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Gosto de comunicar. Por isso gosto de aprender sobre as muitas formas de comunicar que temos, a oralização e o gesto a encimar a lista.

Preferindo de criança as Ciências Naturais, dediquei e dedico tempo e interesse às Língua Portuguesa e Língua Gestual Portuguesa, a algumas Línguas estrangeiras e à Neuro-Linguística. 

 

Sou fluente em algumas, sofrível noutras e devo dizer que com o alemão sofro quase o mesmo que com o mandarim, o íidiche ou o árabe, línguas em que, se fosse dada à pesca, não pescaria nem um plástico quanto mais um carapau.

 

Folheio dicionários e gramáticas por gosto e por hábito, e é também por hábito que ao escrever um texto me certifico de que uma determinada palavra não tem significados que eu desconheça e me possam desvirtuar a mensagem. O mesmo faço quando as dúvidas gramaticais me atravessam, embora estas sejam bem menos porque a gramática não é tão dinâmica como a semântica; e faço-o porque gosto e respeito a comunicação e as Línguas que no-la facilitam.

 

Numa conversa fluída e informal, na qual o tempo que medeia entre pensar e expor a frase é tão mais reduzido, poderá surgir uma ou outra dúvida, facilmente sanável com uma explicação mais aprofundada - na semântica, porque na gramática o pontapé tanto pode doer-me à saída, e eu mesma interrogo ou corrijo, como doer a outros, e cá estarei para analisarmos se foi ou não exercício de kung fu.

 

Tal como cá estou e estarei para corrigir falhas nos meus textos, assim as detecte ou as apontem. [Considerem um convite aos alertas, convite feito, aliás, num dos textos orientadores cá do burgo.]

 

Os comentários em jornais ou em blogues são para mim conversas, não textos, e quando não são editáveis dificultam a correcção do auto-detectado, só mesmo com errata... e, ainda assim, quando o meu erro me fere, lá vou. As gralhas, se não forem gralhudas, não causam engulho e por isso deixo-as voar se libertas, que também são criaturas do teclado que nos une. Tento evitar ambos, erros e gralhas, mas por vezes abrem as asas. Ou as fauces, que há gralhas e erros que assustam.

Porque num comentário nascido do calor do debate só há tempo para lançar mão do conhecimento que detemos e, eventualmente, de fontes que o sustentem, ao conhecimento do tema e não propriamente da Língua, quantas vezes se me escapa um acento, circunspecto circunflexo a voar  qual chapéu distraído no vento, ou um agudo que se assenta numa esdrúxula e me cai ao chão; litros de aliterações forçadas, plurais que singularmente se submetem e até artigos a preceder palavras transgéneras quais valetes em antecâmara de uma dama... um dama, perdão, um drama!

Mas, e porque o meu amor à Língua Portuguesa não me torna infalível, além do esvoaçar das gralhas uma ou outra vez tropeço com estrondo.

Aconteceu ontem, por exemplo.

Num comentário a um postal de outro blogue, escrevi "Porque continuarão a haver audiências mistas e plateias só de homens e assistências só de mulheres." Poderia ter escrito "continuarão a surgir" ou "continuarão a juntar-se" ou até "continuarão assistências", assim mesmo sem mais nada; mas na guinada do raciocínio saiu isto.

Fui alertada para o gravíssimo erro, e segue em itálico porque assim foi escrito e porque erros de conjugação verbal são, também para mim, gravíssimos.

Analisando a frase entretanto publicada e assim comentada, surgiu-me a dúvida: "o verbo haver é irregular, mas aqui surge precedido de preposição e funciona como complemento da oração... o que está a ser conjugado é o verbo simples "continuar", portanto o "haver" nem funciona como principal nem como auxiliar... ou nada disto?!" Pedi explicações, mas como tenho lido vários comentadores que identificam os erros (muitos deles inexistentes) sem o conseguirem explicar ou corrigir devidamente, enviei pedido de assistência ao Ciberdúvidas.

