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Do ócio e do ódio

por Sarin, em 27.06.19

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Há 15 milhões de jovens na União Europeia que nem estudam nem trabalham.

Serão...

indigentes ?

jovens com problemas de saúde e sem qualquer tipo de apoio escolar?

jovens fugitivos, crianças raptadas há anos, indivíduos cujo assento de nascimento foi feito mas aos quais se perdeu o rasto?

A notícia não esclarece. É pena, porque números, assim soltos, não dizem nada e permitem muitas interpretações. Decido ir à fonte. Mas a notícia não indica qualquer fonte, apenas se refere a "dados hoje divulgados pelo gabinete de estatísticas da UE"... enfim, mais um deficiente serviço noticioso.

 

Abro a página do Eurostat e tento localizar, entre os emitidos hoje, um relatório subordinado a um ou a qualquer dos temas juventude, emprego, escolaridade. Nada. Finalmente, lá descubro o artigo - que, afinal, é de Abril.

Os jovens que nem trabalham nem estudam, nomeados NEET, não se enquadram afinal em nenhuma das hipóteses antes aventadas. São jovens que, acabados os estudos, não conseguem encontrar emprego. Gente em início de vida, cheia de força, prenhe de vontade... e sem onde as aplicar.

 

No espaço de tempo que mediou entre ler a notícia e escrever o postal, li outra notícia: "Europol alerta para a acção de três grupos de extrema-direita em Portugal",  sendo que esta actividade não se esgota no nosso país. Mas é preocupante, vejam-se os números no Relatório Anual de Segurança Interna.

 

Parece-me poder haver aqui uma qualquer relação causa-efeito. E um padrão. E resultados. Não em Portugal - não ainda.

 

E, entretanto, sobre políticas demográficas, sobre políticas de emprego, sobre sustentabilidade social, estamos conversados. Ou melhor, não conversamos. Mas, avaliando pelas conversas do Presidente da República, pelos projectos na Assembleia da República, pelas opiniões dos comentadores políticos e, até, pelas conversas de café, também não deve ser importante.

 

imagem colhida em Segredos do Mundo

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

Autoria e outros dados (tags, etc)

lançado às 18:36

Onde ideias-desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor.


Obrigada por estar aqui.



28 comentários

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De MJP a 27.06.2019 às 20:11

Ai, mulher!!!... que tu não há meio de perceberes que a malta tem outras prioridades, ok!!!
(como é que uma pessoa se pode concentrar em mudar de cor, no Verão, e... ao mesmo tempo, distrair-se com as temáticas que referes??!!!...) ;-))  
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De Sarin a 27.06.2019 às 20:43

O nosso problema é termos tantas horas de Sol no país, está visto! 
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De MJP a 27.06.2019 às 20:49

Olha... tu queres ver que, afinal, a culpa é, mesmo, do Sol!!!
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De HD a 27.06.2019 às 21:30

Importante é dar as notícias, sem que alguém se importe com a veracidade das mesmas... :-\
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De Sarin a 27.06.2019 às 21:35

É que nem são falsas... na verdade, nem falsas nem verdadeiras, um excelente exemplo de como usar números para nada dizer.


Mas os relatórios merecem atenção, discussão - e da séria.
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De HD a 27.06.2019 às 21:47

Os números já não dizem tudo e estão mais próximos de explicar nada... :-\
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De Não Identificado a 27.06.2019 às 22:24

"sobre políticas demográficas, sobre políticas de emprego, sobre sustentabilidade social, estamos conversados. Ou melhor, não conversamos. Mas, avaliando pelas conversas do Presidente da República, pelos projectos na Assembleia da República, pelas opiniões dos comentadores políticos e, até, pelas conversas de café, também não deve ser importante."

Esses temas não são importantes do ponto de vista político porque não dão votos. E a culpa de não darem votos a meu ver reparte-se entre a comunicação social que não lhes dá visibilidade e a população que não se preocupa com esses temas na hora de votar.
Em POrtugal existe uma desproporção enorme geracional no que toca à abstenção. Os reformados e pensionistas são extremamente mais significativos e relevantes do ponto de vista político do que os mais jovens.

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De Não Identificado a 27.06.2019 às 22:24

-da Vinci
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De Sarin a 27.06.2019 às 22:58

Calculei, pela proximidade dos comentários :)
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De Sarin a 27.06.2019 às 22:58

Concordo, as gerações mais novas não se revêem, ou não procuram rever-se, nem nos partidos (e nisto serei eu uma jovem :D ) nem nas políticas. Serão os eleitores entre os 40 e os 80 quem mais assíduo será às mesas de voto. Portanto, é natural que parte do discurso político lhes seja dirigido.


