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A nossa Língua é vasta e é também produto local

Um desafio aproveitando a pergunta da Equipa

por Sarin, em 30.09.19

Embalada no estarmos em campanha eleitoral...

para as Legislativas de 2019, que ocorrerão dia 6 de Outubro,

para os Sapos do Ano 2019, cuja fase de nomeações termina hoje,

para o Euromilhões, que espero me calhe amanhã pois já estou farta dos Excêntricos,

para Miss Universo-lá-de-casa, que, como o Natal, é quando eu quiser,

... aproveito e faço mais uma campanha, verdadeira arruada aqui no burgo!

 

Talvez já se tenham apercebido da pergunta que a Equipa nos colocou recentemente, Uma pergunta que dispensa explicação... e cujas opções são Post / Artigo / Postal / Posta / Publicação / Outro.

Reparemos que 5 opções estão em Português, a nossa língua, aquela que é riquíssima e que aqui nos une no gosto pelo seu uso;

e uma opção está em Inglês, língua que querem universal e que vai simplificando o uso das línguas escritas e faladas, descaracterizando-se porque encolhendo-se, e descaracterizando quase todas as outras por ocupar os seus lugares.

Nada tenho contra falar-se inglês, ou outras línguas - aliás, defendo que quanto mais línguas percebermos mais fácil será a comunicação entre os povos. Mas uma coisa é saber usar línguas estrangeiras, outra é substituir as nativas...

Reparemos que o site, que quase todos usamos para indicar um sítio da internet, significa, literalmente.... sítio. Já aquela, a internet, é rede entre vários. Fica giro escrito em cámone, mas é triste ver que nomearam as invenções tal como nós as nomearíamos - e que agora lhes recusamos os nomes que são seus. Adiante.

Olhemos o blog, que nasceu da contracção entre web e log = weblog = blog. Um verdadeiro neologismo. Que desde que nasceu já teve aportuguesamento para blogue. Tal como a chauffage se aportuguesou para chaufagem - e hoje mal se usa, culpai, senhores, o ar condicionado. Ou como o hotel era, há 60-80 anos, uma palava com sílaba tónica grave, tal como a diziam os americanos e ingleses, e hoje já quase ninguém diz hótel - embora duvide que, chegados a Inglaterra, algum de nós pergunte pelo hotél.

Este intróito serve para explicar aquilo que todos sabemos: que a Língua Portuguesa evolui, transforma-se, absorve palavras estrangeiras, perde o uso de palavras antigas - é dinâmica. E é muito rica.

Mas para continuar a ser rica e dinâmica precisa de nós, depende de nós, que a falamos e escrevemos. Precisa que a continuemos a usar.

Que tal darmos-lhe mais valor? Que tal dizermos bistrot em francês, risotto em italiano, post em inglês...

... e em português usarmos palavras portuguesas, saindo desse sítio onde nos querem de vocabulário reduzido e homogéneo?

 

Podemos começar já, com esta pergunta que a Equipa do Sapo nos coloca: escolhendo usar,  em vez de post, uma palavra portuguesa ou aportuguesada - mas nossa.

Defender o Ambiente passa por consumir local. Querem produto mais local do que a nossa Língua?

Pode parecer que não, mas está tudo ligado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

lançado às 19:22

Obrigada por estar aqui.



56 comentários

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De Maria Araújo a 30.09.2019 às 20:15


"Reparemos que 5 opções estão em Português, a nossa língua, aquela que é riquíssima e que aqui nos une no gosto pelo seu uso!
Quando vi a pergunta, e li a primeira palavra, acredite, mas fiquei a olhar para ela e porque não estava a perceber, mas farta de saber e usar a palavra.
Sou uma defensora da Língua Portuguesa,  passo-me quando leio nos blogs ( das poucas palavras que uso em inglês, mas facilmente passo a escrever blogue) e no Instagram tudo, mas tudo em Inglês.