Entretanto, o comentador escreveu sobre a lamentável conjugação do verbo haver que prolifera por este país, mas não percebeu a minha questão - verbo composto ou verbo simples - e entendeu estar eu a recusar ter um erro gramatical no meu texto. Esclareço: não tenho especial predilecção por erros e prefiro passar sem eles, mas se e quando os dou gosto de corrigi-los porque me corrijo - e não tenho pejo em o assumir, ao erro mas também à correcção. Não por ser humano errar, mas por ser inteligente não insistir no erro. Só que corrigir um erro implica perceber as causas desse erro, caso contrário corrigir-se-á aquela expressão particular mas não o que a permitiu, perpetuando-se assim o erro que se multiplica feliz na sua própria inconsciência. Distingue-se, em várias disciplinas, a Correcção (corrigir o erro escrito) e a Acção Correctiva (perceber as causas e eliminá-las, evitando novas ocorrências do erro)

 

Do Ciberdúvidas tive notícias há pouco: a expressão continuar a haver é um verbo composto. Não me responderam exactamente assim, antes "Quando o verbo "haver" se combina com um auxiliar - por exemplo, "continuar", como é o caso (...)". Mas era este o cerne do meu erro, e é este esclarecimento que me fará evitar novos tropeções - porque agora sei e fixei que, mesmo que seja dispensável, ou que tenha uma preposição a separá-los, o verbo Haver forma um verbo composto quando com outro verbo.

 

Se tivesse pensado no assunto, talvez me tivesse lembrado do estar a ser ou do ficar a ver, compostos tão comuns. Mas todos sabemos que se a minha avô não tivesse morrido a futurologia não teria futuro e o Senhor de La Palisse não seria chamado ao caso - ele que, coitado, nada mas nada tem a ver com a lapalissada que lhe atribuem.

A verdade é que há regras, gramaticais ou outras, cuja existência apenas questionamos quando nelas tropeçamos.

Só tenho a agradecer o alerta.

 

 

Nota de Rodapé

Sobre a maltratada memória do Senhor de La Palisse, celebrado por ser valente cavaleiro no comando das suas tropas caído frente a Pavia, e a quem atribuem a frase "Se não estivesse morto, estaria ainda vivo" (S'il n'etait pas mort il serait encore en vie) convém dizer que no seu epitáfio, ou em versos cantados pelos seus soldados que lhe sobreviveram, teria sido escrito "Se não tivesse morrido, ainda faria inveja" (S'il n'etait pas mort il ferait encore envie). A confusão parece resultar da grafia - nos antigamentes do Séc. XVI o S também se escrevia com um grafema hoje quase indistinto do f, e parafraseando, ser ou fazer, eis a questão.

É por estas e por outras que penso ser melhor deixar a sua memória em paz. E a da minha avó também...

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

Autoria e outros dados (tags, etc)

lançado às 17:27

Onde ideias-desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor.


Obrigada por estar aqui.



17 comentários

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De HD a 26.11.2018 às 20:50

Uma pessoa sai daqui com um par de lições... :-)
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De Sarin a 26.11.2018 às 21:16

Só um par?!  Esforço-me eu em escrevinhar qualquer coisita em estranjeiro e afinal... 


Estuda. Estuda, que amanhã há teste-surpresa 
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De Sarin a 27.11.2018 às 10:21

Olh'ó estranho estrangeiro com j vindo sabe-se lá de onde :D :D vês o que digo? :D
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De Zé Gato a 26.11.2018 às 22:03

Errar é desumano, ou será humano? Ou nunca se erra, apenas se aprendeu de outra forma? O que é um erro ortog@fico? 
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De Sarin a 26.11.2018 às 22:36

Errar é o mano, as manas só se enganam 


Erra-se e berra-se que não foi assim qu'o stôr ensinou; mas, mais uma vez, só os manos pois que vivemos numa sociedade patriarcal e as manas não têm sequer direito de errar, - e se dúvidas houver ver  alínea primeira 


Um erro ortog@fico é um erro que paulatinamente se vai encostando ao teclado para, travestido, passar despercebido - mas também pode ser uma tentativa de erro de uma mana, que as manas querem a emancipação do erro e a paridade do berro 


Mais dúvidas? 
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De Zé Gato a 28.11.2018 às 19:46

Manas? Ah, as que berram!!! 
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De Sarin a 28.11.2018 às 20:27

Essas, também 
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De P. P. a 27.11.2018 às 00:09


Adoro pessoas assim.
Já a essas chamadas de "atenção", quase sempre com o objetivo de ofender, … não. Há críticas e críticas. Assim como há formas de criticar. Esta é também uma arte.


