fiscalização: as horas pagas como ajudas de custo foram pagas e foram aceites felizes e contentes até agora.
Toda a gente reclama quando a ASAE e a GNR mandam parar os transitários e investigam os discos  e cruzam as horas das Guias com as horas de circulação, "andam na caça à multa" - e agora clamam haver pouca fiscalização? Entendamo-nos: não se pode apontar o dedo conforme convém.
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 14.08.2019 às 14:54

Por acaso não achei confrangedor. Até achei bastante mais informativo do que normalmente é. Agora na prática as negociações entre sindicatos e patronato são mesmo assim confusas e o debate transmitiu isso mesmo. O sindicalista disse claramente que se ANTRAM aceitasse 900 euros de salário base e o pagamento de horas extraordinárias que a greve acabava imediatamente. O porta-voz da ANTRAM disse que isso era impossível para eles. As posições e os pontos de partida para a negociação pareceram me bastante claros. 
Outra questão que tem sido muito criticada na coMunição social é o facto de esta greve se dever a negociações para 2021 e 2022. Isto a mim parece me uma crítica injusta. Um dos problemas que na generalidade se aponta em Portugal é o de não existir nenhum planeamento e de as decisões importantes serem tomadas em cima da hora. Do meu ponto de vista faz todo o sentido que estas decisões sejam tomadas com maior antecedência, permitindo às pessoas saberem que salário vão receber nos próximos anos e permitindo às empresas saberem com antecedência quais os custos que vão suportar no futuro para assim adaptarem os preços que cobram nos seus contratos futuros.
daVinci
PS: posto isto acho que esta atitude de um governo de “esquerda” abriu espaço para um esvaziamento do poder rei vidicativo de futuras greves. Acho que por exemplo no futuro se os professores ameaçarem greves nos exames nacionais será expectável que sejam decretados servicos mínimos de 100% e requisição civil.
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 15:11

Segundo ouvi, os sindicatos comprometeram-se ao envio de uma contraproposta. Não foi enviada, foi enviado o pré-anúncio de greve.


E sim, o planeamento é fundamental - mas é tecnicamente impossível assumir um aumento de remuneração para daqui a 3 anos, ainda mais num sector de serviços que não tem qualquer capacidade de controlo nos preços que pratica.
Não ouvi qualquer outra recusa, nem ao pagamento das horas extraordinárias nem à reavaliação de regalias e condições de trabalho.
É este corte abrupto que não percebo e que me deixa muito desconfiada.
A comunicação social vende sangue, tudo o menos não interessa.
O governo abriu espaço para se discutir seriamente a Lei da Greve - duvido que lhe sejam permitidas outras veleidades... :)
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 14.08.2019 às 15:24

resposta ao comentário 15:11
O porta voz da ANTRAM disse claramente no final do debate que 900 euros de base mais pagamento por inteiro de horas extraordinárias não era aceitável.
Discordo que seja “tecnicamente” impossível assegurar aumento de remuneração daqui a 3 anos. Talvez com o nível de subcontratação existente seja. Mas não estamos a falar de um produto qualquer, à procura está praticamente garantida. Se há setor em que se existir vontade é perfeitamente possível assegurar um aumento de remunerações é neste pois a procura de combustível não vai variar muito por causa disso (além do mais o salário dos motoristas é residual no custo total do combustível). Se o acordo definir que em determinado ano a remuneração dos motoristas sobe para um determinado valor os contratos futuros terão de ser feitos tendo em conta esse determinado custo. Perfeitamente possível e fazível  caso haja vontade para isso. 
Um aumento de remuneração a 3 anos ser visto como algo ”impossível” neste setor acho que diz muito de como vemos as relações de trabalho nos dias de hoje. É possível aumentar os juizes em 700 euros mas os motoristas não porqué?


daVinci
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 15:39

Porque o Estado lança impostos e os privados não. Mais uma vez, o Estado não é o patronato destes grevistas.
Aqui em volta tenho 5 empresas de transitários. Só este ano estou a ouvir os motoristas queixarem-se. Nos outros anos, riam pelo dinheiro que recebiam sem passar pelo fisco.


