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A outra metade da mesma indiferença

por Sarin, em 15.12.18

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"Muito obrigada por esta honra, mas o único prémio no mundo capaz de restaurar a nossa  dignidade continua a ser a justiça e a acusação dos criminosos".

 

A violência sofrida na primeira pessoa agradece assim o Nobel da Paz.

Porque a violência continua e continuam os crimes contra a humanidade, enquanto assistimos às cerimónias porque a humanidade sofrida é um grupo de indivíduos distante e sem nome sem rosto sem nada.

Nadia Murad mostra-nos um desses rostos. Nadia Murad é um desses rostos. Tem no corpo e na alma o dever de nos mandar para o inferno pela indiferença com que deixámos acontecer o prémio que lhe aplaudimos... e ainda assim só nos pede a justiça que lhe falhámos entre tantas outras culpas.

Para ler. E reler até fazer sentido. Porque agora não faz.

 

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Obrigada por estar aqui.



32 comentários

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De Pedro Vorph a 15.12.2018 às 09:32

Nádia pelo que sofreu perdeu o rosto. Para sempre ela olhará o mundo através de uma máscara de cera. (sensibilizou-me a sua inexpressividade facial aquando do discurso. "O que não nos mata faz-nos diferentes ). Talvez Nádia apenas conserve o nome,  de uma outra que morreu. 
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De Sarin a 15.12.2018 às 09:39

Por isso o desenho e não a foto.


Estive para colocar o vídeo, para a vermos cheia de força mas quase imóvel - mas quem veria o filme até ao fim? Acho incrível como é que ainda não estão legendados 
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De naomedeemouvidos a 15.12.2018 às 10:13

Há pessoas que sobrevivem a si próprias. Não imagino onde vão buscar a capacidade para resistir. 


Na escola do meu filho, pediram aos miúdos para fazer um trabalho sobre uma figura pública, à escolha. Ele escolheu a Malala. Não consegue perceber por que motivo a quiseram matar , impressiona-o imenso. E há tanta coisa que não consigo explicar -lhe. Que não conseguimos, eu e o pai, explicar-lhe...
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De Sarin a 15.12.2018 às 10:21

Quem consegue? Há coisas que não têm explicação, de hediondas. Outras, de sublimes - não imagino de onde lhes brota a força, mas brota e por isso há esperança num mundo melhor: por mais recessivos que os queiram, repressivos, resistem e renascem. Algumas com máscaras de cera, como disse o Pedro Vorph, translúcidas a dor mais à pele e a vontade de a arrancar.


A minha sobrinha já começa a fazer perguntas incómodas. Ainda bem que as fazem, certo? Embora os quiséssemos crianças mais tempo...
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De Pedro Vorph a 15.12.2018 às 11:44

O melhor que as crianças têm é uma imunidade natural ao vício do Poder. Mas depois aprendem....se viste o Senhor dos Anéis é interessante ver porque eram os Hobbits os mais resistentes à tentação do Anel. Os hobbits,  alegoricamente, eram crianças 
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De Pedro Vorph a 15.12.2018 às 11:44

Tolkien é fantástico! !
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De Sarin a 15.12.2018 às 16:59

É fantástico, sim - literal e figuradamente :)
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De Sarin a 15.12.2018 às 17:03

Conheci e conheço crianças pervertidas pelo poder e pela auto-importância. Curiosamente, as que assim conheço são filhas das que assim conheci, o que me leva a questionar se a prepotência poderá ser genética... Pelo menos na dinâmica social, é.
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De naomedeemouvidos a 15.12.2018 às 20:34

Ainda bem que as fazem, sim. O pior é quando a resposta choca de frente com uma realidade que cada vez se afasta mais daquilo a que chamávamos “valores”. Ficamos com medo de de os deixar demasiado expostos, sem “jogo de cintura”, acabando “devorados” pelas novas circunstâncias. Talvez porque fui mãe muito tarde e de um filho único, penso imenso nisso...
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De Sarin a 15.12.2018 às 20:39

Não te posso ajudar, Não me dêem ouvidos, não sei colocar-me na pele de uma mãe, qualquer que seja a sua idade. Apenas sei que a sinceridade pode ser-lhes dada em pequenas doses, como a fui recebendo, e que a mentira para os proteger apenas os deixa mais desprotegidos, como vi acontecer a tantos ao meu lado. Como mãe ou como tia, acredito que os conheçamos o suficiente para lhes darmos as doses que preferíamos inexistentes, e só nos posso desejar coragem :)
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De naomedeemouvidos a 15.12.2018 às 21:19

