Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



A Páscoa e o 25 de Abril

Porque há cravos e cravos

por Sarin, em 20.04.20

Há muita gente contra as anunciadas comemorações oficiais do 25 de Abril. Mas, desta gente, uma parte está contra quaisquer comemorações do 25 de Abril, outra parte está contra as comemorações do 25 de Abril nesta época de confinamento. Vamos por partes.

 

Acho estranho haver católicos que dizem não terem podido celebrar a Páscoa. Acho estranho porque aqueles a quem vejo tais lamentos têm acesso à Internet, portanto não celebraram porque não quiseram - até eu que sou ateia sei que houve celebrações transmitidas em directo. Houve celebrações transmitidas via rádio e televisão em canais do Estado. Tudo bem, não puderam comungar fisicamente - mas o Santo Padre falou em comunhão espiritual, portanto acatassem.

Por tudo isto, acho hilariante haver quem clame não dever haver comemorações do 25 de Abril porque não houve comemorações da Páscoa.

Eu sei que parte dos que o dizem são católicos que, mesmo que não estivéssemos em confinamento, não celebrariam o 25 de Abril. Talvez suponham que nas comemorações do 25 de Abril se beija os pés dos cravos e daí a preocupação? Alguém que os tranquilize, por favor.

Também sei que outra parte dos que o dizem nem sequer são católicos (ou são católicos não praticantes, seja lá isso o que for), mas não perdem uma oportunidade de tentar anular as comemorações do 25 de Abril e aproveitam o reboque do catolicismo. A estes, recomendo que empunhem bem os cravos de Cristo. cravos-nas-maos.jpg

Aos outros, era bom que os recordassem de que os diáconos, os padres, os bispos, os cardeais e o Papa estão para a Igreja Católica como os autarcas, os deputados, os presidentes dos Supremos Tribunais, o Primeiro-Ministro e os presidentes da Assembleia da República e da República estão para o Estado democrático que somos. Usando a mesmíssima analogia da Páscoa e do 25 de Abril, se houve celebrações da Páscoa, porque houve!, então também deve haver celebrações do 25 de Abril. E nem o Papa nem os padres a celebraram sozinhos, portanto não basta o Presidente da República aparecer à janela e fazer um discurso. A analogia não é minha.

 

Agora outra parte, aquela onde me incluo. Aqueles que achamos um exagero estas comemorações em pleno período de confinamento.

Os deputados da Assembleia da República votaram democraticamente. O que, à semelhança de tantas outras vezes, não significa que tenham votado com sentido de Estado. Numa época de confinamento, decretado pelo mais alto representante da República que servem, manda o cargo que cumpram o que deliberam os poderes institucionais e manda o civismo que cumpram o deliberado. 

No entanto, porque, e muito bem, a democracia não está suspensa, há que comemorar oficialmente os feriados da República. Porque não são feriados por terem saído numa rifa e sim por terem significado profundo na sociedade que hoje somos.

A menos que os que acham o confinamento uma ameaça aos direitos e liberdades do cidadão queiram agora dar o dito por não dito e alinhar na supressão das cerimónias oficiais que celebram as datas que concederam essas liberdades. É uma opinião. Mas vá, que continuem a virar o bico ao cravo - porque se acham que o fazem por uma qualquer questão de justiça popular, ou há moralidade ou comem todos, a mim parece-me ressabiamento e falta de noção sobre o que significam as cerimónias oficiais. É outra opinião.

E, claro, há os que entendem que o 25 de Abril não merece ser comemorado, embora não usem o argumento da Páscoa. Convenhamos, as portas que Abril abriu foram abertas também para eles. Oxalá nunca se entalem.

 

Sim, defendo a comemoração oficial do 25 de Abril na Assembleia da República.

Mas concordo: cento e trinta convidados são demasiados indivíduos - não pela dimensão do hemiciclo ou pela preocupação com a saúde dos presentes, mas pelo Exemplo. Assim mesmo, maiúsculo.

Portanto, comemore-se a data mas reduzam-se as presenças protocolares, os vários poderes democráticos representados apenas pelas suas mais altas figuras:

  • Presidente da República - 1 indivíduo
  • Presidente da Assembleia da República - 1 indivíduo
  • Primeiro-Ministro - 1 indivíduo
  • Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e Presidente do Tribunal Constitucional - 2 indivíduos
  • Presidente do Supremo Tribunal Administrativo e Presidente do Tribunal de Contas - 2 indivíduos
  • Presidentes dos grupos parlamentares - 10 indivíduos
  • Procurador-Geral da República - 1 indivíduo
  • Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas - 1 indivíduo
  • Provedor de Justiça - 1 indivíduo
  • Representantes da República para as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira - 2 indivíduos
  • Presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses - 1 indivíduo
  • Presidente da Associação Nacional de Freguesias - 1 indivíduo

E, porque se celebra também quem promoveu os acontecimentos que marcaram a data: (*)

  • Representantes da Associação 25 de Abril - 1 indivíduo 

 

Se todos comparecerem, serão 25 cidadãos.

