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O lixo dos outros

por Sarin, em 31.05.19

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Every year we dump a massive 2.12 billion tons of waste. If all this waste was put on trucks they would go around the world 24 times.

The World Counts

 

 

O Ocidente andou décadas a enviar os resíduos para os, por si denominados, países do terceiro mundo.

Atulhados em dívidas externas e amarrados a estranhos acordos comerciais, tais países continuaram a receber todo o tipo de resíduos, num negócio que limpava o Ocidente de lixo e de vergonha e o deixava de cara lavada para discutir problemas tão sérios como o preço das quotas de carbono ou a proibição de palhinhas e cotonetes de plástico, tudo bem ensacado num saco de dez cêntimos.

 

Pois bem, isso acabou.

Os países de terceiro mundo cansaram-se de navegar dejectos e detritos, e estão já a devolver os resíduos ao resto do mundo, o seu a seu dono.

Será a melhor forma de os cidadãos ocidentais perceberem exactamente a quantidade de resíduos que produzem.

Até aqui, "longe da vista, longe do coração".

Agora já não.

 

Que sirva também para afogar a hipocrisia e pensar seriamente o Ambiente.

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Temperança pela Samadhi Dance

por Sarin, em 31.05.19

 

Eles, bailarinos de jazz, Juliana & Robson (Escola Samadhi Dance)

A coreografia, jazz contemporâneo, de Arthur de Melo Duarte.

A música, pop, Centuries de Brooklyn Duo.

O quadro, Temperança.

A ocasião, espectáculo Vícios & Virtudes (2015, São Paulo, Brasil )

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Fui de Visita ao Caneca de Letras

por Sarin, em 30.05.19

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Caros bloguistas e passantes que ajudam a animar os dias cá pelo burgo:

A Almoxarife informa que a Menestrel foi de visita a Filipe Vaz Correia e ao seu Caneca de Letras. Avisa também que, sentindo-se excluída, a Bobo amuou e fez greve, pelo que hoje o Turismo não abre.

Certamente não haverá assunto que não possa aguardar por amanhã - e, assim, solidarizo-me com as outras duas e vou-me a navegar por aí.

 

A gente lê-se...

... e até amanhã :)

 

 

imagem recolhida em Via Fly

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Será de lhes tirar o quipá?

por Sarin, em 30.05.19

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Depois de Trump e Bolsonaro nas Américas, com Marine e Conti e Órban a perfilarem-se na Europa, como é que, em Israel, Netanyahu não consegue formar governo com os seus antigos aliados (ainda mais) nacionalistas?

 

Bibi está acusado de vários crimes de corrupção, é certo. Mas conta com o apoio incondicional de Trump e de Bolsonaro.

Já o seu aliado interno, Lieberman, parece muito chateado com a discriminação positiva de que são alvo os ultra-ortodoxos, isentos de serviço militar num país onde todos os outros judeus, homens e mulheres, têm treino intensivo. Embora outros alvitrem que o que pretende é o lugar de Bibi, e para o efeito o pretexto é tão bom como qualquer outro.

 

Sabendo-se que é esta a primeira vez que um primeiro-ministro israelita não consegue formar um governo de coligação, parece este impasse vir confirmar que a tendência no mundo ocidental é mesmo geringonçar os governos.

A menos que, cansados de uma direita agora acusada de corrupta e que os governa desde há 10 anos, os israelitas pretendam uma verdadeira mudança política. Se à direita se à esquerda, se verá.

 

Imagem: Ammar Awad/Reuters, recolhida no UOL Notícias

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E se fosse sempre assim?

por Sarin, em 29.05.19

 

 

Há uns tempos disse que não voltaria a ver notícias à hora da refeição. Mas quando filo a bóia nos pais, e porque acompanhada, nem sempre consigo mudar de canal ou apagar o aparelho, por muito sub-repticiamente que o tente. Acreditem, há dias em que me aproximo da televisão com uma leveza de gato a acercar-se do ninho...

Hoje foi um daqueles em que talvez o tenha tentado com a graciosidade de um hipopótamo no [pub] Museu da Vista Alegre, e acabei por acompanhar o "E se fosse consigo?"

O tema, assédio moral no trabalho, foi muito bem ilustrado por dois actores, uma empregada de limpeza a quem o patrão chamava incompetente e mandava acelerar o trabalho de lavagem do chão no átrio de um ginásio.