Vai há pouco tempo que estive a fazer um levantamento da quantidade de bloguistas ou blogueres( será assim que se escreve?) que escrevem em português com imensas palavras em inglês.
Se é para dar realce ao blogue, ou para mostrarem que sabem inglês, só tenho a dizer que não amam a língua de Camões, o que lamento.
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De Sarin a 30.09.2019 às 21:41

Há os que apenas usam inglês para chegarem a um maior número de leitores, e é uma opção que se enquadra num projecto. Mas aqueles que mesclam o português com estrangeirismos perfeitamente desnecessários acabam por ter textos desagradáveis porque cheios de ruído... são opções, claro, mas eu prefiro a outra opção, aquela em que falo português em Portugal. Acredite, Maria, que se aos 20 anos acorria a ajudar qualquer estrangeiro em dificuldades com a língua, agora sou mais moderada - se tiverem menos de 65 anos e não souberem dizer algumas das mais básicas palavras (olá, obrigado, por favor, bom dia, desculpe e adeus), garanto que não lhes falo noutra língua :)) Não é maldade, é respeito pelo meu país e pelo meu falar. Até porque quando vou para fora tenho o cuidado de tentar aprender e levar cábulas com as frases mais básicas na língua nativa - e depois acontecem-me coisas giras, como entrar numa farmácia escocesa dizendo boa tarde em escocês, provavelmente com um sotaque horrível o que justificaria terem os clientes velhotes sorrido ao responder, e a ajudante me perguntar em inglês de Londres o que tinha eu dito :D
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De Maria Araújo a 30.09.2019 às 22:05

Ah,ah,ah!
Gostei !
Eu tenho um pouco a mania de me aproximar de um estrangeiro, quando percebo que está em apuros, e ajudá-lo, falando em inglês.
Mas há cerca de 2/3 anos, em Lisboa, junto à entrada principal da Gulbenkian ( av. de Berna) esperava eu por um amigo, quando uma estrangeira aproximou-se de mim e fez-me umas perguntas que não percebi nada de nada.
Falei-lhe em inglês, ela respondeu-me na mesma língua para mim desconhecida.
Perguntei se sabia falar inglês, francês, espanhol, mas nada saiu daquela boca.
Apenas fiquei a saber que era russa ( porque me mostrou identificação) e não sabia falar nenhuma língua.
O que fazer, pensei?
Falei em polícia e ela segui o seu caminho.
Incrível!
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De Maria Araújo a 30.09.2019 às 22:05

* seguiu
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De Sarin a 30.09.2019 às 22:11

É incrível, sim... Geralmente sabem dizer a tal meia-dúzia de palavras básicas, e sabem arranhar ou inglês ou francês. Mas pode haver quem se aventure sem dizer uma palavra - tenho um familiar que apenas fala português e poucos países lhe escaparam :)
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De Maria Araújo a 30.09.2019 às 22:13

E portugueses até os há espalhados por todos os cantos do planeta.
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De Sarin a 30.09.2019 às 22:15

Talvez tenha sido o que lhe valeu :))
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De HD a 30.09.2019 às 20:45

Vamos expulsar os cámones e defender as nossas raízes :-)
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De Sarin a 30.09.2019 às 20:49

Não será preciso expulsá-los, basta darmos-lhes a volta ;)
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De Luísa de Sousa a 30.09.2019 às 21:58

Oh Sara, como tens toda a razão!!!
Eu, que amo a língua portuguesa, por vezes uso palavras de outra língua!!!!
Sim, sim, sim, vamos dar mais valor ao nosso português.
A partir de hoje, vou ter mais atenção à forma como falo e ao que escrevo!!!
Beijinhos
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De Sarin a 30.09.2019 às 22:01

É isso mesmo, Luísa, saibamos falar outras línguas mas cuidemos da nossa - quem ama, cuida :)
Beijocas
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De Luísa de Sousa a 30.09.2019 às 22:05

Sabes que fiquei a pensar no que escreveste???
Comprometo-me a ter muito mais cuidado quando escrever e falar!!!
Beijinhos
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De Sarin a 30.09.2019 às 22:06

Boa, Luísa! :))
Beijocas :*****
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De O ultimo fecha a porta a 30.09.2019 às 22:24

Ora bem, eu acho que devemos usar o inglês quando não existe palavra em português que a sua substitua. Acho estranho a tentativa dos brasileiros em abrasileirar os termos em inglês acabando por não se perceber nada. "Engajamento" para "engagment". é estranho!
Como trabalho numa multinacional e agora estou a reportar a uma pessoa na alemanha, tendo muitas vezes a usar as expressões em inglês. Algumas vezes, reconheço que deveria usar o português :)
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De Sarin a 30.09.2019 às 22:43

