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A toxicidade das máscaras

Ou: a CS e a DGS e o que é dito e o que fica por dizer

por Sarin, em 06.04.20

máscara.jpg

Numa paragem forçada nas imediações de um aparelho de televisão, vi e ouvi algumas notícias.

Reportagem:

1º Não sei que entidade portuguesa (não reparei nem me interessou ir verificar) alegou que o uso das máscaras deveria ser aconselhado para toda a população.

2.º Afirmou taxativamente que a DGS desaconselhava o uso das máscaras por haver poucas.

3.º Informou que havia vantagens do uso das máscaras.

4.º Aparece uma imagem de um plano de contingência onde, aparentemente, se prevê a distribuição de máscaras a alguém (não percebi a quem, mas não me pareceu ser à população em geral. Também não percebi de que plano de contingência se tratava)

4.º Jornalista diz, em voz off, que OMS também já* aconselha uso de máscaras, enquanto na televisão passam imagens de um vídeo da OMS a (pareceu-me) ensinar a colocar máscara (já saía da frente do aparelho)

5.º Jornalista diz, em voz off, que DGS cumpriu as orientações da OMS.

6.º Mudança de notícia.

* Não ouvi qualquer menção ao "desaconselha" anterior.

Fiquei fascinada porque tem havido muitos ataques à Directora-Geral da Saúde, e este pareceu-me mais um.  Continua a parecer - mais uma vez, parece-me que as palavras de Graça Freitas foram comidas, pois de "não há uma única medida completamente eficaz" passou-se para "usar máscaras não é eficaz".   

Mas depois, e saltando ataques, motivações, e razões, fiquei perplexa perante a peça jornalística. Uma peça  aparentemente bem coordenada, clara, ilustrada... e omitindo dados que considero essenciais: 

a) O que fez aquela entidade para refutar as opções da DGS junto da própria Direcção-Geral da Saúde antes de vir para os jornais?

b) Se houve tal tentativa, qual foi a reacção da DGS e quais as respostas e argumentos para reiterar na opção tomada anteriormente?

c) Se não houve... porquê vir logo para a CS?

Após respondidas estas perguntas, sim, podem os jornais alimentar todas as polémicas que desejarem e que talvez pequem por defeito. Mas, assim, é apenas ruído. E incerteza. E mau serviço à Saúde e ao Público.

 

Este caso não é único. Tem-se visto nos órgãos noticiosos cartas de médicos ou de organizações de médicos a denunciarem qualquer coisa às administrações de saúde, às administrações hospitalares, às autarquias... cartas de autarcas a denunciar qualquer coisa à DGS, às Autoridades Regionais de Saúde (ARS), ao Ministério da Administração Interna (recordo o caso de Rui Moreira a dizer não reconhecer a autoridade da DGS por causa de um cordão sanitário cuja indicação nunca saiu das autoridades de saúde para as autoridades de segurança)... e em nenhuma, e sublinho este em nenhuma, encontrei respondidas aquelas duas perguntinhas básicas:

a) O que fizeram para comunicar a mensagem à DGS?

b) Qual foi a resposta da DGS?

 

Questionar as autoridades é legítimo, confirmar ou refutar, idem. Mas há outros canais para o fazer sem serem os canais da Comunicação Social (CS), porque...

apesar de muitos tentarem subverter as regras e patrocinar linchamentos e motins, em paz como na guerra, 

... ainda vivemos num Estado de Direito minimamente organizado. A CS pode e deve noticiar estas discordâncias, mas não pode ser o arauto de contradições apenas porque são uma boa notícia. Não são, a CS é que as transforma em notícia antes mesmo de o serem porque a polémica vende!

Temos o direito de perceber - e a CS tem o dever de investigar e noticiar - onde é que a mensagem da DGS é truncada, e porquê.

Temos o direito de perceber - e a CS tem o dever de investigar e noticiar - se as vias de comunicação entre as várias entidades e a DGS estão abertas ou fechadas. E, neste último caso, por quem.

Será pedir muito?

 

Nota: agora ao jantar, o mesmo serviço noticioso voltou a abordar o assunto, mas com muito mais atenção às perguntas feitas - inquirido por aquela estação, o bastonário da Ordem dos Médicos disse algo como "do ponto de vista científico, a Dr.ª Graça Freitas sabe que o uso da máscara é a melhor opção, e isso é indiscutível; mas do ponto de vista de gestão, compreendo que seja difícil emitir uma recomendação para a população usar um equipamento que o mercado não tem capacidade de fornecer, o que pode, inclusivamente, levar a roturas de abastecimento em pontos onde são essenciais". Logo em seguida, o jornal avançou para as declarações da OMS e, imediatamente depois, para a reportagem sobre a subida do preço das máscaras desde o estado de emergência (na ordem dos 1400%). Não respondeu às tais perguntas, mas teve o cuidado de mostrar um outro lado da questão.

Talvez que, com um pouco mais de informação, alguns cidadãos analisem os vários factos antes de alinharem com a matilha no pedir da cabeça de alguém. Neste caso como noutros.

imagem recolhida n' O Resgate da História

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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lançado às 22:33

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