O realizador talvez tenha captado 15 ou 20 passantes. A maioria interveio, muito poucos se quedaram mudos, todos incomodados, nenhum indiferente. Novos, velhos, homens, mulheres, uma voz comum: exigiam tratamento digno para a funcionária. Que o patrão até poderia ter razão mas nem aquela forma nem aquele local eram os correctos para o dizer, alertaram alguns; outros exigiram que parasse com tal atitude, e houve mesmo quem tentasse encorajar a funcionária a dizer ao patrão que já chegava de humilhação e que o assédio era crime. Muito calmos e assertivos, até o que chamou besta ao patrão .

Fiquei de alma cheia!

Quando nem um passante fica indiferente e cerca de 75% intervém activamente numa situação destas, sinto que ainda há esperança para o nosso País. Que não estamos totalmente alheados do outro, que não nos limitamos ao nosso quintal.

 

Muitos não se terão apercebido, outros nem terão tal consciência, mas o que fizeram foi acção política tanto quanto foi solidariedade.

Fará diferença ter sido num centro urbano? Talvez. Mas é também aí que se concentra a maioria da população, portanto insisto: deu-me esperança.

 

Agora espero e desejo que assim ajam noutras situações.

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Muito se tem falado sobre a abstenção e as suas causas.

Penso que estas não são lineares, como muitos apregoam, e defendo que o assunto exige um diagnóstico aprofundado para que as medidas de longo prazo sejam adequadas. [Sobre estas, falamos e falaremos no Rasurando.]

 

No entanto, perante

* Umas presidenciais de fim de mandato duplo onde surgem 52% de abstencionistas,

* Umas legislativas europeias que atingem os 70% de abstenção,

temos de aceitar estar perante uma crise da democracia.

Estes níveis de abstenção não são admissíveis, e mais nos assemelham a uma oligarquia. Porque reparem: os menos de três milhões que votaram escolheram pelos quase onze milhões - mas escolheram dentre um universo reduzidíssimo definido pelas direcções dos partidos.

Não vou discutir este tema nem no postal nem nos comentários - como disse, o Rasurando aborda esta e outras questões; mas falo nisto porque os outros quase oito milhões me pesam na cidadania, o meu voto contribuiu para todos como se nós, os que votámos, fôssemos pastores a conduzir o rebanho. E ainda os tenho de ouvir queixarem-se...

 

Defendo várias alterações no nosso regime, e todas elas inter-relacionadas. Mas este postal visa apenas o combate à abstenção no curto prazo.

Porque temos mais eleições este ano, e é urgente anular o défice democrático de que padecemos, estas são as minhas propostas iniciais, e são a base das minhas exigências: que as consequências políticas da abstenção sejam efectivas.

 

* Sou a favor do sufrágio do executivo, à semelhança do que se faz nos municípios.
Já não vamos a tempo para este ano, mas podemos pensar  e pesar seriamente os prós e os contras. Sem as vedetas de televisão: nós, os cidadãos eternamente mudos na plateia.
 
* Defendo o encerramento dos círculos eleitorais e a criação de listas uninominais nacionais que possam concorrer com os partidos.
Também não vamos a tempo para este ano. Exigiria revisão do regime eleitoral e da lei dos partidos, bem como da lei fundamental.
[Adenda devido a comentário: E porquê acabar com os círculos eleitorais? Previstos na Constituição, surgiram numa óptica de regionalização - que nunca avançou excepto nas ilhas. Tecnicamente, apenas servem para eleger deputados para a AR, pois as eleições locais circunscrevem-se às zonas administrativas, e as presidenciais e as europeias são contabilizadas a nível nacional. Há muitos votos não contabilizados - não chegando para meter um deputado, o último deputado do círculo será do partido que tiver a maior fracção. Contabilizados nacionalmente, isto não aconteceria a não ser com o último deputado a entrar. E os partidos menores talvez tivessem hipótese.
Os círculos não servem nenhum outro propósito: os deputados não se sentam nem agem de acordo com os interesses do círculo, mas do partido. E não são deputados do círculo, mas da nação.]
 
* Apelo à descentralização das Comissões Parlamentares com regulação sobre partidos, regime eleitoral, deputados, revisão constitucional, assembleia da república, enfim, sobre matérias que convocam os deputados a votar em causa própria.
Com discussão ao nível local, as comissões parlamentares desceriam aos distritos em assembleia com os eleitores. Dessas reuniões haveria actas publicadas nos jornais locais e nacionais. Só após estas assembleias os diplomas seriam elaborados e votados no Parlamento Nacional.
Para que haja transparência, seriedade, participação.
 