Falar outras línguas é excelente, falo umas quantas, desenrasco-me em mais algumas e arranho mais uma ou duas, que quero aperfeiçoar. E quero aprender mais.
Mas em português, temos quase todas as palavras - excepto alguns neologismos, jargão técnico essencialmente, que entretanto foi aportuguesado. Há regras para o aportuguesamento, até!
Agora irmos a um bistrot em vez de a um tasco, ou falarmos em site e post (sáite e paussst, assim mesmo com sotaque e tudo!) quando temos exactamente o mesmo termo (sítio) ou alternativas... entristece-me. achar engraçado, só às nazarenas que nos anos 80 alugavam xambrezimerrumes (chambres, zimmers, rooms), mas essas faziam-no para ganhar a vida, e logo a seguir diziam ah, 'miguinho, tu nã quers crapau seque ó crangueje? enquanto apontavam os cabazes :)
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De Ricardo Nobre a 30.09.2019 às 22:33

Até esfreguei as mãos e estalei os dedos quando abri a caixa de comentários deste texto. Vamos lá!
Blog digo blogue porque é uma palavra única para designar aquilo que mantemos a força de posts.
Post digo texto porque é aquilo que é. Embora aprecie o seu esforço quanto ao postal (que vem do francês), ainda o associo ao cartão (sou do tempo em que se enviavam postais e ainda os compro); pode ser que na continuação do acompanhamento do seu blogue o meu cérebro faça a transição. Ainda por cima a Sarin faz postais ilustrados (este não tem imagem só para me desmentir!).
Site digo site mas às vezes escrevo sítio. Acho que depende da audiência a que me dirijo.
Internet digo e escrevo internet (sem a maiúscula que aparentemente deveria ter, mas que eu não lhe reconheço) e online digo online (sem hífen, já agora), mas tento escrever em linha quando espero ser percebido.
O que se passa em vários destes casos é muito interessante porque tem que ver com a quantidade de palavras das línguas. O inglês é uma língua que tem muitas, muitas palavras, e por isso permite-se usar uma palavra para designar uma coisa. Tem ainda a vantagem de aglomerar palavras de origem germânica e outras (por vezes com o mesmo sentido) de origem latina (são aqueles equivalente enter/come in, exit/come out). O inglês é, ainda, uma língua sobre a qual não se debate se se deve ou como se deve integrar uma palavra na língua: as pessoas usam, logo, é deles, falantes. A ajudar, a completa falta de problemas quanto ao inglesamento («inglês» aqui e em todo este texto refere a língua, e nunca a comunidade de falantes que vive em Inglaterra) das palavras estrangeiras. Talvez porque — faltava este tópico… — é uma língua de grafia etimológica e não houve nenhum intelectual (agora até é possível se seja inteletual, porque chegámos ao grau zero ortográfico) que propusesse uma simplificação ortográfica para os burrinhos aprenderem de auditiva.
Mas falava [verbo que uso no sentido metafórico, porque estou caladinho a escrever] do léxico e da quantidade de palavras.
As línguas românicas não são assim. Tal como o latim, têm menos palavras e palavras com muitos sentidos, que foram sendo alterados, por extensão de sentido (metonímia) ou transposição (metáfora). E estão quase todos activos ao mesmo tempo. Assim, e falando só da nossa, temos uma língua com muito colorido semântico e muito rica, embora as palavras não sejam assim tantas. Acrescentar-lhes significados tem um efeito de sobrecarga, por vezes injustificada (ainda se falou na tensão para exprimir stress). Um exemplo interessante que tem entrado é «googlar» ou — má opção ortográfica, porque é um nome de uma marca — «guglar» porque se pensa que é preciso um verbo intransitivo para «procurar na internet» (cá está ela; procurar na rede parece que vamos em cata de sardinhas). Se daqui a vinte anos eu cá estiver e ainda se usar, pode ser que entre no meu léxico activo. Outro exemplo: é mesmo preciso um nome para «fotografia que se tira com o telemóvel a si próprio para colocar na internet»? Antes dizia-se «tirar o retrato». Passou da pintura para a fotografia, e ninguém precisou de lhes chamar sélfis (já aportuguesei).
Claro que muito pior — e esse é um problema importante levantado no seu texto — é esquecer as nossas palavras para usar as estrangeiras. Vaquinha é popular; subscrição é antiga e boa palavra portuguesa, mas todos dizem crowdfunding… Há diversos outros exemplos — não foi há muito tempo que li sans serif para se referir um tipo de letra não serifada. As pessoas não têm culpa de não saber que existem essas palavras em português, mas eu não vou deixar de as usar porque não tenho culpa de as conhecer.
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De Ricardo Nobre a 30.09.2019 às 22:34