Contem-se ainda os operadores de câmara e som (e demais técnicos indispensáveis) da própria ARTV, em trabalho mas também em representação do Quarto Poder - ao qual distribuirão as imagens - e veremos que se consegue fazer a festa com menos de 40 pessoas. Quase todas homens, mas isso só evidenciará mais uma falha da nossa democracia. Que fique registada para futura análise, que tal análise é também Abril.

Com esta redução poderá haver, e haverá, egos ofendidos - que lambam as feridas no recato. Importa é que a Democracia não saia mais ferida ou achincalhada do que ferida e achincalhada já foi.

 

E eu? Ao contrário de muitos católicos que não celebraram a Páscoa, sei que celebrarei o 25 de Abril. Em casa, claro. E com um cravo, ainda que de papel.

Celeste e os cravos de Abril

Celeste Caeiro, a Celeste dos Cravos (imagem RTP)

 

Nota (*) : Para o 1.º de Maio (**) usemos a mesma regra, mas em vez do presidente da Associação 25 de Abril convidem-se os presidentes das centrais sindicais e um representante dos sindicatos independentes. Três indivíduos.

No 10 de Junho, mesmo que já não em confinamento, mantenha-se a fórmula mas convidem-se os presidentes da Academia Portuguesa da História e da Academia das Ciências de Lisboa. Dois indivíduos.

 

Nota (**): Concordo com os que são contra as manifestações de rua no 1.º de Maio de 2020. Mas os que agora pedem a sua suspensão que não venham depois chorar as Festas Populares. Só por causa daquela coisa das incoerências.

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

Autoria e outros dados (tags, etc)

lançado às 12:48

Onde ideias-desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor.


Obrigada por estar aqui.



54 comentários

Imagem de perfil

De Vorph "ги́ря" Valknut a 21.04.2020 às 01:38

Já houve outras datas em que famigerado dia não foi celebrado. 

De pouco vale que gostasses haver 40 convidados, mas não és a dona do burgo. Contam-se, assim, 140. Falta numerar, ainda, o pessoal da Segurança, das Limpezas, etc. 

Entendo que como ateia te pareça legítimo o exemplo que dás. Páscoa e missa on line tanto dá. Mas até eu, pagão, sei bem a diferença entre uma e outra. Comemore-se o distante Abril de 74, através do Zoom. 


Nota bem, da última vez não se comemorou, o golpe dos cravos, por falta de carros de reportagem!!!! 

"A sessão que assinala a Revolução dos Cravos no parlamento não se realizou apenas em três dos últimos 46 anos, em 1983, em 1993 e em 2011.

Em 1983, por haver eleições legislativas no próprio dia 25 de abril; em 2011, por a assembleia se encontrar dissolvida; e em 1993, quando os órgãos de comunicação social decidiram em bloco boicotar todos os trabalhos parlamentares em protesto contra a limitação da circulação dos jornalistas no edifício de S. Bento, em Lisboa. Como não haveria cobertura, decidiu-se cancelar a sessão no parlamento."



Imagem de perfil

De Sarin a 21.04.2020 às 02:51

E é assim exactamente que se comemora: vendo as cerimónias na televisão. Do 25 de Abril. E da Páscoa.
Muitos católicos meus conhecidos preferiram andar meses a ver a missa na televisão a entrarem nas capelas onde o padre celebrava as missas - porque não gostavam dele.
Não sou dona da AR nem desejo, apenas fiz um exercício de depuração protocolar. Temos demasiados titulares para país tão pequeno.


As cerimónias oficiais foram canceladas, e lembro-me de na altura ter concordado com o boicote - mas não concordei com o cancelamento. Uma comemoração vale por ela mesma, não pelo retrato. E sabes que em 93 era uma maioria cavaquista, certo?