* Peço que o boletim de voto tenha "nenhuma das opções" e "discordo do regime".
Caberia ao Presidente da República gerir tais leituras. "Nenhuma das opções" superior a 1/4 dos votos obrigaria a vacatura de lugares e diminuição de deputados na mesma proporção dos votos. "Não concordo com o regime" superior a  1/3 dos votos obrigaria a referendo de escolha múltipla.
Exequível nas regionais de Setembro e nas legislativas de Outubro. Os resultados não seriam vinculativos pois as medidas exigem legislação que talvez não seja possível aprovar com a celeridade necessária; mas seria recolhida informação importante sobre a posição dos eleitores face ao regime e aos partidos - um ponto de partida para o tal diagnóstico que se exige.
 
* Proponho que o voto não seja obrigatório, mas que o eleitor votante tenha benefícios.
Os direitos dos cidadãos não estão em causa, mas os votantes teriam um pacote de benefícios que incluiriam redução ou isenção de taxas de emissão de documentos de cidadania, descontos adicionais em impostos, majoração em concursos a subsídios. Estes são exemplos acessíveis aos cofres do Estado.
Também se poderiam sortear Títulos do Tesouro, à semelhança do que se faz com a Factura da Sorte.
Fazível nas legislativas de Outubro. Não está inscrito no Orçamento de Estado, mas certamente que, para início, se poderia alterar o regulamento da Factura da Sorte e desviar verba para o Voto Sortudo.
 
* Questiono porque não são divulgados, durante a campanha eleitoral, os custos associados à organização de cada acto eleitoral: orçamento do acto em curso e relatório de contas do que o antecedeu.
Divulgação na comunicação social, em edifícios públicos ligados aos poderes legislativo e executivo, nos sítios institucionais.
Para que os eleitores não votantes tenham noção do dinheiro que desperdiçam ao erário com o seu alheamento gratuito.
Fazível já nas regionais de Setembro. Não percebo como não é prática corrente.
 
 
 
 
 
 
Na imagem, Helena Bonham Carter como Rainha de Copas (fotograma retirado do filme Alice in Wonderland, de Tim Burton)

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European pie, a última vez?

por Sarin, em 27.05.19

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São 2h30. Pelas BBC World e Deutsche Welle sei que os nacionalistas ganharam em França, em Itália, na Hungria e na Bélgica... e no Reino Unido, se entendermos que o Brexit também o é.

Por toda a Europa, liberais e populistas saíram vencedores, como adivinhava mas temia. Não tanto pelos liberais, geralmente moderados, mas pelos outros. E se os partidos ambientalistas também ganharam força, desconfio que de pouco lhes valerá tal vitória, sabendo os liberais essencialmente liberais na economia e os populistas o que mais conveniente lhes for em cada momento - e isto apesar das Thunberg deste mundo...

Como se numa jangada distinta, na Península Ibérica demos aos socialistas a maior fatia, parecendo nisto confirmarmos as políticas dos partidos no governo em ambos os lados da raia, nesta feita assim esbatida. Mas enquanto em Espanha a extrema-direita acompanha a romaria, por cá a direita perdeu-se de si e dos eleitores - e dos partidos sem assento parlamentar não rezará a história destas eleições.

 

Conhecedora destes vagos resultados, tento aprofundar o que aconteceu, saber o que mudou onde e como.

No Sapo fala-se de Portugal, da vitória do PS que não vê problema numa abstenção de 68,8%, fala-se da vitória do BE e do PAN que, tudo indica, elegem mais um deputado do que anteriormente, fala-se da derrota de todos os outros. E fala-se, muito, de como estes resultados se traduzirão nas legislativas.

Nos canais televisivos nacionais, apenas a RTP3 e a TVI ainda vão falando, autopsiando os resultados internos e as suas influências nas legislativas, políticos e analistas e jornalistas nesta abordagem unânimes.

E, perante este isto, pergunto-me se reduzir as europeias a uma discussão de contestação ou validação do governo não será, também,  uma forma de nacionalismo.