Para acabar e não a maçar mais (nem a outros comentadores [ou leitores]) e porque já excedi o número de caracteres: há palavras que entram no nosso léxico e ficam. Quando ficam, devem trajar à portuguesa, como diziam os nossos autores do século XIX (mas a metáfora, que eu saiba, vem do século anterior). E receber o tratamento que damos aos nossos: fonética e morfologicamente, ou seja, pronunciando-os de acordo com a quantidade de sons que temos e recebendo a flexão em género e número — ou, se são verbos (normalmente aqui a questão é muito pacífica), a flexão completa.
Viva o português! Et accordum ortographicum delendum est!
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De Sarin a 30.09.2019 às 23:02

É isso mesmo: aportuguesem-se! Para aburguesamentos já basta andarem décadas de bandeira ao peito :)


Mas... é mesmo verdade? De vez? Do Brasil dizem que sim, mas por cá são teimosos... feios e maus!
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De Ricardo Nobre a 30.09.2019 às 23:12

Quer dizer que o coiso «deve ser destruído». Foi a reescrita de uma frase com que Catão terminava os seus discursos no senado de Roma, mesmo que estivesse a falar de couves: Cartago deve ser destruída.
Há uns dias, li um texto (já não me lembro onde, talvez levado ao Ciberdúvidas, esse baluarte da asneira [originalmente um adjectivo, com origem no nome «asno», como vem nas Viagens na Minha Terra]) que se o acordo foi feito por pessoas tão importantes então não tinha erros científicos. De rebolar a rir.
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De Sarin a 30.09.2019 às 23:24

Eu sei, de Catão conheço algumas falas (umas de livros duvidosos e outras de livros sérios como os de Uderzo e Goscinny), mas de latim percebo o da taxonomia e mais umas frases lapidares (escritas em lápides, portanto - daquelas com ossadas), daí que supunha ser uma afirmativa, "está destruído".
Um novo sinónimo: importante equivale a omnisciente. Tchhhhhhhhhhh!
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De Ricardo Nobre a 01.10.2019 às 18:44

É a expressão da necessidade e obrigação. Neste caso, um imperativo de consciência.


Os livros de Uderzo e Goscinny levaram muita gente para os Estudos Clássicos!
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De Sarin a 30.09.2019 às 22:54

Esperava que gostasse do tema :))))
O meu postal vem do facto de eu não escrever apenas o texto - procuro encontrar-lhe uma imagem que o acompanhe. Quando são curtinhos até lhes chamo telegramas.
Nos blogues, associa-se muito a imagem e a palavra, portanto quase todos me são postais. Mas também há textos. Que podem ser artigos. E todos são publicados. Já a posta, eram as cartas postais encomendas enviadas - e nós aqui não enviamos, publicamos ou lançamos ao ar :)
A internet ainda me sai com itálico - ou sai rede. Porque é isso que é, liga-nos. Alguns até são apanhados - e é sabido que o que cai na rede lá fica....
Mas, basicamente, a ideia é mesmo essa: se temos local, porquê importar? E se tivermos que importar, porque não tentar a aclimatação? :)))
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De Ricardo Nobre a 30.09.2019 às 23:18

Como deve imaginar adorei o tema!
O nosso Horácio dizia (parece que sou mais velho do que realmente sou… adiante) que as palavras vão e vêm como as folhas das árvores. Umas caem (em desuso), outras nascem (com influência de outras línguas). 
O latim beneficiou muito do grego, o português do espanhol, do francês (houve o tempo em que o ataque ao galicismo era feroz; no século XVIII chamavam aos que usavam galicismos galiparlas e aos «puristas» latiniparlas — não esquecer que a nossa língua se consegue torcer muito) e agora do inglês. O que ficar depois da passagem das estações é nosso, ao nosso gosto, com a tal roupinha. Até mudámos a casa de pasto [ADORO!] para restaurante [cuja origem é uma anedota com alguma graça]!
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De Sarin a 30.09.2019 às 23:32

Os meus avós tinham uma casa de pasto :)))
Mas o português não terá beneficiado muito do espanhol... desculpe, sei que é a sua área, mas não reconheço o espanhol como língua - leonês ou castelhano, escolha o que melhor lhe aprouver, mas deixe lá o espanhol fora do rol :)) Eu até gosto tanto do valenciano, do catalão e do galego! ;)
(Não se preocupe, ninguém o suporá Matusalém)
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De Ricardo Nobre a 01.10.2019 às 18:57