Que consideres o dia "famigerado", é um direito. Mas recorda-te que o direito de dizeres publicamente o que te apetece foi-te concedido pelos eventos desse dia.
Imagem de perfil

De José da Xã a 21.04.2020 às 15:05

Sarin,

sabes que sou católico e praticante (seja lá isso o que for!!!).
Vivi o 25 de Abril, andei com o MRPP em manifestações ou a vender o Luta Popular e sempre pensei em favor dos que nada ou têm pouco.
sta polémica parece-me estéril. E comigo não tem a ver com religião... Nada disso...
A minha pergunta mantem-se: como posso comemorar o dia da Liberdade se estou preso em casa?
Os nossos políticos deveriam ser os primeiros a dar o exemplo à sociedade civil. É só isso que eu peço a quem nos conduz... Exemplo!
Como tento ser para os meus filhos. Nada mais.
Como diria o famosso humorista: não havia nexexidade!
Beijos e cuida-te.
PS - è por estas e por outras que temos energúmenos na AR. Um dia poderá ser tarde demais... Esse é o meu real receio.
Imagem de perfil

De Sarin a 21.04.2020 às 15:13

Eu sei que para ti não é questão religiosa - embora, como viste no teu postal, tenha havido logo quem tenha feito tal associação.
Como te disse no teu postal, acho que a devemos comemorar exactamente para nos lembrarmos que foi conquistada e que é nossa. É muito diferente estares sob estado de emergência por questões sanitárias e estares sob ditadura. Um dos meus primeiros postais em estado de emergência apelava exactamente a que aproveitássemos este tempo para pensarmos o que queremos da nossa democracia e da nossa sociedade. Porque, José, uma das coisas que me preocupa é exactamente, que as pessoas confundam movimentos  limitados com a ausência de Liberdade. Depois dessa confusão, é fácil instalar outras.
Imagem de perfil

De José da Xã a 21.04.2020 às 15:43

Sarin,


gosto deste blogue e li há pouco isto: https://causa-nossa.blogspot.com/2020/04/pandemia-7-o-25-de-abril-e-de-todos.html
Parece-me que este professor de direito é insuspeito. E repara no que ele escreve.
Quanto ao "day after" após a pandemia nem imagino o que se passará na cabeça de muita gente.
E pior... muito pior! É percebermos que vamos querer o Celito como presidente da próxima legislatura. Infelizmente só ele fará parar os popularuchos. Ao ponto a que chegou este rectângulo.
Imagem de perfil

De Sarin a 21.04.2020 às 15:58

José, em lado algum aponto o dedo a quem discorda - aponto é aos argumentos que usam.
Também eu sou contra as comemorações que se propõem - está bem explícito no postal. E continuo a defender que os feriados nacionais - que o são pro factos históricos - não devem passar em branco na Assembleia.
Dizer que "também ele quer andar aos pulos na rua" mas não vai porque não pode justificar-se-ia como argumento no caso de estar prevista uma parada. Está? Porque se não está, e se continuamos a falar de uma cerimónia à porta fechada, nada o impede de pular dentro de casa. É àquele tipo de argumento "se eu não posso então a AR também não pode" que incluo no tal ressabiamento.
A AR tem deveres institucionais. Comemorar os feriados nacionais da Nação (não apenas da República, olha a Restauração) é um deles. Mais uma vez, não concordo com esta gente toda - e digo porquê acima. Mas concordo com a comemoração solene. Principalmente porque não podemos ir ouvir concertos nem pular nas ruas.
Imagem de perfil

De José da Xã a 21.04.2020 às 16:11

Sarin,
tenho cada vez mais a crença não religiosa, assinale-se, que esta classe política não serve o país... Serve-se deste.
Pelo que vou lendo por aí... há muita gente que vai ficar mal na próxima "fotografia de família".
Um beijo grande.
Imagem de perfil

De Sarin a 21.04.2020 às 16:27

Desculpa, apaguei o comentário porque havia uma palavra que, estando a mais por inversão do sentido da escrita, acabaria pro inverter o sentido da resposta :)


Mas essa ideia sobre os políticos que temos já me acompanha há muito, José! Muito, mesmo!
Infelizmente, são os que temos. 
Apenas não convém confundirmos os políticos e as politicas nanicas (em vez de estruturais) e as politiquices (ou interesses de grupo e individuais) com os processos democráticos. Fomos nós que os deixámos à solta nos partidos, nas campanhas, nas urnas de voto. Queríamos o quê, que nos representassem quando nada lhes exigimos?
E que treta é esta de petições contra e a favor de qualquer coisa que esteja na ordem do dia? Onde estão as petições de fundo, aquelas que nos poderiam levar a mudar alguma coisa? Eu sei onde, à espera que alguém as assine... As petições apenas levam o tema à discussão na AR, mas há malta que acredita ser a petição uma demonstração da vontade popular, e vinculativa!
A sério, José, os políticos que temos são bem o reflexo da sociedade ignorante e indolente  que somos.
Beijos :)
Imagem de perfil

De José da Xã a 21.04.2020 às 16:47

Essa das petições dá cabo da minha serenidade...
So assinei contra o NAO e que valeu... bola!