Não retiro justiça às suas reivindicações. Desconfio de todos nesta greve, e temo que os motoristas estejam a ser manipulados.
E não são apenas os de materiais perigosos que estão em greve.
O Governo resolve criar uma empresa pública para transporte de combustíveis (não ouviu no debate um dos sindicalistas dizer que este serviço devia pertencer ao Estado? Já esteve mais longe...) e onde fica a ANTRAM com as suas obrigações?
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 14.08.2019 às 16:39

Confirmo que ouvi o sindicalista dizer que esse serviço devia pertencer ao estado. Sendo um serviço assim tão essencial será que faz sentido estar nos privados? Obviamente que esse argumento é uma arma dos sindicalistas para pressionar a ANTRAM, e até pode ser uma das justificações para que a greve seja feita agora para pôr essa questão na discussão pública no período pre eleitoral.
Sarin é verdade que os privados não podem lançar impostos, mas também é verdade que se um novo contrato coletivos de trabalho entrar em vigor o custo do trabalho em princípio aumentará de forma igual para todos os privados pelo que nenhum será prejudicado em relação aos outros. Terão depois os privados de dar preços mais elevados para compensar esse aumento de custo com o trabalho. Obviamente que as empresas de combustível irao tentar encontrar uma solução mais barata mas se todos os privados cumprirem o acordo coletivo não irao conseguir encontrar forma mais barata de transportar o combustível. O principal risco nestas situações é que a procura diminua pelo aumento de preço que neste caso tratando se de combustível eu acho que não é um risco relevante. Por isso acho que faz todo o sentido negociar estes acordos coletivos com antecedência. 


daVinci
PS: eu trabalhei com pessoas na construção que recebiam à volta de 800€ iam ao norte ao sábado à tarde ver a família e regressavam segunda de madrugada. Eles também não se queixavam e por outro lado via outras classes muito mais privilegiadas que recebiam muito mais tinham um trabalho muito mais leve e se queixavam imenso. Isso não me impediu de ver que essas pessoas dos 800€ eram exploradas e que outras pessoas que se queixavam imenso não tinham assim tantas razões para se queixarem. 
daVinci
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 17:36

Nada no seu raciocínio está errado (defendo mesmo que a energia, podendo ter privados a operar, deveria estar sempre na mão do Estado).
O problema é que o valor que está em cima da mesa respeita a todos os transitários afectos a estes sindicatos - não apenas aos dos combustíveis :)
Significa que se a ANTRAM ceder, cede para transporte de fruta, de mobília, de gás, de brinquedos, de ... ... O próximo Governo nacionaliza os transportes de combustíveis e a ANTRAM fica com toooodos os outros meninos na mão.
Não nos esqueçamos: não são apenas os motoristas de combustíveis que estão em greve. Apenas falamos nestes porque são estes que nos condicionam realmente e foram estes os alvos da requisição civil. 
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 15.08.2019 às 12:49

Sarin voltei à praia já lhe consigo responder hehe. Duas perguntas:
considera que as medidas do governo em termos de serviços minimos e de implementação da requisição civil foram adequadas? (A mim parecem-me totalmente exageradas e acho que mostram o governo a tomar o lado dos empregadores contra os trabalhadores)
Por outro lado gostaria de perceber qual a razão de tantas críticas ao advogado dos motoristas? Considera que uma má escolha de porta voz é suficiente para descredibilizar a greve porquê? A mim parece me algo totalmente secundário, sendo que as decisões de greve são tomadas em plenário. Parece-me daqueles motivos de crítica quando não se tem nada de substancial a apontar e por isso gostava de perceber porque atribui tanta importância ao Dr Pardal.
daVinci
Imagem de perfil

De Sarin a 15.08.2019 às 14:24

Perdoe-me mas tive que rir :)
"Nada de substancial a apontar"?
Mas eu apontei duas ou três questões com bastante substância: a forma abrupta como interrompeu as negociações; o não terem sido enviados os documentos que se comprometeram enviar e que ficaram registados em acta que seriam enviados; o não aclarar se tem ou não interesse em ser candidato.
Entretanto, posso juntar: o apelar ao incumprimento dos serviços mínimos e da requisição civil, o mentir dizendo que havia motoristas detidos, o mentir dizendo que a FECTRANS havia assinado um acordo à revelia da vontade dos motoristas, a prepotência em interromper as negociações mas agora dizer que estará na DGERT à espera da ANTRAM e do Governo e que se estes não comparecerem serão os responsáveis pelo que de mal aconteça.
Ouvir os responsáveis sindicalistas representados por este porta-voz é confrangedor - aparentam ter receio de falar, e quando o fazem demonstram não estarem tão seguros da greve como aquele que os incita.