É uma gestão diária. Tentamos mostrar-lhe os prós e os contras e chamar a sua atenção para as consequências. No limite, acho podemos tudo, ou quase tudo, desde que estejamos preparados para assumir a responsabilidade das consequências. Não havendo receitas mágicas e sabendo que o que serve para uns não serve para outros, vamos dando o nosso melhor, como todos os pais :)
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De Sarin a 15.12.2018 às 21:23

Assim o acredito. Com a diferença de que, como tia, o acompanhamento não é diário - e naquilo que não acompanha as orientações da mãe e do pai, é abordagem distinta mas complementar.
Há crianças que têm a sorte de ter assim pais e mães e tias :)
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De naomedeemouvidos a 15.12.2018 às 21:27

Sem dúvida :)
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De júlio farinha a 15.12.2018 às 21:27

A justiça falha aos justos. Falha quase tudo, menos a sua própria "diginidade restaurada". Não faltará com luta aqueles que a lembram com a alma elevada à altura da Ideia suprema da Verdade.
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De Sarin a 15.12.2018 às 21:38

Quem sente tais palavras tem o dever humano moral social de lhe não falhar no pouco que se possa fazer.


A indiferença é, afinal, o único pecado humano que urge combater. Os outros são crimes cuja acusação devemos secundar com os Nobel, Nadia Nurad e Denis Mukwege e os que os antecedem há mais de um século. Mais de um século, e ainda entregamos estes prémios perante estes discursos...
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De júlio farinha a 15.12.2018 às 22:01

Que devemos e podemos fazer, Sarin? Não é a máquina do poder um colossal monstro?
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De Sarin a 15.12.2018 às 22:05

Os Estábulos de Augias, recordas?
E a Hidra de Lerna?
Não podemos fazer, mas podemos exigir: todas as nossas acções são políticas, só temos de nos perceber. 
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De júlio farinha a 15.12.2018 às 22:31

Não acredito na eficácia da exigencia. Exigir aos poderosos? Exigirmos uns aos outros e a nós próprios?
Exigir aos que mandam mudança, só pode significar que se ponham a andar, não sem antes lhes lembrar António Aleixo: (...) calai-vos que pode o povo querer um mundo novo a sério.
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De Sarin a 15.12.2018 às 22:34

Mas se aos que se põem a andar sucederem outros iguais, tudo muda e nada fica diferente... Temos que exigir mudança e a começar em nós.
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De júlio farinha a 15.12.2018 às 22:47

Quem somos "nós"?
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De Sarin a 15.12.2018 às 22:49

Cada um ser pensante, indignado ou acomodado.


Como disse a Liberdade em conversa com a Mafalda "uma pulga não pára um comboio, mas enche de comichão o maquinista".
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De júlio farinha a 15.12.2018 às 23:03

É pouco.Não chega!
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De Sarin a 15.12.2018 às 23:08

Claro que não chega! Mas só assim... porque o tempo corre inexoravelmente, e se não for pela educação própria e dos outros, continuará a correr e a fugir-nos!


Exigirmo-nos passa também por exigir aos outros, vizinhos e comerciantes e governantes. Como armas, o gesto, a posição, a opção.
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De júlio farinha a 15.12.2018 às 23:37

Acreditas demais na educação. A Educação é mais tarefa das famílias do que da escola. Nesta, ensinam-se matérias mais do que valores. A sociedade portuguesa não avança em cultura e informação de qualidade. Os miúdos só  se interessam pelas redes sociais e pouco mais.  Bebem consumo com beneplácito dos pais. Detestam filosofia que acham muito difícil. Que "nós" é que temos para a mudança? Uma minoria esclarecida ética,moral, e politicamente.Muito pouco para termos uma democracia representativa decente.
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De Sarin a 15.12.2018 às 23:40

E que poderia essa minoria pelo ferro? Sem o fogo da consciência, e por esta da auto-consciência, não conseguiremos nada - urge despertar os senhores do amanhã, os de hoje não acordam nem com o cheiro do sangue.
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De júlio farinha a 16.12.2018 às 00:12

Continuamos a ser poucos para tanta tarefa e tempo. A minoria tem que chegar ao poder e temo que não será pelo voto.
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De Sarin a 16.12.2018 às 00:14

Se a minoria chegar ao poder por outra via, que seja por não haver quem se erga - pelo ferro, nunca estarei na barricada.
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De júlio farinha a 16.12.2018 às 00:19

Desculpa mas vou ver se durmo, coisa que pouco fiz a noite passada. Se ainda não tiveres sono, dá uma olhadela ao meu artigo de ontem.  Tem uma boa noite.
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De Sarin a 16.12.2018 às 00:20

Lá irei, Júlio.
Dorme bem :)
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De HD a 17.12.2018 às 20:22

Ainda me lembro a primeira vez que ouvi os seus testemunhos... fiquei sem reação possível! 
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De Sarin a 17.12.2018 às 20:31

Muito doloroso :(

a palavra a quem a quer




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