Um nacionalismo bisonho e mesquinho que, tão sem consciência de si, fala de vitórias e derrotas partidárias perante a alienação de quase 70% do eleitorado. Um nacionalismo ignaro que rejubila ou se lamenta pelos resultados internos, enquanto a Europa se reconfigura numa manta de retalhos hoje provadamente esgarçados.

Enfim, um nacionalismozinho que não passa de clubismo tão próprio de quem não vê mais nem sente melhor. Apropriado, portanto, à mensagem das eleições de hoje: os portugueses estão totalmente disponíveis para serem conduzidos ao que na Europa se prepara.

Depois guinchemos.

 

 

imagem recolhida no portal dos animais

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A posição que veio do frio

por Sarin, em 26.05.19

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E enquanto a União Europeia ameaçava a Venezuela de Maduro, precipitada e levianamente prescindindo da posição neutra que lhe permitiria mediar a crise e afirmar-se como alternativa mundial aos blocos americano e sino-russo, a Noruega manteve-se calada e foi elegendo os seus governantes à direita.

 

E agora com a União Europeia numas eleições de resultado imprevisível e a ser oprimida por um Brexit que nem pode nem sai de cima...

... a neutra e fria Noruega de direita chega-se à frente:

Governo da Venezuela agradece mediação da Noruega e confirma diálogo com oposição em Oslo.

Os muitos fiordes não lhe impedem a construção de pontes... ainda bem para a Venezuela.

E que vergonha, que oportunidade desperdiçada pela União Europeia!

Que a UE aprenda a manter a cabeça fria e a congelar a vocação de reposteiro. Ou isso, ou mais vale esquecer a política de defesa comum e deixar-se estar sossegadinha e obediente na NATO.

 

 

Foto: Rodovia Atlântica, de   Asbjørn Floden 

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Uma praia diferente

por Sarin, em 26.05.19

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Em 1988 comecei a ver uma série sobre a guerra do Vietnam que não era exactamente sobre esta guerra.

Contava as histórias que, até então, raramente eram focadas, e menos ainda como principais: as das poucas mulheres a quem era permitido estar perto da frente de guerra. Médicas, Enfermeiras, Jornalistas, Animadoras e  Prostitutas.

Trinta anos depois, acredito que não traga grande novidade, mas na década de '80 foi-me revolucionária - nunca tinha visto uma série ou filme de guerra onde as mulheres fossem as protagonistas absolutas. E admirei a coragem de uma dessas personagens em foco ser prostituta - nos EUA chegaram a realizar manifestações contra a exibição da série, esta mesma personagem tida como uma afronta aos bons costumes. Felizmente, os produtores foram mais fortes.

Numa base americana perto de Da Nang, uma enfermeira, uma médica, uma prostituta, uma jornalista e uma cantora fazem amizade e tentam sobreviver a uma guerra pouco convencional numa paisagem tão idílica como sangrenta.

Dana Delany, Concetta Tomei, Marg Helgenberger, Megan Gallagher e Chloe Webb deram corpo a essas personagens, embora a última em poucas cenas. A cantora Laurette Barber brilha em apenas 7 dos 62 episódios onde os dias da Tenente Colleen McMurphy, da Major Lila Garreau e da civil K.C. Kolowski se constroem, mas nem por isso o seu papel é menos importante - afinal, as animadoras contribuíam para animar o moral das tropas, muito especialmente nesta guerra. Também a aviadora com ambições de repórter Wayloo Marie Holmes tem muito menos visibilidade que as outras três. Mas compreende-se, enfermeiras, médicas e prostitutas eram as fundamentais em pleno palco de guerra.

 

Com uma banda sonora genuinamente datada, China Beach trouxe-me durante quatro temporadas as imagens da praia My Khe e uma outra perspectiva sobre a vida em tempo de guerra.

Gostava de a revisitar.

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e sim, este postal é mesmo consequência de algo dito no postal de ontem. que tem título de Amanhã mas fala da importância do dia de hoje.

 

imagens da Wikipédia.

 

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Flashdance

por Sarin, em 26.05.19

 

 

Ela(s), a bailarina de bailado contemporâneo Marine Jahan (algumas cenas) e a actriz Jennifer Beals.

A coreografia, bailado contemporâneo, de Jeffrey Hornaday.

A música, pop, Flashdance... What a feeling de Giorgio Moroder, cantada por Irene Cara.

A ocasião, filme Flashdance  (Adrian Lyne, 1983 )

 

 

 

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Obrigada por estar aqui.


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