Acho que o Governo poderia ter reservado a requisição civil. Com os serviços mínimos fez o que tinha de fazer - garantir que os serviços básicos não param e que o país continua a rodar, embora mais lentamente.
Não ficou do lado do patronato, ficou do lado das negociações - parece haver na CS intenção de ignorar que há mais sindicatos no sector :)
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 15.08.2019 às 17:54

está perdoado desde já Sarin.
Acho interessante ao falar consigo que perante os mesmos dados chegamos a conclusões totalmente opostas. Por exemplo a  Sarin acha confrangedor a atitude perante as câmaras dos responsáveis sindicais, não terem uma postura segura e terem receio de falar. Eu por exemplo acho isso perfeitamente normal e expectável. Os responsáveis sindicais desses sindicatos penso que são efetivamente camionistas, não são sindicalistas profissionais como acontece por exemplo com o Mário Nogueira que penso que não dá aulas há mais de 20 anos pelo que naturalmente terá um grande à vontade a falar em frente das câmaras ao contrário dos sindicalistas dos motoristas. Por outro lado acho que mostra que são gente séria. Ninguém sabe efetivamente os resultados da greve se está efetivamente ajuda às pretensões dos motoristas ou se simplesmente os priva de uns dias de salários e cria problemas jurídicos aos que foram notificados pela justiça. Além do mais para quem não tem experiência a falar em frente às câmaras é muito fácil dizer alguma coisa que não é efetivamente aquilo que se queria dizer e depois prejudicar os sindicatos em vez de os ajudar. Eu acharia era estranho se os sindicalistas estivessem muito confiantes e sem nenhum receio. (Mas eu também por feitio desconfio sempre das pessoas com muitas certezas e com poucas dúvidas...)
(Continua)
.daVinci
Imagem de perfil

De Sarin a 15.08.2019 às 17:59

Mas o receio que lhes vejo não é a timidez de falar para as câmaras e sim o receio de dizerem o que não devem, como se não estivessem bem seguros da posição que é suposto defenderem.
Porque é isso que está em causa - ninguém tem de ter à-vontade frente às câmaras, mas de um líder e representante espera-se liderança e representação. Espera-se que saiba defender a sua posição quando a toma. E o que lhes noto é insegurança.


A idoneidade e a justiça das reivindicações dos camionistas nunca foi posta em causa.
Imagem de perfil

De Sarin a 15.08.2019 às 18:07

Aproveito para o relembrar que lhe coloquei algumas questões que nunca obtiveram resposta... :)
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 15.08.2019 às 22:26

Sarin. Tenho todo o gosto em responder às questões que ainda não respondi mas ando para cima e para baixo aqui no telemóvel e não as encontro? Se me disser quais são respondo concerteza!
daVinci
Imagem de perfil

De Sarin a 20.08.2019 às 02:19

Boa noite, da Vinci.
Tardiamente, mas espero que ainda a tempo, as perguntas que lhe havia feito:
O que poderia ou deveria [o Governo] fazer em alternativa?



E não são apenas os de materiais perigosos que estão em greve.
O Governo resolve criar uma empresa pública para transporte de combustíveis (não ouviu no debate um dos sindicalistas dizer que este serviço devia pertencer ao Estado? Já esteve mais longe...) e onde fica a ANTRAM com as suas obrigações?



Com o fim da greve as respostas serão talvez mais claras, mas não menos pertinentes. :)
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 20.08.2019 às 21:30

olá Sarin :)
Tardiamente, mas espero que ainda a tempo, as perguntas que lhe havia feito:
O que poderia ou deveria [o Governo] fazer em alternativa?
- deveria ter definido uns serviços mínimos muito mais reduzidos. Que fossem efetivamente serviços mínimos. os serviços de 50% para a rede fora dos serviços de emerrgência é abusivo e contraria o direito à greve constitucionalmente estabelecido na minha opinião (por mais pareceres jurídicos ou da PGR que possam aparecer...)
- deveria ter evitado que um advogado "boy" do PS fosse representante da ANTRAM. 


