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Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Sarin - nem lixívia nem limonada

Um blogue irregular onde ideias e desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor. Não faltava onde escrever e opinar. Mas faltava o blogue. Pronto, agora já não.

Como as nuvens deram jeito mas a chuva incomoda

Sou contra a ingerência.

Mas considero que o Ocidente, mercê de ingerências várias, provocou profundos desequilíbrios nas forças que geriam os Próximo e Médio Oriente.

Que, por sua vez, mantinham alguns extremismos sob controlo não apenas por lá mas também na vizinha África.

 

Os grandes fluxos migratórios com destino à Europa, aqueles que temos visto nestes anos, começaram por não se dirigirem para cá; iam ficando pelos países próximos aos territórios mais afectados pelos tais desequilíbrios. Por saturação, foram-se obrigatoriamente afastando do epicentro do seu terremoto particular, e foi assim que chegaram às nossas costas.

 

Temos o dever humanista e humanitário de ajudar quem pede ajuda, dentro das nossas capacidades e garantindo condições de sustentabilidade a ambas as partes.

Mais dever temos ainda se aceitarmos que parte da responsabilidade pode ser nossa. Assim, há que tentar acolher os refugiados - e acolher implica integrar, não recolher e instalar em guetos. E impõe-se deplorar, rejeitar, protestar contra todas as recusas de auxílio imediato a quem o solicita.

Mas, mais do que acolher, temos o dever de contribuir para reduzir a necessidade de tais fluxos criados também pela nossa interferência. Pela nossa ingerência.

Devemo-lo aos países afectados pelos nossos actos e devemo-lo à sustentabilidade de todos.

Podemos fazê-lo pela recuperação da segurança, mas também e principalmente pela reconstrução e pelo estabelecimento de acordos de cooperação.

 

Assim, foi com muita surpresa que li n'O Jornal Económico online que "Itália afirma-se disponível para apoiar Líbia a travar fluxos migratórios". 

Como gestora, supus o melhor: acção correctiva, portanto, actuar ao nível das causas.

Como cidadã atenta, estranhei e supus que, enquanto gozei o Sábado com a minha sobrinha, o Mundo sofreu grandes alterações.

Ou isso ou este "travar" tinha outro significado.

Tem.

E  Sacudir a água do capote ganhou uma nova dimensão. 

19 comentários

[A palavra a quem a quer]