Ainda assim, as questões de fundo são arejadas, mas nunca são discutidas... e estes números são indicadores importantes, assim os possamos ler.
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De Não Identificado a 28.06.2019 às 23:08

eu até apontaria para uns anos acima como os mais assíduos. Aí pelos 60-85.
Em Portugal os mais jovens votam "com os pés" com as taxas de emigração record dos ultimos anos.
"Portanto, é natural que parte do discurso político lhes seja dirigido."
Que uma parte do discurso lhes seja dirigido é natural, agora na minha opinião essa parte é desmesurada face aos mais jovens e os seus interesses dos mais velhos têm prioridade no que toca à afetação do orçamento de estado. Basta pensar por exemplo que uma medida básica (pelo menos na minha opinião), que seria um sistema nacional de creches/infantários públicos que proporcione uma solução para as famílias a partir dos 5/6 meses (altura em que acaba a licença de maternidade e as mãe têm de regressar ao trabalho) não só não nunca foi implementada como nem sequer parece ser algo que vá acontecer num futuro próximo tendo em conta as propostas políticas dos partidos. 
-daVinci


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De Sarin a 29.06.2019 às 12:59

Não apontei para tal escalão porque estou num mais abaixo, e no meu escalão quase todos os nomes são descarregados na zona - extrapolei, talvez indevidamente, o conhecimento que tenho sobre o comportamento em alguns concelhos.
Chamei-lhe natural, de forma alguma concordei com a sua dominância... aflige-me há muitos anos a ausência de uma política demográfica. [O da Vinci não saberá, mas antes de ter o blogue comentava em caixas de comentários de jornal. Muitos anos. Portanto, quando me ouvir "há anos que o escrevo" perceberá que não é figura de estilo :)] Há anos que tento desconstruir a ideia de que a licença de maternidade é um direito da mãe. Não é! É um direito da criança! Assim como creches e infantários não existem para facilitar a vida dos pais mas para promover o desenvolvimento social da criança - se puder servir os dois objectivos, melhor!
Uma política demográfica deve atentar em premissas que tais - não exactamente estas, não presumo ser detentora de verdades únicas, mas premissas que atentem no ciclo de vida completo e a partir daí se ramifiquem.
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De Maria a 27.06.2019 às 22:47

Falar de coisas fúteis, fazer promessas vãs distrai .
Mas está ausência  discutir temas sérios vai acabar mal.
Nessa altura é  um Deus nos acuda, a culpacseracda conjuntura, do governo anterior.
Mas nunca de quem assobiou  par a o lado ao saber dos alertas, ao não se preocupar em criar empregos bem remunerados. 
Jovens sem metas concretas sem objetivos tornam-se  "perigosos"..Nao têm nada a perder.
É  ver como se aliam a grupos radicais. Matam e morrem sem qq problema.
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De Sarin a 27.06.2019 às 23:00

Exacto; e é algo que sentimos há bastante tempo - mas agora temos dados concretos.


E mesmo assim...
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De Maria a 27.06.2019 às 22:49

Desculpa as gralhas no meu comentário. Escrever no Tlm dá nisso. Teclas pequenas ou dedos gordos.:)
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De Sarin a 27.06.2019 às 23:02

As gralhas não retiram o sentido ;)
se retirarem, corrigem-se.


(sou má apenas com a Comunicação Social :D )
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De Maria a 27.06.2019 às 23:16

Também não lhes perdoo.  Erros graves , como o que cometem com o verbo haver,  serem facciosos, as perguntas tolas que colocam e perder excelentes oportunidades de colocarem questões pertinentes.
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De Sarin a 27.06.2019 às 23:38

É malhar-lhes! ;)
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De P. P. a 28.06.2019 às 00:21

Ao ler a tua pergunta, no corpo da publicação, logo fui ao encontro da resposta. Na verdade, até chegar a esse parágrafo, quis estar errado. Atualmente, existe um documento que se chama Perfil do Aluno à Saída da Escolaridade Obrigatória, que quando visto de um prisma não fantasioso vai ao encontro destes jovens. De tal forma que, para muitos, incluído aqueles senhores dos gabinetes, de nada importa saber resolver problemas pois, com o decorrer dos anos, estes serão resolvidos pelo telemóvel... Magnífico. Um problema acarreta interpretação, compreensão, descodificação... e um mesmo problema pode ter vários enunciados. Enfim...
Enquanto isso, aqueles que foram alunos aplicados, educados (grande realce para esta palavra) e que têm os sonhos de qualquer jovem, vêem-se encurralados. É triste. De certa forma (defeito meu), gosto de acompanhar os meus "miúdos" depois de lhes dar aulas. Aliás, a única potencialidade que encontro no FB. Constatar a realidade, dói.
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De Sarin a 28.06.2019 às 00:40

Desculpa, P.P., mas porque não conheço o documento de que falas, não consegui perceber o que pretendes dizer com "ir ao encontro destes jovens" - recrutamento? contabilização?
Sabes como o tema me interessa, por isso explica-me muito bem como se fosse madrugada de um dia de semana e eu precisasse de férias ;)
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De P. P. a 28.06.2019 às 00:48