Oh, o Insensato ainda não consta da lista aqui ao lado :( Estou a brincar
Algo que antes fazia e que facilita visitar os nossos blogues favoritos, mas que entretanto deixei de fazer. A retomar! Até porque, desta forma, divulgamos novos espaços.
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De Sarin a 27.11.2018 às 01:25

Há muitos cujo objectivo é ofender, mas em tantos anos tive duas correcções na rede (auto-correcções, algumas), sendo esta a segunda; e nenhuma me pareceu tentativa de ofensa - ou talvez não tenha propensão para me ofender com os factos :)


Não costumo corrigir os outros a menos que o lapso ou erro interfira fortemente com a mensagem, e quando é assim tento fazê-lo o mais discretamente possível. Mas irritam-me sobremaneira os que corrigem terceiros tropeçando também eles na correcção, e por vezes chego-me ao lume - recordo esta, recente: um comentador admoestava acerbamente outro por usar o termo irradiar em vez de erradicar; intervim, dizendo que na frase seria mais bem aplicado o termo irradiar por significar afastar; responde-me, entre outras, que não concordava pois irradiar era um estrangeirismo (!) e que estrangeirismos promoviam o assassinato da Língua Portuguesa... claro que lhe apontei ser o assassinato, também ele, um assassínio da L.P., além de outros alertas num tom bastante mais brando do que o usado por ele... não queres saber que não me respondeu?! :D
Enfim, prefiro a ajuda ao atirar para canto - situações ou pessoas. Acho que a malta se esquece que atrás de um comentário está uma pessoa. Quando não está um programa, mas os bots topam-se pela monotonia:)




Ainda ao telemóvel, P.P., ainda ao telemóvel (notas que estive ao pc quando vires os textos justificados,  funcionalidade que o editor reduzido ainda não tem ;))
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De P. P. a 27.11.2018 às 17:31

Desculpa a ignorância, mas "irradiar" é estrangeirismo? 


Sim, elaborar uma publicação no telemóvel ou no PC tem resultados diferentes.
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De Sarin a 27.11.2018 às 17:52

Não, daí a minha resposta ao fulano :)


E as minhas elaborações ao telemóvel, que são quase todas, ficam um bocadito mal elaboradas, mas agora está mais fácil editar por aqui (tlm).
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 27.11.2018 às 09:22

Sarin, és uma perfeccionista. Em jeito de brincadeira o que te chateia mais, errar, ou perder a razão? 
ps:dou montes de calinadas , leio para caraças e dou erros frequentemente, pondo as culpas no tradutor,  no corrector automático,  ou no AO.........espero não ter errado algures.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 27.11.2018 às 09:27

Lá está. ...dou montes de erros...em vez de cometo montes de errros....e repeti-me...mas está em certo sentido correcto...dou calinadas e caneladas na semântica e na gramática. ...que o objectivo é um tipo fazer-se entender....quer-se dizer às vezes quanto maior a correcção menor a compreensão. ...estou a brincar. Gostava de escrever melhor. Tal como gostava de ter mais jeito para a matemática. A sério. 
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De Sarin a 27.11.2018 às 09:49

E eu gostava de, aos 46, ter o corpo que tinha aos 23 


Dar montes de erros está correcto, uma vez que se partilham; mas, se queres mesmo corrigir, comete erros mas muitos, deixa montes e valados entregues às resmas de animais que por lá andam 


Exactamente, o importante é mesmo um tipo fazer-se entender; por isso fico piursa com o pedantismo de quem desdenha a mensagem prendendo-se aos erros gramaticais. São indivíduos que, em vez de contribuirem para o crescimento comum, se diminuem amesquinhando o outro, como se todos tivéssemos as mesmas oporunidades, capacidades, inclinações... uns verdadeiros idiotas.
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De Sarin a 27.11.2018 às 09:38

Chateia-me não aprender com alguns erros 
Erro em montanhas de coisas - devias ouvir as críticas quando, chamada a opinar sobre algumas preferências, aponto ao alvo errado 


Não me chateio por não ter razão, embora prefira tê-la; chateiam-me alguns argumentos usados e, definitivamente, chateia-me não ter razão quando todos saem a perder - e é mais frequente do que gostaria 


Os erros gramaticais dos outros apenas me doem porque espelham o quão mal o nosso Ensino chega ou chegou a tantos; alguma vez me leste alguma correcção que não às premissas ou conclusões de raciocínio? :)
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 27.11.2018 às 10:12

Tens razão. Olha até já me habituei à premissa de dar-te soberanamente razão
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De Sarin a 27.11.2018 às 10:27

 



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