E não são apenas os de materiais perigosos que estão em greve.
O Governo resolve criar uma empresa pública para transporte de combustíveis (não ouviu no debate um dos sindicalistas dizer que este serviço devia pertencer ao Estado? Já esteve mais longe...) e onde fica a ANTRAM com as suas obrigações?

- suponho que essa empresa pública teria de obedecer ao mesmo contrato coletivo de trabalho negociado com a ANTRAM. Mesmo que fosse criada essa empresa provavelmente não iria suprir 100% das necessidades de transporte de combustivel pelo que a ANTRAM continuaria provavelmente a empregar motoristas de matérias perigosas.



Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 20.08.2019 às 21:31

daVinci
PS: tal como outro user também estou a ter problemas a rever os comentários!
Imagem de perfil

De Sarin a 20.08.2019 às 21:45

Percebi que era o da Vinci, mas não percebi os problemas de revisão dos comentários... problemas de que tipo? E que outro user? E se eu não estivesse semi-obliterada pela febre, perceberia melhor esta sua mensagem? :)
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 24.08.2019 às 17:23

Olá Sarin,
o principal problem é quando escrevo o comentário no telemóvel, a partir do momento em que o tamanho do texto é maior do que a caixa, já não consigo rever o texto que fica para trás. O telemóvel que uso é um iphone e o browser o safari. (mas não são assim nenhumas dificuldades inultrapassáveis mas efetivamente dificulta a escrita de comnetários mais longos). 
O Vorph também refere dificuldades a rever os textos num comentário em baixo. Mas já não me lembro se foi num comentário dele ou doutra pessoa que vi quando escrevi o comentário em cima.
daVinci
Imagem de perfil

De Sarin a 24.08.2019 às 17:41

Ah, percebido.
Eu comento e escrevo quase todos os postais (não exagero se disser mais de 90%) num iphone 5S (para caber no bolso) e uso o safari. Estou ciente das limitações a que estamos sujeitos... mas o que interessa é se conseguimos ou não passar a mensagem: conseguimos, pois! :)
Imagem de perfil

De Sarin a 20.08.2019 às 21:56

(Olá, de novo)
* Como poderia o Governo evitar que um advogado boy on the job fosse representante da ANTRAM? Quando muito, poderia ter evitado que o advogado da ANTRAM fosse boy on the job :)

Ao decretar os serviços mínimos apenas para emergências, como diz, o país pararia e seria o caos - uma dor de cabeça do ponto de vista da segurança. Além de poder ser visto como colagem aos trabalhadores (afinal, nada do que foi decretado contraria a legalidade - pode é estar ferido na legitimidade, mas esse é outro argumento), seria certamente visto como ineficácia de gestão e antevisão do Governo... duvido, com maiúsculas, que qualquer outro Executivo fizesse muito diferente. Falamos de PIB, sim, mas também de segurança pública, não falamos de desconforto do público. (Isso é na greve da Ryanair, postal de hoje :))


Pelo contrário, ao assimilar apenas os motoristas de materiais perigosos, o Estado-patronato poderia renegociar um novo CCT (seriam, serão, um milhar de salários) e a ANTRAM ficaria com muitos milhares de motoristas nas mãos - a maioria trabalhadores de PME que são subcontratadas pelos grandes transitários e que, por isso, não definem os preços de mercado.
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 15.08.2019 às 18:12

