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3 minutos de praia... e o dilúvio

por Sarin, em 16.08.18

Hora de almoço, televisão sintonizada na SIC, jornalista em reportagem na praia, atenção mínima aqui da menestrel e daí a conversa parecer da bobo - mas não:

 

"Estamos aqui na praia de ***, onde se podem praticar muitas actividades, como por exemplo apanhar sol "

A gargalhada foi sonora. Actividade, apanhar sol? Só se for para a sonda que vai a caminho... é que actividade implica acção por parte de quem a desempenha - e a memória que tenho desse tal "apanhar sol" numa praia é o que mais se assemelha a inactividade... mas vá, concedo, posso estar enganada e haver quem seja activamente insone ou observador "a apanhar sol"...

 

E a jornalista continuou, feliz, a enunciar as actividades na tal praia cujo-nome-se-me-varreu com a gargalhada:

"[...] ou jogar tchouckball, desporto nascido no Brasil... e vamos falar com este atleta sobre esta modalidade..."

"É, esta praia é muito boa para jogar tchouckball, desporto nascido na Suíça [...]"

 

Desisti de ouvir "as notícias". Porque toda a família riu perante esta sequência, o que abafou o som; mas, também, porque assistir à falta de preparação por parte de um profissional se torna confrangedor... e, caramba, um feriado a meio da semana não deve ser passado a ver as inactividades dos outros!

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2 comentários

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De júlio farinha a 16.08.2018 às 22:32

A ideia da potencial fénix é muito criativa. Quis dizer, Sarin,que uma entidade se alimenta da autocombustão e dá origem, através das próprias cinzas, a uma outra realidade sucedânea da primeira num movimento de transfiguração? No caso, assiste-se ao aparecimento do jornalismo de investigação produzido pelos sedimentos do mau jornalismo? Faça o favor de me dizer se as minhas elucubrações fazem sentido.
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De Sarin a 16.08.2018 às 23:09

Foi exactamente isso que ilustrei, Júlio.

O CM começou por criar um outro nível de jornalismo, que apelava mais à sensação, ao acessório e ao imediato do que à objectividade e ao rigor. Uma fórmula que se verificou dar dinheiro e que alterou o paradigma jornalístico, quase simultaneamente convulsionado pelas plataformas digitais.

Nisto, como noutras coisas, os pioneiros com boas fórmulas é que ganham espaço - e espaço é dinheiro.
Ora a investigação exige dinheiro porque exige recursos vários, entre eles tempo.
E, neste momento, poucos são os jornais que dispõem de tais recursos - mas o CM é um desses. Com a vantagem de ter escoamento garantido, outra dificuldade com que se deparam os jornalistas... afinal, quantos cafés não têm CM? :)

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