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Sou contra a ingerência.

Mas considero que o Ocidente, mercê de ingerências várias, provocou profundos desequilíbrios nas forças que geriam os Próximo e Médio Oriente.

Que, por sua vez, mantinham alguns extremismos sob controlo não apenas por lá mas também na vizinha África.

 

Os grandes fluxos migratórios com destino à Europa, aqueles que temos visto nestes anos, começaram por não se dirigirem para cá; iam ficando pelos países próximos aos territórios mais afectados pelos tais desequilíbrios. Por saturação, foram-se obrigatoriamente afastando do epicentro do seu terremoto particular, e foi assim que chegaram às nossas costas.

 

Temos o dever humanista e humanitário de ajudar quem pede ajuda, dentro das nossas capacidades e garantindo condições de sustentabilidade a ambas as partes.

Mais dever temos ainda se aceitarmos que parte da responsabilidade pode ser nossa. Assim, há que tentar acolher os refugiados - e acolher implica integrar, não recolher e instalar em guetos. E impõe-se deplorar, rejeitar, protestar contra todas as recusas de auxílio imediato a quem o solicita.

Mas, mais do que acolher, temos o dever de contribuir para reduzir a necessidade de tais fluxos criados também pela nossa interferência. Pela nossa ingerência.

Devemo-lo aos países afectados pelos nossos actos e devemo-lo à sustentabilidade de todos.

Podemos fazê-lo pela recuperação da segurança, mas também e principalmente pela reconstrução e pelo estabelecimento de acordos de cooperação.

 

Assim, foi com muita surpresa que li n'O Jornal Económico online que "Itália afirma-se disponível para apoiar Líbia a travar fluxos migratórios". 

Como gestora, supus o melhor: acção correctiva, portanto, actuar ao nível das causas.

Como cidadã atenta, estranhei e supus que, enquanto gozei o Sábado com a minha sobrinha, o Mundo sofreu grandes alterações.

Ou isso ou este "travar" tinha outro significado.

Tem.

E  Sacudir a água do capote ganhou uma nova dimensão. 

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Obrigada por estar aqui.



19 comentários

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De Einsturzende neubauten a 23.06.2018 às 23:24



Devemos ajudar com o objectivo não de "salvarmos"as gerações dos pais (dificilmente se integrarão )mas sim as dos seus filhos e dos filhos dos seus filhos
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De Sarin a 23.06.2018 às 23:29

As gerações dos pais estão marcadas por rupturas várias. A reconstrução de que os e nos queremos parte não será para eles nem para nós, e demorará mais do que o tempo que teremos - passa pelas casas, pelos serviços, pelas mentalidades...
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De Einsturzende neubauten a 24.06.2018 às 00:01



Já pensou em acolher refugiados em casa? Cá já se falou, mas somos 4.
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De Sarin a 24.06.2018 às 00:36

Em casa não, não me dou bem na partilha contínua do meu espaço com adultos desconhecidos - nem com a maior parte dos conhecidos, para bem falar :)
E, de qualquer maneira, integrar não é fazer o asilado sentir-se um apátrida sem direito a escolher as suas privacidade e intimidade - "ainda" temos capacidade para os acolher sem o fado da desgraçadinha ;)

Crianças, pensei adoptar há uns anos; mas quem vê caras não vê pulmões...

Mas numa casa livre que a minha família tem, pensei acolher sim - simplesmente fica no meio de nenhures e não serve o interesse da integração.
Ainda assim, os serviços sabem que a casa está às ordens, sem renda.
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De Einsturzende neubauten a 24.06.2018 às 11:08

Talvez a integração, numa fase inicial, seja mais fácil em casa de uma família de cá - como presentemente se faz com estudantes do secundário que vêm para cá estudar ex: a minha cunhada já acolheu jovens da Roménia, Polónia, Turquia...estamos a pensar fazer o mesmo.