(Continuação)
Nesta questão o que eu considero substancial é o seguinte:
1) os salários que os motoristas efetivamente recebem e os descontos que fazem para a segurança social e irs) (neste ponto a minha principal fonte de informação é um recibo de vencimento que vi no Facebook e que parece bater certo com o que vejo nos comentários das TVs)
2) a exigência do trabalho e o número de horas efetivamente trabalhadas >> neste ponto a informação que disponho vem principalmente do conhecimento que tenho do mercado de trabalho noutros setores e de relatos que ouvi de pessoas que conhecem motoristas pelo que efetivamente acredito que as jornadas de trabalho de 12-15 horas são algo comum no setor)
3) se o aumento de salários provoca uma diminuição dos postos de trabalho no setor (aqui acho que não provoca nos que transportam matérias perigosas mas pode provocar nos motoristas de transporte “normal”)
Tendo em conta estes dados  parecem me efetivamente haver razões para ser feita a greve pelos motoristas de matérias perigosas pelo que considero minudencias de menor relevância esses elementos que apontou.
De qualquer forma não percebo qual a relevância de o Dr Pardal aclarar o seu interesse em ser ou não candidato? Porque é que isso é importante? 
Por outro lado aponta arrogância aos sindicatos dos motoristas mas a ANTRAM tem recusado negociar com eles primeiro por causa do pre aviso de greve e agora não reúne com eles porque estão em greve. Isso não é arrogância também? 
Ainda há pouco vi a notícia do abastecimento da marina de Vilamoura com combustível. Para si faz sentido que este abastecimento esteja enquadrado nos serviços mínimos? Para mim isto não faz sentido nenhum e realmente acho que os serviços mínimos decretados puseram o governo do lado dos patrões e contra os grevistas. Serviços mínimos para mim seriam hospitais, serviços de emergência e pouco mais... tudo o resto é demasiado na minha opinião. 
daVinci
Imagem de perfil

De Sarin a 15.08.2019 às 18:48

da Vinci, já explanei os meus motivos contra esta greve: a interrupção das negociações foi abrupta, os dois sindicatos não cumpriram o que se comprometeram e tomaram uma posição de força. Questiono e continuarei a questionar a oportunidade da greve e as motivações de quem a acicatou. Motoristas calados durante 8, 10, 12 anos... e em 7 meses de existência abandonam negociações e avançam com 2 greves? Chame-me céptica. E chame-me cínica quando suponho o porta-voz mais preocupado consigo do que com os motoristas - sim, seria muito importante aclarar se tem ou não tem qualquer interesse em integrar uma lista partidária. Para que ninguém fique a pensar que a sua decisão dependerá do resultado da greve. Ou que a greve surgiu para o catapultar.


As reivindicações são justas, e isso nunca esteve em causa. As medidas adoptadas pelos sindicatos grevistas é que considero prematuras e a exigência de base inflexível e irrealista. E os funcionários dos pequenos transitários que não de combustíveis sabem-no. Tal como o sabe Pardal Henriques quando fala dos descontos sobre os 650€ de salário base. Relembro que não houve denúncias ao Ministério do Trabalho, que não houve queixas juntos da Autoridade Tributária para a verificação da aplicação do código fiscal, que não houve apelo ao Governo para que alterasse o modelo fiscal das ajudas de custo e dos suplementos remuneratórios. É uma bandeira bastante rasgada, esta que hasteiam.


A lei define os sectores em que devem existir serviços mínimos. A Rede de Emergência foi definida. Segundo o Ministro, o abastecimento está a ir além dos serviços mínimos. Portanto, a Marina faz parte deste "além" - à hora de almoço ainda não havia sido abastecida - aparentemente não consta na tal rede.
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 16.08.2019 às 17:54

Concordo com tudo o que disse. Andam a tentar fazer passar por vigarista que lidera a greve. E os partidos de esquerda têm andado hipocritamente calados porque os novos movimentos sindicais andam desligados dos seus interesses. Como alguém por aqui disse fosse um governo de Direita a declarar os serviços mínimos (100%,75%,50%), mais a requisição civil, e a ameaçar com penas de prisão até 2 anos quem legitimamente recusa a pouca vergonha "decretada" pelo governo das esquerdas e era de fascista para cima. Uma camarilha de hipócritas. Quando são os sindicatos da esquerda a decretarem as greves defendem que é normal a perturbação do quotidiano (ex: há empresas que já não contratam quem vive na margem sul em virtude das frequentes greves da Soflusa). Quando são sindicatos independentes mandam a ASAE ou a Comunicação Social fazer ataques de carácter aos seus promotores.


