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desafio de escrita dos pássaros #12

por Sarin, em 29.11.19

[Tema #12: Aqueles pássaros não se calam]

 

Os rouxinóis da noite

 

O frio caiu aos rebolões pela alma da gente.

Começou por um gelo fino

 na superfície de águas turvas.

Lama, lodo em cada cais,

e a neve a tapar-nos os olhos

e um calor de fogo-fátuo a queimar-nos,

um fogo preso de artifícios que,

distraindo-nos,

nos gelava.

Congelava.

Cristalizava.

 

Os dias ganharam sombras.

As gentes ganharam sombras,

espessas,

em cada esquina,

por cima de cada ombro.

 

E o desassombro do frio invadiu o país,

gelando-nos a raiz,

ceifando-nos o pão

que quiseram de outros, nosso não.

 

E foi na noite,

mais amena,

que outras sombras nasceram

claras

quentes

prenhes de poesia.

E escreveram

E cantaram.

Trinados de esperança

A resistência pipiada em cada senha

Em cada curva da letra que fugia ao azul

E nascia na noite

Sempre a noite…

Mais clara que o dia frio.

 

Dias chegaram em que o frio se foi

E as sombras claras da noite ganharam forma

E os rouxinóis saíram de palavra em punho

De guitarra em punho

E encheram as gentes com a alma

Que haviam esquecido ter:

Esperança!

 

Cantam ainda na memória.

Aqueles pássaros não se calam.

Não se calarão na minha história.

 

Nota de roda dentada: também os oponentes do AO90 não se calam

Cantilena (1969)

letra de Sebastião da Gama

música de Francisco Fanhais

 

 

[Desafio de Escrita by Pássaros]

[Cuidemos de todos cuidando de nós: Etiqueta respiratória. Higiene. Distância física. Calma. Senso. Civismo.]
[há dias de muita inspiração. outros que não. nada como espreitar também os postais anteriores]

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Ergue-te: SyncLadies e Andra Day

por Sarin, em 27.11.19

Elas, bailarinas de sapateado, membros das Syncopated Ladies: Chloe Arnold, Maudie Pooh, Anissa Lee, Assata Grooves, Orialis Ashley

A música, rythm&blues, Rise Up de Andra Day

A coreografia, sapateado, de Chloe Arnold

A ocasião, Vídeo solidário sem fins comerciais de Becca Nelson, 2016 (Los Angeles, EUA)

 

 

Na mesma senda Time's Up, aproveitem e vejam, ou revejam, um filme já aqui partilhado

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Lembretes ao olhar a televisão

por Sarin, em 26.11.19

conversas em família.jpeg

Para alguns, parece que a Democracia começou com o 25 de Novembro.

Mas sem o 25 de Abril não haveria 25 de Novembro. Não haveria coragem para pedir mais ou pedir menos, não haveria liberdade para o anunciar, não haveria liberdade para agir ou reagir. Honra lhes seja feita, Vasco Lourenço e Ramalho Eanes sabem que o 25 de Novembro não foi o que alguns querem que tenha sido.

Sabem que os que venceram o 25 de Novembro não teriam feito o 25 de Abril se não fossem instigados - e que tudo ficaria como estava.

Sabem que os que se alcandoraram no 25 de Novembro são os mesmos que aos membros das FP25 chamaram terroristas mas que aos do ELP deram a amnistia. E a vantagem do secretismo. E a garantia do imaculado currículo. E que, assim, deixaram mais de uma dezena de mortos sem justiça. Mas isso de Justiça só interessa para alguns.

 

Pela televisão verifico que em 24 de Abril não era muito diferente. Nem sequer aquela mania das amnistias e do fingir que nada se passou.

Fica-lhes bem, a feia cara sem máscara. 

imagem: Marcelo Caetano em Conversas em Família, Arquivo RTP

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desafio de escrita dos pássaros #11

por Sarin, em 22.11.19

[Tema #11: Um dia na tua família… do ponto de vista do teu animal de estimação]

Jacó dormindo.jpg

Eles, os do meu lar

O Sol acorda-me sem sons. O orvalho desfaz-se já quando o humano mais velho abre a porta e visita as aves do quintal, aprumado mas agarrado a uma árvore sem raiz nem folhas, toc toc toc desde que os raios lhe espreitaram a janela. Há muito que o vejo acordar com o Sol, mas a árvore só este ano lhe nasceu na mão.

O gato negro, Jacó o chamam, espera que a porta se abra para entrar e descansar depois do namoro às sombras da Lua. O humano sorri-lhe, afagam-se e seguem cada um o seu caminho, assim cruzados ao amanhecer.

Ouço já os outros humanos. Ela hoje levantou-se mais cedo, abrindo sorrisos e portadas. Sinto-a na cozinha, perto do jardim das rosas – o meu preferido, dela também. Vem tomar o pequeno-almoço entre tachos, feliz e alvoroçada vai-me piando bom-dia. Ele sorri ainda mais, e percebo porquê quando avisto as gaiolas pretas que se aproximam. Trazem os seus pardalitos, uma sozinha de Norte outra em bando de Sul. A mais velha sai de uma gaiola só dela pipiando pela mais pequena da outra gaiola, os mirtilos luzindo-lhe quando a vêem. A pequenita atira-se ao seu colo como a amoras, a rama dos cabelos ondulando enquanto todos chilreiam como se manhã de Primavera.

Esvoaçam, saltitam, sacodem-se e debicam-se com amor. Gorjeando, adentram o ninho com os dois humanos dos jardins de baixo, entretanto também chegados. Os gatos desses jardins espreitam, o cão latindo por lá – só brincarão mais tarde, agora é hora destes humanos de quatro gerações celebrarem o estarem juntos.

Vejo-lhes o cocuruto enquanto à volta da tábua grande, sei que alegres horas ficarão debicando e pipiando. Quando o sol invadir o ninho pelas janelas mais largas, todos virão até mim e por aqui ficaremos preguiçando, animais de duas e quatro patas felizes pela tarde.

Agora comemos. Bagas e sementes não faltam, mas são as árvores frondosas que guardam os suculentos segredos que caço em pleno voo. Como ela, também eu preparo banquetes para os meus pardalitos.

 

Volto todas as Primaveras. E todas as Primaveras eles me saúdam como se eu da família. Este é o meu lar. Espero morrer ali no jardim das rosas, num qualquer fim de Verão sem força para rumar ao Sul. Penso que terão saudades, mas morrerei tranquila – na Primavera os meus filhos voltarão, deixo-lhes no bico o sabor e o caminho de casa.

 

Nota de rodapata: o AO90 não é animal mas é irracional. Não é aqui estimado.

Imagem: Jacó descansando no arquibanco

(com coleira. dada pela Sobrinha, será perdida em poucos dias. a Sobrinha desiste de o tentar enfeitar)

vídeo: A andorinha da Primavera (Madredeus, 1997)

 

 

 

 

[Desafio de Escrita by Pássaros]

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O que querem as crianças pelo Mundo

por Sarin, em 20.11.19

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A UNICEF tem no seu sítio oficial um conjunto de vídeos com as reivindicações de crianças de todo o mundo.

É interessante. Mas é mais: é importante.

Porque é importante ouvirmos o que têm a dizer as crianças quando se cumprem 30 anos sobre a Convenção que lhes consagrou os Direitos.

 

Se tiverem interesse, podem acompanhar aqui.

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Onde ideias-desabafos podem nascer e morrer. Ou apenas ganhar bolor.


Obrigada por estar aqui.


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