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desafio de escrita dos pássaros #13

por Sarin, em 06.12.19

[Tema #13 Reescreve o final dum filme]

lágrima.jpg

Reescrever o final de um filme...

Out of Africa. África Minha. O leão deitando-se no planalto, a câmara afastando-se de grande plano para panorâmica.

O rei da savana guardando a memória dos que, amando-se, amaram a terra mesmo depois do desencontro. Uma tão grande comunhão e tantas perdas assim simbolizadas naquela derradeira harmonia do adeus... a homenagem perfeita. O final perfeito. Não mudaria uma vírgula, não alteraria um fotograma.

É o meu final perante este filme que quero reescrever. A sensação de esmagamento é atroz, a história e a História oprimem o meu peito, sou Isak/Karen/Meryl durante todos os minutos... e a imagem final rompe todas as dores que sustive. Choro Karen e choro Dennis e choro Bror, choro o Quénia e choro África. Choro os seus desencontros, choro os meus desencontros. Sempre.

Queria ver este filme e terminar dizendo, apenas, "foi um bonito filme". 

Out of Africa - End Title (You are Karen)

John Barry (1985)

Música da Banda Sonora Original do filme homónimo de Sydney Pollack

 

 

 

 

 

 

Nota que nada tem a ver com o acordo ortográfico, antes com um acordo que tentarei manter com os Pássaros, com os meus colegas de desafio e com quem me visita:

Estou doente. Estou sem inspiração. Estou sem vontade de escrever. Produzi este postal apenas para não falhar. Prometo tentar escrever algo decente quando me sentir melhor. De qualquer forma, não garanto: todos os filmes cujo final recordo são filmes aos quais nada mudaria, dos outros não reza a história e mudar-lhes, apenas, o final seria insuficiente. Ademais, alterar a criação de um artista é um pouco de petulância, não? Mas, enfim, sendo um exercício de escrita, tentarei. Em breve. Desculpem o mau jeito. E o atraso.

[Desafio de Escrita by Pássaros]

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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lançado às 15:20

desafio de escrita dos pássaros #12

por Sarin, em 29.11.19

[Tema #12: Aqueles pássaros não se calam]

 

Os rouxinóis da noite

 

O frio caiu aos rebolões pela alma da gente.

Começou por um gelo fino

 na superfície de águas turvas.

Lama, lodo em cada cais,

e a neve a tapar-nos os olhos

e um calor de fogo-fátuo a queimar-nos,

um fogo preso de artifícios que,

distraindo-nos,

nos gelava.

Congelava.

Cristalizava.

 

Os dias ganharam sombras.

As gentes ganharam sombras,

espessas,

em cada esquina,

por cima de cada ombro.

 

E o desassombro do frio invadiu o país,

gelando-nos a raiz,

ceifando-nos o pão

que quiseram de outros, nosso não.

 

E foi na noite,

mais amena,

que outras sombras nasceram

claras

quentes

prenhes de poesia.

E escreveram

E cantaram.

Trinados de esperança

A resistência pipiada em cada senha

Em cada curva da letra que fugia ao azul

E nascia na noite

Sempre a noite…

Mais clara que o dia frio.

 

Dias chegaram em que o frio se foi

E as sombras claras da noite ganharam forma

E os rouxinóis saíram de palavra em punho

De guitarra em punho

E encheram as gentes com a alma

Que haviam esquecido ter:

Esperança!

 

Cantam ainda na memória.

Aqueles pássaros não se calam.

Não se calarão na minha história.

 

Nota de roda dentada: também os oponentes do AO90 não se calam

Cantilena (1969)

letra de Sebastião da Gama

música de Francisco Fanhais

 

 

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lançado às 15:01

desafio de escrita dos pássaros #11

por Sarin, em 22.11.19

[Tema #11: Um dia na tua família… do ponto de vista do teu animal de estimação]

Jacó dormindo.jpg

Eles, os do meu lar

O Sol acorda-me sem sons. O orvalho desfaz-se já quando o humano mais velho abre a porta e visita as aves do quintal, aprumado mas agarrado a uma árvore sem raiz nem folhas, toc toc toc desde que os raios lhe espreitaram a janela. Há muito que o vejo acordar com o Sol, mas a árvore só este ano lhe nasceu na mão.

O gato negro, Jacó o chamam, espera que a porta se abra para entrar e descansar depois do namoro às sombras da Lua. O humano sorri-lhe, afagam-se e seguem cada um o seu caminho, assim cruzados ao amanhecer.

