Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Demos kratos ou demos cabo?

3BE91796-3C57-4F12-B1B2-EC7B94685822.jpeg(fonte da imagem aqui)

 

 

Ontem foi dia 8 de Dezembro, dia importante entre amigos que se fizeram na Universidade e que ao dia 8 lá tornam. Com saudades, ouço os discos de O Trovante porque "Trovante, Praça de Toiros de Évora, 3 de Maio de 1991" fomos nós, uma pesada e louca empreitada para segundanistas caloiros de meio ano, que o outro meio fora-se nas greves dos professores e nos exames adiados. Mas queríamos e acontecíamos, entre alecrim e mangerona as nossas guerras assim também.

 

Ouvia a Linha das Fronteiras,  e os primeiros acordes "Não se espantem se eu não fico aqui, Há sempre outro ver para o que vi" a pesarem-me nos coletes amarelos, sobre quem tenho vadiado por postais alheios.

Há. Há sempre outro ver para o que vi, mas não gosto quando olho, abomino quando vejo: como podemos ficar serenos, quiçá a sorrir do passado, enquanto apontamos o dedo ao teclado e nele pisamos e repisamos a dor duma democracia arrastada pela turba na lama onde a deixámos merdar, lentamente medrando o desprendimento até vicejar desprezo em cada um absentista, por cada assembleia em que não fomos ouvidos por nela não sermos,  em cada projecto que ignorámos expectantes desses alguéns que o foram burilando nos nossos ossos? Expectantes, não, despejantes. Habituámo-nos a despejar nos partidos, nos políticos - em itálico porque todos o somos, os nossos gestos políticos por consciência ou a rogo,  mas os daqueles pensados por carreira. Despejamos neles o voto, a responsabilidade e a irresponsabilidade. São eles que a assumem, é certo, e nela se aninham - primeiro em ninhos, depois em cóios de onde assaltam os feudos instalados. E nós, desligados, abstinentes ou votantes, deixamos a impotência fingir-se grito no teclado porque alguém há-de fazer algo mas não hoje ou não eu.

 

E depois aguém faz: pega nas redes e enleia os descontentes que querem soluções simples e imediatas para os problemas que todos deixámos acontecer, que se lixe o futuro, e os princípios, se os há, por ferro e por fogo feridos no fundo do monturo a que ainda chamam consciência. Nós, humanos, somos bichos sociais, senhores, quando sós procuramos iguais, quando no mesmo espaço agimos em manada. Se os líderes, os alfas, não reflectirem, quem segurará o tropel reflexo do impensado gesto, da impulsiva afronta?

 

Vejo a exaltação por contágio, pandémica na sua vontade de mudança. Mas que mudança? Quem a pede apenas a quer, não a pensou nem pensa; e quem a oferece  tem objectivos definidos onde só cabem uns quantos eleitos, os outros condenados à exclusão ainda antes da partida.

 

Chegou a hora de dizer Basta! Basta de alienação, basta de falar para desaturdir a mágoa, basta de teclar para esfiapar consciência aqui e acolá. Desafio-vos a pensar, a discutir, a propor correcções à nossa Democracia, ao nosso sistema eleitoral, ao nosso futuro enquanto Portugueses e enquanto Europeus. Sem partidos, sem acusações, sem invectivas - têm certamente o seu espaço, enorme!, mas não cabem na discussão que vos proponho.

Quero gritar Basta de retrocesso! 

Não quero murmurar Porra, o passado é hoje!

 

Fica o modesto apelo. 

Obrigada por estar aqui.

38 comentários

[A palavra a quem a quer]

Pág. 1/2