Eu é que peço desculpa.
Foi um dia... Para já, a mobilidade para cuidar da minha mãe (ajudar/apoiar) não foi aceite, pelo que estou algo desconcentrado, com vontade de partir umas quantas coisas e já mostrei as minhas unhas moderadamente cuidadas numa reunião, não suportando tamanha maledicência de quem parece não ter nada para fazer na vida. 
Este documento tem em conta o que se pretende dos nossos jovens, ao saírem da Escola. As finalidades, deixando de lado o encanto por "saber discutir", "argumentar", etc, etc (provavelmente os testes deixarão de existir) assentam na "capacidade" de fazer isto e aquilo, porque os empregos não serão para todos e a capacidade de adaptação a diferentes meios laborais maior. Na verdade, nem sei como pretendem que os alunos sejam preparados para o superior...
Desculpa não conseguir explicar mais e melhor pois estou mesmo...
Se quiseres, depois posso enviar-te o documento por email. 
Bjs
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De Sarin a 28.06.2019 às 01:02

Que pena, P.P., falharem assim os apoios :(


Quando estiveres mais descansado, mais bem disposto e com vontade, faz um postal a explicar essa história do inquérito. Se não estiveres para isso, então, sim, envia-me o doc.
Entretanto, Força! :*
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De P. P. a 28.06.2019 às 17:07

Obrigado, Sara.
Tentarei escrever a respeito. Não já, uma vez que sinto-me como se me tivessem atirado um balde de água fria, de forma inesperada. O regozijo de algumas durante a reunião interminável, enquanto eu não sabia o que fazer e muito menos encontrava o erro. O apoio de alguns, que agradeces e o desprezo de outros... O quanto, durante 3 a 4 anos ouvi falarem mal dos professores do teu ciclo de ensino (provocação?), e seguintes, em silêncio,mergulhando em qualquer artigo no ipad... Ontem não aguentei. E não permiti que falassem ao mesmo tempo que eu, já que não o faço com os pares, nem alunos. Disse "Eu sou do 2.ºCEB, já lecionei no 3.º e não gosto de ouvir falar mal a respeito dos meus colegas. Não me parece correto colocar todos "no mesmo saco". Se têm problemas mal resolvidos com os de cá, resolvam-nos. Eu sempre tive as piores e as melhores turmas das escolas, o que agradeço, e não ponho em prática o que dizem". Faltou dizer, "Mas vocês falam mal de tudo e mais alguma coisa. É preciso estar calado quando reunidas porque um "Sim" num grupo de conversa, logo é aproveitado como concordância em qualquer outra conversa paralela". Sem dúvida que fugir deste ambiente é benéfico, só que em termos de saúde, e de prática letiva, o regresso repentino à minha área não será fácil. Já aconteceu , quando permaneci 4 a 5 anos na ed especial, mas onde tinha contacto com os meus ciclos de ensino. Repentinamente, por uma x, cuja reclamação poderá não ser aceite, sou descartado do apoio a um grupo de alunos mais novos e que precisam muito mais. Da mesma forma, fico sem poder exercer os meus deveres de "filho"... Estou... Já nem sei se estou.
Perdoa-me.
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De Sarin a 29.06.2019 às 13:06

Mesmo sem me inteirar dos pormenores, penso perceber o contexto... lamento, P.P., o ensino não está fácil para quem o tem como vocação - e a situação doméstica não ajuda :(


Fico a aguardar o teu postal; mas entretanto Força! E tens o meu email, se precisares. Beijocas :)
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De Luísa de Sousa a 28.06.2019 às 18:21

Na minha opinião julgo não ser fácil para os jovens encontrarem emprego assim que saem da faculdade/secundário. Isto porque os empregos que há são para estágios curriculares e/ou profissionais, alguns remunerados outros não. Quando terminam o estágio, tem uma fila de outros para entrar!!!
Como vão conseguir emprego?



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De Sarin a 28.06.2019 às 19:01

Exactamente! As políticas demográficas e as políticas de emprego não obedecem a um plano geral nacional, aos partidos não se lhes dá para fazerem pactos de regime nestas matérias - e depois os números são o que são: 1/6 de desocupados.


Pasto para extremistas :(
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De O ultimo fecha a porta a 29.06.2019 às 14:27

Há o chamado click bait. Jornais, muitas vezes conceituados, pões títulos sensacionalistas mas incompletos para confundir o leitor e força-lo a clicar na página para obter detalhes. O jornalismo está a ser vítima de si próprio.
Mas sobre esse número, seria importante dizer de que % estamos a falar. 15 M em quanto? Mas acabaram os estudos quando? Em Julho do ano anterior? Em Janeiro no fim do 1º semestre (a notícia é de abril)? São licenciados, mestres? Têm a escolaridade obrigatória dos respetivos países? Não farão trabalhos não declarados (vulgo biscates para não pagar impostos)?
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De Sarin a 29.06.2019 às 15:34

O eurostat dá-os como desocupados, embora alguns activos no apoio à família, especificamente mulheres.
Algumas das perguntas que fazes têm resposta neste e noutros relatórios; uma delas, a dos biscates, nunca terá resposta enquanto o biscate não tiver um regime jurídico :)

A notícia que não é notícia até chama "dados publicados hoje" a matéria inserida em relatório publicado há dois meses.

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