Ouço já os outros humanos. Ela hoje levantou-se mais cedo, abrindo sorrisos e portadas. Sinto-a na cozinha, perto do jardim das rosas – o meu preferido, dela também. Vem tomar o pequeno-almoço entre tachos, feliz e alvoroçada vai-me piando bom-dia. Ele sorri ainda mais, e percebo porquê quando avisto as gaiolas pretas que se aproximam. Trazem os seus pardalitos, uma sozinha de Norte outra em bando de Sul. A mais velha sai de uma gaiola só dela pipiando pela mais pequena da outra gaiola, os mirtilos luzindo-lhe quando a vêem. A pequenita atira-se ao seu colo como a amoras, a rama dos cabelos ondulando enquanto todos chilreiam como se manhã de Primavera.

Esvoaçam, saltitam, sacodem-se e debicam-se com amor. Gorjeando, adentram o ninho com os dois humanos dos jardins de baixo, entretanto também chegados. Os gatos desses jardins espreitam, o cão latindo por lá – só brincarão mais tarde, agora é hora destes humanos de quatro gerações celebrarem o estarem juntos.

Vejo-lhes o cocuruto enquanto à volta da tábua grande, sei que alegres horas ficarão debicando e pipiando. Quando o sol invadir o ninho pelas janelas mais largas, todos virão até mim e por aqui ficaremos preguiçando, animais de duas e quatro patas felizes pela tarde.

Agora comemos. Bagas e sementes não faltam, mas são as árvores frondosas que guardam os suculentos segredos que caço em pleno voo. Como ela, também eu preparo banquetes para os meus pardalitos.

 

Volto todas as Primaveras. E todas as Primaveras eles me saúdam como se eu da família. Este é o meu lar. Espero morrer ali no jardim das rosas, num qualquer fim de Verão sem força para rumar ao Sul. Penso que terão saudades, mas morrerei tranquila – na Primavera os meus filhos voltarão, deixo-lhes no bico o sabor e o caminho de casa.

 

Nota de rodapata: o AO90 não é animal mas é irracional. Não é aqui estimado.

Imagem: Jacó descansando no arquibanco

(com coleira. dada pela Sobrinha, será perdida em poucos dias. a Sobrinha desiste de o tentar enfeitar)

vídeo: A andorinha da Primavera (Madredeus, 1997)

 

 

 

 

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desafio de escrita dos pássaros #10

por Sarin, em 15.11.19

[Tema #10: Já chegamos? Já chegamos?]

soldier with twins.jpg

Entre a missão e o destino

Os primeiros chegaram apressados. Entraram velozes, cegos pela claridade depois de escuros e intermináveis túneis de fuga. Durante a evacuação poderiam talvez usufruir da paisagem que se avistava do lado de lá da barreira de plástico; por agora, teriam de preparar o espaço para o pelotão que não tardaria. Não tardou. Na pressa da chegada, alguns soldados houve que, de tão ansiosos, chocaram contra a barreira e ali ficaram, como que tapetes para os que neles tropeçaram uma e outra vez até se indistinguirem na confusão de corpos. E continuaram a chegar, atropelando-se numa algazarra feliz de quem corre para o seu destino. Quando os últimos apareceram, arquejantes e a espaços, ouviu-se alguém perguntar, talvez o das comunicações, Já chegamos? Já chegamos? É que, não sei se têm noção, mas isto aqui não é muito confortável, e ainda vamos a meio da missão… A resposta não tardou, Não, não chegamos! É preciso mandar vir mais um contingente!

Os do segundo contingente entraram mais lentamente, acomodando-se com força onde cabiam. Olharam em volta e, perante a desorganização, não puderam deixar de pensar nos riscos que corriam. Sabiam que o ataque seria pouco ortodoxo, mas, ainda assim, temiam que os houvessem enganado no Gabinete de Voluntários.

Chegada a ordem de marcha, todos sentiram estar feito o mais fácil - dali em diante a missão seria tão árdua como delicada e, apesar de irmãos de armas, no terreno teriam de trabalhar cada um por si. Voaram votos de boa sorte, o pelotão concentrado no embalo do transporte. De repente, sentiram-se girar, uma avaria, talvez, a rotação a todos deixando lívidos. Quando pensavam não aguentar, o transporte imobilizou-se, as pernas embatendo-se na inércia mas todos vivos.