PS: a formatação da caixa de comentários não me permite rapidamente rever o texto.
Imagem de perfil

De Sarin a 22.08.2019 às 10:12

Olá, da Vinci.
Perante o que aconteceu nestes dois últimos dias (anteontem não aceitaram negociar e lançaram pré-aviso, ontem Pardal Henriques declarou ser candidato, hoje sindicato fala em cancelar pré-aviso e aceitar o mesmo acordo da Fectrans) talvez perceba melhor as minhas dúvidas sobre a oportunidade destas greves ou sobre a insegurança dos sindicalistas no debate, e a minha insistência na clarificação dos desígnios eleitorais de PH.
Claro que pode haver outras leituras, mas se tal intenção tivesse sido declarada há duas semanas talvez os motoristas tivessem ganho o mesmo acordo, talvez tivessem sido poupados a este desgaste, talvez o sindicalismo independente tivesse  saído fortalecido. Nunca o saberemos, mas infelizmente as dúvidas ficaram mais certezas - e quem se lixou foi, como sempre, o mexilhão.
Imagem de perfil

De ossapossabembeijar a 14.08.2019 às 14:47

Subscrevo a maioria das tuas opiniões
Mas o facto de não ter dito nada antes ... não me pode inibir de dizer qualquer coisa agora
A verdade é que temos 2 terroristas a capitanear cada um dos touros em confronto. E, ainda por cima, um e outro não snetem na pele qualquer problema económico pela greve.
Um é advogado. O outro também. Um recebe uma preestação de serviços do sindicato dos trabalhadores. Outro também mas do sindicato dos patrões.
Vamos ver e isto foi uma coisa combinada entre os dois para aumentar o valor da prestação de serviço. De um e do outro
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 14:52

Claro que o facto de nada se dizer antes não inibe o falar agora. Estás à vontade - os grevistas é que pularam qualquer coisa...


Sim, são ambos incendiários e têm ambos mais a ganhar do que a perder nesta greve. Como disse, as justas reivindicações dos trabalhadores a serem usadas para fins obscuros...
Imagem de perfil

De MJP a 14.08.2019 às 16:25

Olá, Sarin!


Partilho das tuas "dúvidas", expressas no postal... e tenho, pelo menos, mais uma... não estarem afectos a nenhuma Central Sindical, fará destes Sindicatos, "independentes"?!...
(ao contrário do que, alguns, afirmam... não são, de todo, movimentos "inorgânicos"...)


Beijos
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 17:08

Concordo contigo, e já o comentei noutros blogues. Não são inorgânicos. Talvez sejam independentes, mas das centrais; e talvez sejam independentes, mas nem todos os protagonistas parecem ter vontade de ser independentes dos partidos políticos...
Imagem de perfil

De MJP a 14.08.2019 às 17:11

Nem mais...
Imagem de perfil

De /i. a 14.08.2019 às 17:06

E as declarações de surdina da Catarina e do Jerónimo? Se fosse o PSD a governar era gritaria que nunca mais acabava.  São greves fora da habitual capa da ugt, cgtp. Aliás este sindicalismo das avoila, dos arménios, dos nogueiras são só para a francha da função pública. A greve dos enfermeiros escapou ao sindicato, pois foi delineada pela bastonária nos bastidores. Coisa que é ilegal. As ordens profissionais não podem incitar, organizar greves.
Imagem de perfil

De MJP a 14.08.2019 às 17:18

Olá, I.! :))


"A greve dos enfermeiros escapou ao sindicato, pois foi delineada pela bastonária nos bastidores."

("Senhora", essa, muitíssimo próxima do "teu querido" "Tio Celito")!
(nada acontece por acaso...)


Beijinho
Imagem de perfil

De /i. a 14.08.2019 às 17:44

Exactamente, MJP.
E as reivindicações dos enfermeiros são legitimas. No entanto, a forma como a greve foi preparada e depois a comunicação fez o resto: que foi a sua descredibilização. 
Agora nesta greve: é o pardaloco que tenta cercar o boy socialista da antram. E no meio estão os trabalhadores a levar pancada. Para mim o pardaloco é a pessoa ideial para o André de barba aparada começar o disco riscado: onde estão as vossas propostas. Sendo que os sindicatos já disseram: novecentos euros de salário base pelas 40 horas semanais e o pagamento das horas extraordinárias. 
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 17:24

São para a função pública porque quase não há sindicalizados no particular.


A dos enfermeiros é um caso diferente - tem a bastonária e tem fundos que ainda estão em investigação... há grupos com muito interesse em bloquear o SNS, não viste quantos novos hospitais abriram com olho nas PPE? E não vês como foi a questão dos pagamentos da ADSE?