"Em casa não, não me dou bem na partilha contínua do meu espaço com adultos desconhecidos - nem com a maior parte dos conhecidos, para bem falar :)"

Parece ser boa pessoa

Já vivi e trabalhei , durante 1 mês, em Leiria. Numa clínica situada na estrada da estação (?)penso que se chamava assim a rua....e passei aí no sábado. Fiquei tentado em lhe dar um toque para um café
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De Sarin a 24.06.2018 às 11:35

Talvez seja mais fácil integrar assim jovens. Mas adultos? Até que ponto um adulto não se sentiria diminuído? A dignidade do indivíduo não será afrontada com tal solução? Há sempre várias leituras, e essa opção terá que passar por uma decisão do acolhido, mais do que do acolhedor.


Sou boa pessoa, sim; por isso evito invadir o espaço ou condicionar os movimentos dos outros - o que significa refrear-me na ocupação do meu espaço. Bolas, a minha casa é onde posso ouvir música alto ou ficar uma semana em absoluto silêncio

E não deu porquê?! Há esplanadas muito agradáveis; a conversa certamente seria.
O email está ali ao lado; já a estação fica um "bocadinho" mais ao fundo da avenida. E por falar em ficar, agora fiquei com pena
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De Pedro a 24.06.2018 às 12:07

Claro que tinha de haver concordância. E esse tipo de acolhimento temporário.

A aproximação a Leiria, para quem vem do Norte, é lindíssima com o perfil da serra no horizonte.

Já agora, mudarei o nome para Pedro, quando por aqui passar.

Bom domingo
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De Sarin a 24.06.2018 às 12:39

Mudará?
Pedro, ou até Pedro Zacarias ou Pedro Afonso, é mais fácil de escrever do que todo aquele vlavonempaleinsturteneister, e espero não ter dito um imenso palavrão Seja bem assinado :)

Leiria está mais estruturada, toda a zona ribeirinha foi recuperada e o centro retomou o ar de cidade com história. Como aconteceu com muitas cidades graças aos projectos Polis, felizmente.
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De Pedro a 24.06.2018 às 12:45

Acredito. Estive aí há 10 anos. A zona do Castelo estava em meu estado. O jardim ao longo do rio, fabuloso.
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De Sarin a 24.06.2018 às 15:39

Agora até a periferia parece submetida a um PDM - a Leiria que eu conheço desde sempre mas onde só vivo há 18 anos pareceu até há 15 uma cidade com ruas-cogumelo... o Euro 2004 ajudou, embora o estádio seja um ex libris caro inútil dispensável. Demasiado todos :/
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De Corvo a 24.06.2018 às 15:10

Dentro da experiência que me conferem os meus 77, vividos aos caprichos de uns ventos laterais, empurrado daqui, equilibrado dali, imergindo além, emergido ali, acho que são ambos boas e gente de bem.
Consequentemente, acho que um café seria, quiçá, de toda a conveniência entre ambos.
Quem sabe, dada a sintonia ideológica aos dois comum, - outra ou mais provavelmente emergirão, - quem sabe, dizia; desse café não surgirá, adicionado a muitos outros cafés de ideologias paralelas, uma fortíssima contribuição para um mundo onde todas as crianças riam.
Tenha...tenham um excelente fim-de-semana
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De Corvo a 24.06.2018 às 15:18

Ambos boas pessoas, queria dizer.
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De Sarin a 24.06.2018 às 16:01

Assim percebi :)
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De Pedro a 24.06.2018 às 17:29

Ambos os três
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De Sarin a 24.06.2018 às 15:50

Olá, Corvo.
Agradeço-lhe a apreciação que de mim fez, embora não possa garantir que seja totalmente justa :)
O meu contributo passa por debater e colaborar com ONG e IPSS, mas não me vejo a ser porta-estandarte de movimentos políticos, ainda que cívicos - tenho alguma foto-sensibilidade, não aprecio locais com muitas lâmpadas e holofotes
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De HD a 24.06.2018 às 22:05

Mas que travagem é essa??? :-O
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De Sarin a 24.06.2018 às 22:14

Eu chamar-lhe-ia bloqueio digno de expulsão, mas como não é basquetebol reclamo com o árbitro a ausência de cartão vermelho!!!!
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De HD a 24.06.2018 às 22:16

Que disponibilidade conveniente... -.-
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De Sarin a 24.06.2018 às 22:44

Que sacanice monumental, melhor dizendo...

a palavra a quem a quer




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