Ainda zonzos, perceberam sombras e silvos na distância. Um dos mais resistentes perguntou afoito, Já chegámos? Já chegámos? nada mais perturbando a apreensão que os calava. Mesmo assim maltratados, contavam ser lançados em pequenos grupos que atacariam por fases, cada soldado tentando anular as defesas do objectivo até que algum conseguisse entrar no sistema e daí dominar as instalações. Nisto pensavam todos, preparando-se para o seu melhor, quando avistaram o cano de aço a eles apontado. Suspiraram, irmanados também no reconhecimento do fim. Os movimentos com que os haviam enfraquecido tinham sido propositados: não os queriam para ataque. Não. Na ânsia de saírem em missão, haviam-se afinal oferecido para um teste de fertilidade sem óvulos no horizonte.

 

Nota de roda dentada: o AO90 não chega nem chegará aos calcanhares que quer morder.

imagem recolhida no Pinterest

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desafio de escrita dos pássaros #9

por Sarin, em 08.11.19

[Tema #9 Acordaste nu, sem te recordar de nada, numa ilha deserta]

Tenho a pele húmida e quente, ouço sons que parecem de mar… mas onde o mar aqui? E, no entanto,  sinto a rugosidade sob o meu corpo semi-nu, como se grãos de areia colados à pele. Tenho dificuldade em concentrar-me, nada recordo, apenas neblina e confusão…

 

Sim, este poderia ser um começo para o tema desta semana. Mas não. Foi a minha semana, mercê do fortíssimo resfriado que entrou enquanto me preparava para a vacina da gripe. Frio, calor, o peso do planeta na minha fronte... estive dentro de um buraco negro e confirmo, é cor-de-laranja. Ou então eram resquícios do exfoliante usado no duche tentado e que, inadvertidamente, se me colou à pele e acompanhou à cama num destes dias. Ou noites, sei lá eu... enfim, já quase passou.

Os Pássaros que me desculpem o intróito - mas o tema aconteceu.

O texto segue dentro de momentos…

1863_Alexandre_Cabanel_-_The_Birth_of_Venus.jpg

Nada, Viva!

Não tenho ontem.

O lençol desnuda o meu corpo

rolando suave a meus pés

e logo volta

morno manso

- meneios de mar morrendo

na praia onde me avivo.

Afundo a face na areia

e aspiro a cor das ondas

tentando prendê-las

retê-las

para com elas criar uma história neste agora

onde

por memória

tenho a espuma

o nada que me fica na pele.

Nua.

Sem roupa sem passado sem pecado

talvez que o mundo me tenha assim criado

e eu

recém-parida recém-perdida

tenha direito a uma segunda vida para me escrever.

Um nado-vivo no nada

que nada em direcção a tudo

e revive o amanhecer.

 

Nota de roda-desandada: O AO90 vai nu e não deixa memória.

Imagem: O nascimento de Vénus, Alexandre Cabanel (óleo sobre tela, 1875). De domínio público

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Um desvio ao desafio de escrita dos pássaros #8

resposta da criança à mulher

por Sarin, em 02.11.19

[Resposta à carta original do Desafio de escrita dos Pássaros #8 Carta ao meu passado]

sara.JPG

Resposta da criança à mulher

Olá, mulher eu grande.

Sonhei que me escreveste, mas hoje a tua carta estava aqui. Se calhar sou sonâmbula como o Primo Mais Novo, mas acho que a dormir não ia ao dicionário ver como se escrevem as palavras grandes, por isso acho que foi a Mãe que a escreveu a fingir que eras tu. Ou eu, não é?

Ainda bem que não sei como vou ser, podia estragar tudo. Como quando os pais diziam que se não bebesse leite não crescia, mas eu não bebi e sou a mais alta da escola da manhã.

Sabes, mulher eu grande, acho que as crianças não crescem mais porque os adultos não deixam. A J. é muito pequenina e dizem-lhe para comer o pão todo, mas ela não consegue e obrigam-na. Depois ela vomita tudo! Não se pode crescer se se vomitar quando se come, pois não?

Os adultos às vezes não sabem mesmo o que estão a fazer... A mãe da M. está grávida, e disseram-lhe que guarda comida na barriga para fazer leite para o bebé que a cegonha vai trazer… Ainda se fosse andorinha ou pisco, que há cá muitos, mas cegonhas só há no Alentejo, não sei como é que a M. acreditou! Eu disse-lhe que o bebé já estava na barriga e que era como os girinos e depois é que surgem os braços e as pernas, ela não acreditou e eu ia mostrar-lhe a enciclopédia, sabes, a que os pais compraram quando a Prima ficou grávida?, mas a Mãe disse que não porque os pais da M. podiam não gostar. Mas se somos animais com maminhas e se é assim que os bebés aparecem, porque os adultos não explicam e ainda mentem? E depois dizem que mentir é feio! Vês?

