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Um até breve sem prazo

por Sarin, em 30.06.20

Orbito entre o que quero, o que posso e o que preciso, tentando equilibrar todos os mundos na minha mão. Porque aquilo que quero nem sempre é aquilo que posso, é chegada a altura de fazer o que não quero mas preciso - uma pausa no olhar os ecrãs, uma pausa no navegar a blogosfera. 

Não sei por quanto tempo estarei ausente, mas sei o quanto terei saudades de vos ler.  E sentirei saudades dos debates, da troca de ideias, das partilhas de memórias, do desfiar de histórias... Terei saudades vossas.

Obrigada por terem passado, obrigada por continuarem a passar. Espero encontrar-vos quando voltar.

E agora vou, deixando-vos um até breve sem prazo.

 

The Phantom of the Opera (Andrew LLoyd Webber, 1986)

 

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
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Ainda pelo Rasurando

por Sarin, em 30.06.20

Fui ao Rasurando falar dos governantes. Das incompatibilidades previstas na lei e das compatibilidades que a lei não deveria prever. Ou algo assim... porque, no fundo, o que interessa é que cada um de nós saiba o que exigir a quem se predispõe a governar.

Passem por lá, é aqui mesmo ao lado.

No Rasurando: E os Governantes?

 

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Repositório de emprestados 2020.3

por Sarin, em 30.06.20

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A meritocracia é a melhor forma de progressão. Nos estudos, na profissão, na opinião pública.

Claro que a noção de mérito é muito variável e, até, incompreensível - basta olhar os quadros de honra das escolas e os quadros de honra das estações televisivas, vulgo audiências.

A posição nas listas de classificação parece ser a medida de valor mais usada em Portugal - mesmo, ou principalmente, quando não se conhecem os critérios de avaliação, porque o que interessa é a posição no sagrado ranking. Mas desvio-me da minha questão, não quero falar da perversão* dos rankings e sim da meritocracia.

Estou em crer que apenas os apologistas do compadrio serão contra um sistema que avalie as capacidades e competências de cada um e que premeie os mais competentes, os mais capazes.

Mas a meritocracia tem um grave problema, que fere mortalmente o desígnio de a cada um conforme as suas capacidades: nem todos têm as mesmas oportunidades para desenvolver e apresentar as suas capacidades.

Um aluno bem alimentado numa casa confortável tem condições de estudo e de desenvolvimento muito diferentes das de um aluno numa casa húmida e gelada no Inverno e muito quente no Verão, onde a alimentação pouco varia pois, mais do que obedecer à roda dos alimentos, interessa conseguir ter o que comer todos os dias. Falo do conforto térmico da casa e da diversidade alimentar mas poderia falar da privacidade e da diversidade de oferta cultural, do conforto sonoro e da diversidade das actividades extra-curriculares; falo, na verdade, de tudo isto e do seu reverso, o nada disto.

Talvez que uns pais tenham trabalhado mais do que outros para agora poderem oferecer melhores condições? Talvez sim. Mas pode muito bem acontecer que talvez não, que, apenas, também eles tenham sido criados em casas semelhantes e não tenham conseguido trabalho suficiente.

A criança excepcional que, apesar da casa fria e da alimentação monótona e de tudo o mais que lhe é menos, consegue singrar nos estudos e ser a melhor das melhores é isso mesmo, excepcional. Pelas suas capacidade e determinação, muito acima da média, e pela frequência com que tal acontece.

Das duas, uma: ou apenas consideramos meritórios os esforços da criança que sai da tal casa fria e chega ao quadro de honra, ou teremos de aceitar que a corrida para o mérito arranca viciada logo na partida.

Esqueçamos de onde partiu, essa etapa vencida, e avancemos do quadro de honra para a profissão, pois mesmo que uma pessoa seja muito mais (ou muito menos) do que a sua profissão, se sem outros rendimentos será desta que se alimentará.

Temos a criança já adulta e com estudos concluídos com notas brilhantes, e é hora de a acompanhar no mercado de trabalho. Uma mulher numa empresa privada dificilmente ocupa cargos cimeiros antes dos 40-45. Não será por falta de mérito, até porque é mérito adicional trabalhar com dores e humores menstruais; e ainda mais meritório é trabalhar com o centro de gravidade a deslocar-se a cada dia, com o desconforto do volume e do peso nas pernas na bexiga nas mamas, e as dores e a sensibilidade e a emoção e os enjoos... mas é este um tipo de mérito que atrasa a progressão de uma mulher na profissão*. Este e outros, mais comezinhos mas felizmente cada vez menos frequentes. Já na administração pública torna-se mais fácil, os concursos nacionais não olham ao género. E há as quotas, aquele mecanismo de discriminação positiva sem o qual os homens que decidem continuariam a decidir-se maioritariamente por homens. Não por terem mais competências, mas por não terem os méritos errados.

Peguemos agora no homem saído do quadro de honra, e coloquemo-lo numa sala de futuros empregadores, todos nos seus fatos e charutos, incluindo os homens da sua turma que não saíram do quadro de honra. Todos nos seus fatos excepto ele, que nunca ligou ao que vestia desde que andasse limpo e, de preferência, sem publicidade gratuita a marcas cujas peças pagava. Não se encaixa naquela sala, mesmo que tenha a pele certa e não tenha tatuagens nos braços nus nem brinco nas orelhas lavadas. E isso lhe dizem ainda, que a ausência do charuto ainda passa, mas sem fato... e o homem saído do quadro de honra tem de levar o preconceito às compras de um fato talhado com outro mérito.

 

Este é o problema da meritocracia: se as casas de partida e as casas de chegada não são iguais, não se podem comparar os caminhos. Porque não falamos de pequenas discrepâncias mas de profundas diferenças estruturais e, por isso, estruturantes.

Antes de podermos defender um sistema de mérito, temos de garantir que as oportunidades são semelhantes.

Porque pugnamos por direitos e deveres iguais, é esta regra constitucional que todos os cidadãos desejamos ver cumprida. Mas a sociedade e a lei não marcham no mesmo compasso, a questão do mérito disso sendo prova.

Será ou ingenuidade ou imbecilidade, supor que se pode falar de deveres sem falar de direitos. A inversa não é verdadeira - o adulto a quem hoje exigem os deveres pode ser a mesma criança a quem ontem não garantiram os direitos.

 

 

* há mais perversões. há mais rankings. há muitos critérios.

** artigo de 2019. nada mudou.

imagem: pormenor da escultura em bronze Self made man, de Bobbie Carlyle

 

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Sardinhas à parte, ou nem por isso

por Sarin, em 24.06.20

Um texto que sobre a mesa tem uma broa. um tomate. uma almotolia de azeite. um prato com sal gema.

Fatiei a broa, coloquei a sardinha assada, olhei a pele da sardinha a nutrir a fatia.

Fatiei finamente o tomate, reguei com fio de azeite e pedra de sal.

Retirei a sardinha, descasquei-a, retirei-lhe os lombos.

Na fatia embebida coloquei rodelas de tomate e, sobre estas, os brancos lombos da sardinha.

No fim, brindei.

 

Claro que tudo é metafórico. Menos o brinde, mas depois explico.

Passem por lá. Apanhem boleia na sardinha.

se na sardinha clicar, ao sardinhaSemlata vai parar

 

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Onde ideias-desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor.


Obrigada por estar aqui.


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e uma viagem diferente


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