O Jerónimo e a Catarina não podem acusar os grevistas porque há justiça nas reivindicações; mas, por outro lado, há zonas cinzentas - e ninguém vai dar apoio quando esse apoio foi recusado... a FECTRANS, antes o demónio, agora é "excelente" para negociar. E não é por o PCP e o BE terem acordo parlamentar, mas porque uma negociação de um CCT não é matéria que se defina em dois ou três meses, muito menos uma negociação passa pelo não envio de documentação.
Imagem de perfil

De /i. a 14.08.2019 às 17:56

A antram, os patrões, sempre fizeram as coisas à vontade. Quando o André da barba aparada diz que as empresas não podem pagar os novecentos euros. Se não conseguem bom remédio, estão com prejuízos. Fecham actividade e surgem outras. Porque parece que ganhar salário base de novecentos euros permite almoçar e jantar todos os dias no restaurante eleven. 
Imagem de perfil

De /i. a 14.08.2019 às 18:01

E por ironia isto é bom para o governo. Não há mais nada nas notícias é a greve e o porto fora da Champions. Os problemas nos transportes públicos, falta de profissionais na saúde. Até a greve dos registos e notariados passa ao lado. 
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 18:06

O problema das notícias é procurarem sempre a paisagem onde há sangue.
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 18:05

Não sei, nem sequer sei que restaurante é esse :))


Mas sei que esta greve parece ser apenas dos motoristas de combustíveis, mas não é: é dos motoristas de mercadorias. não são só os 800, como dizem.
E a ANTRAM nada produz, presta serviços - é um sector que depende da procura. Se o próximo Governo nacionalizar a distribuição de combustível, a ANTRAM fica agarrada aos 900€ garantidos para 2021 e terá de os pagar a todos os motoristas que ficarem e que nada têm a ver com combustíveis.
Uma coisa é eu achar que devem ganhar melhor. Outra é eu saber se podem ou não. A ANTRAM é um colosso - mas os transitários que conheço nem por isso. Há alguns grandes transportadores, e há uma miríade de pequenos transportadores. Que funcionam por sub-contrato dos grandes. Estes pequenos não têm grande capacidade, /i. Os grandes arrebanham contratos de distribuição e depois estabelecem os valores de mercado nos serviços dos pequenos que subcontratam...
Imagem de perfil

De /i. a 14.08.2019 às 18:46

Sarin, o restaurante eleven em Lisboa pratica preços deste género: https://m.thefork.pt/restaurante/eleven-r66693/menu 
(É caróte, e é daqueles que vemos mais prato do que comidinha).


Sim, também é a greve é de todos motoristas de pesados mercadorias. 


Há alguns grandes transportadores, e há uma miríade de pequenos transportadores. Que funcionam por sub-contrato dos grandes. Estes pequenos não têm grande capacidade, /i. Os grandes arrebanham contratos de distribuição e depois estabelecem os valores de mercado nos serviços dos pequenos que subcontratam...


Concordo contigo, Portugal funciona muito assim. Empresas subcontratam e depois os que subcontratados ainda subcontratam para outro. Chegamos à conclusão que nem se sabe quem é patrão de quem. E não era necessário. Só que depois as grandes transportadoras dominam conpletamente o mercado e as empresas pequenas, médias ficam reféns. E elas (empresas médias e pequenas) se concorrem a concursos de prestação de serviços perdem pois não têm requesitos exegidos no caderno de encargos desses concursos.  
Isto é muito complicado. 
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 19:28

É muito complicado, sim - por isso, quando se fala em assegurar os 900€ de salário já para 2021 eu digo ser impossível pois não estão em causa apenas 800 salários e não estão em causa apenas grandes empresas. Os pequenos não controlam os preços dos serviços que prestam.