E outra coisa, os meninos da escola não acreditam que somos animais! Andam numa escola onde aprendem que Adão e Eva são avós deles... Eu nem lhes falo dos macacos, o Primo Mais Velho disse que eles não iam gostar de saber. Não percebo porquê, mas sei que às vezes os garotos querem bater em quem diz coisas diferentes e não me apetece andar à bulha por causa disso… Mas ando por outras coisas. Lembras-te, quando o L.R. estava a ameaçar bater no R. e eu lhe disse para bater em alguém do tamanho dele para a luta ser igual e ele empurrou o R. e eu o atirei ao chão? Já aconteceu mais vezes, e a Mãe disse que não devo lutar. Mas não posso deixar que os maiores batam nos mais pequenos, pois não? É injusto, e acho que devemos defender os mais fracos, como faz o Lingue Chungue.

Olha, já acabei de ler o “Nanu, o menino que estudava num livro de pedra”! É tão bonito! Dantes não tinham papel para escrever porque ainda não tinha sido inventado, mas escreviam nas paredes das grutas e nas pedras e depois nas peles e nas folhas das plantas… não sei como será quando eu for tu, mas espero que consigas ler esta carta.

Beijinhos e não te esqueças de mim.

 

Referências

Primo Mais Novo, Primo Mais Velho, Prima - postal 1 de Agosto de 1979

Lingue Chungue, na verdade Lin Chung ou Lin Chong - Herói da ficção chinesa trazido para Portugal numa série japonesa na década de ´70. Pedro Boucherie Mendes fala nisso aqui.

Nanu, o menino que estudava num livro de pedra - livro de contos de Garcia Barreto, o primeiro conto a história de um menino pré-histórico que estudava num livro de pedra. Foi um dos primeiros livros sem imagens que li - e demorou-me alguns dias porque o meu pai o comprou em tempo de aulas... em tempo de aulas o meu tempo de leitura acabava às (então ainda se dizia) 10 da noite (até me ter lembrado de usar as lanternas do campismo debaixo dos cobertores, mas isso foi só na 2ª Classe).

Fotografia - não me lembro do nome do fotógrafo, vinha de longe, mas a fotografia, da qual retirei uma ampliação, ainda tem o número 61. Havia muitas crianças, mas não na minha escola, éramos só 44.

 

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desafio de escrita dos pássaros #8

Carta ao meu passado

por Sarin, em 01.11.19

[Tema #8 Escreve uma carta para a criança que foste]

Carta ao meu passado

Olá, miúda!

Não me conheces ainda, mas saberás quem sou quando te disser que a Andorinha está à espera de que saias da escola para se deitarem na relva a ler o livro de histórias, a cadela encostada às tuas pernas, depois aos teus braços e, finalmente, debaixo do teu pescoço e Oh, Mãe, foi mesmo agora!, as borbulhas no peito a dizerem que não, que não foi mesmo agora e a Mãe a fingir que as não vê.

Sim, adivinhaste. Parece magia, mas tu não acreditas em magia e por isso sabes que é apenas um sonho, uma fantasia como aquelas que lês e imaginas sabendo-as mentira e ainda assim tão bonitas. Este é um sonho de um bando de pássaros que daqui a quarenta anos e mais uns meses pedirá que escreva uma carta à criança que fui. A ti, eu com 7 anos.

 

Não te contarei como será a tua vida. Quero que a vivas, cada dia uma aventuras, as descobertas a serem tuas na hora em que acontecem. Quero que chegues aqui onde estou pelos exactos passos que trilhei, com todas as perdas e danos e dores e suores e conquistas e alegrias e, até, alergias. Se mudaria alguma coisa? Depois de sabermos o que vai acontecer é fácil, e tu nem sequer gostavas de ver as cenas dos próximos capítulos do Marco, lembras-te? Mas posso dizer-te que a vida continuará a ser bonita de viver, miúda, e tu vais viver em frente, o passado sempre acarinhado mas nunca a puxar-te de volta.

 

Sei que, depois de leres esta carta, me quererás responder, nunca gostaste de deixar uma carta sem resposta. Estarei ansiosa a aguardar o que terás para me dizer – o que eu com 7 anos teria a dizer a este eu com 47.

Mas mais logo, que passaste a semana a explicar aos outros meninos que as bruxas não existem e não tiveste tempo para pensar em cartas…

... e agora, vá, para a mesa que a Mãe faz anos! Até logo!

 

Nota de roda de mão: O AO90 não pode escrever uma carta a si mesmo quando criança – este não perceberia nada.

 Imagem: fotografia da primeira classe (a publicar com a resposta)

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