Se fosse hoje, os seus avós abririam um bistrot.
Quanto ao «espanhol», tem razão. Já me conformei, todavia, com o espanhol como castelhano enquanto língua internacional. Por contaminação com o inglês, que manteve a designação local (e o português, já agora), a menção da língua pelo país (mais recente) e não pela actual região de um país reconhecido pela comunidade internacional. E um argentino, uruguaio, peruano ou mexicano dirá sempre que fala espanhol, e nunca castelhano. Aliás, quando comecei a ver uma famosa série no Netflix, comentei com uma amiga mexicana que estava a aprender calão em espanhol, e a resposta foi: «do castelhano» — não que a língua não seja a mesma, mas porque o calão é eminentemente espanhol (de Espanha), e não sul-americano.
Pode evidentemente dizer que o galego, o catalão ou o basco também são línguas espanholas (faladas em Espanha), mas, por muito meritório que seja o sentimento nacionalista de Galiza, Catalunha ou País Basco, são as suas línguas que se diferenciam do castelhano, erigido a norma do espanhol (língua internacional, repito). No entanto,  além de ser esse o nome dos cursos do Cervantes e das escolas e universidades em todo o mundo, a Real Academia chama-se de la Lengua Española, faz dicionários e ortografias do espanhol — e não, repito, do castelhano. É por tudo isto que me apaziguei com a designação, que aceito e uso sem reservas. A língua, dizia-lhe eu noutro lugar qualquer, é também uma forma de fazer política. É este mais um exemplo.
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De Sarin a 01.10.2019 às 19:33

Claro que a língua é uma forma de fazer política. O meu "castelhano ou leonês mas não espanhol" não é inocente :))) E nós falávamos português ainda Espanha era sonhada, daí a minha irredutibilidade ;)
Não! Os meus avós nunca teriam um bistrot! Foi uma guerra, quando no carimbo lhes trocaram o "casa de pasto" por "restaurante": "restaurantes são casas finas com amostra de comida! aqui vende-se comida a quem trabalha!" :))
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De Ricardo Nobre a 01.10.2019 às 19:40

Linguisticamente falando, restaurante é um fricassé (Camilo dixit) do francês. Casa de pasto é boa e antiga frase portuguesa (Garrett). Mas agora voltou a moda das cantinas e das tascas (às vezes com K, naturalmente).
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De Sarin a 01.10.2019 às 20:22

As tascas agora servem risotto e hamburguer de peixe e casserole de qualquer-coisa. Vejo-me grega para encontrar carapaus fritos!
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De Ricardo Nobre a 01.10.2019 às 21:05

Eu, que não sou grande francófono, já fui corrigido por um empregado numa dessas tascas por ter dito entrecosto em vez de entrecôte.
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De Sarin a 01.10.2019 às 21:23

Ter-me-ia lamentado sobre estar em Portugal num restaurante português a pedir comida portuguesa com nome francês mas cozinhada por um chefe português, e ter-lhe-ia perguntado se não achava isso errado. Ter-me-ia lamentado, sim... mas em francês. E se o empregado dissesse não perceber, responderia "então traga-me o entrecosto, sff" :D
Não, não o faria - mas faria uma observação, não duvide.
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De Ricardo Nobre a 01.10.2019 às 21:43

Não me lembro já da conversa toda, foi há muitos anos. Só me lembro de que que não lhe dei razão, mas deixei-o ficar com a dele porque não ia discutir com um empregado. Hoje poderia responder (finalmente uma citação do século XX), como conta José Gomes Ferreira no seu diário, a propósito de uma discussão que presenciou sobre o sentido de «óbvio»: «— Vai ao dicionário, filho, ao dicionário. / — Mandou-me ao dicionário como quem me manda à merda. — comentou o Carlos [de Oliveira] no automóvel».
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De Sarin a 01.10.2019 às 21:51

Muito boa resposta! :D
Mas o Zé Gomes choraquelogobebense, ou o do choradinho na tv?
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De Ricardo Nobre a 01.10.2019 às 22:05

Lamento, mas não percebi a distinção.
O José Gomes Ferreira, autor de Dias Comuns (assim se intitula o diário). E das Aventuras de João sem Medo.
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De Sarin a 01.10.2019 às 22:11

O do choradinho na tv é o economista ;)
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De Ricardo Nobre a 01.10.2019 às 22:16

Acho que já sei quem é (aquele da S.I.C., certo?). Não sei o que ele faz ou diz (aqui no século XIX não tenho televisão, só computador com internet [com rede?]).
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De Sarin a 01.10.2019 às 22:18