Imagem de perfil

De Sarin a 21.04.2020 às 17:08

Eu já assinei algumas sobre assuntos estruturantes - que nunca estão na ordem do dia. E talvez nunca estejam na ordem do dia porque nunca recolhem muitas assinaturas. E talvez nunca recolham muitas assinaturas porque muitos apenas pensam no amanhã, não pensam no daqui a 20 anos - e depois admiram-se por não termos políticas de longo prazo. Os deputados são os gajos da porta do lado, não são titãs entre os homens e os deuses.
Imagem de perfil

De Sarin a 21.04.2020 às 16:30

(e obrigada por me teres mostrado que havia um cravo nos sapinhos!!! :)))
Imagem de perfil

De O ultimo fecha a porta a 21.04.2020 às 21:44

Sobre este tema, acho que a data devia ser assinalada dentro dos moldes "normais" do funcionamento da AR nestes dias. O Estado tem de dar o exemplo e os convidados seria o mínimo dos mínimos.
"Com esta redução poderá haver, e haverá, egos ofendidos - que lambam as feridas no recato. Importa é que a Democracia não saia mais ferida ou achincalhada do que ferida e achincalhada já foi." - é isso mesmo.
Achei caricato que fossem os próprios ex-presidentes convidados a recusarem a sua ida, mas discordei totalmente da arrogância com que ferro Rodrigues falou (em resposta no caso ao deputado do CDS e hoje numa entrevista à rádio do Estado) e discordei ainda mais com o argumento patético e infantil de Manuel Alegre. Nesta situação, calado era um poeta :)
Imagem de perfil

De Sarin a 21.04.2020 às 22:28

Não sei o que disse Alegre, mas a tua frase está linda :D
A frase de Ferro Rodrigues foi proferida já depois da votação, numa fase em que já pouco haveria a dizer - talvez fosse uma forma de frisar que não adiantaria continuar a arengar sobre se se deveria ou não aprovar o que já havia sido aprovado? Não sei, não dei muita atenção porque não tenho paciência para tricas dessas. Sei que as discussões na AR deveriam ter lugar antes das votações, não depois :)  Continuar, depois de uma votação, é perda de tempo: votou, está votado - com ou sem declaração de voto, é andar para o próximo ponto da agenda, pois que eles até estão a trabalhar com menos gente e a democracia não está suspensa ;)) Não gostei de ver a frase ser usada fora de contexto, mas manipulações há imensas e são mais um motivo para que quem fala publicamente pense aquilo que fala (ou escreve) mas também o tom em que o faz. O homem tem aquele tracinho autocrático (auto-crítico não sei) e nenhuma pinga de humor, é capaz de contundir com os nervos de muita boa gente :)
Imagem de perfil

De Eduardo Louro a 22.04.2020 às 12:32

Congratulo-me que a tua proposta tenha sido aceite. Não fugiu muito.
Imagem de perfil

De Sarin a 22.04.2020 às 12:36

Descontando os que recusaram, não fugiu muito, não... mas teria sido muito menos polémico se têm feito logo o desbaste ao protocolo.
Sem imagem de perfil

De Não Identificado a 22.04.2020 às 14:18

Talvez sim. Mas nunca se sabe porque, como se vai percebendo, tudo serviria para rastilho.
Imagem de perfil

De Sarin a 22.04.2020 às 14:49

Pelo menos teriam de arranjar outros argumentos. Viste a minha análise das petições? Viste as petições? Quase que se identificam as origens, mas como fica perto das artes divinatórias, não partilhei suspeitas :)
Imagem de perfil

De Eduardo Louro a 22.04.2020 às 14:20

Pronto. Desliguei-o para almoço e quando regressei já não me reconheceu. Parece que tem alzheimer, o sacana.
Imagem de perfil

De Sarin a 22.04.2020 às 14:46

Coroa vírus, n'é? :))

[a palavra a quem a quer]


Pág. 2/2




logo.jpg




e uma viagem diferente



Localizar no burgo

  Pesquisar no Blog



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Cave do Tombo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D