Pois o eleven... obrigada, nem fui espreitar não fosse necessário pagar taxa de visita no site :D
(mas irei, mais logo)
Imagem de perfil

De /i. a 14.08.2019 às 20:56

Exactamente. 
Imagem de perfil

De /i. a 14.08.2019 às 19:17

Em resposta ao comentário @MJP:
Agora nesta greve: é o pardaloco que tenta cercar o boy socialista da antram. E no meio estão os trabalhadores a levar pancada. Para mim o pardaloco é a pessoa ideial para o André de barba aparada acabar com o disco riscado: onde estão as vossas propostas

Gostemos ou não o pardaloco ora de maserati, ora de trotineta está a dar luta ao André da barba aparada. E colocou o costa em sentido, desta vez não substimou e publicou logo no DRE a requisição civil parcial. É um problema do sector privado (como relembras e muito bem), no entanto o Governo tem de assumir o papel de árbitro. Quando somos excessivamente dependentes desta forma de transporte: aerportos sem oleodutos, a rede de oleodutos e gasodutos é deficiente. (Gastamos tanto dinheiro em obras desnecessárias e estas que são importantes não as fazem).
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 16.08.2019 às 17:59

Nem mais, /I. O Bloco não passa de um Syriza cá do burgo. O PCP se perde o movimento sindical para as novas estruturas que presentemente despontam, perdem qualquer relevância politica (eleitoralmente valem já zero) 
Imagem de perfil

De /i. a 16.08.2019 às 20:33

Olá, Vorph. 
Exactamente. Quando veêm o Pardaloco na TV devem ter que colocar o famoso comprimido debaixo da língua para não enfartarem! 
Imagem de perfil

De Maria a 14.08.2019 às 19:07

Olá Sarin.  Esta greve tem interesses tão obscuros . Uma certeza tenho , quem vai perder são os motoristas. 
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 19:34

Olá, Maria.
Temo que assim seja - nem sequer têm fundo de garantia salarial, duvido que se consigam aguentar muito tempo. E o que me dói é que as suas reivindicações são justas; a forma como estão a reivindicar é que se assemelha a manipulação. E o Pardal não esclarecer se aceita ou não um lugar na lista apenas ajuda a obscurecer ainda mais as suspeitas.
Imagem de perfil

De Maria a 14.08.2019 às 21:17

Vejo o modo como esta greve decorre e recordo uma de há uns anos na Azambuja,  na Opel,  creio.  Em que os trabalhadores acabaram todos no desemprego. Neste caso não será tão grave. Mas os perdedores são eles. O pardal esconde intenções.  Enfim, quebra sempre no lado mais fraco. 
Reivindicações mais que justas.  Explorados até ao tutano.
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 22:27

Parece-me que sim, que esconde.
E com o pré-acordo da FECTRANS com a ANTRAM a coisa ainda ficou mais complicada para estes motoristas... 
Imagem de perfil

De Maria a 14.08.2019 às 22:43

Eles  são  mesmo os mexilhões.  As vezes evito ver as notícias. Revolta-me. São umas marionetes nas mãos de oportunistas que têm algo pouco "limpo" na manga
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 22:50

Aflige-me ouvi-los dizer que farão o que o sindicato mandar, sabendo que "o sindicato" é Pardal Henriques :(
Imagem de perfil

De Maria a 14.08.2019 às 23:02

É  isso mesmo
 Lembram ( sem ofensa,  só uma imagem) aqueles cães de  peluche que põem nos carros que abanam a cabeça.  
Aceitam tudo que o outro lhes diz e não param um.minuto para pensar  por eles. são simples peões de brega numa luta obscura . Estão a ser usados sem qualquer pudor 
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 23:11

Talvez se apercebam da campanha de desinformação que grassa de parte a parte...
Talvez.
Assim o desejo.
Mas não espero :(
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 14.08.2019 às 23:26

Seria o melhor para eles. As vezes questiono se eles n têm a noção que Estão a ser usados. Parece que bebem as palavras do Pardal 
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 23:29

Isso mesmo :(
Imagem de perfil

De Vorph Valknut a 16.08.2019 às 18:00

 Bons são os sindicatos e os sindicalistas, paus mandados dos comunistas. 
Imagem de perfil

De HD a 14.08.2019 às 20:12

Seja como for, vamos sempre culpar o governo... por permitir! ;-)
Imagem de perfil

De Sarin a 14.08.2019 às 20:32

Culpo o Governo quando tenho de culpar - e, no caso, é culpado de não ter criado qualquer infra-estrutura nestes 4 anos.
Do resto da greve... desta escapam :))

a palavra a quem a quer




logo.jpg





Localizar no burgo

  Pesquisar no Blog



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Cave do Tombo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D