Deixe-se ficar como está, o original era tão bom em previsões como o da SIC ;D
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De Ricardo Nobre a 01.10.2019 às 22:27

E fico. Quando saio é para ir ali ao século XVIII ver como estão as modas.
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De Sarin a 01.10.2019 às 22:31

Acuso o toque e à gargalhada! :D
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De Sarin a 02.10.2019 às 15:49

Reparei agora que não havia respondido a um pormenor: este postal não ter imagem...
Bem tentei, mas não encontrei imagem que me seduzisse e não tive disponibilidade para continuar a procurar :)
Por vezes, a ausência de imagem é intencional e até explico a intenção; não foi o caso, mas o mês de Setembro é um mês de horas contadas e não ilustro só por ilustrar :)
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De Mariali a 30.09.2019 às 22:38

Há palavras que se entranharam no nosso vocabulário que nós, distraídos, nem sequer nos apercebemos de que são estrangeirismos. Concordo que deveremos estar atentos, mudarmos de atitude e termos "coragem" de dizê-las em português.
Boa semana! Bjinhos
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De Sarin a 30.09.2019 às 22:57

Olá, Mariali :)
É mesmo isso, usar em português. Porque há.
Beijocas, boa semana :))
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De imsilva a 30.09.2019 às 23:03

Ainda há pouco na tv, apareceram umas imagens de Cavaco Silva, há uns bons anos atrás,  a falar dos "jobs for the boys". Até me saiu urticária. Temos uma das mais bonitas línguas do mundo, pelo menos escrita, que falada, não creio que seja. Vamos aproveitá-la, e usá-la. 
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De Sarin a 30.09.2019 às 23:09

O Cavaco dá-me urticária fale em que língua falar :D
Falada não tem muita musicalidade, mas cantada entra na música, espalha-se, abraça-nos... e não, não apenas pelo fado ou pelo cante. Temos sonoridades só nossas, que musicadas ficam lindas. Mas sou suspeita, adoro música popular portuguesa :)


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De Rui Pereira a 30.09.2019 às 23:50

Escolhi "publicação".
Não gosto de estrangeirismos.
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De Sarin a 01.10.2019 às 00:07

Ora aí está!
Eu uso postal porque alio imagem e texto :)
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De Ricardo Nobre a 01.10.2019 às 19:41

Já votei (vencido) em «outro». O post (pôust) tem larga vantagem.
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De Sarin a 01.10.2019 às 20:35

Sim, também votei vencida... mas não desisto,
vencidos mas não convencidos :)
(E, aliás, a gramática gravita em volta do Sol, não do inglês)
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De Ricardo Nobre a 01.10.2019 às 20:54

Laboro em tantas causas vencidas há tantos anos porque não as acho perdidas. Assim, aqui vamos nós, cantando e rindo, como se dizia quando não havia poluição do capitalismo no nosso jardim à beira-mar plantado (nas palavras de Tomás Ribeiro*).


* Um dia vou conseguir citar alguém nascido depois de 1901.
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De /i. a 01.10.2019 às 22:02

É in usar anglicismos, querida Sarin. No tempo do Eça o Francês entrelaçava-se com as nossas palavras portuguesas, entretanto, ficou démodé.
Então não vês essa coisa de as universidades passarem a ter o nome em inglês?!
(Aprendi nas técnicas de tradução que nomes próprios, instituições locais, nomes de específicos de monumentos não se traduziam... Sou antiga)
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De Sarin a 01.10.2019 às 22:09

Eu sou mais antiga, nem dessas técnicas tive :D
Sempre me irritaram, e cada vez mais... somos bons a fazer de tapete!
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De /i. a 01.10.2019 às 23:05

Pois somos 
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De Ricardo Nobre a 01.10.2019 às 22:10

Não é uma tendência recente. Antes usavam-se designações em latim (Universitas Conimbrigensis, Olisiponensis, Catholica), foi só fazer uma actualização da língua internacional. Com a diferença de que na altura não havia o acordo ortográfico que fortaleceu indelével e incrivelmente o poder político, cultural, académico, científico e económico da língua portuguesa*.


* Ironia, sarcasmo e sátira nesta última frase.
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De /i. a 01.10.2019 às 23:12

Olá, Ricardo.
Eu gosto de latim. E a nossa língua é a evolução do latim. E gosto muito das expressões latinas entrelaçadas no nosso português.


Eu não acho piada ao acordo ortográfico e em alguns aspectos é ridículo. 

[a palavra a quem a quer]


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